terça-feira, 1 de setembro de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Setembro 2020

 

Editorial

 

Deus sabe

Se percebes o teu mundo íntimo a se agitar açoitado peIas dificuldades e julgas que Deus se esquece de ti, estás enganado. Deus sabe do que mais precisas para te fortalecer.

Se descobres que as conquistas que tanto desejas no campo profissional ruem à beira de se tornar realidade e com isso imaginas que Deus te esqueceu, enganas-te novamente, pois Deus sabe da tua capacidade de administrar.

Se nas relações familiares sentes que o amor está abalado e que Deus não se importa com a dor que te consome o peito, fica a par de que Deus sabe o quanto necessitas aprender a valorizar o amor que talvez outrora desperdiçaste.

Se diante dos sonhos almejados, das forças despendidas para transformá-los em realidade, vês que os mesmos se desfazem deixando-te entregue ao abandono e ao desânimo e com isso nada te convence de que Deus toma conta de ti, cala um instante e reflete, porque Deus sabe a que riscos te exporias se eles se concretizassem.

Se acalentaste por longo tempo sonhos de amor que como castelos de areia se desfizeram ante o vendaval da desilusão, não desistas de amar.

Se, embora o teu empenho de qualificação, mesmo assim não consegues um posto que atenda às tuas aspirações, prossegue trabalhando com amor, pois não há salário mais justo do que a sensação do dever cumprido.

Contra todas as amarguras, prossegue construindo e ofertando o melhor que possas, pois o usufruto da obra é sempre do seu autor.

Procura estabelecer para ti as melhores sintonias a fim de que, mesmo em dias de sombra, possas contar com as intercessões dos espíritos benevolentes.

Se por todos os lados e em quaisquer circunstâncias muitas vezes te sentes colhido pela desilusão e tens assim a sensação de que Deus está distante, crê que Ele sabe o quanto necessitas e a que momento deverás ter anseios bem-sucedidos, porque, muito mais do que velar pelo que pedes, o Pai cuida do que realmente tens condição de gerir.

E, se diante da existência, as trevas te abaterem o ânimo, ergue a fronte ao céu e guarda contigo a certeza de que Deus é a luz que a todo instante faz sempre o melhor por ti.

(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar no livro A Conquista da Felicidade de Eulália Bueno)

 


 Purificação Íntima

“Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.” — (TIAGO  4:8)

Cada homem tem a vida exterior, conhecida e analisada pelos que o rodeiam, e a vida íntima da qual somente ele próprio poderá fornecer o testemunho.

O mundo interior é a fonte de todos os princípios bons ou maus e todas as expressões exteriores guardam aí os seus fundamentos. Em regra geral, todos somos portadores de graves deficiências íntimas, necessitadas de retificação.

Mas o trabalho de purificar não é tão simples quanto parece. Será muito fácil ao homem confessar a aceitação de verdades religiosas, operar a adesão verbal a ideologias edificantes... Outra coisa, porém, é realizar a obra da elevação de si mesmo, valendo-se da autodisciplina, da compreensão fraternal e do espírito de sacrifício.

apóstolo Tiago entendia perfeitamente a gravidade do assunto e aconselhava aos discípulos alimpassem as mãos, isto é, retificassem as atividades do plano exterior, renovassem suas ações ao olhar de todos, apelando para que se efetuasse, igualmente, a purificação do sentimento, no recinto sagrado da consciência, apenas conhecido pelo aprendiz, na soledade indevassável de seus pensamentos.

O companheiro valoroso do Cristo, contudo, não se esqueceu de afirmar que isso é trabalho para os de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão-somente à custa de palavras brilhantes.

(Mensagem de Emmanuel, no livro Caminho, Verdade e Vida de Francisco Cândido Xavier)

 


Psicografia


Oi, sou a Cláudia e gostaria de avisar a minha família que tudo não acaba no túmulo como muitas vezes nós falamos.

O lado de cá é muito bom, leve e bonito, com pessoas bondosas e gentis que cuidam de todos com carinho.

Eu, graças a Deus, fui bem recebida quando cheguei aqui, mas já me disseram que existem outros lugares não tão bons assim.

Eu trabalho ajudando as crianças, elas são muito sapecas, mas adoráveis e eu adoro estar com ela.

 Meu filho querido Felipe, sinto muito a sua falta e sei que você também sente a minha. Os seus pensamentos de amor e saudade chegam até aqui.

Ainda não encontrei seu pai, a situação dele ainda não permite esse encontro, mas Deus está cuidando dele e o momento um dia chegará.

