quarta-feira, 1 de julho de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Julho 2020


Editorial

Peregrinação cristã
 Se aceitaste o evangelho por abençoado roteiro de aperfeiçoamento, não te esqueças da representação que nos cabe em toda parte.
A fé nos confere consolação, mas nos reveste de responsabilidade a que não podemos fugir. Somos embaixadores de Jesus onde estivermos, se a luz d'ele é o clarão que nos descortina o futuro.
Não te esqueças de semelhante realidade para que a tua experiência religiosa não se reduza a simples adoração improdutiva. A estrada permanece descerrada a nós todos.
Cada dia é uma revelação para que exerçamos a sublime investidura. Se o senhor desceu até nós, partilhando-nos a senda obscura e viciosa a fim de que nos levantássemos, aprendamos também a representá-lo nas regiões inferiores à nossa posição do conhecimento.
Onde fores defrontado pela calúnia, sê a palavra amiga do esclarecimento benéfico. Se o mal te avista, improvisa o bem com tua capacidade de ajuizar as situações de planos mais altos.
Se a tristeza e o desânimo te procuram, acende a lanterna da coragem e resiste ao sopro frio do desalento, prosseguindo no trabalho que a vida te confiou.
Se a infantibilidade te busca, não a abandones, porque o cristão sincero é o bom semeador que tudo aperfeiçoa para a glória do infinito bem.
Se a leviandade vem ao teu encontro, ajuda o companheiro de jornada, orientando-lhe o pensamento para o justo equilíbrio em que a nossa fé se inspira e vive sempre.
Se a treva tenta envolvê-lo, faze a claridade do otimismo, com as bênçãos do amor que auxiliam em todos os instantes.
Mas se o embaixador humano é obrigado a longo curso de compreensão e tolerância na ciência do tato e da gentileza para não falharem seus compromissos, não creias que o emissário do cristo deva agir sem os princípios de serenidade e do bom ânimo.
Colaboremos e ajudemos sem alardear notas de superioridade perturbadora. Quanto mais clara a nossa luz, mais alta a nossa dívida para com as sombras. Quanto mais sublimes nossas noções do bem, mais imperiosos os nossos deveres de socorro às vítimas do mal. O mensageiro de cristo é o braço do evangelho.
(Mensagem de Emmanuel no livro Paz e Libertação de Francisco Cândido Xavier)




No Esforço Evolutivo
Ide e pregai o Evangelho
No maravilhoso drama da evolução universal, é o homem, na Terra e no Espaço, valioso colaborador de Deus. Se os Espíritos Superiores operam, no plano extra físico, visando ao aperfeiçoamento dos encarnados, estes, por seu turno, empregam esforços no mesmo sentido, sintonizando-se, integrando-se na sublime tarefa do esclarecimento espiritual.
Não existem duas vidas distintas, separadas, independentes. Há, pelo contrário, uma só vida, que se caracteriza por duas etapas. A primeira, no mundo espírita ou espiritual, que sobrevive a tudo, que preexiste ao nascimento na Terra, consoante esclarece a Doutrina. A segunda, após o nascimento, no mundo corpóreo, no chamado mundo material ou físico.
Essas duas etapas são, no entanto, correlatas. Reagem uma sobre a outra incessantemente — informam os Instrutores Espirituais, esclarece a Codificação.
Quanto maior o número de almas nobres que venham a reencarnar na Terra, mais depressa ascenderá esta no concerto dos Mundos que, em fabulosos turbilhões, rolam pelo espaço imensurável.
De igual maneira, quanto maior o número de almas edificadas que retornarem da Terra, mais se purificará o ambiente espiritual nas regiões próximas à crosta. Como se vê, a posição dos encarnados influi na vida do Além-Túmulo, quanto o comportamento dos Espíritos influi na paisagem física do Globo. Urge, pois, haja simultaneidade no trabalho — neste sublime intercâmbio entre o Mundo Espírita e o Mundo Corpóreo.
A Humanidade terrena não pode, nem deve ensarilhar armas no afã de, combatendo as próprias deficiências, corrigindo as próprias imperfeições, preparar fortes contingentes espirituais que, mais tarde, voltarão infalivelmente ao mundo, a fim de ao mundo restituírem os valores sublimados e eternos aqui recebidos.
Quando Jesus, observando as lutas do proscênio terrestre, aconselhou o “ide e pregai o Evangelho”, não pretendeu, de forma alguma, fossem os discípulos, tão somente, levar conforto aos sofredores, consolação aos aflitos, bom ânimo aos desalentados do caminho. Desejou, evidentemente, que, aldeia por aldeia, cidade por cidade, preparassem almas para o Reino que oportunamente haveria de construir no coração da Humanidade inteira. Jesus veio, também, educar. E o objetivo da pregação educativa do Mestre estende-se, tanto hoje como ontem, além fronteiras do nosso parco entendimento.
A palavra do Senhor é, simultaneamente, pão e luz na estrada. Na Terra e no Espaço. “Eu sou o pão da vida.” “Eu sou a luz do mundo.” Pão que alimenta, fortalece, encoraja. Luz que esclarece, orienta, dá responsabilidade.
Comendo desse pão subjetivo, nutre-se o homem em definitivo. Não terá mais fome. Banhando-se nessa luz, torna-se consciente do seu glorioso destino, artífice de sua própria evolução.
Entende que lhe cabe, na obra geral, coletiva, de aperfeiçoamento dos seres, uma contribuição que, por diminuta, nem por isso é menos valiosa.
Há, nessa colaboração, um mérito indiscutível: — o da boa vontade. Aquele que sente, dentro de si, uma réstia da claridade divina, pode e deve influenciar no sentido de que todos coparticipem do seu programa de aprimoramento. Esta influência nem sempre se verificará pelo maior ou menor número de livros que escreve, ou de conferências que profere, mas pela efetiva exemplificação no Bem. Na Moral e no Saber.
Se o contingente maior de encarnados se constitui, inegavelmente, de seres retardados, infelizes, o campo de atividades do tarefeiro evangélico é muito grande. A extensão desse campo desafia-lhe o esforço e a perseverança, o dinamismo e a resistência.
Inteligências menos desenvolvidas vagueiam nas sombras da Terra e do Espaço, reclamando orientação caridosa. Nos desvãos do crime e da loucura jazem desventurados companheiros de jornada, aguardando simplesmente uma frase alentadora, um conceito renovador.
A palavra do Mestre continua ressoando, ressoando. Imperativa e fraterna, por mensagem de Esperança. “Ide e pregai o Evangelho”.
(Reflexão do livro Estudando o Evangelho de Martins Peralva)



