domingo, 31 de março de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Abril 2019


Editorial

Em meio a tantas notícias dos últimos tempos, que nos dão a sensação de que o mundo está casa vez pior ou que a humanidade se perdeu, é preciso saber que estamos apenas vendo o que dá audiência na mídia, por despertar no publico a curiosidade e os instintos ainda primitivos que existem em muitos de nós.
Entretanto, é preciso que se faça, de nossa parte, um esforço em buscar nos cercarmos de boas vibrações, bons conteúdos literários, debates e conversações saudáveis  que nos levem a reflexões de teor elevado e nos abra os olhos aos acontecimentos que realmente exemplifiquem a evolução constante rumo a um futuro mais próximo dos propósitos contidos nas mensagens deixadas por Jesus Cristo à humanidade.
Neste ano de 2019, tivemos boas notícias que evidenciam que a providência divina não cessa, uma delas é o lançamento de O Livro dos Espíritos em chinês. Um projeto que foi iniciado em 2002, pelo brasileiro Emanuel Dutra, com vista à crescente propagação do cristianismo no oriente, o que abre caminho para que as obras de Allan Kardec venham auxiliar na melhor compreensão do evangelho, com uma visão mais abrangente sobre a espiritualidade. O que se adequa mais intimamente às tradições religiosas dos chineses.
Também destacamos o físico e astrônomo Marcelo Gleiser que foi contemplado com o Premio Templeton 2019, que já foi dado a personalidades como Madre Teresa de Calcutá em 1973 e Dalai Lama em 2012.
A Fundação John Templeton, que tem por lema “Quão pouco sabemos e quão ansiosos para aprender”, tem o objetivo de premiar contribuições excepcionais no campo da pesquisa, para afirmar a dimensão espiritual da vida, através de descobertas, constatações e trabalhos práticos.
Segundo o presidente da fundação, Marcelo Gleiser – atualmente lecionando no Dartmouth College em New Hampshire – é um dos principais proponentes da visão que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares que a humanidade precisa para abraçar o mistério e explorar o desconhecido.
Além destas boas notícias, não podemos esquecer das muitas boas ações, individuais ou coletivas, visando a preservação ambiental, trabalhos humanitários, demonstrações de amor e cuidado com o próximo e com o planeta, que reforçam a afirmação de que o bem está presente em toda parte. Sendo assim, como adeptos da doutrina espírita, temos muito a comemorar e cabe a nós, darmos a nossa contribuição para que se cumpra, cada dia mais, o mandamento universal do Cristo: Amar o seu próximo com a si mesmo.
(Texto composto de notícias da atualidade – Renata Domingues)






A Virtude

Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (Mateus, 5:44, 46 a 48.)

A virtude não é veste de gala para ser envergada em dias e horas solenes. Ela deve ser nosso traje habitual. A virtude precisa fazer parte de nossa vida, como o alimento que ingerimos cotidianamente, como o ar que respiramos a todo instante. A virtude não é para ostentação: é para uso comum. É falsa a virtude que aparece para os de fora, e não se verifica para os familiares. Quem não é virtuoso dentro do seu lar, não o será na vida pública, embora assim aparente. Ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter esses predicados em família, não é ser virtuoso, mas hipócrita. A virtude não tem duas faces, uma interna, outra externa: ela é integral, é perfeita sob todos os aspectos e prismas. Não há virtude privada e virtude pública: a virtude é uma e a mesma, em toda parte. O hábito da virtude, quando real, reflete-se em todos os nossos atos, do mais simples ao mais complexo, como o sangue que circula por todo o corpo. As conjunturas difíceis, as emergências perigosas, não alteram a virtude quando ela já constitui nosso modo habitual de vida. A virtude assume as modalidades necessárias para se opor a todos os males, sem prejuízo de sua integridade. Há um matiz para resolver cada caso, para se opor a cada vício, para vencer cada paixão, para enfrentar cada incidente; mas sempre, no fundo, é a mesma virtude. Ela é como a luz, que, iluminando, resolve de vez todos os obstáculos e tropeços, franqueando-nos o caminho. O hábito da virtude é fruto de uma porfiada conquista. Possuí-la é suave e doce. Praticá-la é fonte perene de infindos prazeres. A dificuldade não está no exercício da virtude, mas na oposição que lhe faz o vício, que com ela contrasta. É necessário destronar um elemento, para que o outro impere. O vício não cede o lugar sem luta. A virtude nos diz: eis-me aqui, recebeime, dai-me guarida em vosso coração; mas lembrai-vos de que, entre mim e o vício, existe absoluta incompatibilidade. Não podeis servir a dois senhores. A verdadeira religião é a da virtude. Fora da virtude não há salvação. "Vós sois o sal da Terra", disse Jesus aos seus discípulos. Se ele hoje viesse ao mundo reunir seus escolhidos, não se valeria certamente das denominações e títulos dos vários credos religiosos para os distinguir; a virtude seria o sinal inconfundível por onde os descobriria, por mais dispersos e disfarçados que estivessem. É pela virtude que as almas se irmanam entretecendo entre si liames indissolúveis. Os homens de virtude entendem-se num momento, ao passo que os séculos não são suficientes para firmar acordo entre aqueles que dela vivem divorciados. Propaguemos a religião da virtude: só ela satisfaz o senso da vida, conduzindo o espirito à realização dos seus destinos.
(Mensagem de Vinicius no Livro Nas pegadas do Mestre)