Não posso me demorar mais. Deus lhe abençoe e proteja, da sua mãe que te ama,

Cláudia da Cruz Silva

(Recebida em 05/02/2020)

 

Psicografia

Meus amores,

É tão bom ter contato com o mundo dos vivos, nem que seja dessa forma.

Eu tenho muitas saudades de todos vocês, minha esposa Lena, meus filhos Gustavo, Arthur e Heitor, e minhas filhas Helena e Cláudia.

Nós éramos tão unidos quando todos eram crianças, mas com o crescimento houve o inevitável afastamento físico, porém não emocional e espiritual.

Eu sei que a minha partida repentina causou muita estranheza e dor em todos vocês; para mim, na realidade, foi melhor assim, apesar do susto, num instante estava do lado de cá. Eu dormi por um tempo para me refazer, quando acordei já havia se passado algum tempo e o sofrimento de vocês já estava mais amainado.

Hoje, depois desse tempo todo, eu já me recuperei. Eu estudo para saber como é essa nova realidade e também ajudo no hospital.

Só aqui, eu percebo quanta coisa eu não sei e nem nunca ouvi falar quando estava encarnado. A melhor coisa a fazes quando na Terra é procurar se informar direito o que acontece quando se morre, para não ser pego de surpresa. Isso é primordial, e a maioria não dá importância.

Meus filhos, Lena querida, eu acompanho à distancia o que ocorre com vocês. Eu rezo sempre ao Pai Maior para que Ele os abençoe e os inspire a serem melhores.

Vocês sempre estarão comigo, no meu coração.

Muito amor e muita paz nos seus corações.

Com carinho,

Agenor de Miranda Andrade.

P.S. Eu encontrei a vovó Nedina. Ela também manda lembranças e beijos a todos.

(Recebida em 05/02/2020)

 


 Conceito de Salvação

 “... Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação.” – Paulo. (II Coríntios, 6:2).

Salvar, em sinonímia correta, não é divinizar, projetar ao céu, conferir santidade a alguém através de magia sublimatória ou fornecer passaporte para a intimidade com Deus. Salvar, em legítima significação, é “livrar de ruína ou perigo”, “conservar”, “defender”, “abrigar” e nenhum desses termos exime a pessoa da responsabilidade de se conduzir e melhorar-se. Navio salvo de risco iminente não está exonerado da viagem, na qual enfrentará naturalmente perigos novos, e doente salvo da morte não se forra ao imperativo de continuar nas tarefas da existência, sobrepujando percalços e tentações. O Evangelho não deixa dúvidas quanto a isso. Pedro, salvo da indecisão, é impelido a sustentar-se em trabalho até a senectude das forças físicas. Paulo, salvo da crueldade, é constrangido a esforço máximo, na própria renovação, até o último sacrifício Se experimentas o coração chamado à verdade pela Doutrina Espírita, compreendamos que a salvação terá efetivamente chegado até nós. Não aquela que pretende investir-nos, ingenuamente, na posse de títulos angélicos, quando somos criaturas humanas, com necessidade de aprender, evoluir, acertar e retificar-nos, mas sim a salvação no verdadeiro sentido, isto é, como auxílio do Alto para que estejamos no conhecimento de nossas obrigações, diante da Lei, dispostos a esposá-las e a cumpri-las. Sobretudo, não nos detenhamos em frases choramingueiras, perdendo mais tempo sobre o tempo perdido. Reconheçamos com o apóstolo eu “o tempo sobremodo oportuno” para a salvação ou, melhor, para a corrigenda de nossos Eros e aproveitamento da nossa vida, chama-se agora.

(Mensagem de Emmanuel, no livro Palavras de Vida Eterna de Francisco Cândido Xavier)

 


sábado, 1 de agosto de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Agosto 2020

Editorial

Cooperemos fielmente

“Pois somos cooperadores de Deus.”  Paulo

(I Coríntios, 3:9) 

O Pai é o Supremo Criador da Vida, mas o homem pode ser fiel cooperador d’Ele. Deus visita a criatura pela própria criatura.

Almas cerradas sobre si mesmas declarar-­se-­ão incapazes de serviços nobres; afirmar-­se-­ão empobrecidas ou incompetentes.

Há companheiros que atingem o disparate de se proclamarem tão pecadores e tão maus que se sentem inabilitados a qualquer espécie de concurso sadio na obra cristã, como se os devedores e os ignorantes não necessitassem trabalhar na própria melhoria.

As portas da colaboração com o divino amor, porém, permanecem constantemente abertas e qualquer homem de mediana razão pode identificar a chamada para o serviço divino. Cultivemos o bem, eliminando o mal.

Façamos luz onde a treva domine. Conduzamos harmonia às zonas em discórdia. Ajudemos a ignorância com o esclarecimento fraterno.

