domingo, 28 de fevereiro de 2021

Ano V - Rio das Ostras - Edição Março 2021

 

Editorial

 Saber Viver

 Toda Lei Divina revela serena imparcialidade. Fuga à responsabilidade não diminui o quadro de nossas obrigações.

Não adianta paralisares o teu relógio, porque as horas seguirão sempre, independentemente dele e de ti...

Toda transformação moral há de ser profunda. Mudanças aparentes não modificam o espírito para melhor.

O corte dos cabelos ou o uso do chapéu não te renovam os pensamentos no íntimo da cabeça...

Todo corpo há de ser governado pelo espírito. A rigor, a carne só é fraca quando reflete o ânimo indeciso.

Os sapatos aparentemente te conduzem os pés porque os teus pés os conduzem...

Todo empréstimo terrestre é passageiro. Imperioso desapegarmo-nos da matéria, desoprimindo o espírito.

Apenas dinheiro no bolso não te outorga a tranquilidade da consciência...

Toda pessoa para ser verdadeiramente feliz reclama trabalho. Mas somente o trabalho que serve bem de todos é alimento da Criação.

Algumas vezes encontramos irmãos nossos que se dizem cansados de trabalhar e acabam hospedados pela polícia.

Toda criatura tanto precisa de conhecimento quanto de bondade.

Nem só estudo e nem só benevolência libertam integralmente a alma.

Os óculos não te corrigem os defeitos da vontade e nem a vontade te corrige os defeitos da visão...

Todo coração necessita de amor. Urge discernir como se ama e como se é amado.

Os parasitos, decerto, agarram-se às próprias vítimas atendendo a impulsos de bem-querer...

Toda existência tem objetivos específicos. A ação construtiva que surge para ser feita agora não deve ser adiada.

A tua carteira de identidade só vale para a presente encarnação...

O espiritismo ensinar-te-á como viver proveitosamente, em plenitude de alegria e de paz, ante o determinismo da evolução.

Viver por viver todos vivem.

O essencial é saber viver.

(O céu e o inferno 1ª parte – Cap.VII – ítem 29 por Emmanuel, no livro Opinião Espírita de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

 


 Jesus e você

Cap. VI – Item 6

Nosso Mestre não se serviu de condições excepcionais no mundo para exaltar a Luz da Verdade e a Bênção do Amor.

Em razão disso, não aguarde renovação exterior na vida diária, para ajudar. Comece imediatamente a própria sublimação.

Jesus não tinha uma pedra onde recostar a cabeça. Se você dispõe de mínimo recurso, já possui mais que Ele.

Jesus, em seu tempo, não desfrutou qualquer expressão social. Se você detém algum estudo ou título, está em situação privilegiada.

Jesus esperou até aos trinta nos para servir mais decisivamente. Se você é jovem e pode ser útil, usufrui magnífica oportunidade.

Jesus partiu aos trinta e três anos. Se você vive na idade amadurecida e dispõe do ensejo de auxiliar, agradeça ao Alto, dando mais de si mesmo.

Jesus não contou com os familiares nas tarefas a que se propôs. Se você convive em paz no recinto doméstico, obtendo alguma cooperação em favor dos outros, bendiga sempre essa dádiva inestimável.

Jesus não encontrou ninguém que o amparasse na hora difícil. Se você recebe o apoio de alguém nos momentos críticos, saiba ser grato. Jesus nada pôde escrever.

Se você consegue grafar pensamentos na expansão do bem, colabore sem tardança para a felicidade de todos.

Vemos, assim, que a vida real nasce e evolui no Espírito eterno e não depende de aparências para projetar-se no rumo da perfeição.

Jesus segue à frente de nós. Se você deseja acertar, basta apenas segui-lo. Sigamo-lo pois.

(Reflexão de André Luiz no livro O Espírito de Verdade de Chico Xavier e Waldo Vieira)

 


Na Escola do bem

Auxiliemos a outrem como desejamos se nos faça.

Ergue-te cada dia, cultivando a divina lição.

Recorda quanto te fere o mau humor das criaturas irritadas pela manhã, e levanta-te do leito com um sorriso nos lábios, estimulando a alegria dos que te cercam.

Medita no contentamento que recolhes no templo doméstico toda vez que os familiares te abençoam a presença com as flores invisíveis do amor e estende a benção da paz àqueles corações que a Divina Bondade te confiou no recinto doce do lar.