O Educandário Familiar

A família é o resultado do largo processo evolutivo do espírito na extensa trajetória vencida por meio das sucessivas reencarnações. Resultado do instinto gregário que une todos os animais, aves, répteis e peixes em grupos que se auxiliam e se interdependem reciprocamente, no ser humano atinge um estágio relevante e de alta significação, em face da conquista do raciocínio, da consciência. Dessa forma, a família é o alicerce sobre o qual a sociedade se edifica, sendo o primeiro educandário do espírito, onde são aprimoradas as faculdades que desatam os recursos que lhe dormem latentes.
A família é a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais. Quando o individuo opta pela solidão, exceção feita aos grandes místicos e pesquisadores da ciência, filósofos e artistas que abraçam os objetivos superiores como a sua família, termina sendo portador de transtorno da conduta e da emoção.
[...] Não poucas vezes, no grupo doméstico ressumam as reminiscências perturbadoras do Além ou de outras existências, que devem ser trabalhadas pelo cinzel da misericórdia, da tolerância e da compaixão, a fim de que sejam arquivadas como diferentes emoções enobrecidas, que irão contribuir em favor do progresso de todos. De inspiração divina, a família é a oportunidade superior do entendimento e da vera fraternidade, de onde surgirá o grupo maior, equilibrado e rico de valores, que é a sociedade. Por isso, no momento em que a família se desestrutura sob os camartelos da impiedade e da agressão, ou se dilui em face da ilusão acalentada pelos seus membros, ou se desmorona em razão da imprevidência, a sociedade sofre um grande constrangimento.
[...] Mesmo quando não correspondendo às expectativas pessoais, em face do reencontro com adversários ou caracteres inamistosos, no lar adquire-se a necessária filosofia existencial para conduzir-se com equilíbrio durante toda a existência. O exercício da paciência no clã familiar é valiosa contribuição para a experiência iluminativa, porquanto, se aqueles com os quais se convive tornam-se difíceis de ser amados, gerando impedimentos emocionais que se sucedem continuamente, como poder-se vivenciar o amor em relação a pessoas com as quais não se tem relacionamento, senão por paixão ou sentimentos de interesse imediatista?
[...] Aquele que hoje se apresenta agressivo e cínico no grupo doméstico, dando lugar a guerrilhas perversas, encontra-se doente da alma, merecendo orientação e exigindo mais paciência. Ninguém se torna infeliz por mero prazer, mas em consequência de muitos fatores que lhe são desconhecidos. [...] No entanto, na família, em razão dos sentimentos, das individualidades, das experiências transatas, o fenômeno é muito diferente, oscilando o equilíbrio conforme o desenvolvimento ético-moral de cada qual, que se apresenta conforme é e não consoante gostaria de ser. [...] Quem não consegue a capacidade de amar aqueles com os quais convive, mais dificilmente poderá amar aqueloutros que não conhece. O combustível do amor se inflama com maior potencialidade quando oxigenado pela convivência emocional.
Noutras condições, trata-se apenas de atração física passageira, de libido exagerada que logo cede lugar ao desencanto, ao tédio, ao desinteresse... A família, portanto, é um núcleo de aformoseamento espiritual, que enseja aprendizagem de relacionamentos futuros exitosos. No grupo animal, quando os filhos adquirem a capacidade de conseguir o alimento, os pais abandonam-nos, quando isso excepcionalmente em algumas espécies não ocorre antes. No círculo humano da família é diferente: os laços entre pais e filhos jamais se rompem, mesmo quando há dificuldades no relacionamento atual, o que exige transferência para outras oportunidades no futuro reencarnacionista, que se repetem até a aquisição do equilíbrio afetivo. É da Divina Lei que somente através do amor o espírito encontra a. plenitude, e a família é o local onde se aprimora esse sentimento, que se desdobra em diversas expressões de ternura, de abnegação, de afetividade... Com o treinamento doméstico o espírito adquire a capacidade de amar com mais amplitude, alcançando a sociedade, que se lhe transforma em família universal.
(Texto de Joana di Angelis no livro Constelação Familiar de Divaldo P. Franco)