Seja o amor ao próximo nossa base essencial em toda construção no caminho evolutivo. Até agora, temos sido pesados à economia da vida.

Filhos perdulários, ante o Orçamento Divino, temos despendido preciosas energias em numerosas existências, desviando-­as para o terreno escuro das retificações difíceis ou do cárcere expiatório.

Ao que nos parece, portanto, segundo os conhecimentos que possuímos, por “acréscimo de misericórdia”, já é tempo de cooperarmos fielmente com Deus, no desempenho de nossa tarefa humilde.

(Mensagem do Espírito Emmanuel no livro Fonte Viva de Francisco Cândido Xavier)

 

Amor Sempre

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Mateus, 22:39

O amor é a emoção máxima que o ser humano consegue sentir no atual estágio de evolução em que se encontra.

Ao reafirmar a regra áurea bíblica, o Cristo nos frouxe a certeza de que, por enquanto, nenhum outro sentimento se sobrepõe ao amor: O próximo mais próximo de nós é a personalidade interna e oculta em nosso íntimo, que nos exige atenção e isso não se constitui em Justificativa para nos isolarmos das pessoas com as quais estejamos em relação direta. O próximo com quem nos relacionamos externamente terá sempre primazia em relação ao "próximo" interno.

O como a ti mesmo significa a necessidade de nos amarmos como somos, a fim de podermos entender o amor ao próximo. Só verdadeiramente ama o próximo quem se conhece o suficiente para não realizar projeções enganosas.

Quem ama, ama as virtudes e os defeitos do outro, conseguindo transcender as exigências sociais, alcançando a alma. Amar é enxergar o Espírito. Sem as restrições e barreiras humanas. O defeito que porventura existente no outro não é empecilho para o sentimento.

Podemos tomar a afirmação acima num sentido psicológico estabelecendo que o amor a si mesmo predispõe a mente a permanecer num estado de consciência que permite a compreensão da totalidade à sua volta. Amar a si mesmo é entrar em contato com sua essência íntima, assumindo-se como ser no universo, responsável total e de forma consciente pelos próprios atos, sem transferir sai responsabilidade para terceiros. É a consciência de ser deus e ter Deus em si mesmo. [...]

Quem ama a si mesmo percebe suas próprias limitações evitando as atitudes enganosas motivadas pela vaidade e pelo orgulho. Compreende as situações providenciais e expiatórias que a vida coloca, agindo com naturalidade e predisposição de aprender. Não se coloca em teste na vida, pois nada tem a provar a ninguém, tendo consciência de si mesmo e de suas próprias limitações e potencialidades. [...]

O amor ao próximo não se resume ao sentimento de afeição e ternura que temos para com um companheiro ou companheira, para com um parente ou alguém especial em nossa vida. Ele extrapola os limites da consanguinidade e da sexualidade. O amor ao próximo é o amor indiferenciado, sem face nem rótulo, sem restrições, sem bandeiras e sem país. É aquele que se tem ao ser humano em sua humanidade e que possibilita a percepção da obra de Deus através dele mesmo.

Nossos pensamentos e sentimentos, bem como nossa visão de mundo, são determinantes poderosos para o nosso destino. O que sentimos, muito mais do que pensamos, interfere em nossas vidas. Nossos sentimentos são capazes de atingir nosso corpo pela vibração específica que possuem. [...] O sentimento de amor nos permite a manifestação das emoções evitando a transferência para o corpo físico. [...] Amar o próximo como a si mesmo é um preventivo às doenças do corpo e da alma. [...]

O Cristo nos ensina a buscar motivações dentro de nós a partir da vivência espiritual, do contato com a espiritualidade da vida. Essa motivação interna não está nas coisas nem crenças, mas no que já internalizamos como emoções e sentimentos superiores. Em resumo, é dizer: eu me motivo porque sei e porque sinto que o que faço de minha vida é bom para mim, para o próximo e para Deus. [...]

Amar o próximo como a si mesmo é permitir a manifestação de Deus em nós.

(Pauta de estudo do livro Psicologia e Evangelho de Adenàuer Novaes)

  

Meditação

Quando, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: "eu sou aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas."

Quando te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que em torno há indiferença, acerca-te de mim: "eu sou a luz, sob cujos raios te aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos!"

Quando se te extinguir o ânimo para arrostares as vicissitudes da vida e te achares na iminência de desfalecer, chama-me: "eu sou a força capaz de remover-te as pedras do caminho e sobre porte às adversidades do mundo!"

Quando inclementemente te açoitarem os vendavais da sorte e se já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de mim: "eu sou o refúgio em cujo seio encontrarás guarida para teu corpo e tranquilidade para teu espírito!..."

