sábado, 1 de fevereiro de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Fevereiro 2020


Editorial

O valor do Auxílio
O valor do auxílio não está na intenção do pedinte, mas na intenção do doador. Quem trabalha no bem deve dar sem olhar a quem. Ante a Vida Maior [...], o que vale é o que fazemos em favor do bem.
Se os que nos procuram trazem o coração envenenado, a mente cheia de suspeitas injustas e o ardil nos lábios, é evidente que são os mais necessitados. Pois pode haver maior necessidade do que aquela que ignora a si mesma?
Se os Espíritos Superiores não advertem o médium quanto às más intenções do consulente, é porque este deve ser socorrido, e o médium precisa aprender a auxiliar até mesmo quando enganado.
O resultado das boas ações é computado pela evolução. O galhofeiro de hoje evoluirá amanhã e acabará por envergonhar-se de si próprio.
Precisamos considerar que a Terra é ainda um reduto da ignorância. O consulente ardiloso ignora a extensão da sua maldade. Tanto assim que busca a verdade através da mentira. Não compreende a importância do ato mediúnico e por isso não pode avaliar o que faz. Age inconscientemente no uso da própria consciência. Pode haver maior alienação do que essa?
O médium, pelo contrário, está em plena posse da sua consciência voltada para o bem. Pode haver maior integridade moral no comportamento humano?
Mediunidade a serviço do bem é aprendizado como qualquer outro. Se o médium se sentisse infalível, estaria à beira da falência. É melhor falir entre os homens ou perante os homens, por amor, do que falir ente a Espiritualidade Superior por vaidade e orgulho.
A obra mediúnica sincera e nobre não é afetada por alguns episódios de prova. Os benefícios semeados através do trabalho digno não são depreciados pela maledicência e a ignorância.
Os que receberam o bem de que necessitavam saberão multiplicá-lo ao seu redor. Porque grande é o clamor dos que sofrem e mesquinho o esgar dos zombeteiros.
Prosseguir no bom combate, à maneira de Paulo, é o dever de todos os médiuns a serviço do bem.
(Mensagem de Irmão Saulo, no livro Diálogo dos Vivos de Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires)



Parábola dos dois filhos

“Um homem tinha dois filhos.  Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: ‘Meu filho vai trabalhar hoje na vinha.’ Respondeu ele: ‘Não quero’. Mas, em seguida, tocado de arrependimento foi. Dirigindo-se depois ao outro disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: ‘Sim, pai!’ Mas não foi.”  (Mateus, 21: 28 a 30).

...Notemos bem a atitude do pai daqueles dois filhos, pois essa atitude reflete claramente as condições em que os homens se acham em relação a Deus, o Pai comum de toda a Humanidade. Ele dirigiu aos filhos um simples e natural chamamento, e o fez de modo que eles pudessem, sem constrangimento, aceitá-lo ou não. Não prometeu recompensas e favores ao que o atendesse, nem punição ao que o desobedecesse. Concedeu-lhes liberdade de ação. Espelha-se aí, nitidamente para os que tiverem olhos de ver, a relação em que estamos, nós, os homens, em face da Lei Natural que nos rege o destino. A lei é clara e simples, serena e justa. Um apelo, apenas: “Vai, hoje, trabalhar na minha vinha”, isto é, cumpre o teu dever; corrige-te, aperfeiçoa-te, procurando conhecer-te a ti mesmo. Não faças a outrem o que não desejas que os outros te façam. Ama o próximo como a ti mesmo, de vez que a cada um será dado segundo as suas obras, e não conforme a crença que adote, ou, ainda, as cerimônias que pratique... Res, non verba (Fatos, não palavras).
São dignas de nota as ligações desta historieta cuja singeleza condiz tão bem com a humildade e a sabedoria da escola cristã. Quanta nobreza e eloquência encerra a compostura do pai destes dois filhos! Na sua serenidade vê-se que ele conhece profundamente o temperamento dos filhos e sabe a maneira eficaz de conduzi-los. Conhece também as consequências, decorrentes da desobediência, que recairão sobre eles. Age, por isso, como onisciente e onipotente. Não tem pressa: confia e espera. Não ameaça com penalidades os desobedientes, nem acena com prêmios e pagas para ser atendido e respeitado. Não quer servos nem lacaios: quer filhos que reflitam o caráter e as qualidades paternas. Portanto, não age nem humilha: dá liberdade. Repetimos: quanta nobreza e quanta excelência na atitude dessa figura paterna concebida e plasmada pelo Divino Mestre para nos instruir e esclarecer acerca das relações entre Deus e os homens! Está patente, neste transe da parábola, o livre-arbítrio relativo que gozamos. Em tal, importa a condição de responsabilidade e, consequentemente, do mérito ou demérito de cada um.
(Reflexões do Livro Na Seara do Mestre de Vinícius)