Felicidade
Existe a felicidade? Será ficção ou realidade? Se não existe, por que tem sido essa a aspiração de todas as gerações através dos séculos e dos milênios? Já não seria tempo de o homem desiludir-se? Se existe, por que não a encontram os que a buscam com tanto empenho? Que nos responda o poeta: "A felicidade está onde nós a pomos; e nunca a pomos onde nós estamos". Eis a questão.
A felicidade é um fato desde que a procuremos onde realmente ela está, isto é, em nós mesmos. O desapontamento de muitos com relação à felicidade, desapontamento que tem gerado incredulidade e pessimismo, origina-se de a terem procurado no exterior, onde ela não está; origina-se ainda de a suporem dependendo de condições e circunstâncias externas, quando todo o seu segredo está em nosso foro íntimo, no labirinto dos refolhos de nosso ser.
O problema da felicidade é de natureza espiritual. Circunscrito à esfera puramente material, jamais o homem o resolverá. O anseio de felicidade que todos sentimos vem do Espírito, são protestos de uma voz interior.
O erro está em querermos atender a esses reclamos por meio das sensações da carne e da gratificação dos sentidos. Daí a insaciabilidade, daí a eterna ilusão! O fracasso vem da maneira como pretendemos acudir ao clamor do Espírito. Ao rufiar de asas, respondemos com o escarvar de patas. A ideia da felicidade é tão real como a da imortalidade: aquela, porém, como esta, diz respeito à alma, não ao corpo.
Ao Espírito cumpre alcançar a felicidade que está, como a imortalidade, -em si mesmo, na trama da própria vida, dessa vida que não começa no berço nem termina no túmulo. A felicidade, neste mundo onde tudo é relativo, não exclui o sofrimento. Mesmo na dor, a felicidade legítima permanece atuando como lenitivo. De outra sorte, sofrer durante certo tempo e ver-se, depois, livre do sofrimento, já não será felicidade? O doente que recupera a saúde e o prisioneiro que alcança a liberdade já não se sentem, por isso, felizes? A saudade que nos crucia, não se transforma em gozo quando, novamente, sentimos palpitar, bem junto ao nosso, o coração amado? Não é bom sofrer para gozar? É assim que, muitas vezes, a felicidade surge da própria dor como a aurora irrompe da noite caliginosa.
O descanso é um prazer após o trabalho; sem este, que significação tem aquele? Assim a felicidade. Ela representa o fruto de muitos labores, de muitas porfias e de acuradas lutas. Vencer é alcançar a felicidade. Podemos, acaso, conceber vitória sem refregas? Quanto mais árdua é a peleja, maior será a vitória, mais saborosos os seus frutos, mais vigentes os seus louros. Para a felicidade fomos todos criados. "Quero que o meu gozo esteja em vós, e que o vosso gozo seja completo."
As graças divinas estão em nós, mas não as percebemos. A vida animalizada que levamos ofusca o brilho da luz íntima que somos nós mesmos. Vivemos como que perdidos, insulados, ignorando-nos a nós próprios. Encontrarmo-nos e nos reconhecermos como realmente somos — eis a felicidade. Fugirmos da espiritualidade é fugirmos de nós mesmos. Querendo fruir prazeres sensuais, adulteramos nossa íntima natureza, resvalando para o abismo da irracionalidade. Desse desvirtuamento vem a dor, dor que nos chama à realidade da vida e nos conduz à felicidade. A alegria de viver é consequência natural de um certo estado de alma, e significa viver profundamente. "Eu vim para terdes vida e vida em abundância".
A verdadeira vida é sempre cheia de alegria; é um dia sem declínio, um sol sem ocaso. O céu é a região da luz sempiterna. A ele não iremos pela estrada ensombrada de tristezas, luto e melancolia. O caminho que conduz à felicidade, resolvendo os problemas da vida, é estreito: não é escuro, nem sombrio. Estreito, no caso, significa difícil, mas não lúgubre.
A alegria de viver nasce do otimismo, o otimismo nasce da fé. Sem fé ninguém pode ser feliz. Sem fé e sem amor não há felicidade. As virtudes são suas ancilas. Haverá felicidade maior que nos sentirmos viver no coração de outrem? "Pai, quero que eles (os discípulos) sejam um em mim, como eu sou um contigo." A fusão de nossa vida em outra vida é a máxima expressão da ventura. O egoísmo é o seu grande inimigo. Alijá-lo de nós é dar o primeiro passo na senda da felicidade. Sendo a felicidade resultante de uma série de conquistas, é, por isso mesmo, obra de educação.
Através da autoeducação de nosso Espírito, lograremos paulatinamente a felicidade verdadeira. O reino de Deus — que é o do amor, da justiça e da liberdade — está dentro de nós, disse Jesus com o peso de sua autoridade. Descobri-lo, torná-lo efetivo, firmar em nós o império desse reino, vencendo os obstáculos e os embaraços que se lhe opõem — tal é a felicidade.
Para finalizar, concedamos a palavra a Leon Denis, o grande apóstolo da Nova Revelação: Como a educação da alma é o senso da vida, importa resumir seus preceitos em palavras: Aumentar tudo quanto for intelectual e elevado. Lutar, combater, sofrer pelo bem dos homens e dos mundos. Iniciar seus semelhantes nos esplendores de verdadeiro e do belo. Amar a verdade e a justiça praticar para com todos a caridade, a benevolência tal é o segredo da FELICIDADE, tal é o Dever, tal é a Religião que o Cristo legou a Humanidade.
(Texto do livro Em torno do Mestre de Vinícius)