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Março 2019


Editorial

A caminho da eternidade

A partir do momento em que renasces, normalmente vais sendo envolvido pelos valores que o mundo te impõe, apagando lentamente o sentido real do motivo pelo qual iniciaste essa empreitada.
Não te recordas das inúmeras vezes que suplicaste a benção da nova oportunidade.
Tão pouco te lembras que nem fazias tanta questão de uma vida farta, porque tinhas imenso receio de que as facilidades pudessem desvirtuar os teus passos, afastando-te dos objetivos indispensáveis ao bom aproveitamento.
Os afazeres vão te absorvendo o tempo e raras vezes recordas de oferecer uma prece de gratidão ou dedicar alguns momentos a reabastecer a alma junto ao mundo espiritual, de onde verdadeiramente procedes.
Envolves-te profundamente na conquista dos requisitos que o mundo solicita, para atingires os patamares almejados, e deixas-te tomar por incomparável cansaço.
Em inúmeras oportunidades, a dor faz soar um alarme que insiste em te lembrar de Deus, mas estás demasiadamente ocupado para o fazeres.
Vais sentindo cansaço e solidão, mas julgas que tudo não passa do resultado da tua jornada imperiosa de trabalho e responsabilidade.
Tudo que sonhas e pelo que lutas está sempre relacionado a abastecer as tuas necessidades materiais ou adornar o teu físico.
Esqueces de que a alma também tem fome, só que de paz e amor, dois sentimentos que o mundo não pode oferecer através dos bens adquires, mas que devem ser conquistados na vivência do espírito momentaneamente abrigado na carne, no cultivo de virtudes indispensáveis.
Quando percebes, já se foram as energias provindas da juventude e os primeiros cabelos brancos denotam que adentras o período da reflexão.
Que bom seria se, nesse instante, te desprendesses dos valores passageiros e com a mesma garra com que lutaste até então pudesses adquirir valores morais e emocionais que te sustentassem os últimos passos na vida física.
Melhor ainda se no balanço efetivado, pudesses concluir que usufruíste, sim, de tudo o que o mundo pode te oferecer, sem, no entanto, te escravizares a nada, e que se for preciso deixa-lo agora, partirás feliz pelas etapas vencidas.
Nesse instante, finalmente entenderás que mesmo tendo os pés agrilhoados às pedras do caminho, teus olhos jamais se desprenderam da amplitude do céu, de onde procedes.
Assim fazendo, passarás pela terra vivendo a plenitude de um instante para atingires a benção de luz de toda eternidade.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar no livro A conquista da felicidade de Eulália
Bueno)




















CARTA PARA DEUS

"Obrigada por cada,
Cada andar, cada caminho,
Cada pessoa, cada ser.

Obrigada por cada,
Cada respiro, cada suspiro
Cada sorriso, cada riso.

Obrigada por cada
Cada experiência, cada aprendizado
Cada descoberta, cada sentimento.

Obrigada por cada,
Cada toque, cada abraço
Cada presença, cada força.

Obrigada por cada,
Obrigada por tudo."

Paolla Melo - 14 anos - 16/02/2019


A virtude

A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho.
A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se. Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas. São Vicente de Paulo era virtuoso; eram virtuosos o digno cura d'Ars e muitos outros quase desconhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. Todos esses homens de bem ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se ir ao sabor de suas santas inspirações e praticavam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
À virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a consagrar-vos. Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades. Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes. A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas e de odiosas covardias.
Em princípio, o homem que se exalça, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que possa ter. Entretanto, que direi daquele cujo
único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente que o homem que pratica o bem experimenta uma satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio.
O vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que sabeis quão longe da perfeição está o homem, jamais esbarreis em semelhante escolho. A virtude é uma graça que
desejo a todos os espíritas sinceros. Contudo, dir-lhes-ei: Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho. Pelo orgulho é que as humanidades sucessivamente se hão perdido; pela humildade é que um dia elas se hão de redimir.
(ESSE Cap. XVII Sede Perfeitos – Ítem 8 – François Nicolas Madeleine - Paris, 1863.)


Todos temos direitos e deveres

Direitos todos temos, no pentagrama das nossas existências. Em confronto com o que existe à nossa retaguarda, somos privilegiados pelas conquistas que o tempo nos premiou na ascensão da vida. Porém, não podemos nos esquecer dos deveres a cumprir diante dos outros, que viajam conosco no mesmo comboio planetário. Compete a nós respeitar os que nos ajudam a viver, para que o próprio respeito nos garanta a tranquilidade. Temos competência de fazer o que desejarmos que seja feito. No entanto, podemos assumir com isso dívidas para com os nossos irmãos, se os nossos feitos não compartilharem com a harmonia da criação.
O nosso direito é ser honesto e o nosso dever é respeitar a vida que o semelhante leva, de modo que o tempo seja gasto somente na educação que nos compete adquirir. O nosso direito é a honra onde quer que andemos e o nosso dever é o encargo de trabalhar em silêncio nos moldes do exemplo, para ajudar quem ainda não percebeu os valores das virtudes espirituais. O nosso direito é nos interessar pelo auto aprimoramento e a nossa incumbência é trabalhar constantemente pela paz de todas as criaturas de Deus.
A condição nossa, de espírito que já despertou para a luz, é o imperativo sagrado de ajudar a quem quer que seja, sem exigências descabidas, que possam nos levar ao orgulho e à vaidade. Autoridade devemos ter, e é justo que a exercitemos nos domínios das nossas emoções inferiores, porque, aí, a nossa missão se engrandece diante de todas as criaturas que vivem conosco. Alistemo-nos no exército da salvação de nós mesmos, e entremos na lição. Vamos lutar! Essa é uma guerra e não podemos fugir dos objetivos a que nos propusemos. É uma conquista altamente valiosa, a conquista de nós mesmos. Estamos enfermos e tão enfermos, que somente a cirurgia pode nos aliviar, a cirurgia moral. O terapeuta, quando chega às portas da perfeição, trata somente dele mesmo, porque só ele se conhece bem, e sabe, depois de Deus, os meios corretos da cura completa. Só ele mesmo conhece os segredos da sua própria natureza e aplica os medicamentos correspondentes às suas necessidades.
Meu irmão, já analisaste todos os dias, se respeitas os direitos alheios, pelos pensamentos, palavras e ações? Se não, faze isso e começa a trabalhar dentro de ti mesmo.
Planta e cuida da terra, que o crescimento pertence ao Senhor, que nunca faltará com o Seu amor e a Sua bondade. A prerrogativa de todos os seres é viver bem consigo mesmo.
Entretanto, temos grandes atribuições para com o próximo, que não pode sofrer com custo para a nossa felicidade. Vigia a tua palavra, pois ela, sem a devida harmonia, incomoda quem te ouve e desinquieta quem te acompanha.
Somos responsáveis pelo que somos e fazemos. Recebemos de volta o que damos em todas as dimensões da vida. O comportamento da alma pode ser luz ou treva nos teus próprios caminhos. Em tudo o que fizeres, lembra-te desta palavra: Respeito, que os teus direitos serão resguardados pela lei, que nada esquece.
(Mensagem de Lancellin, no Livro Cirurgia Moral de João Nunes Maia)