Transcrição

Meus Queridos,
Eu, Ivo dos Santos, venho hoje mandar notícias minhas para minha família. Minha esposa Joana, meus filhos André e Eduardo e minha filha do coração Ângela.
Vocês sabem da minha dor, do quanto sofri com aquela doença que foi acabando comigo pouco a pouco, como uma vela que se apaga.
Felizmente, ainda vivo, eu tive a oportunidade de repensar as minhas atitudes perante a vida e tomar conhecimento Doutrina Espírita.
Esse conhecimento foi muito benéfico para mim, pois eu pude aceitar a minha condição com mais calma, sabendo que não era o fim. Também tinha alguma noção do que encontrar no lado de cá, mas nada é igualzinho ao que imaginamos na Terra, é muito melhor.
Não senti muito a minha partida, para mim foi um alívio. Vocês sentiram muito, muito mais que eu.
Fui amparado pelos irmãos e levado a um hospital no astral para refazimento e tratamento. Eu fiquei lá um bom tempo.
Hoje, eu estudo para conhecer melhor como são as coisas e presto serviços correspondentes a minha condição de aprendiz. Estou bem!
Vocês, minha família querida, eu acompanho por notícias que os amigos me trazem. Ainda não tenho permissão para visitas, preciso me equilibrar mais.
Sinto as preces que ainda fazes por mim, querida Joana, e me sinto tão bem.
O amor não morre nunca, e nos acompanha aonde quer que vamos. Amo vocês todos, do fundo da minha alma!
Que o Mestre Jesus os ampare e ilumine sempre! Um abraço apertado e carinhoso!
Do seu Ivo dos Santos.
(Psicografada em 16/02/2017)



Afetos
A afetividade é uma função que desenvolve as faculdades superiores do espírito, e que, quando nos dispomos a exercê-la, abre nossas potencialidades para o exercício e a descoberta de valores ligados à essência divina em nós. No processo de autotransformação existe a preocupação constante em relacionar-se com os outros de forma cada vez mais afetiva, buscando o aprimoramento nas relações a fim de torná-las emocionalmente mais equilibradas.
A principal maneira de testar como anda nossa afetividade é na relação com os familiares. São eles o nosso primeiro contato social e com os quais estabelecemos as primeiras projeções do mundo interior. Uma pessoa afetiva demonstra o nível em que se encontra na forma como se relaciona com seus pares em casa. Demonstrar afetividade com os familiares representa abrir seu coração para o entendimento com o outro sem cobranças ou exigências.
Resolvida a afetividade em casa podemos partir para estendê-la aos amigos, construindo relações sólidas e maduras, sem dependências ou hierarquias. São nossos amigos que nos situam na sociedade na medida que nos dão retorno de nosso comportamento coletivo. Outras vezes conseguimos estender aos familiares a maneira como nos relacionamos com amigos, facultando a ampliação das nossas relações afetivas.
Através do contato com as pessoas às quais amamos é que conseguimos o melhor de nossa afetividade. Seria ideal que transferíssemos o carinho que temos para com os que amamos aos que fazem parte de nossa convivência social obrigatória. No processo de autotransformação estamos constantemente ampliando nossas relações, consolidando as antigas e disponibilizando-nos às relações afetivas com estranhos.
Para que nos certifiquemos de nossa situação em relação à autotransformação, deveremos verificar quais foram as mudanças significativas que fizemos nos últimos cinco anos em face dos embates com o mundo. Dispondo-nos às modificações que a consciência nos exige, poderemos entrar na autotransformação sem nos expormos excessivamente ao mundo. A razão representou uma grande conquista para a aquisição da consciência no ser humano, e a administração das emoções é o passo seguinte para a entrada na transcendência espiritual.
(Reflexões do Livro Psicologia e Espiritualidade de Adenàuer Novaes)





quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Ano III - Rio das Ostras - Edição Janeiro 2020


Editorial



Viver Melhor

Todos queremos ser felizes, viver melhor. Entretanto, ouçamos a experiência.
A felicidade não é um tapete mágico. Ela nasce do bem que você espalhe, não daqueles que se acumulam inutilmente. Tanto isto é verdade que a alegria é a única doação que você pode fazer sem possuir nenhuma. Você pode estar em dificuldade e suprimir muitas dificuldades dos outros. Conquanto às vezes sem qualquer consolação, você dispõe de imensos recursos para reconfortar e reerguer os irmãos em prova ou desvalimento. A receita de vida melhor será sempre melhorar-nos, através da melhora que venhamos a realizar para os outros.
A vida é dom de DEUS em todos. E quem serve só para si não serve para os objetivos da vida, porque viver é participar, progredir, elevar, integrar-se. Se aspiramos a viver melhor, escolhamos o lugar de servir na causa do bem de todos. Para isso, não precisa você condicionar-se a alheios pontos de vista.
Engaje-se na fileira de servidores que se lhe afine com as aptidões. Aliste-se em qualquer serviço no bem comum. É tão importante colaborar na higiene do seu bairro ou na construção de uma escola, quanto auxiliar a uma criança necessitada ou prestar apoio a um doente. Procure a Paz, garantindo a Paz onde esteja. Viva em segurança, cooperando na segurança dos outros. Aprendamos a entregar o melhor de nós à vida que nos rodeia e a vida nos fará receber o melhor dela própria. Seja feliz, fazendo os outros felizes.
Saia de você mesmo ao encontro dos outros, mas não resmungue, nem se queixe contra ninguém. E os outros nos farão encontrar DEUS. Não julgue que semelhante instrução seja assunto unicamente para você que ainda se acha na Terra.
Se você acredita que os chamados mortos estão em paz gratuita, engano seu, porque os mortos se quiserem paz que aprendam a sair de si mesmos e a servirem também.
(Mensagem de André Luiz, no livro Respostas da Vida de Francisco Cândido Xavier)