Psicografia

Aceita, filha, a tua dor. Aceita a irmã que lhe visita, pois vem a convite de ti mesma e lhe quer ensinar. Ensinar o valor do corpo, templo sagrado do Espírito, que é e que tem, neste instrumento físico, o veículo abençoado para expressão do Ser.
Aceita, filha, e entende que nos desígnios de Deus, em sua lei de amor, justiça e misericórdia, tudo é proveito, tudo é aprendizado.
Aceita, filha, a dor que lhe bate a porta e procura conhecer, e compreender por que caminhos de sua própria vida, ela vem, pois não é causa, é consequência.
Aceita, filha, conhece, compreende e bem diga a tua dor. E louva essa irmã, e mestre, de tanto que precisas aprender e praticar.
Bem dize com Deus, o teu momento de sofrimento, pois é temporário, é valioso, é fundamental para o seu prosseguir mais forte, mais sábia, mais humilde, melhor para ti mesma.
Louva, filha, a “benção estranha” como dizes, que lhe chega e, com Jesus, por seus ensinamentos de amor, abraça a tua cruz espiritual e sublima o olhar sobre a realidade da vida eterna, das existências na carne e no pleno Ser eterno como Espírito de luz.
Vence as sombras, filha, vence a ti mesmo e segue com o Pai para o crescimento espiritual a que te destinas.
Por tua fé, reage com Jesus e encontra a tua força para esse embate. Já és gloriosa! Vence com Ele também!
Tenha olhos de ver, na aparente penumbra de teus dias, o verdadeiro iluminar de tua alma.
Fica com Deus! Faça essa escolha! Fica em paz!
Mãe Alzira Bentes



domingo, 31 de maio de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Junho 2020

Editorial

Há flores no caminho
Por mais que a sombra da tristeza nuble seus horizontes de ventura, lembre-se que em alguma parte, há flores no caminho.
Por mais que o pranto insista em molhar seu rosto, apagando a esperança do olhar, nunca esqueça que sempre há flores no caminho.
Mesmo que a solidão e o infortúnio teimem em roubar a sua alegria de viver, continue persistindo porque há flores no caminho.
Se o amor que julgava verdadeiro desertar de sua existência, não agasalhe a mágoa pesarosa, pois sempre é tempo de descobrir que há flores no caminho.
Se a morte arrebatar da sua convivência familiares queridos, deixando a desolação, corra para ver que há flores no caminho.
Se a vida em alguns momentos lhe parecer campo deserto onde somente surgirem os cactos da dor para acompanhar seus passos, insista em descobrir que há flores no caminho.
Se você estiver envolto num turbilhão de desespero e angústia sem divisar um horizonte promissor, saiba que esse momento lhe esconde que há flores no caminho.
Quando a sequência dos seus dias mais parecer um amontoado de noites tormentosas, acredite que haver um lindo alvorecer e com ele você descobrirá que há flores no caminho.
Se a ingratidão dos filhos machucar profundamente seu coração, tornando-o deprimido e infeliz, nunca olvide que há flores no caminho.
Se a doença amortalhar seu corpo e conduzir consigo toda a esperança da cura, continue confiando que há flores no caminho.
Mesmo que olhando ao seu redor tudo pareça convencer de que a vitória da iniquidade e do mal pode ser dada por certa, afirme a quem quiser ouvir que há flores no caminho.
Quando alguém atribuir a dos acontecimentos funestos à ausência de Deus, diga-lhe que Ele segue com todos c que é por isso que há flores no caminho.
Você mesmo, apesar dos sonhos desfeitos, das angústias desmedidas, da insistência no erro, da sucessão dos desenganos, da existência da dor, da sombra e do desespero que insistem em ficar, da fé titubeante, é um belo jardim que Deus legou à Terra e, por todos os lugares onde andar, verá surgirem flores em seu caminho.
Flores de amizade, flores de alegria, flores de renovação, flores de caridade, flores de luz, flores e mais flores no caminho entre você e Deus a lhe dizer que vale a pena continuar a jornada.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, no livro A conquista da felicidade de Eulália Bueno)