Quando te faltar a calma, nos momentos de maior aflição e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me: "eu sou a paciência que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis."

Quando te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos, grita por mim: "eu sou o bálsamo que cicatriza as chagas e te minora os padecimentos!"

Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que ninguém pode inspirar-te confiança, vem a mim: "eu sou a sinceridade que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à excelsitude de teus ideais!"

Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, chama por mim: "eu sou a alegria que insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos do teu mundo interior!"

Quando, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela por mim: "eu sou a esperança que te robustece a fé e te acalenta os sonhos!"

Quando a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: "eu sou o perdão que te levanta o ânimo e promove a reabilitação do teu espírito!"

Quando duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o ceticismo te avassalar a alma, recorre-te a mim: "eu sou a crença que te inunda de luz e entendimento e te habilita para a conquista da felicidade!"

Quando já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento do teu semelhante, aproxima-te de mim: "eu sou a renúncia que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo!"

E quando, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. "Chamo-me amor, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito! Eu sou Jesus!"

(Mensagem de Emmanuel no Livro Paz e Libertação de Francisco Cândido Xavier)

 

 Psicografia recebida em 12/02/2020

Minhas irmãs em Cristo

Me chamo Isaura, já faz algum tempo que deixei este mundo que agora vocês estão, também como vocês trabalhei na Senda do nosso Pai Maior, isto é, em uma casa espírita que é um ponto de luz, que só quando olhamos daqui é que percebemos a sua intensidade. Vocês não podem imaginar como uma casa de luz e amor torna-se um porto seguro para nós que já estamos neste plano em que me encontro agora, por isso peço encarecidamente que nunca deixem que esta luz, que é um farol reluzente, se apague, porque para nós é um ponto de referencia que nos oriente e permite que aí estejamos para nos ligar com o orbe que é a morada de vocês aí reencarnados. O lugar onde podemos receber de vocês a orientação, o acolhimento que tanto necessitamos para sentir que ainda somos acolhidos e orientados para seguir neste plano em que nos encontramos, é o nosso norte para seguirmos nesta nova senda que com tanto amor vocês preparam para nós.

Estou à procura de meus familiares, mas até agora ainda não consegui encontrar, por isso peço a vocês que avisem ao meu marido Joel e os filhos Bernardo e Joana que estou bem, que não precisam mais lamentarem e chorarem por minha partida, à nova pátria espiritual é que todos virão, onde nos encontraremos um dia. Avise por favor, que pratiquem sempre a caridade, o amor ao próximo e o progresso moral que são as únicas coisas que para cá trazemos, não discutam ou briguem por coisas materiais que é o que menos importa quando retornamos para a verdadeira pátria.

Bem, devi ir agora, não esqueçam de agradecer sempre ao Pai Maior e a Jesus pela reencarnação que lhes foi dada.

Abraços de uma irmã, ainda sem destino, Isaura.


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Julho 2020


Editorial

Peregrinação cristã
 Se aceitaste o evangelho por abençoado roteiro de aperfeiçoamento, não te esqueças da representação que nos cabe em toda parte.
A fé nos confere consolação, mas nos reveste de responsabilidade a que não podemos fugir. Somos embaixadores de Jesus onde estivermos, se a luz d'ele é o clarão que nos descortina o futuro.
Não te esqueças de semelhante realidade para que a tua experiência religiosa não se reduza a simples adoração improdutiva. A estrada permanece descerrada a nós todos.
Cada dia é uma revelação para que exerçamos a sublime investidura. Se o senhor desceu até nós, partilhando-nos a senda obscura e viciosa a fim de que nos levantássemos, aprendamos também a representá-lo nas regiões inferiores à nossa posição do conhecimento.
Onde fores defrontado pela calúnia, sê a palavra amiga do esclarecimento benéfico. Se o mal te avista, improvisa o bem com tua capacidade de ajuizar as situações de planos mais altos.
Se a tristeza e o desânimo te procuram, acende a lanterna da coragem e resiste ao sopro frio do desalento, prosseguindo no trabalho que a vida te confiou.
Se a infantibilidade te busca, não a abandones, porque o cristão sincero é o bom semeador que tudo aperfeiçoa para a glória do infinito bem.
Se a leviandade vem ao teu encontro, ajuda o companheiro de jornada, orientando-lhe o pensamento para o justo equilíbrio em que a nossa fé se inspira e vive sempre.
Se a treva tenta envolvê-lo, faze a claridade do otimismo, com as bênçãos do amor que auxiliam em todos os instantes.
Mas se o embaixador humano é obrigado a longo curso de compreensão e tolerância na ciência do tato e da gentileza para não falharem seus compromissos, não creias que o emissário do cristo deva agir sem os princípios de serenidade e do bom ânimo.
Colaboremos e ajudemos sem alardear notas de superioridade perturbadora. Quanto mais clara a nossa luz, mais alta a nossa dívida para com as sombras. Quanto mais sublimes nossas noções do bem, mais imperiosos os nossos deveres de socorro às vítimas do mal. O mensageiro de cristo é o braço do evangelho.
(Mensagem de Emmanuel no livro Paz e Libertação de Francisco Cândido Xavier)