Jesus Veio

       “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” — Paulo. (Filipenses 2:7)

Muitos discípulos falam de extremas dificuldades por estabelecer boas obras nos serviços de confraternização evangélica, alegando o estado infeliz de ignorância em que se compraz imensa percentagem de criaturas da Terra.
Entretanto, tais reclamações não são justas.
Para executar sua divina missão de amor, Jesus não contou com a colaboração imediata de Espíritos aperfeiçoados e compreensivos e, sim, “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.
Não podíamos ir ter com o Salvador, em sua posição sublime; todavia, o Mestre veio até nós, apagando temporariamente a sua auréola de luz, de maneira a beneficiar-nos sem traços de sensacionalismo.
O exemplo de Jesus, nesse particular, representa lição demasiado profunda.
Ninguém alegue conquistas intelectuais ou sentimentais como razão para desentendimento com os irmãos da Terra.
Homem algum dos que passaram pelo orbe alcançou as culminâncias do Cristo. No entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando seu derradeiro testemunho entre ladrões.
Se teu próximo não pode alçar-se ao plano espiritual em que te encontras, podes ir ao encontro dele, para o bom serviço da fraternidade e da iluminação, sem aparatos que lhe ofendam a inferioridade.
Recorda a demonstração do Mestre Divino.
Para vir a nós, aniquilou a si próprio, ingressando no mundo como filho sem berço e ausentando-se do trabalho glorioso, como servo crucificado.
(Mensagem de Emmanuel, no Livro Caminho, Verdade e Vida de Francisco Cândido Xavier)



A Lição do Esquecimento

          Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se digladiarem indefinidamente.
          Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre, o ódio viveria eternizado transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer.
         A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.
          De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.
         O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas anteriores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.
         Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência à experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas recíprocas, dia à dia.
          Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.
         Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.
          Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.
          O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.
          Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixas, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.
          Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã.
(Mensagem de Emmanuel, no Livro Família de Francisco Cândido Xavier)




sábado, 30 de novembro de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Dezembro 2019


Editorial


Natal de luz
Se ao abeirar da noite sublime de Natal nada vês à frente senão a oportunidade de realizar desejos e alimentar sonhos para o ano vindouro, lastimo dizer que ainda não penetraste o verdadeiro espírito dessa data.
Por acaso esqueces que o divino aniversariante roga por todos, e para todos, quer o melhor?
Recorda que ele dispensou a pompa e o luxo e veio ao mundo de forma tão simples, para eternizar a mensagem de que fosses humildes sempre.
Todos os que passavam puderam participar de momento tão majestoso, e com isso deixou-nos a lição da confraternização que não deve ficar restrita à nossa casa, mas dela transbordar em todas as direções alegrando também ao que jazem esquecidos pelas sarjetas, os que não tem família, nem lar e nem pão, pois eles são teus irmãos e é Natal tanto para eles quanto para ti.
Não precisas abandonar o lar na noite festiva para estar com eles, mas podes desperdiçar menos para que, de tua abastança, uma migalha possas oferecer aos menos favorecidos, para propiciar-lhes uma noite feliz.
E quando o Natal chegar, não o procures ou vivas somente nas coisas externas. Embora tenhas os pés fincados no chão das necessidades humanas, não furtes aos olhos o espetáculo do céu.
Lembra que na sublime noite Jesus faz com que as luzes celestiais caiam sobre toda a Terra.
Não coloques o coração em trevas. Abre-o para transformar a escuridão em berço de estrelas fulgurantes, que desprendendo-se do infinito vem ornar as almas aflitas e desesperançadas trazendo com elas a dúlcida figura do Mestre Nazareno a relembrar-nos que para todo sempre ele estará conosco.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, no Livro A Conquista da Felicidade de Eulália Bueno)