O homem de bem
O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.
Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.
Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.
O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.
Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.
Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado." Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.
O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.  Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.
(O Evangelho segundo o Espiritismo Cap. XVII – Item 3)




 Querida família,
Finalmente, hoje pude aqui estar para falar com vocês sobre o que me aconteceu. Após meses de cama de uma doença que não pude me livrar, aqui estou para lhes dizer o que me aconteceu após o desencarne.
Pensei que fosse sofrer muito, mas a espiritualidade lá estava, junto com meus parentes que me antecederam, vovó Cremilda e vovô Pedro lá estavam com um abraço apertado. Me receberam e disseram para que eu nada temesse, pois seria encaminhado a um hospital espiritual para me recuperar. Ainda transtornado, sentia-me bem. O sofrimento que aí passei, quando encarnado, sumiu. E me senti muito bem, depois de ficar internado não sei por quanto tempo.
Fui levado a assistir palestras educativas, junto a outros irmãos que se encontravam em situação idêntica à minha. Levamos algum tempo nesta fase de aprendizado, aí pude entender o que estávamos destinados a fazer quando encarnados.
Peço atenção para nossas filhas Renata e Joana que estão numa fase de transição, necessitando de muito amor e atenção da parte de minha esposa Irene, que peço não deixar que a tristeza tome conta de todas. Estou bem e numa outra oportunidade me dirigirei novamente a vocês.
Beijos a todos, ao João, André e Paulo, que sigam seus projetos de vida. Um grande beijo para você Irene e até breve.
Paulo José de Freitas



Brilhe vossa Luz
Meu amigo, no vasto caminho da Terra, cada criatura procura o alimento espiritual que lhe corresponde à posição evolutiva.
A abelha suga a flor, o abutre reclama despojos, o homem busca emoções. Mas ainda mesmo no terreno das emoções, cada espírito exige tipos especiais.
Há sofredores inveterados que outra coisa não demandam além do sofrimento, pessimistas que se enclausuram em nuvens negras, atendendo a propósito deliberado, durante séculos. Suprem a mente de torturas contínuas e não pretendem construir senão a piedade alheia, sob a qual se comprazem.
Temos os ironistas e caçadores de gargalhadas que apenas solicitam motivos para o sarcasmo de que se alimentam.
Observamos os discutidores que devoram páginas respeitáveis, com o único objetivo de recolher contradições para sustentarem polêmicas infindáveis.
Reparamos os temperamentos enfermiços que sorvem tóxicos intelectuais, através de livros menos dignos, com a incompreensível alegria de quem traga envenenado licor.
Nos variados climas do mundo, há quem se nutra de tristeza, de insulamento, de prazer barato, de revolta, de conflitos, de cálculos, de aflições, de mentiras...
O discípulo de Jesus, porém —  aquele homem que já se entediou  das substâncias deterioradas da experiência transitória —, pede a luz da sabedoria, a fim de aprender a semear o amor em companhia do Mestre...
Para os companheiros que esperam a vida renovada em Cristo, famintos de claridade eterna, foram escritas as páginas deste livro despretensioso.
Dentro dele não há palavras de revelação sibilina.
Traduz, simplesmente, um esforço para que nos integremos no Evangelho, celeiro divino do nosso pão de imortalidade.
Não é exortação, nem profecia.
É apenas convite.
Convite ao trabalho santificante, planificado no Código do Amor Divino.
Se a candeia ilumina, queimando o próprio óleo, se a lâmpada resplende, consumindo a energia que a usina lhe fornece, ofereçamos a instrumentalidade de nossa vida aos imperativos da perfeição, para que o ensinamento do Senhor se revele, por nosso intermédio, aclarando a senda de nossos semelhantes.
O Evangelho é o Sol da Imortalidade que o Espiritismo reflete, com sabedoria, para a atualidade do mundo.
Brilhe vossa luz! — proclamou o Mestre.
Procuremos brilhar! — repetimos nós.
(Emmanuel no livro Vinha de Luz de Francisco Cândido Xavier)


quinta-feira, 30 de abril de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Maio 2020