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Ano III - Rio das ostras - Edição Fevereiro 2019

Editorial

Como Conhecer a Ti Mesmo

 O conhecimento é a base da própria vida. A sabedoria abre caminhos novos para que possamos sentir e mesmo desfrutar da felicidade. Não poderá existir civilização sem que a inteligência ocupe algum lugar na pauta dos confortos. Não pode existir progresso sem a intervenção da sabedoria. Entretanto, ela se divide em duas forças altamente dignas, com duas dinâmicas opostas: o conhecimento exterior e o autoconhecimento. A sapiência externa nos faz investir à procura de valores até certo ponto perecíveis, mas necessários ao nosso equilíbrio. Passamos por perigos inúmeros, sujeitos às investidas do orgulho em sintonia com o egoísmo e sob o domínio da vaidade. Entrementes, se vencermos essas condições na altura em que elas se nos apresentam, sairemos livres, para novos conhecimentos que, podemos crer, serão a maior verdade, que é o conhecimento de nós mesmos, é o estudo do universo interno, aprofundando-nos dentro dele como se fora o nosso próprio mundo. Este conhecimento se chama Sabedoria-Amor.
Há quem diga que o amor não é sabedoria. Está completamente enganado. Quem ama nas linhas ensinadas por Nosso Senhor Jesus Cristo é um verdadeiro sábio. Ao conhecermos as nossas deficiências, abrimos portas de luz nas esferas da consciência, de sorte a nos enriquecermos, em todos os rumos, dos valores eternos, de talentos que Deus depositou em nossos corações, para a garantia de nós mesmos.
As religiões de todo o mundo e a filosofia que medra em toda a Terra têm a missão sagrada de indicar às criaturas os arcanos da sabedoria interna, que é a verdadeira senda de iluminação dos espíritos. Aquele que já conhece a si mesmo dispensa certos acessórios que pesam muito sobre os ombros e que exigem tempo precioso na sua conservação. O sábio interno nasce de novo, é um novo homem que surge de dentro do homem velho.
Todo movimento que se preocupa com as coisas externas das criaturas pode fazer muito em favor das almas em sofrimento, não resta dúvida. Entretanto, quando encontramos quem nos ajuda a trabalhar dentro de nós, a descobrir os nossos tesouros, esse é o caminho ensinado por Cristo, que nos liberta definitivamente. Quem conhece a si mesmo tem mais facilidade em conhecer as lições externas e as propriedades que lhe sustentam a vida.
A Doutrina dos Espíritos, na sua maravilhosa profundidade, desfralda a bandeira de luz no topo do mundo em que moramos, por misericórdia de Deus, com a inscrição já bem conhecida "DEUS, CRISTO E CARIDADE". Deus está no centro de todos nós, esperando, como Pai, os nossos apelos nascidos da vontade. Cristo pega em nossas mãos para nos mostrar os caminhos abertos pela caridade. O Céu está mais próximo de nós do que pensamos: reside dentro de nós. Basta abrirmos os olhos e buscá-lo. E, para tanto, devemos, como médicos de nós mesmos, executar as cirurgias indispensáveis em todas as áreas das nossas condutas, dominar os nossos impulsos inferiores e discipliná-los, transformando-os em instrumentos de trabalho e de paz, para que surja o amor no centro dos sentimentos e, junto a ele, a tranquilidade imperturbável em todos os caminhos que deveremos trilhar. Quem conhece a si mesmo, já não tem tempo de criticar ninguém.
(Mensagem do Espírito Lancelin, no livro Cirurgia Moral de João Nunes Maia)



A Arte de Interrogar

“Segundo a ideia falsíssima de que não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados.” Hahnemann. Paris, 1863. ESSE Cap. IX- item 10.