 Nas Diretrizes do Evangelho
“Nem todo o que diz Senhor, Senhor, entrara no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai...” (Mateus, 7:21)
O tema nos convida a reflexão sobre como nos posicionamos na qualidade de discípulos frente aos ensinamentos de Jesus. Em diversas oportunidades Jesus exemplificou como deveríamos nos portar frente às diversas situações que a vida nos coloca. Quando descobrimos a riqueza do Evangelho, encontramos verdadeiro manancial que auxilia a nos reformarmos interiormente.
A reforma perante a luz do Cristo, certamente nos torna pessoas melhores. Porém, o fato consiste somente em Parte da questão. De que vale chamá-lo de Mestre quando não se segue os seus preceitos? Faz-se imprescindível aplicar seus ensinamentos na própria vida transformando-se com o objetivo maior de melhor servir. No próprio capítulo citado acima, Mateus relembra a assertiva do Mestre: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”, ou seja, o trabalho é fundamental.
Já dizia Paulo “Somos cooperadores de Deus” (I Coríntios, 3:9) e, para nos ensinar como cooperar, Jesus veio pessoalmente trazer sua mensagem de amor que nos ensina como proceder. Esta mensagem está concentrada nos Evangelhos que constituem um verdadeiro manual de normas de conduta. E Jesus fornecendo padrões educativos nas passagens do Evangelho, através dos seus exemplos e ensinamentos, que nos levarão a plenitude, culminando na conquista do Reino dos Céus dentro de nós.
“Não basta fazer do Cristo Jesus o benfeitor que cura e protege. É indispensável transformá-lo em padrão permanente da vida, por exemplo e modelo de cada dia” (VL 100). Como absorver tal citação em nossas vidas se ainda estamos tio distantes do que seria um bom exemplo? Os Evangelhos nos ensinam o caminho, mas a prática a nos pertence totalmente. E é justamente nessa prática, envolvida pela caridade, que estaremos aprendendo com o Mestre do amor e da renúncia.
O trabalho digno é a oportunidade abençoada e, trazendo para o nosso contexto, não resta dúvida que o exercício da mediunidade é um excelente campo na seara do bem. Entretanto, boa Parte dos aprendizes é ainda motivada pela oportunidade de atuar na prática fenomênica atraídos muitas vezes pelo fantástico e pela curiosidade. Alcançar o título de médium, em obediência a meros preceitos do mundo, não representa esforço essencialmente difícil. Receber mensagens do Além e transmiti-las a outrem, simplesmente, pouca valia possui, a menos que se esteja com propósitos elevados.
Sabemos que o intercâmbio mediúnico é acontecimento natural e o médium é um ser humano como qualquer outro. O que o diferencia é o agir e servir, ajudar e socorrer sem recompensa e sem vangloriar-se, sabendo fazer bom uso do empréstimo que a Bondade Infinita lhe concedeu, e pautando-se pelas diretrizes de Jesus.
Não podemos nos esquecer de que como médiuns somos instrumentos nas mãos do divino Mestre - é indispensável afinar o nosso instrumento de serviço justamente pelo Seu diapasão. Todos podem transmitir recados espirituais, doutrinar irmãos e investigar a fenomenologia, mas para imantar corações em Jesus é indispensável sejamos fiéis servidores do bem, trazendo o cérebro repleto de inspiração superior e o coração inflamado na Fe viva.
Assim, todos aqueles que se veem convidados a atuar no Campo da mediunidade, devem ter muito claro que todo o trabalho sempre deverá ser feito em Espírito de muita fraternidade e em nome de Jesus. Quanto mais o médium se purifica mais se sintoniza com a espiritualidade elevada e, para se purificar, a prática do Evangelho é o melhor caminho.
O Espírito Emmanuel nos orienta: “quando termine cada dia, passam em revista as pequeninas experiências que partilhaste na estrada vulgar. Observa os sinais com que assinalaste os teus atos, recordando que a marca do Cristo é, fundamentalmente, aquela do sacrifício de si mesmo para o bem de todos” (VL 8).
“E tudo o quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens”. Paulo (Colossenses, 3:23).
(Pauta do livro Curso de Educação Mediúnica da FEESP)





Potenciais
Autodescobrir-se é conhecer seus próprios potenciais internos, perceber a capacidade de realização pessoal e enfrentar os processos de que a Vida exige envolvimento e solução. Quando nos conscientizamos que somos feitos da matéria prima de Deus, o espírito imortal, adquirimos a consciência de nosso poder interno.
A consciência da indestrutibilidade do espírito, isto é, de si mesmo, é fator fundamental para a descoberta e desenvolvimento dos potenciais interiores. Nossos potenciais são capacidades internas não utilizadas face ao desvio de energia psíquica para os desejos egóicos. Tais desejos, calcados no egoísmo atávico, resultante do nível de evolução da maioria dos habitantes do planeta, impedem que enxerguemos as habilidades já conquistadas em vidas passadas, bem como aquelas que podemos desenvolver na atual.
O desenvolvimento dessas habilidades pode ser impulsionado pelos pais, principalmente por aqueles que demonstraram capacidade de realização frente ao mundo, nas várias dimensões da Vida. Quando não são os pais que impulsionam, são os exemplos de familiares mais destacados no grupo, de professores, de mestres, de figuras religiosas, de heróis, bem como daqueles que constroem uma boa relação produtiva com a sociedade.
Para desenvolver e fazer desabrochar os potenciais do espírito, devemos acreditar em nossa criatividade e impulsioná-la para além dos limites impostos pela consciência racional, buscando penetrar nos meandros da mente, à maneira dos artistas, poetas e místicos da humanidade. Não há limites quando, através da oração sincera a Deus, e integrados nos Seus propósitos, usamos a inspiração, a intuição e a criatividade. Além da oração pode-se descobrir o próprio mundo interior através de meditações e de processos analíticos terapêuticos.
A Vida deve se tornar disponível para o Self, visto que nele se encontra a matriz diretora gerada pelo espírito.
(Reflexões do livro Psicologia e Espiritualidade de Adenàuer Novaes)





quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Novembro 2019


Editorial

Amanhã  

“Digo-­vos que não sabeis o que acontecerá amanhã.”   (Tiago, 4:14.) 