No Esforço Evolutivo
Ide e pregai o Evangelho
No maravilhoso drama da evolução universal, é o homem, na Terra e no Espaço, valioso colaborador de Deus. Se os Espíritos Superiores operam, no plano extra físico, visando ao aperfeiçoamento dos encarnados, estes, por seu turno, empregam esforços no mesmo sentido, sintonizando-se, integrando-se na sublime tarefa do esclarecimento espiritual.
Não existem duas vidas distintas, separadas, independentes. Há, pelo contrário, uma só vida, que se caracteriza por duas etapas. A primeira, no mundo espírita ou espiritual, que sobrevive a tudo, que preexiste ao nascimento na Terra, consoante esclarece a Doutrina. A segunda, após o nascimento, no mundo corpóreo, no chamado mundo material ou físico.
Essas duas etapas são, no entanto, correlatas. Reagem uma sobre a outra incessantemente — informam os Instrutores Espirituais, esclarece a Codificação.
Quanto maior o número de almas nobres que venham a reencarnar na Terra, mais depressa ascenderá esta no concerto dos Mundos que, em fabulosos turbilhões, rolam pelo espaço imensurável.
De igual maneira, quanto maior o número de almas edificadas que retornarem da Terra, mais se purificará o ambiente espiritual nas regiões próximas à crosta. Como se vê, a posição dos encarnados influi na vida do Além-Túmulo, quanto o comportamento dos Espíritos influi na paisagem física do Globo. Urge, pois, haja simultaneidade no trabalho — neste sublime intercâmbio entre o Mundo Espírita e o Mundo Corpóreo.
A Humanidade terrena não pode, nem deve ensarilhar armas no afã de, combatendo as próprias deficiências, corrigindo as próprias imperfeições, preparar fortes contingentes espirituais que, mais tarde, voltarão infalivelmente ao mundo, a fim de ao mundo restituírem os valores sublimados e eternos aqui recebidos.
Quando Jesus, observando as lutas do proscênio terrestre, aconselhou o “ide e pregai o Evangelho”, não pretendeu, de forma alguma, fossem os discípulos, tão somente, levar conforto aos sofredores, consolação aos aflitos, bom ânimo aos desalentados do caminho. Desejou, evidentemente, que, aldeia por aldeia, cidade por cidade, preparassem almas para o Reino que oportunamente haveria de construir no coração da Humanidade inteira. Jesus veio, também, educar. E o objetivo da pregação educativa do Mestre estende-se, tanto hoje como ontem, além fronteiras do nosso parco entendimento.
A palavra do Senhor é, simultaneamente, pão e luz na estrada. Na Terra e no Espaço. “Eu sou o pão da vida.” “Eu sou a luz do mundo.” Pão que alimenta, fortalece, encoraja. Luz que esclarece, orienta, dá responsabilidade.
Comendo desse pão subjetivo, nutre-se o homem em definitivo. Não terá mais fome. Banhando-se nessa luz, torna-se consciente do seu glorioso destino, artífice de sua própria evolução.
Entende que lhe cabe, na obra geral, coletiva, de aperfeiçoamento dos seres, uma contribuição que, por diminuta, nem por isso é menos valiosa.
Há, nessa colaboração, um mérito indiscutível: — o da boa vontade. Aquele que sente, dentro de si, uma réstia da claridade divina, pode e deve influenciar no sentido de que todos coparticipem do seu programa de aprimoramento. Esta influência nem sempre se verificará pelo maior ou menor número de livros que escreve, ou de conferências que profere, mas pela efetiva exemplificação no Bem. Na Moral e no Saber.
Se o contingente maior de encarnados se constitui, inegavelmente, de seres retardados, infelizes, o campo de atividades do tarefeiro evangélico é muito grande. A extensão desse campo desafia-lhe o esforço e a perseverança, o dinamismo e a resistência.
Inteligências menos desenvolvidas vagueiam nas sombras da Terra e do Espaço, reclamando orientação caridosa. Nos desvãos do crime e da loucura jazem desventurados companheiros de jornada, aguardando simplesmente uma frase alentadora, um conceito renovador.
A palavra do Mestre continua ressoando, ressoando. Imperativa e fraterna, por mensagem de Esperança. “Ide e pregai o Evangelho”.
(Reflexão do livro Estudando o Evangelho de Martins Peralva)