Editorial

A paz de cada um
Todos queremos a paz e vivemos em guerra. Essa contradição milenar, que caracteriza a imperfeição moral dos homens, foi bem definida pelo Apóstolo Paulo quando escreveu:
- “Miserável homem sou, que não faço o bem que desejo mas o mal que não quero!”
Se ele próprio, o abnegado servidor do Evangelho, que tudo deixou para seguir o Cristo e propagar a Sua mensagem, sentia na carne essa contradição, quanto mais a sentirão os que, como nós, dois mil anos depois, ainda não aprendemos a soletrar a palavra básica do ensino evangélico, que por sinal se constitui de apenas duas silabas: AMOR?
Há criaturas que se desesperam ante confrontos desta natureza.
Mas devemos lembrar-nos de que a Terra é uma escola em que as gerações se sucedem, recebendo as lições cada qual a seu tempo. De Paulo aos nossos dias, muitos alunos completaram o curso e saíram vitoriosos da escola terrena para instituições educacionais superiores.
Temos a vantagem de contar com os exemplos e as experiencias dos aprendizes que nos antecederam. E a vantagem de contar atualmente com as lições que nos enviam, através da mediunidade, os ex-alunos que se elevam, como Emmanuel, à categoria de mestres.
A paz do mundo depende da paz de cada um. Porque o mundo dos homens é feito pelos homens.
Deus crio o mundo natural com todas as possibilidades de evolução e paz. E nos criou para também fazermos o nosso próprio mundo, o mundo de cada um dos e o mundo dos homens, aproveitando as nossas próprias possibilidades na conquista da paz.
Se nos convertermos no “recanto vivo da paz”, a que se refere Emmanuel, daremos ao mundo a paz que ele necessita. Se permanecermos como focos de guerras e desajustes, o mundo estará sempre conflagrado pelas nossas contradições e as nossas injustiças.
Nos seus comentários à questão 789 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec assinala: “A Humanidade progride através dos indivíduos que se melhoram pouco a pouco e se esclarecem. Quando estes se tornam numerosos, tomam a dianteira e arrastam os outros”.
Se queremos, pois, lutar pela paz, façamos a paz em nós mesmos, e Deus nos ajudará a estendê-la ao mundo.
(Mensagem de irmão Saulo, no Livro Diálogo dos Vivos de Francisco Candido Xavier e J. Herculano Pires)



O dever
O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados. Quero aqui falar apenas do dever moral e não do dever que as profissões impõem.
Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas. O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio. O aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas da paixão. Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; como determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde termina? O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.
Deus criou todos os homens iguais para a dor. Pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelas mesmas causas, a fim de que cada um julgue em sã consciência o mal que pode fazer. Com relação ao bem, infinitamente vário nas suas expressões, não é o mesmo o critério. A igualdade em face da dor é uma sublime providência de Deus, que quer que todos os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não pratiquem o mal, alegando ignorância de seus efeitos.
O dever é o resumo prático de todas as especulações morais; é uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta; é austero e brando; pronto a dobrar-se às mais diversas complicações, conserva-se inflexível diante das suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. E a um tempo juiz e escravo em causa própria.
O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho. O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a Humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
O dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da Humanidade. Jamais cessa a obrigação moral da criatura para com Deus. Tem esta de refletir as virtudes do Eterno, que não aceita esboços imperfeitos, porque quer que a beleza da sua obra resplandeça a seus próprios olhos.
André Luiz, em suas reflexões, nos diz que: “Obrigações materiais regem-se pelas leis humanas. Obrigações morais dependem de nós. Os deveres do coração, calçados nas lições de Jesus, são assunto de sua consciência, fora do alcance das legislações dos homens. Contudo, a menor dívida quanto a eles é alçada do Código Divino que usa o anestésico da misericórdia, mas não esquece o bisturi da justiça”.
(Instruções dos Espíritos no O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XVII, Item 7; Comentários de André Luiz no livro Vivendo o Evangelho de Antônio Baduy Filho)




Olá, finalmente vou poder fazer um breve relato do que me aconteceu.
Estava eu dirigindo o meu carro quando começou a trovejar e chover, devo confessar que estava correndo um pouco além do permitido, pois queria chegar antes da chuva começar a cair; pois minha mãe Arlete me aguardava para o jantar, juntamente com meu pai Ernesto.
Dirigia já um pouco cansado, quando a chuva começou a cair e a estrada ficou com bastante água. Luzes passavam por mim rapidamente, deixando que eu ficasse às vezes cego de tanta luz que refletia na água da chuva.
De repente o carro começou a ficar com a direção leve, começou a planar, fazendo com que eu não tivesse mais o mínimo controle sobre a máquina.
Tudo em minha volta começou a rodar e o barulho de ferros ficou insustentável. Não vi, nem senti mais nada, acordei após algum tempo, que não sei quanto, quando fui recolhido por enfermeiros que se diziam a serviço do Pai.
Ainda estou abalado pelo ocorrido, mas já posso falar para vocês que estou melhor, me recuperando aos poucos, sinto muita falta de todos, do Paulo e de minha irmã Marisa, mas um dia voltarei.
Não deixem de ajudar a Maria, juntamente com meu filho Pedro.
Meu beijo a todos e a vida continua sempre com a permissão do Pai.
André Rogério do Nascimento