Diz o preguiçoso: “Amanhã farei”.
Exclama o fraco: “amanhã, terei forças”.
Assevera o delinquente: “amanhã regenero-me”.
É imperioso reconhecer, porém, que a criatura, adiando o esforço pessoal, não alcançou, ainda, em verdade, a noção real do tempo.
Quem não aproveita a benção do dia, vive distante da glória do século.
Alma sem coragem de avançar cem passos, não caminhará vinte mil.
O lavrador que perde a hora de semear, não consegue prever as consequências da procrastinação do serviço a que se devota, porque, entre uma hora e outra, podem surgir impedimentos e lutas de indefinível duração.
Muita gente aguarda a morte para entrar numa boa vida, contudo, a lei é clara quanto à destinação de cada um de nós.
Alcançaremos sempre os resultados a que nos propomos.
Se todas as aves possuem asas, nem todas se ajustam à mesma tarefa, nem planam no mesmo nível.
A andorinha voa na direção do clima primaveril, mas o corvo, de modo geral, se consagra, em qualquer tempo, aos detritos do chão.
Aquilo que o homem procura agora, surpreenderá amanhã, à frente dos olhos e em torno do coração.
Cuida, pois, de fazer, sem delonga, quanto deve ser feito a benefício de tua própria felicidade, porque o Amanhã será muito agradável e benéfico somente para aquele que trabalha no bem, valorosamente, nas abençoadas horas de Hoje.
(Mensagem de Emmanuel, do livro Fonte Viva de Francisco Cândido Xavier)







Os bons espíritas

Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é, que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam. Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações.
A clareza e da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo. Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encamado.
Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações. Atêm-se mais aos fenômenos do que a moral, que se lhes afigura banal e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar os arcanos do Criador.
Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções. Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra existência. Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral.
O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade.
(Texto do ítem 4, cap. XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo)




Tua Benção

Não te queixes de cansaço na tarefa que Deus te confiou: um filho a orientar, um lar a manter, o bem a construir ou algum princípio nobre a defender.    
Recorda aqueles companheiros do mundo que suspiram por ligeira parcela das possibilidades que te enriquecem a vida: os que anseiam por movimentos livres e jazem parafusados no catre; os que desejariam comunicar aos semelhantes os mais belos sentimentos que lhes povoam a alma e sofrem a provação da mudez; os enfermos e desmemoriados que se atormentam na sede de um lar e sofrem a provação e vagueiam sem rumo, atirados à noite, mendigando assistência; e os outros muitos que aspirariam a socorrer aos irmãos em Humanidade, expondo as idéias de paz e reconforto, cultura e beleza que lhes brilham no espírito e permanecem trancados na obsessão ou que caminham dissipando os próprios recursos nas substâncias tóxicas que ainda não conseguiram erradicar das próprias vidas.
Teu trabalho – tua bênção.   
Seja lavrando o campo ou amoldando o metal suportando com paciência algum calvário doméstico ou sofrendo as vicissitudes das causas públicas, não digas que te encontras em sacrifício por agradar a teus pais ou a fim de acompanhar determinado amigo, de modo a prestigiar um parente amado ou em benefício desse ou daquele irmão.   
Se guardas o privilégio de servir, amparando aos outros, estás edificando a felicidade em favor de ti mesmo.    Lembra-te de que todos nos achamos interligados nas criações da Divina Sabedoria.   
Embora transformado e redistribuído por muitas mãos, à maneira da força elétrica que procede da usina, o trabalho que se te confia vem positivamente da Bondade de Deus.
(Mensagem de Meimei, do Livro Somente Amor de Francisco Cândido Xavier)


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Outubro 2019


Editorial

Ante o divino semeador

“Ouvi: eis que saiu o semeador a semear...” – Jesus (Marcos 4:3)