Felicidade
Existe a felicidade? Será ficção ou realidade? Se não existe, por que tem sido essa a aspiração de todas as gerações através dos séculos e dos milênios? Já não seria tempo de o homem desiludir-se? Se existe, por que não a encontram os que a buscam com tanto empenho? Que nos responda o poeta: "A felicidade está onde nós a pomos; e nunca a pomos onde nós estamos". Eis a questão.
A felicidade é um fato desde que a procuremos onde realmente ela está, isto é, em nós mesmos. O desapontamento de muitos com relação à felicidade, desapontamento que tem gerado incredulidade e pessimismo, origina-se de a terem procurado no exterior, onde ela não está; origina-se ainda de a suporem dependendo de condições e circunstâncias externas, quando todo o seu segredo está em nosso foro íntimo, no labirinto dos refolhos de nosso ser.
O problema da felicidade é de natureza espiritual. Circunscrito à esfera puramente material, jamais o homem o resolverá. O anseio de felicidade que todos sentimos vem do Espírito, são protestos de uma voz interior.
O erro está em querermos atender a esses reclamos por meio das sensações da carne e da gratificação dos sentidos. Daí a insaciabilidade, daí a eterna ilusão! O fracasso vem da maneira como pretendemos acudir ao clamor do Espírito. Ao rufiar de asas, respondemos com o escarvar de patas. A ideia da felicidade é tão real como a da imortalidade: aquela, porém, como esta, diz respeito à alma, não ao corpo.
Ao Espírito cumpre alcançar a felicidade que está, como a imortalidade, -em si mesmo, na trama da própria vida, dessa vida que não começa no berço nem termina no túmulo. A felicidade, neste mundo onde tudo é relativo, não exclui o sofrimento. Mesmo na dor, a felicidade legítima permanece atuando como lenitivo. De outra sorte, sofrer durante certo tempo e ver-se, depois, livre do sofrimento, já não será felicidade? O doente que recupera a saúde e o prisioneiro que alcança a liberdade já não se sentem, por isso, felizes? A saudade que nos crucia, não se transforma em gozo quando, novamente, sentimos palpitar, bem junto ao nosso, o coração amado? Não é bom sofrer para gozar? É assim que, muitas vezes, a felicidade surge da própria dor como a aurora irrompe da noite caliginosa.
O descanso é um prazer após o trabalho; sem este, que significação tem aquele? Assim a felicidade. Ela representa o fruto de muitos labores, de muitas porfias e de acuradas lutas. Vencer é alcançar a felicidade. Podemos, acaso, conceber vitória sem refregas? Quanto mais árdua é a peleja, maior será a vitória, mais saborosos os seus frutos, mais vigentes os seus louros. Para a felicidade fomos todos criados. "Quero que o meu gozo esteja em vós, e que o vosso gozo seja completo."
As graças divinas estão em nós, mas não as percebemos. A vida animalizada que levamos ofusca o brilho da luz íntima que somos nós mesmos. Vivemos como que perdidos, insulados, ignorando-nos a nós próprios. Encontrarmo-nos e nos reconhecermos como realmente somos — eis a felicidade. Fugirmos da espiritualidade é fugirmos de nós mesmos. Querendo fruir prazeres sensuais, adulteramos nossa íntima natureza, resvalando para o abismo da irracionalidade. Desse desvirtuamento vem a dor, dor que nos chama à realidade da vida e nos conduz à felicidade. A alegria de viver é consequência natural de um certo estado de alma, e significa viver profundamente. "Eu vim para terdes vida e vida em abundância".
A verdadeira vida é sempre cheia de alegria; é um dia sem declínio, um sol sem ocaso. O céu é a região da luz sempiterna. A ele não iremos pela estrada ensombrada de tristezas, luto e melancolia. O caminho que conduz à felicidade, resolvendo os problemas da vida, é estreito: não é escuro, nem sombrio. Estreito, no caso, significa difícil, mas não lúgubre.
A alegria de viver nasce do otimismo, o otimismo nasce da fé. Sem fé ninguém pode ser feliz. Sem fé e sem amor não há felicidade. As virtudes são suas ancilas. Haverá felicidade maior que nos sentirmos viver no coração de outrem? "Pai, quero que eles (os discípulos) sejam um em mim, como eu sou um contigo." A fusão de nossa vida em outra vida é a máxima expressão da ventura. O egoísmo é o seu grande inimigo. Alijá-lo de nós é dar o primeiro passo na senda da felicidade. Sendo a felicidade resultante de uma série de conquistas, é, por isso mesmo, obra de educação.
Através da autoeducação de nosso Espírito, lograremos paulatinamente a felicidade verdadeira. O reino de Deus — que é o do amor, da justiça e da liberdade — está dentro de nós, disse Jesus com o peso de sua autoridade. Descobri-lo, torná-lo efetivo, firmar em nós o império desse reino, vencendo os obstáculos e os embaraços que se lhe opõem — tal é a felicidade.
Para finalizar, concedamos a palavra a Leon Denis, o grande apóstolo da Nova Revelação: Como a educação da alma é o senso da vida, importa resumir seus preceitos em palavras: Aumentar tudo quanto for intelectual e elevado. Lutar, combater, sofrer pelo bem dos homens e dos mundos. Iniciar seus semelhantes nos esplendores de verdadeiro e do belo. Amar a verdade e a justiça praticar para com todos a caridade, a benevolência tal é o segredo da FELICIDADE, tal é o Dever, tal é a Religião que o Cristo legou a Humanidade.
(Texto do livro Em torno do Mestre de Vinícius)