Pensa em como te reconforta a desculpa incondicional dos que te desfrutam a palavra e o convívio, sempre que a irreflexão te afeia a boca ou envenena o gesto, e perdoa, com esquecimento integral, as ofensas que te sejam, porventura, assacadas no ambiente onde estiveres.

Reflete na consolação de que se faz mensageira a frase amiga no círculo a que serves e improvisa, quanto possas, incentivo e louvor no campo de luta em que se te desenvolvem atividades e aspirações.

Não olvides a impressão de segurança que te infunde a bondade anônima na via pública e alonga o pensamento de tolerância e a luz da fraternidade em favor dos que transitam na rua.

Seja onde for e com quem for, rememora quanto te agrada a alheia compreensão e busca entender sem restrições, auxiliando infinitamente.

Não esperes calamidades públicas para revelar a caridade que te possui o sentimento, nem aguardes o assalto da delinquência para demonstrar a capacidade de perdão que te reponta do ser.

A compreensão lembra o rio caudaloso que se forma gota a gota para exprimir-se em soberana grandeza.

E se aprendermos hoje a praticar as pequeninas ações da gentileza quais se fossem grandes e nobres, amanhã saberemos praticar as grandes e nobres ações do bem, qual se todas elas fossem humildes e pequeninas.

(Mensagem de Emmanuel, no livro Família de Francisco Cândido Xavier)

 

Psicografia recebida em 14/01/2020

Irmãos de caminhada,

Aqui estou para trazer-lhes um alerta, uma mensagem de amor e devoção!

Não desperdicem esta misericordiosa oportunidade que é a de estar encarnado neste grande experimento que é a vida! Chance de resgates, aprendizados e superações.

Não é fácil quando aí estamos e esquecemos o porquê de tantas coisas, mas quando deixamos o corpo e viajamos livres da dor física, mas há ainda o quê transformar, ainda sentimos a dor da alma.

Quando aí chegamos, na maioria das vezes, uma grande onda de decepções nos toma quando percebemos que caminhamos tão pouco em direção ao que era necessário buscar.

A decepção com nossas atitudes imaturas, egoístas, orgulhosas, vaidosas, nos frustra e uma onda de fracasso invade nossa alma. Mas a misericórdia divina se faz presente e através dos irmãos espirituais luminosos somos acolhidos e nos sentimos encorajados a recomeçar.

Por isso, irmãos, não percam essa chance de crescimento, meditem, abram seus ouvidos do coração e aproveitem seu tempo. Façam de suas vidas uma oportunidade de luz e amor, olhando e focando no que pode ir em auxílio do teu irmão que precisa de ti.

Tu não vieste por nada, então escuta e faça ter valido a pena viver. Um irmão em aprendizado,

Nícolas.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Ano V - Rio das Ostras - Edição Fevereiro 2021

 Editorial

 

Dias Melhores

A atmosfera da Terra parece mergulhada em densa penumbra que gera desequilíbrios múltiplos, deixando as almas atônitas e desesperançadas.

Por onde se olhe, o tumulto está estabelecido, gerando desconforto e insegurança.

A criminalidade vem se multiplicando de maneira assustadora, desrespeitando os limites da humanidade, agredindo fatalmente criaturas que se encontram indefesas, independente da idade e condição social, até mesmo ceifando vidas no vigor da juventude, que ainda poderiam desenvolver dias promissores.

Não podemos admitir que todas essas coisas que afrontam os objetivos primordiais da reencarnação estejam dentro de uma predestinação divina para o homem, pois Deus criou apenas o bem, sendo o mal um desvio de conduta de almas imaturas que trazem dentro de si algo do primitivismo onde a força impõe uma liderança abrigada na ignorância espiritual.

O ser espiritual já atingiu uma condição que lhe permitiria percorrer outros caminhos que não os da falta de respeito, da usura e dos interesses mesquinhos, os quais estão se tornando modelo de conduta, a partir do próprio núcleo familiar, onde muitas vezes toma proporções assustadoras.

A competitividade impulsiona os seres a sonhos medidos que vêm pulverizando a ética e a moral.