Prezados irmãos! Infelizmente a sua condição de encarnados os impossibilita de perceberem muitas nuances sutis, mas se não se colocarem à disposição, nem as mais grotescas serão percebidas.
O país está passando por fracos e fortes ajustes, uns no campo social, outros no tecnológico/científico e no moral também.
É necessário que todos se unam para que a Pátria do Evangelho seja o lugar fértil de ideias e pleno de diversidade. A espiritualidade designada para essa tarefa acompanha e orienta essa preparação. Está a postos, preocupada com a insistência de alguns, mas confiantes na possibilidade de evolução e de ganhar um salto expressivo. Porém, para que isso se realize de forma harmoniosa é necessário que os irmãos esqueçam as suas pendencias, abram mão do ego, optem por desejar o melhor para o coletivo.
Um capítulo dessa história já acabou e outro se inicia. Seu título é “ O que eu posso fazer para melhorar a humanidade”. Parece um projeto gigantesco para ti? Mas não é. A humanidade é você, é seu vizinho, é seu parente e são todas as comunidades e sociedade que compartilham esse planeta, nesse momento.
E o que fazer para melhorar a vida de cada um? Fazendo por eles o que gostaríamos que fizessem conosco.
Unam-se em oração, em desejo sincero de que toda e qualquer decisão seja para que a Terra evolua e que seus habitantes evoluam junto.
É uma pena que não possam ver o quanto são importantes as orações, os bons pensamentos, a boa ação, par ao campo energético do planeta. Ao mesmo tempo em que a cada torcida contra; cada deslize da fé ou cada segundo de desespero ou descrença, a Terra sofre solavancos que alteram as energias revitalizantes.
Então, irmãos, doutrinem-se na evolução, na correção dos próprios atos e pensamentos. Desejem o sucesso para todos e orem para que cada pensamento negativo seja substituído por uma vontade de fazer o correto.
Aos poucos é possível corrigir e reorganizar a proteção da Terra. Unidos poderemos corrigir, organizar e melhorar a convivência na Terra.


Escolhe o melhor para ti
Vives uma vida de escolhas difíceis. O mundo acena infinitas possibilidades de realização para desejos que acalentas há tanto tempo.
O progresso estimula os objetivos mais distantes pois parece tudo saber e conseguir.
 Os meios de comunicação se expandem e aperfeiçoam a cada segundo, tecendo redes de amizade por todo mundo, sem que te arredes do lar.
A tecnologia acena cada vez com mais novidades que sequer poderias supor existir algum dia.
A cultura rompe barreiras e avança resoluta parecendo capaz de desvendar todos os mistérios.
O consumo, antes dote das classes mais abastadas, se faz para todos, tornando necessidade o que anteriormente era supérfluo.
Sondas espaciais de alta precisão falam à Terra todos os dias, das belezas do cosmos infinito, atestando a grandiosidade de Deus.
Os abismos do mar já não guardam tantos mistérios, pois a ciência está desmistificando o desconhecido.
As doenças vão sendo vencidas através das fórmulas efetivadas pelas pesquisas bem-sucedidas de cientistas consagrados.
Mas, e dentro de ti? No mundo de ti mesmo, o quanto conheces?
Tuas dores morais não têm ainda suas causas conhecidas, muito menos tratamento estabelecido.
Sentes-te tantas vezes sufocado pela mesma tecnologia que abarrota a existência de novidades, sem ser capaz de secar uma única lágrima.
Embora tenhas infinitamente mais amigos, talvez recebas menos abraços e te encontres mais solitário.
Já paraste a avaliar o preço de tanto conforto ao dispor do teu corpo, sem, no entanto, saciar a sede de amor e paz de tua própria alma?
Crês mesmo que valha a pena viajar tanto para fora, atender a tantas solicitações, receber certificados de excelência intelectual e profissional e ter medo de estar a sós contigo?
Vives num meio que exerce constantes pressões sobre ti, mas não deves ceder a ponto de esqueceres quem és.
Jamais poderás esquecer que, aparentemente, sendo apenas mais um sobre a Terra, para Deus tu és um espírito especial, sem cópia, com riqueza de detalhes incomparáveis a demarcar tua alma.
Que te encontras de passagem sobre a Terra, aonde vieste para expandir e aperfeiçoar o amor acima de tudo.
Aproveita bem o que a vida pode te oferecer, mas não te esqueças de amar.
Amar sempre e cada vez mais, até conseguires fazê-lo aos outros na mesma intensidade com que te amas.
Somente assim, teu caminho será de luz e, ao deixaras a Terra, partirás pleno de ter vivido com a sabedoria de quem soube aproveitar tudo o que a vida no entanto, atar a alma a nada do que brevemente possuíste, porque dentro de ti o amor lembrava a cada instante que teu destino é a imensidão do amor.
(Mensagem de Maria do rosário del Pilar, no livro A conquista da felicidade de Eulália Bueno)



terça-feira, 31 de março de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Abril 2020