Psicografia

Aceita, filha, a tua dor. Aceita a irmã que lhe visita, pois vem a convite de ti mesma e lhe quer ensinar. Ensinar o valor do corpo, templo sagrado do Espírito, que é e que tem, neste instrumento físico, o veículo abençoado para expressão do Ser.
Aceita, filha, e entende que nos desígnios de Deus, em sua lei de amor, justiça e misericórdia, tudo é proveito, tudo é aprendizado.
Aceita, filha, a dor que lhe bate a porta e procura conhecer, e compreender por que caminhos de sua própria vida, ela vem, pois não é causa, é consequência.
Aceita, filha, conhece, compreende e bem diga a tua dor. E louva essa irmã, e mestre, de tanto que precisas aprender e praticar.
Bem dize com Deus, o teu momento de sofrimento, pois é temporário, é valioso, é fundamental para o seu prosseguir mais forte, mais sábia, mais humilde, melhor para ti mesma.
Louva, filha, a “benção estranha” como dizes, que lhe chega e, com Jesus, por seus ensinamentos de amor, abraça a tua cruz espiritual e sublima o olhar sobre a realidade da vida eterna, das existências na carne e no pleno Ser eterno como Espírito de luz.
Vence as sombras, filha, vence a ti mesmo e segue com o Pai para o crescimento espiritual a que te destinas.
Por tua fé, reage com Jesus e encontra a tua força para esse embate. Já és gloriosa! Vence com Ele também!
Tenha olhos de ver, na aparente penumbra de teus dias, o verdadeiro iluminar de tua alma.
Fica com Deus! Faça essa escolha! Fica em paz!
Mãe Alzira Bentes



domingo, 31 de maio de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Junho 2020

Editorial

Há flores no caminho
Por mais que a sombra da tristeza nuble seus horizontes de ventura, lembre-se que em alguma parte, há flores no caminho.
Por mais que o pranto insista em molhar seu rosto, apagando a esperança do olhar, nunca esqueça que sempre há flores no caminho.
Mesmo que a solidão e o infortúnio teimem em roubar a sua alegria de viver, continue persistindo porque há flores no caminho.
Se o amor que julgava verdadeiro desertar de sua existência, não agasalhe a mágoa pesarosa, pois sempre é tempo de descobrir que há flores no caminho.
Se a morte arrebatar da sua convivência familiares queridos, deixando a desolação, corra para ver que há flores no caminho.
Se a vida em alguns momentos lhe parecer campo deserto onde somente surgirem os cactos da dor para acompanhar seus passos, insista em descobrir que há flores no caminho.
Se você estiver envolto num turbilhão de desespero e angústia sem divisar um horizonte promissor, saiba que esse momento lhe esconde que há flores no caminho.
Quando a sequência dos seus dias mais parecer um amontoado de noites tormentosas, acredite que haver um lindo alvorecer e com ele você descobrirá que há flores no caminho.
Se a ingratidão dos filhos machucar profundamente seu coração, tornando-o deprimido e infeliz, nunca olvide que há flores no caminho.
Se a doença amortalhar seu corpo e conduzir consigo toda a esperança da cura, continue confiando que há flores no caminho.
Mesmo que olhando ao seu redor tudo pareça convencer de que a vitória da iniquidade e do mal pode ser dada por certa, afirme a quem quiser ouvir que há flores no caminho.
Quando alguém atribuir a dos acontecimentos funestos à ausência de Deus, diga-lhe que Ele segue com todos c que é por isso que há flores no caminho.
Você mesmo, apesar dos sonhos desfeitos, das angústias desmedidas, da insistência no erro, da sucessão dos desenganos, da existência da dor, da sombra e do desespero que insistem em ficar, da fé titubeante, é um belo jardim que Deus legou à Terra e, por todos os lugares onde andar, verá surgirem flores em seu caminho.
Flores de amizade, flores de alegria, flores de renovação, flores de caridade, flores de luz, flores e mais flores no caminho entre você e Deus a lhe dizer que vale a pena continuar a jornada.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, no livro A conquista da felicidade de Eulália Bueno)