O supérfluo está ganhando ares de necessidade, roubando a muitos as horas preciosas do convívio familiar, no qual poderiam ter fortalecido o campo emocional, a fim de descobrir que o poder aquisitivo não representa a felicidade real.

Os relacionamentos afetivos estão sendo sobrepujados pelo jogo dos interesses escusos, e as criaturas, usadas como trampolins sociais.

As dificuldades materiais atormentam os seres apegados aos modelos da coletividade, a exigir que todos sejam bem-sucedidos e possuam contas bancárias polpudas como atestados de idoneidade e passaporte para a aceitação geral.

Atormentados, atiram-se à selva das ilusões cada vez mais, sentindo-se extenuados e solitários, porque estão dependurados no abismo da depressão pela falta de convivência com Deus.

Sonham com dias melhores para o planeta, mas não se empenham em tornar-se instrumentos dessa transformação, promovendo uma faxina moral a partir de si mesmos.

Não conseguem enxergar que esses dias não surgirão ao acaso e nem serão diferentes porque o sol brilhará em outros tons, ou os pássaros cantarão outros sons, ou as flores exibirão outros aromas. Aliás, essas belezas aguardadas já existem e não são percebidas, pois as almas caminham sobre as cinzas de si mesmas.

Não permitam que a sedução do ouro lhes obscureça a razão e, com isso, nem sequer sejam capazes de perceber o valor inafiançável da própria existência.

Enquanto adornam o corpo com o que não é necessário, negam à alma o essencial para garantir a integridade moral diante da difícil travessia.

Vocês não vivem dias comuns, mas um momento ímpar de transformação, em que todas as resistências serão testadas e o amanhã construído na segurança do amor, a fim de que a Terra possa alcançar um período de luz, em que dias melhores sejam uma constante e cada alma um sinal definitivo da presença de Deus.

(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, no livro A Conquista da Felicidade de Eulália Bueno)



O Consolador

 

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João, 14:26)

 

A promessa do Cristo de enviar outro Consolador prende-se ao fato de que a Humanidade não estava madura, à época, para entender a essência e a verdade contidas nos seus ensinamentos. O advento do Consolador, também denominado Espírito Santo ou Espírito de Verdade, tem dupla finalidade: explicar e recordar os ensinamentos do Cristo, não de forma literal como aconteceu ao longo dos séculos, mas em espírito e verdade.

A expressão “Espírito Santo”, citada no texto de João, tem significado espírita específico que nada tem a ver com a teologia de outras interpretações cristãs: indica fonte sábia e inesgotável de bens espirituais, recursos que dimanam do Alto, da fonte da Vida, no trabalho justo e incansável que se estende pelo Universo.

A vinda do Consolador tem, pois, o poder de ampliar os horizontes do entendimento humano, favorecendo a busca pelos legítimos valores de libertação do Espírito. Para o espírita, o Espiritismo representa a consubstanciação da Mensagem Cristã porque explica e revive os ensinamentos do Evangelho. A Doutrina Espírita levantou o véu que encobria o entendimento das parábolas e dos demais ensinamentos de Jesus. [...] Faz ressurgir a mensagem cristã em bases claras e lúcidas, orientando como aplicá-la no dia-a-dia, sem a utilização de simbolismos ou de metáforas.

O Espiritismo é considerado o Consolador Prometido porque a sua mensagem, sendo de fácil entendimento, está destinada a todas as pessoas, sem exceção e, ao mesmo tempo, consola, agasalha, auxilia e esclarece as pessoas que passam por aflições ou que buscam esclarecimento espiritual.

As orientações espíritas ensinam que a pessoa que erra não deve ser julgada, mas amparada. Precisa receber o conforto necessário para saber superar as provações da vida. [...]

As palavras de Jesus revelam que o Consolador tem como característica básica guiar os aprendizes no caminho da verdade. Não existirão mais simbolismos, nem rituais, nem interpretações pessoais, apenas o ensinamento puro da mensagem cristã.

É a verdade essencial que liberta e promove o crescimento do Espírito, demonstrada pela natureza dos seus pensamentos, pelas ideias que expressa e pelas ações que realiza. Essa verdade corresponde à verdade individual de cada pessoa, definindo-lhe o seu piso evolutivo. Daí a importância da afirmativa de Jesus: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João, 8:32).