Não são poucos os companheiros que demonstram silencioso desespero quando percebem que o esforço pessoal de melhoria parece insuficiente ou sem resultados. Entregaram-se às fileiras de amor ao próximo e à escola do conhecimento espiritual, mas continuam asilando impiedoso sentimento de frustração ao partirem para as lutas reeducativas, nos deveres de cada dia. Alegam que vigiam o pensamento e oram fervorosamente pedindo auxílio, no entanto dizem-se perseguidos por uma “força maior” que lhes distrai e domina-lhes os impulsos, que fazem o que não têm intenção de fazer, sendo levados a atitudes não desejadas ou escolhidas. Nasce então o conflito, seguido de sentimentos punitivos que passam a povoar o coração, quais sejam a tristeza e a angústia, a vergonha e o desânimo. Instala-se assim o desespero mudo e desgastante que assola inúmeros aprendizes do crescimento espiritual.
Estariam, porventura, exercendo inadequadamente sua reforma? Semelhante ciclo de frustração necessariamente faz parte do programa de transformação e crescimento?  Faltaria alguma postura para tornar o esforço mais produtivo? Essas são indagações que devem fazer parte das meditações de quantos anseiam pela promoção de si mesmos, seja nos grupos de nossa causa ou nas avaliações pessoais.
Sem recolhimento e introspecção educativa não teremos respostas claras e indispensáveis na elaboração do programa de autoconhecimento. Imprescindível efetuar perseverante investigação no que se chama de “força maior”.
Será uma compulsão? Um espírito? Um trauma? Uma má tendência? Um recalque? Uma fixação de “outras vidas”? Uma patologia física? Um impulso adquirido na infância? Uma lembrança da erraticidade? Um problema surgido na gestação maternal? Uma emersão das recordações das atividades noturnas? Uma influência passageira e intermitente ou uma obsessão progressiva? Uma contaminação fluídica por “nuvens de ideoplastia” dos pensamentos humanos? Qual a origem e natureza das forças que nos cercam?
Será muito simplismo a atitude de responsabilizar obsessores e reencarnações passadas como causa daquilo que sentimos, e que não conseguimos explicar com maior lucidez. Em alguns casos chega a ser mesmo um ato de invigilância.
Que variedade de opções soma-se nas viagens de evolução para explicar as lutas espirituais que hoje enfrentamos! Apesar disso, não guardamos dúvidas em afirmar que o labor iluminativo de todos nós tem um ponto comum: a urgente necessidade da educação de sentimentos.
(Mensagem do Espírito Ermance Defaux, no Livro Reforma Íntima Sem Martírio de Wanderley S. de Oliveira)



A Providência Divina

A Providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. É a suprema sabedoria com que o Criador conduz todas as coisas, é o cuidado constante, o zelo ininterrupto, é o farol aceso no meio da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a flux sobre suas criaturas.
Deus está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial. Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo? Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.
Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como os sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente.
Enchendo Deus o Universo, poder-se-ia admitir, a título de hipótese, que Ele não precisa transportar-se, por se formar em todas as partes onde a soberana vontade julga conveniente que ele se produza, donde o poder dizer-se que está em toda parte e em parte nenhuma.
A ação providencial de Deus pode ser percebida nas seguintes palavras de Emmanuel: Se acreditas que o hálito das entidades angélicas bafeja exclusivamente os cultivadores da virtude, medita na Providência Divina que honra o Sol, na grandeza do Espaço, mas induzindo-o a sustentar os seres que ainda jazem colados à crosta do Planeta, inclusive os últimos vermes que rastejam no chão. Contempla os quadros que te circundam, em todas as direções, e reconhecerás o Amor Infinito buscando suprimir, em silêncio, as situações deprimentes da natureza. Cachoeiras cobrem abismos. Fontes alimentam a terra seca. Astros clareiam o céu noturno. Flores valorizam espinheirais. No campo de pensamento em que estagias, surpreenderás esse mesmo Infinito Amor, procurando extinguir as condições inferiores da Humanidade. Pais transfigurados em gênios de ternura. Professores desfazendo as sombras da ignorância. Médicos a sanarem doenças. Almas generosas socorrendo a necessidade.
Entendemos, assim, que Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para a sua bondade, é destituído de valor. Devemos, entretanto, considerar que, a despeito da ação providencial de Deus para com todas as suas criaturas, estamos vinculados aos resultados do nosso livre-arbítrio. Dessa forma, todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futuras. Fica claro, portanto, que a Providência Divina se manifesta duplamente: sob a forma de misericórdia e de justiça, porque a compaixão, filha do Amor, desejará estender sempre o braço que salva, mas a justiça, filha da Lei, não prescinde da ação que retifica.
Haverá recursos da misericórdia para as situações mais deploráveis. Entretanto, a ordem legal do Universo cumprir-se-á, invariavelmente. Em virtude, pois, da realidade, é justo que cada filho de Deus assuma responsabilidades e tome resoluções por si mesmo 10. As provações da vida representam, assim, os cuidados de Deus para com todos os seus filhos, oferecendo-lhes benditas oportunidades de progresso espiritual, como nos esclarece o benfeitor Emmanuel: Em todas as provas que te assaltem os dias, considera a quota das bênçãos que te rodeiam, e, escorando-te na fé e na paciência, reconhecerás que a Divina Providência está agindo contigo e por teu intermédio, sustentando-te, em meio dos problemas que te marcam a estrada, para doar-lhes a solução.
(Pauta de reflexão do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Tomo I)


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Ano II - Rio das Ostras - Edição Janeiro 2019