Jesus é o semeador da terra e a humanidade é a lavoura de Deus em Suas Mãos. Lembremo-nos da renúncia exigida à semente chamada à produção que se destina ao celeiro para que não venhamos a sucumbir em nossas próprias tarefas.
Atirada ao ninho escuro da gleba em que lhe cabe desabrochar, sofre extremo abandono, sufocada ao peso do chão que lhe esmaga o envoltório. Sozinha e oprimida, desenfaixa-se das forças inferiores que a constringem a fim de que os seus princípios germinativos consigam receber a bênção do céu.
Contudo, mal se desenvolve, habitualmente padece o assalto de vermes que lhe maculam o seio, quando não experimenta a avalancha de lama, por força dos temporais.
Ainda assim, obscura e modesta, a planta nascida crê institivamente na sabedoria da natureza que lhe plasmou a existência e cresce para o brilho solar, vestindo-se de frondes tenras e florindo em melodias de perfume e beleza para frutificar, mais tarde, nos recursos que sustentam a vida.
À frente do semeador sublime, não esmoreças ante os pesares da incompreensão e do isolamento, das tentações e das provas aflitivas e rudes.
Crê no Poder Divino que te criou para a imortalidade e, no silêncio do trabalho incessante no bem a que foste trazido, ergue-te para a Luz Soberana, na certeza de que, através da integração com o amor que nos rege os destinos, chegarás, sob a generosa proteção do Celeste Pomicultor, à frutificação da verdadeira felicidade.
(Mensagem de Emmanuel, do livro Antologia Mediúnica do Natal de Francisco Cândido Xavier)





Maneira de orar

O dever primordial de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar a sua volta à vida ativa de cada dia, é a prece. Quase todos vós orais, mas quão poucos são os que sabem orar! Que importam ao Senhor as frases que maquinalmente articulais umas às outras, fazendo disso um hábito, um dever que cumpris e que vos pesa como qualquer dever?
A prece do cristão, do espírita, seja qual for o seu culto, deve ele dizê-la logo que o Espírito haja retomado o jugo da carne; deve elevar-se aos pés da Majestade Divina com humildade, com profundeza, num ímpeto de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até àquele dia; pela noite transcorrida e durante a qual lhe foi permitido, ainda que sem consciência disso, ir ter com os seus amigos, com os seus guias, para haurir, no contacto com eles, mais força e perseverança. Deve ela subir humilde aos pés do Senhor, para lhe recomendar a vossa fraqueza, para lhe suplicar amparo, indulgência e misericórdia. Deve ser profunda, porquanto é a vossa alma que tem de elevar-se para o Criador, de transfigurar-se, como Jesus no Tabor, a fim de lá chegar nívea e radiosa de esperança e de amor.
A vossa prece deve conter o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais em realidade. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que vos abrevie as provas, que vos dê alegrias e riquezas. Rogai-lhe que vos conceda os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Não digais, como o fazem muitos: "Não vale a pena orar, porquanto Deus não me atende." Que é o que, na maioria dos casos, pedis a Deus? Já vos tendes lembrado de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh! não; bem poucas vezes o tendes feito. O que preferentemente vos lembrais de pedir é o bom êxito para os vossos empreendimentos terrenos e haveis com frequência exclamado: "Deus não se ocupa conosco; se se ocupasse, não se verificariam tantas injustiças." Insensatos! Ingratos! Se descêsseis ao fundo da vossa consciência, quase sempre depararíeis, em vós mesmos, com o ponto de partida dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, que vos possais melhorar e vereis que torrente de graças e de consolações se derramará sobre vós.
Deveis orar incessantemente, sem que, para isso, se faça mister vos recolhais ao vosso oratório, ou vos lanceis de joelhos nas praças públicas. A prece do dia é o cumprimento dos vossos deveres, sem exceção de nenhum, qualquer que seja a natureza deles. Não é ato de amor a Deus assistirdes os vossos irmãos numa necessidade, moral ou física? Não é ato de reconhecimento o elevardes a ele o vosso pensamento, quando uma felicidade vos advém, quando evitais um acidente, quando mesmo uma simples contrariedade apenas vos roça a alma, desde que vos não esqueçais de exclamar: Sede bendito, meu Pai?! Não é ato de contrição o vos humilhardes diante do supremo Juiz, quando sentis que falistes, ainda que somente por um pensamento fugaz, para lhe dizerdes: Perdoai-me, meu Deus, pois pequei (por orgulho, por egoísmo, ou por falta de caridade); dai-me forças para não falir de novo e coragem para a reparação da minha falta?! Isso independe das preces regulares da manhã e da noite e dos dias consagrados.
Como o vedes, a prece pode ser de todos os instantes, sem nenhuma interrupção acarretar aos vossos trabalhos. Dita assim, ela, ao contrário, os santifica. Tende como certo que um só desses pensamentos, se partir do coração, é mais ouvido pelo vosso Pai celestial do que as longas orações ditas por hábito, muitas vezes sem causa determinante e às quais apenas maquinalmente vos chama a hora convencional.
(Texto do Ítem 22, Cap. XXVIII do Evangelho Segundo o Espíritismo)