A Verdade Suprema, contudo, está em Deus. Jesus reflete-a com autoridade, e sabedoria, enquanto os seres humanos a manifestam segundo o nível de evolução espiritual que possuem. O Espírito de Verdade, portanto, não falará de si mesmo, mas revelará, sempre, a obra divina, intermediada pelos instrumentos mediúnicos, de todos os tempos, que estejam sintonizados com os valores sublimados da Vida.

(Pauta do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita Livro III - FEB)

 


 

Psicografia recebida em 23/01/2020

Meu irmão,

Venho lhe dizer que não morri. Estou vivo!

Não no sentido figurado, como se diz “Ela está viva em seus corações”, mas que vivo de verdade, com um corpo, vestes, sapatos e tudo mais. Parece mentira, pois nunca havíamos ouvido falar nisso. Mas a vida após a morte não é um sonho, ou mera ficção, ela existe de verdade e é mais real do que possas imaginar.

Sei que tens vindo a esta casa em busca de respostas e consolo, mas apesar de tudo o que tens ouvido, ainda não te convenceste. É verdade.

Mamãe, você e as crianças, tenho podido vê-los durante breves momentos, para não correr o risco de me desarmonizar, pois ainda tenho algumas dificuldades de me manter equilibrada, principalmente, vendo vocês inconformados com minha partida.

Fiquem sabendo que estava na minha hora. Era um momento inadiável, não importa o que vocês pudessem ter feito para evitar.

Saiba que estou bem, só ainda não me sinto feliz, por ver que vocês ainda não aceitaram o que aconteceu e se culpam. Toda esta dor vai passar, confiem no amor de Deus e no que lhe digo agora. E conforte nossa mãe, diga-lhe que estou bem e que ela está certa, um dia nos veremos.

Agora tenho plena certeza disso e quero compartilhar essa certeza com vocês. Peço ao Pai, todos os dias, para lhes confortar e proteger,

Amo vocês, Inácia.

 


Psicografia recebida em 16/01/2020

Amigos e Irmãos!

Todos os momentos de nossas vidas, oportunidades são ofertadas, algumas visíveis e imprescindíveis, outras aparentemente simples, a curto prazo, e outras ainda que nem são percebidas. No entanto, todas devem ser aproveitadas da melhor maneira possível, percebendo-as ou não. Mas como isso é possível, se muitas são imperceptíveis? A resposta é objetiva e direta: orando e agradecendo. Orando por melhores ações que colherão e agradecendo por ter resistido às tentações das facilidades. E seguindo essa premissa, encerra-se aqui uma etapa linda, uma experiencia inesquecível, uma possibilidade de crescimento, um degrau a menos na escada da evolução.

Nossa parceria, nessa etapa, se encerra aqui, cumprindo nossa missão, que foi de grande aprendizado, foi benéfica para ambos, mas novos desafios precisam ser encarados, para isso foi preciso uma preparação. Nada é para sempre, apenas o espírito o é. A despedida dói devido ao amor e dedicação, mas até uma despedida não é para sempre.

Hoje ela representa, apenas, uma separação para a evolução natural e necessária de ambas as partes. Logo que assim acontecer, se reencontrarão em outras tarefas mais complexas, que exigem bagagem que ainda não temos. Não chore, fortaleça-se e prepare-se porque o que tem para fazer é algo grande, muito grande.

Seu amigo Ícaro.




sábado, 2 de janeiro de 2021

Ano IV – Rio das Ostras – Edição Janeiro 2021

 

Editorial

 


Caridade e Esperança

Lembra-te da esperança para que a tua caridade não se faça incompleta.

Darás ao faminto não somente a côdea de pão que lhe mitigue a fome, mas também o carinho da palavra fraterna, com que se lhe restaurem as energias.

Não apenas entregarás ao companheiro, abandonado à intempérie, a peça que te sobra ao vestiário opulento, mas agasalhá-lo-ás em teu sorriso espontâneo, a fim de que se reerga e prossiga adiante, revigorado e tranquilo.

Não olvides a paciência divina com que somos tolerados a cada hora. Qual acontece ao campo da natureza, em que o Sol mil vezes injuriado pela treva, mil vezes responde com a bênção da luz, dentro de nossa vida, assinalamos a caridade infinita de Deus, refazendo-nos a oportunidade de servir e aprender, resgatar e sublimar todos os dias.