Editorial

Lógica da Providência  

“Depois que fostes iluminados, suportastes grande combate de aflições.”
Paulo (Hebreus, 10:32)
Os cultivadores da fé sincera costumam ser indicados, no mundo, à conta de grandes sofredores.
Há mesmo quem afirme afastar­se deliberadamente dos círculos religiosos, temendo o contágio de padecimentos espirituais.
Os ímpios, os ignorantes e os fúteis exibem­se, espetacularmente, na vida comum, através de traços bizarros da fantasia exterior; todavia, quando se abeiram das verdades celestes, antes de adquirirem acesso às alegrias permanentes da espiritualidade superior, atravessam grandes túneis de tristeza, abatimento e taciturnidade. O fenômeno, entretanto, é natural, porquanto haverá sempre
ponderação após a loucura e remorso depois do desregramento.
O problema, contudo, abrange mais vasto círculo de esclarecimentos.
A misericórdia que se manifesta na Justiça de Deus transcende à compreensão humana.
O Pai confere aos filhos ignorantes e transviados o direito às experiências mais fortes somente depois de serem iluminados. Só após aprenderem a ver com o espírito eterno é que a vida lhes oferece valores diferentes. Nascer­lhes­á nos corações, daí em diante, a força indispensável ao triunfo no grande combate das aflições.
Os frívolos e oportunistas, não obstante as aparências, são habitualmente almas frágeis, quais galhos secos que se quebram ao primeiro golpe da ventania. Os espíritos nobres, que suportam as tormentas do caminho terrestre, sabem disto.
Só a luz espiritual garante o êxito nas provações.
Ninguém concede a responsabilidade de um barco, cheio de preocupações e perigos, a simples crianças.
(Mensagem de Emmanuel no livro Pão Nosso de Francisco Cândido Xavier)







Ano Novo

“A paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vô-la dou como o mundo a dá”. (João, 14:27)
“Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. (I Coríntios, 12:26.)

Mais um ano que começa trazendo expectativas e novos propósitos. Propósitos de mudança de atitude com o objetivo de crescer como ser humano e ser espiritual. Muitos tecem planos para a conquista de status social, acreditando que ter é o caminho para a felicidade! Tantos outros desejam para si e para o mundo, a paz!
No entanto, é indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo. A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento, enquanto que a serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz Imortal.
Sem luz espiritual no caminho, reduz-se a experiência humana a complicado acervo de acontecimentos sem sentido. A peregrinação terrena é curso preparatório para a vida mais completa. Cada espírito exercita-se no campo que lhe é próprio, dilatando a celeste herança de que é portador.
A força divina está operando em todas as inteligências e superintendendo todos os trabalhos. É indispensável, portanto, guardarmos muito senso da obra evolutiva que preside aos fenômenos do Universo.
Não existem milagres de construção repentina no plano do espírito, como é impossível improvisar, de um momento para outro, qualquer edificação de valor na zona da matéria. O serviço da iluminação da mente, com a elevação dos sentimentos e raciocínios, demanda tempo, esforço, paciência e perseverança.
Daí a multiplicidade de caracteres a se aprimorarem na oficina da vida humana e, por isso mesmo, a organização de classes, padrões e esferas em número infinito, obedecendo aos superiores desígnios do Pai. Todas as atividades terrestres, enquadradas no bem, procedem da orientação divina que aproveita cada um de nós outros, segundo a posição em que nos colocamos na ascensão espiritual.
É necessário, pois, que os discípulos da Revelação Nova, com o Cristianismo redivivo, aprendam a valorizar a oportunidade do serviço a cada dia, sem inquietudes, sem aflições. Toda tarefa respeitável e edificante é de origem celeste. Cada homem, cada mulher, pode funcionar em campos diferentes.
No entanto, em circunstância alguma, deve-se esquecer a indiscutível afirmação de Paulo que assevera que “há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. (I Coríntios, 12:26.)
(Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz de Francisco Cândido Xavier)





Espiritismo no Lar

      “Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.”
      Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 4º — Ítem 18.