Página aos Pais

          Por maiores sejam os compromissos que te prendam a obrigações dilatadas, na esfera dos negócios ou na vida social, consagrarás à família as atenções necessárias.
          Lembrar-te-ás de que o lar é tão somente o refúgio que o arquiteto te planeou, baseando estudos e cálculos nos recursos do solo.
          Encontrarás nele o templo de corações em que as Leis de Deus te situam transitoriamente o Espírito, a fim de que aprendas as ciências da alma no intervalo doméstico.
          “Honrarás teu pai e tua mãe...” proclama a Escritura e daí se subentende que precisamos também dignificar nossos filhos.
          Ainda mesmo se eles, depois de adultos, não nos puderem compreender, nada impede venhamos a entendê-los e auxiliá-los, tanto quanto nos seja possível, sem que por isso necessitemos coarctar os planos superiores de serviço que nos alimentou o coração.
          Reconhecendo o débito irresgatável para com teus pais, os benfeitores que te entreteceram no mundo a felicidade do berço, darás aos teus filhos, com a luz do exemplo no dever cumprido, a devida oportunidade para a troca de impressões e de experiências.
          Se ainda não consegues ofertar-lhes o culto do Evangelho em casa, asserenando-lhes as perguntas e ansiedades, com os ensinamentos do Cristo, não te esqueças do encontro sistemático em família, pelo menos semanalmente, a fim de atender-lhes as necessidades da alma.
          Detém-te a registrar-lhes as indagações infanto-juvenis, louva-lhes os projetos edificantes e estimula-lhes o ânimo à prática do bem.
          Não abandones teus filhos à onda perigosa das paixões insofreadas, sob o pretexto de garantir-lhes personalidade e emancipação.
          Ajuda-os e habilita-os espiritualmente para a vida de hoje e de amanhã.
          Sobretudo, não adies o momento de falar-lhes e ouvi-los, pois a hora da tormenta de provações na viagem da Terra, se abate, mais dia menos dia, sobre a fonte de cada um, por teste de resistência moral, na obra de melhoria, resgate e aprimoramento que nos achamos empenhados.
          Persevera no aviso e na instrução, no carinho e na advertência, enquanto o ensejo te favorece, porquanto muito dificilmente conseguimos escutar-nos  uns aos outros por ocasião de tumulto ou tempestade, e ainda porque ensinar equilíbrio, quando o desequilíbrio já se instalou, significa, na maioria das vezes, trabalho fora de tempo ou auxílio tarde demais.
 (Mensagem de Emmanuel, do Livro Família de Francisco Cândido Xavier)



sábado, 31 de agosto de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Setembro 2019


Editorial

O Poder da Fé

Jesus nos esclarece que a fé possui um poder inimaginável, a ponto de “transportar montanhas”, como consta no evangelho de Mateus, ainda que pequena como um grão de mostarda. Esclarece, igualmente, que a fé se desenvolve através do trabalho incessante no bem. Não é algo que se adquire de uma hora para outra. Exige esforço, dedicação, perseverança.
A pessoa que tem a fé desenvolvida confia em Deus, no seu amor e providência, mas também em si mesma, por conhecer os próprios limites e a própria capacidade de ação. Sabe que a verdadeira fé jamais é confundida com a presunção, mas que esta deve ser conjugada à humildade, pois aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio.  [...]
Por outro lado, a fé legítima dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta confiança. O discípulo sincero reconhece, humilde, que perante as provações nem sempre é possível demonstrar a fé que gostaria.
Na verdade, o processo de aquisição da fé é trabalho cotidiano e persistente. As pessoas de caráter fraco ou que desanimam perante os obstáculos, demoram mais na construção do edifício da fé no íntimo do ser. Muitos iniciam essa aquisição através da religião, outros pelo controle mental, desenvolvido pela meditação e vontade disciplinada.
Em todos os lugares, vemos o obreiro sem fé, espalhando inquietação e desânimo. [...] E transita de situação em situação, entre a lamúria e a indisciplina, com largo tempo para sentir-se perseguido e desconsiderado. Em toda parte, é o trabalhador que não termina o serviço porque se responsabilizou ou o aluno que estuda continuadamente, sem jamais aprender a lição. Não te concentres na fé sem obras, que constitui embriaguez perigosa da alma, todavia, não te consagres à ação, sem fé no Poder Divino e em teu próprio esforço. O servidor que confia na Lei da Vida reconhece que todos os patrimônios e glórias do Universo pertencem a Deus. Em vista disso, passa no mundo, sob a luz do entusiasmo e da ação no bem incessante, completando as pequenas e grandes tarefas que lhe competem, sem enamorar-se de si mesmo na vaidade e sem escravizar-se às criações de que terá sido venturoso instrumento. Revelemos a nossa fé, através das nossas obras na felicidade comum e o Senhor conferirá à nossa vida o indefinível acréscimo de amor e sabedoria, de beleza e poder.
(Pauta de reflexão do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Ensinos e Parábolas de Jesus Parte 2 – FEB)



No Serviço Cristão

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito, estando no corpo, para o bem ou para o mal.”  Paulo (II Coríntios, 5:10)