Não te faças palmatória dos próprios irmãos, aos quais deves a compreensão e a bondade de que recebes as mais elevadas quotas do Céu, na forma de auxílio e misericórdia, em todos os instantes da experiência.

Não profiras maldição nem espalhes o tóxico da crítica, no obscuro caminho em que jornadeiam amigos menos ditosos, ainda incapazes de libertarem a si mesmos das algemas da ignorância.

Recorda que Jesus nos chamou à senda terrestre para auxiliar e salvar, onde muitos já desertaram da confiança no eterno bem.

Seja onde for e com quem for, atende à esperança para que o mundo conquiste a vitória a que se destina.

Aliviar com azedume é alargar a ferida de quem padece e dar com reprimendas é envolver o socorro em repulsivo vinagre de desânimo ou desespero.

À maneira de raio solar que desce à furna cada manhã, restaurando o império da luz, sem reclamação e sem mágoa, sê igualmente para os que te rodeiam a permanente mensagem do amor que tudo compreende e tudo perdoa, amparando e auxiliando sem descansar, porque somente pela força do amor alcançaremos a luz imperecível da vida.

(Mensagem de Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier, pauta de reflexão do ESDE II Ed. FEB)

 


 

A Fé e o Amor

 “Uma mulher que havia doze anos padecia de uma hemorragia e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos e gastado tudo o que possuía, sem nada aproveitar, antes ficando cada vez pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus veio por detrás entre a multidão e tocou-lhe a capa; porque dizia: se eu tocar somente as suas vestes, ficarei curada. E no mesmo instante cessou sua hemorragia, e sentiu no seu corpo que estava curada do seu flagelo. E Jesus disse-lhe: Filha, a tua fé te curou; vai-te em paz e fica livre de teu mal.” (Marcos, V. 25-34.)

 

Sabedoria e santidade são os dois atributos para a aquisição da felicidade.

A Luz dá sabedoria, a Religião dá santidade, mas só, o Amor resume toda a Lei e a Profecia.

A Esperança consola é anima; a Caridade robustece e ampara; a Fé salva; o Amor anima todas estas virtudes; o Amor é a Lei.

Os homens titubeiam; a Humanidade degrada; tudo parece perdido como a nau batida pela tempestade! Eis que aparece o amor e faz ouvir sua voz convincente: tudo se acalma!

A bonança sucede à impetuosidade dos ventos e à fúria dos mares! A luz sucede às trevas como o dia sucede à noite!

Não há o que melhor manifeste a Lei de Deus do que o amor. Seu nome, escrito unicamente com quatro letras, indica os quatro pontos cardeais da felicidade espiritual; suas letras são luzes; sua luz brilha mais e aquece melhor que o Sol!

A Esperança está ligada à Imortalidade; mas a fé é inseparável do amor.

A mulher enferma, cheia de fé, aproxima-se do Senhor, toca-lhe as vestes. “Assim fazendo, pensou, ficarei curada do mal que há muitos anos me aflige”. E o milagre efetuou-se!

Assim também sucederá a todos aqueles que tiverem fé e de Jesus se aproximarem: “0 que me seguir não verá trevas.”

Todos os que tiverem fé, e com fé buscarem vencer as dificuldades, triunfarão porque o amor coopera com a fé para abater barreiras, destruir domínios, aniquilar empecilhos e suprimir dificuldades.

“Se tiveres fé, disse Jesus, dirás a este monte: passa-te para lá e ele passará.”

“Se tiveres fé, dirás a esta figueira: transplanta-te para além, e assim acontecerá.”

A missão exclusiva de Jesus foi reviver os corações na fé, para que as almas cheguem às alturas do amor de Deus.

Em todas as suas excursões, o Mestre semeava fé, para que as gentes, com o seu produto, granjeassem os tesouros do amor.

É assim que, cultivando seus ensinos, nós alçaremos os mundos de luz que se movimentam no éter acionados pela vontade de Deus.

A luz dá sabedoria e salva; Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida; o amor é a lei.

(Reflexões de Cairbar Schutel no livro Parábolas e Ensinos de Jesus)

 


A paixão de Jesus

O Espiritismo não nos abre o caminho da deserção do mundo.

Se é justo evitar os abusos do século, não podemos chegar ao exagero de querer viver fora dele. Usufruamos a vida que Deus nos dá, respirando o ar das demais criaturas, nossas irmãs.