Todos sabemos valorizar o benefício de um copo d’água fria ou de uma ampola de injetável tranquilizante, ofertados num momento de grande aflição.
Reconhecemos a bênção do alfabeto que nos descortina as belezas do conhecimento universal e bendizemos quem no-lo imprimiu nos recessos da mente.
Mantemos no carinho do espírito aqueles que nos ajudaram nos primeiros dias da reencarnação, oferecendo-nos amparo e amamentação.
Somos reconhecidos àqueles que nos nortearam em cada hora de dúvida e não esquecemos o coração que nos agasalhou nos instantes difíceis do caminho renovador...
Muitos há, no entanto, que desdenham e esquecem todos os benefícios que recebem durante a vida...
Há um inestimável benefício que te enriquece a existência na Terra: o conhecimento espírita.
Esse é guia dos teus passos, luz nas tuas sombras e pão na mesa das tuas necessidades.
Poucas vezes, porém, pensaste nisso.
Recebeste com o Espiritismo a clara manhã da alegria, quando carregavas noite nos painéis mentais e segues confiante, de passo firme, com ele a Conduzir-te qual mãe desvelada e fiel.
Se o amas, não o detenhas apenas em ti.
Faze mais. Não somente em propaganda “por fora” mas principalmente dentro do teu lar.
No lar se caldeiam os espíritos em luta diária nas tarefas de reajustamento e sublimação.
Na família os choques da renovação espiritual criam lampejos de
Ódios e dissenção, que podes converter em clarões-convites à paz.
Não percas a oportunidade de semear dentro de casa.
Apresenta a tua fé aos teus familiares mesmo que eles não queiram escutar.
Utiliza o tempo, a Psicologia da bondade e do otimismo e esparze as luminescências da palavra espírita no reduto doméstico.
Se te recusarem ensejo, apresenta-o, agindo.
Se te repudiarem conduze-o, desculpando.
Se te ferirem espalha-o amando.
Pelo menos, uma vez por semana, reúne a tua família e felicita-a com o Espiritismo, criando assim, e mantendo, o culto evangélico, para que a diretriz do Mestre seja eficiente rota de amor à sabedoria em tua casa...
Ali, na oportunidade, ouvidos desencarnados se imantarão aos ouvidos dos teus e escutarão; olhos atentos verão pelos olhos da tua família e se nublarão de pranto; mentes se ligarão às outras mentes e entenderão... Sim, Ouvidos, olhos e mentes dos desencarnados que habitam a tua residência se acercarão da mesa de comunhão com o Senhor, recebendo o pão nutriente para os espíritos Perturbados através do combustível espírita que não é somente manancial para os homens da Terra, mas igualmente para os que atravessaram os portais do além-túmulo em doloroso estado de sofrimento e ignorância.
Agradece ao Espiritismo a felicidade que possuís, acendendo-o como chama inapagável no teu lar, para clarear os teus familiares por todos os dias.
O pão mantém o corpo.
O agasalho guarda o corpo.
O medicamento recupera o corpo.
O dinheiro acompanha o corpo.
Seja o Espiritismo em ti o corpo do teu espírito emboscado no teu corpo, a caminhar pelo tempo sem fim para a imortalidade gloriosa.
E se desejares felicidade na Terra, incorpora-O ao teu lar, criando um clima de felicidade geral.
(Mensagem de Joana De Angelis no livro SOS Família de Divaldo Pereira Franco)



sábado, 1 de dezembro de 2018

Ano II - Rio das Ostras - Edição Dezembro 2018


Editorial


Que a paz do nosso Mestre Jesus seja com todos!
Prezados irmãos, temos na natureza lindas lições a aprender. Todos os dias, em todos os lugares, encontramos a natureza a nos oferecer espetáculo de beleza e harmonia, mas também preciosas lições para nosso aprendizado. Mas..., é preciso ter “olhos de ver”.
Eis o sol, irmão grandioso em luz e força, imponente ao raiar dos dias que, no entanto, cede diariamente o seu lugar à lua para, por sua vez, vir nos iluminar.
Eis o sol, como que a exemplificar o respeito e a humildade pelo outro, mostrando entendimento que cada um, do seu modo, é importante no que tem a oferecer.
Eis as irmãs formigas, exemplificando o valor do trabalho em equipe para o sustento do grupo. Como que a nos mostrar que unidos podemos realizar muito mais.
Eis as águas do mar que seguem o fluxo das correntes, sob a interferência da lua, e nem por isso perdem sua identidade, sua individualidade como obra divina. Se misturam quando preciso, se mantém quando necessário, e seguem banhando o planeta, seguem servindo sob outras formas atendendo às Leis do Criador.
Lições a aprender! São muitas e quem quer, observa e aprende.
Irmãos, podemos nós também aprender através da observação do que se passa ao nosso redor, com a natureza humana inclusive.
Diz um irmão: “O mal que está por vir, pode e deve ser evitado.”
Diz o nosso Mestre: “Orai e vigiai!”
Através da atenção, do vigiar, se conhece a situação que se apresenta e através da oração se estabelece o fluxo da comunicação com os irmãos amigos que estão dispostos a nos ajudar. E nesta sintonia, flui a inspiração para nos melhorar a visão das coisas, e assim, nos fortalecer e iluminar a mente e o coração para as decisões da tomar.
Eis a natureza em nós, pois é da Lei Natural de Deus nos amar incondicionalmente e nos amparar nessa jornada evolutiva.
Irmãos, confiem, atentos e perseverantes no bem. Esse é o caminho com Jesus, contínuo e perseverante trabalho no bem com amor e fé.
Sion
(Psicografia recebida em 13/11/2018 pela médium Cláudia Araújo)



Ano Novo

Chegaste ao final de ano, trazendo o coração carregado de angústias. Sob o céu iluminado pelos fogos de artifícios e ao embalo das canções festivas não pudeste evitar as lembranças infelizes.
O ente querido, levado pela morte.
O familiar mergulhado na irresponsabilidade.
O filho amado, indiferente a teu carinho.
O parente acometido pela enfermidade irresistível.
O companheiro tragado pelo pelos vícios.
O amigo atirado à penúria e ao abandono.
Recordaste cada instante de dor e entre sorrisos e abraços, não pudeste conter o soluço de saudade e aflição. Lamentaste os ausentes. Choraste os que se ergueram contra ti. Sofreste pelos que não te entenderam as intenções mais nobres.
Sentiste o punhal da amargura, cortando-te a alma combalida. E vislumbrando, em novo ano, outra etapa de desilusões e sofrimento, sucumbiste ao fard0 do desanimo e do desespero.
Entretanto, apesar das provações dolorosas que a vida te reserva, enxerga no Ano Novo a oportunidade renovada de aprendizagem e experiencia.
É verdade que teus olhos estão vermelhos de pranto; que teus ombros estão vergados ao peso do infortúnio; que tuas mãos estão tremulas de cansaço e de angustia.  É verdade que tuas lagrimas são o testemunho vivo da tristeza que te consome.
Contudo, arma-te de fé e de coragem e, buscando em Jesus a inspiração e o apoio, não permitas que teus que teus pés errem o caminho do bem.
Tem paciência contigo, para que não percas a calma.
Reconhece tuas limitações, para que não te falte a tolerância.
Perdoa teus momentos de fraqueza, para que não fujas à benevolência.
Ajudando-te a ti mesmo, ajuda também os que estão a tua volta, amando e servindo, compreendendo e perdoando, na certeza de que todo gesto de doação é, na essência, auxílio ao próprio doador.
E, no limiar de cada Ano Novo, fortalece tua esperança em Jesus, deixando que a voz meiga e amorável do Divino Mestre te repita, ao coração ansioso, as palavras inesquecíveis: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
(Mensagem de André Luiz, do livro Vivendo o Evangelho Vol. I de Antônio Baduy Filho)