 Não falta quem veja no Espiritismo mero campo de experimentação fenomênica, sem qualquer significação de ordem moral para as criaturas. Muitos aprendizes da consoladora Doutrina, desse modo, limitam-se às investigações de laboratório ou a discussões filosóficas.
É imperioso reconhecer, todavia, que há tantas categorias de homens desencarnados, quantas são as dos encarnados. Entidades discutidoras, levianas, rebeldes e inconstantes transitam em toda parte. Além disso, incógnitas e problemas surgem para os habitantes dos dois planos. Em vista de semelhantes razões, os adeptos do progresso efetivo do mundo, distanciados da vida física, pugnam pelo Espiritismo com Jesus, convertendo-nos o intercâmbio em fator de espiritualidade edificante. Acreditamos que não se deve atacar outro círculo de vida, quando não nos encontramos interessados em melhorar a personalidade naquele em que respiramos. Não vale pesquisar recursos que não nos dignifiquem.
Eis por que para nós outros, que supomos trazer o coração acordado para a responsabilidade de viver, espiritismo não expressa simples convicção de imortalidade: é clima de serviço e edificação. Não adianta guardar a certeza na sobrevivência da alma, além da morte, sem o preparo terrestre na direção da vida espiritual. E nesse esforço de habilitação, não de não dispomos de outro guia mais sábio e mais amoroso que o Cristo.
Somente à luz de suas lições sublimes é possível reajustar o caminho, renovar a mente e purificar o coração. Nem tudo o que é admirável é divino. Nem tudo o que é grande é respeitável. Nem tudo o que é belo é santo. Nem tudo o que é agradável é útil. O problema não é apenas de saber. É o de reformar-se cada um para a extensão do bem.
Afeiçoemo-nos, pois, ao evangelho sentido e vivido, compreendendo o imperativo de nossa iluminação interior, porque, segundo a palavra oportuna e sábia do Apóstolo, “todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, a fim de recebemos, de acordo com o que realizamos, estando no corpo o bem ou o mal.
(Mensagem de Emmanuel do livro Pão Nosso de Francisco C. Xavier)





Espiritismo no Lar

      “Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.”       Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 4º — Item 18.

Todos sabemos valorizar o benefício de um copo d’água fria ou de uma ampola de injetável tranquilizante, ofertados num momento de grande aflição.
Reconhecemos a bênção do alfabeto que nos descortina as belezas do conhecimento universal e bendizemos quem no-lo imprimiu nos recessos da mente. Mantemos no carinho do espírito aqueles que nos ajudaram nos primeiros dias da reencarnação, oferecendo-nos amparo e amamentação. Somos reconhecidos àqueles que nos nortearam em cada hora de dúvida e não esquecemos o coração que nos agasalhou nos instantes difíceis do caminho renovador...
Muitos há, no entanto, que desdenham e esquecem todos os benefícios que recebem durante a vida... Há um inestimável benefício que te enriquece a existência na Terra: o conhecimento espírita. Esse é guia dos teus passos, luz nas tuas sombras e pão na mesa das tuas necessidades. Poucas vezes, porém, pensaste nisso.
Recebeste com o Espiritismo a clara manhã da alegria, quando carregavas noite nos painéis mentais e segues confiante, de passo firme, com ele a conduzir-te qual mãe desvelada e fiel. Se o amas, não o detenhas apenas em ti. Faze mais. Não somente em propaganda “por fora”, mas principalmente dentro do teu lar.
No lar se caldeiam os espíritos em luta diária nas tarefas de reajustamento e sublimação. Na família, os choques da renovação espiritual criam lampejos de ódios e dissenção, que podes converter em clarões-convites à paz.
Não percas a oportunidade de semear dentro de casa. Apresenta a tua fé aos teus familiares mesmo que eles não queiram escutar.
Utiliza o tempo, a psicologia da bondade e do otimismo e esparze as luminescências da palavra espírita no reduto doméstico. Se te recusarem ensejo, apresenta-o, agindo. Se te repudiarem conduze-o, desculpando. Se te ferirem espalha-o amando. Pelo menos, uma vez por semana, reúne a tua família e felicita-a com o Espiritismo, criando assim, e mantendo, o culto evangélico, para que a diretriz do Mestre seja eficiente rota de amor à sabedoria em tua casa...
Ali, na oportunidade, ouvidos desencarnados se imantarão aos ouvidos dos teus e escutarão; olhos atentos verão pelos olhos da tua família e se nublarão de pranto; mentes se ligarão às outras mentes e entenderão...
Sim, ouvidos, olhos e mentes dos desencarnados que habitam a tua residência se acercarão da mesa de comunhão com o Senhor, recebendo o pão nutriente para os espíritos perturbados através do combustível espírita que não é somente manancial para os homens da Terra, mas igualmente para os que atravessaram os portais do além-túmulo em doloroso estado de sofrimento e ignorância.
Agradece ao Espiritismo a felicidade que possuís, acendendo-o como chama inapagável no teu lar, para clarear os teus familiares por todos os dias.
O pão mantém o corpo. O agasalho guarda o corpo. O medicamento recupera o corpo. O dinheiro acompanha o corpo.
Seja o Espiritismo em ti o corpo do teu espírito emboscado no teu corpo, a caminhar pelo tempo sem fim para a imortalidade gloriosa. E se desejares felicidade na Terra, incorpora-o ao teu lar, criando um clima de felicidade geral.
(Mensagem de Joanna de Ângelis, no livro S.O.S Família de Divaldo P. Franco)