Para seguir a própria consciência, podemos dispensar a virtude intocável que forja a santidade ilusória.

Não sejamos sombras vivas, nem transformemos nossos lares em túmulos enfeitados por filigranas de adoração.

Nossa fé não é campo fechado à espontaneidade.

Encarnados e desencarnados precisamos ser prudentes, mas isso não significa devamos reprimir expansões sadias e não nos abracemos uns aos outros. A abstinência do mal não impõe restrições ao bem.

Assim como a virtude jactanciosa é defeito quanto qualquer outro, a austeridade afetada é ilusão semelhante às demais.

Não façamos da vida particular uma torre de marfim para encastelar os princípios superiores, ou estrado de exibição para entronizar o ponto de vista.

A convicção espírita não é insensível ou impertinente.

A inflexibilidade, no dever, não exige frieza de coração. Fujamos ao proselitismo fanatizante, mas nem por isso cultivemos nos outros a aversão por nossa fé.

Se o papel de vítima é sempre o melhor e o mais confortável, nem por isso, a título de representá-lo, podemos forçar a nossa existência, transformando em verdugos, à força, as criaturas que nos rodeiam.

Não sejamos policiais do Evangelho, mas candidatemo-nos a servidores cristãos.

Nem caridade vaidosa que agrave a aspereza do próximo, nem secura de coração que estiole a alegria de viver.

Quem transpira gelo, dentro em breve caminhará em atmosfera glacial.

A crença aferrolhada no orgulho desencadeia desastres tão grandes quanto aqueles criados pelo materialismo.

Não sejamos companhias entediantes.

Um sorriso de bondade não compromete a ninguém.

A fé espírita reside no justo meio-termo do bem e da virtude.

Nem o silêncio perpétuo da meia-morte, que destrói a naturalidade, nem a fala medrosa da inibição a beirar o ridículo.

Nem olhos baixos de santidade artificiosa, nem anseio inexperiente de se impor a todo preço.

Nem cumplicidade no erro, na forma de vício, nem conivência com o mal, na forma de aparente elevação.

Fé espírita é libertação espiritual. Não ensina a reserva calculada que anula a comunicabilidade, constrangendo os outros, nem recomenda a rigidez de hábitos que esteriliza a vida simples. Nem tristeza sistemática, nem entusiasmo pueril.

Abstenhamo-nos da falsa ideia religiosa, suscetível de repetir os desvios de existências anteriores, nas quais vivemos em misticismo acabrunhante. Desfaçamos os tabus da superioridade mentirosa, na certeza de que existe igualmente o orgulho de parecer humilde.

O Espiritismo nos oferece a verdadeira confiança, raciocinada e renovadora; eis por que o espírita não está condenado a atividade inexpressiva ou vegetante. Caridade é dinamismo do amor. Evangelho é alegria. Não é sistema de restringir as ideias ou tolher as manifestações, é vacinação contra o convencionalismo absorvente.

Busquemos o povo – a verdadeira paixão de Jesus –, convivendo com ele, sentindo-lhe as dores, e servindo-o sem intenções secundárias, conforme o “amai-vos uns aos outros” – a senda maior de nossa emancipação. (Cap. XIX – Item 7)

(Mensagem de Ewerton Quadros, no Livro O Espírito de Verdade, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

 


Psicografia Recebida em 12/12/2019

Amigos,

Eu vim falar sobre a minha vida, do quanto não pude ver o que fazia de errado naquela época.

Há muito tempo atrás, eu pensava ter tudo, tinha poder, dinheiro, prestígio entre a minha gente e etc. Meu orgulho não tinha limites.

Eu não aceitava opiniões divergentes da minha, punindo com severidade aqueles que buscassem me afrontar.

Um belo dia chegou a minha propriedade, um velhinho paupérrimo pedindo abrigo e comida, como muitos naquela época. Ele foi colocado junto dos animais e ficou muito feliz com isso.

Ele começou a falar de um Mestre para todos os meus empregados, a contar suas maravilhas e dizendo que o seu mestre estava nos céus velando por nós.

Ele também curou com a imposição de mãos os animais e depois as pessoas da localidade; sempre humilde dizendo que o Mestre que curava e ele só pedia pelas pessoas.