Editorial

A Casa Espírita somos nós
Quando você conheceu a doutrina Espírita?
Em que momento o Consolador te acolheu e te ensinou uma nova forma de olhar a vida, convidando-o a assumir a responsabilidade dos seus passos?
Em que momento a sua reforma íntima te fez vencer as primeiras sombras percebidas e a olhar seu irmão difícil de caminhada como uma oportunidade de sublimação?
Você lembra da primeira vez que venceu o egoísmo e entendeu a máxima que "Fora da Caridade não há salvação"? Se você é Espírita, como eu, é bem provável que a Casa Espírita que você frequenta não esteja aberta neste momento. Pode ser que você tenha se sentido perdido, sem saber o que fazer no horário habitual de um curso, ou da tarefa que você executa há tantos anos, ou há poucos meses, e já estava tão acostumado... Pode ser que as palestras virtuais dos dias de hoje te pareçam mais frias, sem os abraços calorosos daqueles companheiros de jornada.
Mas o que é a Casa Espírita sem as pessoas? Apenas um imóvel vazio. Nestes dias, a sua, a minha Casa Espírita é uma casa de tijolos fechada.
Nestes dias, a Casa Espírita é você, sou eu, é aquele tarefeiro que fazia de tudo, e é aquele que estava lá, mas pouco se envolvia.
Nestes dias, estamos sendo convidados a perpetuar o que lá aprendemos, alguns durante uma vida toda, outros, durante alguns anos, ou por um dia.
Não há quem possa alegar desconhecer a mensagem. Nenhum de nós pode alegar ser ignorante completo. Por isso, é chegado o momento do nosso testemunho. De trabalhar onde quer que estejamos para ajudar a Jesus na elevação das vibrações do planeta, de socorrer com palavras amigas aquele irmão que se desequilibrou, de praticar a caridade dentro do nosso lar, de divulgar a doutrina Espírita, se preciso, com palavras!
Já nos dizem os benfeitores que, quando o trabalho surge, o trabalhador está pronto!
O convite está feito! Avante, irmãos!
(Mensagem da Diretoria da Casa espírita Suave Caminho aos amigos e tarefeiros, 27/03/2020)




Fiat Lux
“A Terra era vã e vazia; e as trevas cobriam a face do abismo... e disse, então Deus: ‘Faça-se a luz’; e a luz foi feita”. (Gênesis, 1:2 e 3)
Assim como a Terra no princípio, assim é hoje, espiritualmente, a sua sociedade, em que pese à presunção dos super-homens que a dirigem e orientam. As trevas envolvem a mente e os corações. No seio da Humanidade verifica-se a predominância daqueles dois traços que assinalaram os tempos primitivos; tudo é vão e primitivo.
Os magnos problemas sociais são ventilados através dos séculos e milênios. Sobre cada um deles avolumam-se uma avalanche de teorias e opiniões eivadas do personalismo dos seus respectivos autores. Muito se discute e muito se controverte. Nada obstante, os referidos problemas continuam insolúveis. A enfermidade e a dor, sob seus multiformes aspectos, continuam a todos flagelando. A miséria, o vício e o crime se alastram e se multiplicam como vivo protesto à decantada civilização hodierna. A guerra cruenta, impiedosa e bárbara prossegue seu curso, como outrora, na sua faina devastadora, espalhando a morte e a desolação por quase toda a face do planeta. O direito brutal da força predomina sobre a força serena do direito. A materialidade de protesto reinante abafa o surto de espiritualismo onde quer que ele ouse levantar seu brado de protesto ou alarme. As trevas cobrem a face do abismo!
Urge que, de novo, o Divino Verbo profira a excelsa sentença através dos arautos celestes. Fiat Lux. Sim, faça-se a luz no íntimo das almas que habitam o orbe terráqueo. Somente mediante tal acontecimento se logrará reformar o mundo, substituindo-se os usos e costumes selvagens pelos hábitos e maneiras consentâneas com os precípuos postulados da verdadeira civilização. As providências tomadas fora desse programa não passam de paliativos e remendos, com resultados muito relativos. Não será, jamais, com “Fly-tox” (tipo de inseticida) que se extinguirão os mosquitos, mas sim com medidas higiênicas de saneamento do solo onde aqueles insetos encontram meio propício à sua proliferação. Enquanto as trevas cobrirem a face do abismo, a Terra continuará sendo o teatro de lutas fraticidas, ambiência propícia a eclosão do crime e do vício, da miséria e da enfermidade. Os homens têm curado de tudo que concerne à matéria, relegando o Espírito para plano secundário. Vestiram o corpo de púrpura e linho finíssimo, deixando a alma esfarrapada, seminua, coberta de andrajos e molambos. Escolas que moralize e instruam, educando o coração e o cérebro da nossa infância e da nossa juventude – eis a grande, a maior de todas necessidades reclamadas pelo momento que atravessamos.
“Se é triste”, disse Victor Hugo, “ver um corpo morrendo por falta de pão, mais triste ainda é ver uma alma estiolando por falta de luz.”
Fiat lux! Dissipem-se as trevas que cobrem a face do abismo em que a materialidade do século precipitou o nosso orbe. Tudo o mais será dado de graça e por acréscimo.
(Mensagem de Vinícius no Livro Na Seara do Metre)