O homem de bem
O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.
Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.
Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.
O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.
Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.
Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado." Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.
O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.  Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.
(O Evangelho segundo o Espiritismo Cap. XVII – Item 3)




 Querida família,
Finalmente, hoje pude aqui estar para falar com vocês sobre o que me aconteceu. Após meses de cama de uma doença que não pude me livrar, aqui estou para lhes dizer o que me aconteceu após o desencarne.
Pensei que fosse sofrer muito, mas a espiritualidade lá estava, junto com meus parentes que me antecederam, vovó Cremilda e vovô Pedro lá estavam com um abraço apertado. Me receberam e disseram para que eu nada temesse, pois seria encaminhado a um hospital espiritual para me recuperar. Ainda transtornado, sentia-me bem. O sofrimento que aí passei, quando encarnado, sumiu. E me senti muito bem, depois de ficar internado não sei por quanto tempo.
Fui levado a assistir palestras educativas, junto a outros irmãos que se encontravam em situação idêntica à minha. Levamos algum tempo nesta fase de aprendizado, aí pude entender o que estávamos destinados a fazer quando encarnados.
Peço atenção para nossas filhas Renata e Joana que estão numa fase de transição, necessitando de muito amor e atenção da parte de minha esposa Irene, que peço não deixar que a tristeza tome conta de todas. Estou bem e numa outra oportunidade me dirigirei novamente a vocês.
Beijos a todos, ao João, André e Paulo, que sigam seus projetos de vida. Um grande beijo para você Irene e até breve.
Paulo José de Freitas



Brilhe vossa Luz
Meu amigo, no vasto caminho da Terra, cada criatura procura o alimento espiritual que lhe corresponde à posição evolutiva.
A abelha suga a flor, o abutre reclama despojos, o homem busca emoções. Mas ainda mesmo no terreno das emoções, cada espírito exige tipos especiais.
Há sofredores inveterados que outra coisa não demandam além do sofrimento, pessimistas que se enclausuram em nuvens negras, atendendo a propósito deliberado, durante séculos. Suprem a mente de torturas contínuas e não pretendem construir senão a piedade alheia, sob a qual se comprazem.
Temos os ironistas e caçadores de gargalhadas que apenas solicitam motivos para o sarcasmo de que se alimentam.
Observamos os discutidores que devoram páginas respeitáveis, com o único objetivo de recolher contradições para sustentarem polêmicas infindáveis.
Reparamos os temperamentos enfermiços que sorvem tóxicos intelectuais, através de livros menos dignos, com a incompreensível alegria de quem traga envenenado licor.
Nos variados climas do mundo, há quem se nutra de tristeza, de insulamento, de prazer barato, de revolta, de conflitos, de cálculos, de aflições, de mentiras...
O discípulo de Jesus, porém —  aquele homem que já se entediou  das substâncias deterioradas da experiência transitória —, pede a luz da sabedoria, a fim de aprender a semear o amor em companhia do Mestre...
Para os companheiros que esperam a vida renovada em Cristo, famintos de claridade eterna, foram escritas as páginas deste livro despretensioso.
Dentro dele não há palavras de revelação sibilina.
Traduz, simplesmente, um esforço para que nos integremos no Evangelho, celeiro divino do nosso pão de imortalidade.
Não é exortação, nem profecia.
É apenas convite.
Convite ao trabalho santificante, planificado no Código do Amor Divino.
Se a candeia ilumina, queimando o próprio óleo, se a lâmpada resplende, consumindo a energia que a usina lhe fornece, ofereçamos a instrumentalidade de nossa vida aos imperativos da perfeição, para que o ensinamento do Senhor se revele, por nosso intermédio, aclarando a senda de nossos semelhantes.
O Evangelho é o Sol da Imortalidade que o Espiritismo reflete, com sabedoria, para a atualidade do mundo.
Brilhe vossa luz! — proclamou o Mestre.
Procuremos brilhar! — repetimos nós.
(Emmanuel no livro Vinha de Luz de Francisco Cândido Xavier)