Aquilo começou a me incomodar profundamente, eu queria expulsar aquele homem das minhas terras. Logo em seguida, tive que retroceder, pois minha esposa ficou doente e nenhum remédio fazia efeito. Eu tive que mandar buscá-lo de volta.

O tratamento que ele dispensou a minha mulher, só posso dizer que me pareceu milagroso e eu o considerei um bruxo ou curandeiro, mas não podia negar a melhora dela.

Antes de partir novamente, ele me disse que eu não controlava tudo como pensava e ainda ia descobrir, é que Deus está no controle de tudo.

O tempo passou e eu morri como todo mundo, chegando desse lado como um mendigo espiritual, sendo mandado e perseguido por muitos.

Foram anos, décadas intermináveis, nas quais eu sofri muito, até me dar conta que eu era só mais um, entre muitos. Eu roguei ajuda por muito tempo, até me lembrar daquele homem que havia curado a minha esposa.

Ele apareceu para mim, muito diferente e me tirou dali, sempre dizendo que tudo era pelo seu mestre, que o tinha autorizado a me socorrer.

Quando já tinha condições de entender, ele me falou da história de Jesus, das suas lições e ensinamentos.

Quanta vergonha eu tive ao me lembrar do meu orgulho e arrogância, de quanta gente estava sob a minha responsabilidade e eu podia ter ajudado a ter uma vida melhor e não fiz.

O quanto eu podia ter feito, com aquilo que recebi para ajudar e não fiz.

Ninguém vem com riqueza para estimular o orgulho, o egoísmo e a vaidade.

A riqueza, seja ela do tamanho que for, nos é dada para que seja aproveitada pelo próprio e pelos semelhantes, seja em obras assistenciais, seja gerando fontes de emprego, enfim, sempre sendo útil a todos da comunidade. A riqueza deve ser espalhada, esse é o seu bom uso.

Obrigada a todos pela oportunidade. Abraços fraternos!

Um irmão do caminho. 



 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Dezembro 2020

Editorial

 


Nas Pegadas de Jesus

 

“Tenho-vos dito estas coisas estando ainda convosco; mas o Paracleto, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o quanto vos tenho dito.” (João XIV 25-26)

 

A Religião de Jesus é a eterna religião da luz e da verdade. Ela não se limita à prática de simples virtudes, tal como os homens a julgam. Abrangendo os amplos horizontes da vida espiritual, ensina-nos os meios indispensáveis para a aquisição da imortalidade.

A religião de Jesus não desaparece no túmulo, mas ergue-se como um Sol majestoso além da campa; onde tudo parece mergulhar em trevas, no nada, a verdade, a vida se manifesta com todo fulgor!

A religião de Jesus não é a religião da cruz, mas a religião da luz! Não é a religião da morte, mas a da vida! Não é a religião do desespero, mas a da esperança! Não é a religião da vingança, mas a da caridade! Não é a religião dos sofrimentos, mas a da felicidade! [...]

A religião de Jesus não é a religião da força, mas sim a religião do direito.

Quando as multidões absortas se aproximavam do Mestre querido, para ouvirem suas prédicas ungidas de fé, perfumadas da caridade e cintiladas de esperança, nunca o moço nazareno lhes acenou com uma cruz; nunca pretendeu colocar sobre os ombros de seus infelizes irmãos o peso do madeiro infamante.

Ao contrário, atraía-os com olhares de piedade e em suas sublimes exortações, em seus amorosos conselhos, para todos tinha palavras de perdão, de afeição, de consolação.

Aos aflitos e desanimados dizia: “Vinde a mim vós que vos achais sobrecarregados; aprendei de mim, que sou humilde e manso de coração; tomai sobre vós meu jugo, que é suave, meu fardo, que é leve, e achareis descanso para as vossas almas.”

A grande missão de Jesus foi abater todas as cruzes que o mundo tinha levantado; foi arrasar todos os calvários. Ele foi o portador do bálsamo para todas as feridas, do consolo para todas as aflições, da luz para todas as trevas. [...]

A religião de Jesus não consiste de dogmas e promessas falazes; é a religião da realidade. [...]

Por que é o Cristo a nossa esperança e a nossa fé? Por que lhe dedicamos amor, respeito, veneração? Por que nele confiamos nas nossas aflições? Por que fazemos preces? Por que lhe devotamos admiração e lhe rendemos graças?