Meus filhos queridos André, Joana, Luiz e querido esposo José, é com grande alegria que aqui estou para dizer a vocês, através de nossos irmãos, tudo que tenho há muito tempo guardado para que possa repassá-lo a vocês.
Quando desencarnei, fui logo recebida por minha mãe Lídia e meu pai João que, até hoje, muito me auxiliam aqui neste plano em que me encontro.
Meus filhos, a vida continua, isto é, o espírito que todos somos não acaba sem a matéria. Sei que minha partida deixou vocês muito tristes e desorientados, mas com a ajuda da fé de todos, felizmente, tudo acabou voltando à normalidade. Sinto também muitas saudades de vocês, do José e de meus netos que, daqui onde me encontro, tenho acompanhado o desenvolvimento deles. Estão cada vez mais lindos, peço a Deus que os proteja sempre.
Gostaria de, daqui onde me encontro, enviar palavras de carinho, amor e confiança a todos, mantenham sempre viva em vocês a fé que nunca deve ser relegada ao esquecimento. Lembrem-se, Deus é Pai e, como tal, sempre quer o melhor para seus filhos, nunca deixem que o desânimo e o desamor possam atingir vocês, mantenham essa fé dentro de vocês sempre viva.
Peço que cuidem de seu pai, não deixem que caia em depressão, pois isto pode fazer muito mal a ele que já está com o organismo um pouco debilitado. Verifiquem se está tomando os remédios que o médico da Terra passou para ele.
Uma outra coisa que gostaria de dizer é que sigam sempre a religião que escolheram e façam da fé e da ajuda ao próximo a bandeira que norteará o caminho de vocês em direção a luz do Pai. Nunca deixem de ajudar aos necessitados de uma ajuda moral, material e até uma palavra amiga de conforto e carinho aos necessitados. Sei que saberão fazê-lo com dignidade e respeito, pois o legado que aí deixei, tenho certeza que germinou como uma planta em terreno fértil.
Tenho sentido a falta de todos, mas quando entram em oração e os pensamentos nos momentos de juntos passamos, minha alma, agora Espírito, se enche de alegria, fé e esperança em dias melhores a todos.
Acho que já falei demais, mas gostaria ainda de dizer que adoro a todos vocês, filhos, marido e netos. Aqui estamos sempre orando para que tenham uma encarnação profícua e de grande ajuda aos necessitados. Lembrem-se sempre de agradecer, sempre, ao Pai, a Jesus e a esta espiritualidade amiga pelo amor e respeito que existe entre vocês.
Um grande abraço para vocês, meus eternos amores, que Deus os abençoe sempre de sua mãe, esposa e amiga.
Psicografia de 12/02/2017



Amigos, hoje fazem mais de 40 anos que deixei o mundo dos encarnados. Eu tinha uma vida muito boa, uma mulher que me amava e filhos lindos, mas não dei valor a isso na época.
O que me contentava e alegrava o coração era dinheiro, muito dinheiro. Trabalhava muito e não dava a devida atenção a minha família. Não vi meus filhos crescerem e com muito arrependimento digo que não passo de um estranho que tem dinheiro para eles. Até o relacionamento com minha esposa era distante.
Um belo dia, no meio de uma discussão no trabalho, infartei e morri. Eu nunca quis sair dali muito tempo se passou e eu preso naquele escritório. A minha cegueira era tanta que eu não me dei conta do que aconteceu, permanecendo no mesmo lugar.
A misericórdia divina se compadeceu de mim e pode ser resgatado, num trabalho de amor dos irmãos e familiares. É muito ruim se apegar as coisas materiais dessa forma, colocando-as acima de tudo, se fechando para as verdadeiras coisas da vida, que são o amor e os bons sentimentos.
Agora, depois de muito estudo acho que já sei mais alguma coisa a respeito da vida. Estou me preparando para voltar ao palco da vida, com muito medo de errar de novo, de me deixar levar pelo brilho do ouro.
Devo nascer numa família modesta, para não me apegar demasiadamente as coisas e viver despretensiosamente. Peço a todos que orem por mim e por todos que estão na mesma situação, no limiar de voltar ao palco da vida na carne, mas com medo de errar novamente e cometa os mesmos erros. Trocar todo o amor da sua família, todo o trabalho no bem por coisas que enferrujam e perecem.
Jesus os abençoe. Que o Pai possa se compadecer de todos nós! Eufrásio Dantas
Psicografia de 02/02/2017


Mamãe, não fique triste, eu estou bem. Eu sei que foi um susto enorme para você e uma grande dor a minha partida tão repentina. Mas tudo ocorreu na hora certa e tinha de ser assim, estava na minha programação, por razões que eu, agora, não posso falar. Não foi castigo de Deus e nem culpa de ninguém.
Mamãe, console seu coração sabendo que eu estou bem, vivendo num curto plano e que um dia nos encontraremos de novo. Nossa distância é temporária!
Peça a Jesus o amparo para seguir caminhando, pois tem muitos que dependem de você neste momento. A vida continua!
Quando eu puder e tiver condições para isso, irei visitá-la e a todos os outros. Trabalhe em prol dos outros como sempre fez e isso com o tempo consolará o seu coração. No rosto de cada criança sofrida precisando de amparo veja o meu e os acolha com o mesmo amor que sempre me escolheu.
Dê minhas lembranças a todos, ao Marquinhos e ao papai Leonardo.
Fiquem na luz de Jesus e Maria! Um beijo carinhoso do seu filho Raphael dos Santos Aguiar. (Mamãe Maria da Glória)
Psicografia 13/03/2019