Amai os inimigos

“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás ao teu próximo e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazeis ao bem ao que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam para serdes filhos de vosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre os bons e os maus, e vir chuva sobre justos e injustos.” (Mt, V.20, 43 a 44). “Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amar os inimigos é a sua aplicação máxima, pois esta virtude é uma das maiores vitórias alcançadas sobre o egoísmo e o orgulho”. (ESE, cap. 12, item 3).
Os textos acima nos trazem, em geral, um sentimento de angústia, pois ainda nos é muito difícil perdoar e amar aquele que nos faz mal. No entanto, Jesus não entendia que se deve ter pelo inimigo a mesma ternura que se tem por um irmão ou um amigo. A ternura pressupõe confiança e não é possível confiarmos em quem nos faz ou pode nos fazer mal. Num exemplo figurado, os animais ferozes podem ser ameaça se entrarmos em sua área, mas isso não justifica exterminá-los. É necessário preservá-los pelo bem do equilíbrio da natureza. Todos os viventes têm sua razão de ser.
Trazendo essa figuração para nosso dia a dia, afinal quem são nossos inimigos?
Ao pensarmos sobre isso, nossa primeira resposta é “não tenho inimigos. Ou será que tenho?” nem sempre identificamos a resposta claramente.
Se pensarmos do ponto de vista da lei física, que demonstra que existe assimilação e repulsão dos fluidos, podemos perceber aqueles que têm pensamentos malévolos em relação a nós. A sensação é extremamente desagradável, principalmente aos que são mais sensíveis às vibrações negativas. Nossa primeira reação é a repulsa, mas se do pensamento passarmos à ação de revide de vingança, retroalimentando os fluidos negativos, criaremos uma prisão, com muito sofrimento.
Quebrar esse círculo vicioso é extremamente difícil, pois “o caráter do indivíduo é treinado para o revide, para a autodefesa, para a preservação da sombra individual e coletiva, onde sempre predominam o egoísmo e as paixões primitivas”. (Reconciliação em Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda, Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Franco).
Esse intercâmbio pernicioso pode durar por séculos e séculos, mas em determinado momento será interrompido, pois a lei do amor se origina em Deus, faz parte da nossa natureza e está gravada em nossa consciência. Os Espíritos, exauridos pela dor e movidos por sua natureza Cósmica, que inspira o amor, são levados à introspecção, à analise interior que os faz buscar a luz e a cura.
(Reflexões inspiradas no Evangelho segundo o Espiritismo cap. XII)




Deus em Ti

Cada dia em tua caminhada assemelha-se à pérola de luz que deves saber cultivar e agradecer.
Lembra, porém, que a pérola preciosa origina-se da luta que a ostra trava contra um grão de areia que a invade, gerando o nácar, substancia que ao envolver o agressor, o corpo estranho, dá gênese à pedra preciosa.
Assim, quando a dificuldade física ou moral atingir a tua alma, não te aflijas, nem te revoltes.
Abriga-te na prece fortalecedora, buscando equilíbrio e lucidez e, através do nácar da fé, dá vida às pérolas da paciência e da resignação.
Compreende que o obstáculo não deve se tornar o empecilho para que continues a caminhar, mas sim o motivo que te impulsiona a crescer mais e não desistir nunca.
A vida física é, para o espírito, escola de valor ímpar, onde nenhuma lição pode ser desperdiçada.
A dor que te atinge deve representar a avaliação, muitas vezes com alto grau de dificuldade, mas jamais impossível de ser ultrapassada.
Empenha-te para que o teu aproveitamento corresponda à confiança que o Pai deposita em ti e que está confirmada nas múltiplas oportunidades de renascimento, que incansavelmente Ele oferece.
Antes de te desesperares ou pensares em desistir, como a ostra, fecha-te para o Mundo e, envolvendo-te pela prece, cultiva Deus em ti, a fim de sentires o valor que tens.
És trabalhador indispensável à seara do bem, em todas as frentes, a começar pelo lar que te colhe, onde deves ser, para os que convivem contigo, o exemplo da fé e perseverança a oferecer a certeza de que em tempo algum se caminha a sós.
Em qualquer circunstância, a presença incomparável de Deus se faz sentir, atestando o Seu amor por cada criatura.
Ergue os olhos e segue buscando Deus em ti, sem esmorecer jamais.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, no livro A Conquista da Felicidade de Eulália Bueno)