Porque sabemos que ele pode e vem iluminar-nos a vida, robustecer-nos a crença, proteger-nos e amparar, auxiliar-nos e acariciar, como um pai devotado proporcionaria a felicidade e o bem estar a seus filhos. [...]

Esta é a religião de Jesus, pois se baseia em fatos irrefutáveis; esta é a religião da fraternidade, porque tem por base a afeição verdadeira, que não termina no túmulo; seguir as pegadas de Jesus é o bastante para que sejamos por ele guiados e vençamos também como ele venceu a morte com o triunfo da ressureição.

(Reflexões do livro Parábolas e ensinos de Jesus de Cairbar Schutel)

 


Palavra aos espiritas

Reunião pública de 17/4/59

Questão no 798

 

Espiritismo revivendo o Cristianismo - eis a nossa responsabilidade.

Como outrora Jesus revelou a Verdade em amor, no seio das religiões bárbaras de há dois mil anos, usando a própria vida como espelho do ensinamento de que se fizera veículo, cabe agora ao Espiritismo confirmar-lhe o ministério divino, transfigurando-lhe as lições em serviço de aprimoramento da Humanidade.

Espíritas!

Lembremo-nos de que templos numerosos, há muitos séculos, falam dEle, efetuando porfiosa corrida ao poder humano, olvidando-lhe a abnegação e a humildade.

E porque não puderam acomodar-se aos imperativos do Evangelho, fascinados que se achavam pela posse da autoridade e do ouro, erigiram pedestais de intolerância para si mesmos.

Todavia, a intolerância é a matriz do fratricídio, e o fratricídio é a guerra de conquista em ação. E a lei da guerra de conquista é o império da rapina e do assalto, da insolência e do ódio, da violência e da crueldade, proscrevendo a honra e aniquilando a cultura, remunerando a astúcia e laureando o crime, acendendo fogueiras e semeando ruínas em rajadas de sangue e destruição.

Somos, assim, chamados à tarefa da restauração e da paz, sem que essa restauração signifique retorno aos mesmos erros e sem que essa paz traduza a inércia dos pântanos.

É imprescindível estudar educando, e trabalhar construindo.

Não vos afasteis do Cristo de Deus, sob pena de converterdes o fenômeno em fator de vossa própria servidão às cidadelas da sombra, nem algemeis os punhos mentais ao cientificismo pretensioso.

Mantende o cérebro e o coração em sincronia de movimentos, mas não vos esqueçais de que o Divino Mestre superou a aridez do raciocínio com a água Viva do sentimento, a fim de que o mundo moral do homem não se transforme em pavoroso deserto.

Aprendamos do Cristo a mansidão vigilante.

Herdemos do Cristo a esperança operosa.

Imitemos do Cristo a caridade intemerata.

Tenhamos do Cristo o exemplo resoluto.

Saibamos preservar e defender a pureza e a simplicidade de nossos princípios.

Não basta ter fé para vencer. É preciso que a fidelidade aos compromissos assumidos se nos instale por chama inextinguível na própria alma.

Nem conflitos estéreis.

Nem fanatismo dogmático.

Nem tronos de ouro.

Nem exotismo.

Nem perturbação fantasiada de grandeza intelectual.

Nem bajulação às conveniências do mundo.

Nem mensagens de terror.

Nem vaticínios mirabolantes

Acima de tudo, cultuemos as bases codificadas por Allan Kardec, sob a chancela do Senhor, assinalando-nos as vidas renovadas no rumo do Bem Eterno.

O Espiritismo, desdobrando o Cristianismo, é claro como o Sol.

Não nos percamos em labirintos desnecessários, porquanto ao espírita não se permite a expectação da miopia mental.

Sigamos, pois, à frente, destemerosos e otimistas, seguros no dever e leais à própria consciência, na certeza de que o nome de Nosso Senhor Jesus-Cristo está empenhado em nossas mãos.

(Mensagem de Emmanuel no livro Religião dos Espíritos de Francisco Cândido Xavier)

 


Psicografia recebida em 10/12/2019

 

Mestre Jesus, amigos espirituais que permitiram esta minha comunicação, gratidão.

Queridos ouvintes, espero conseguir, através desta comunicação, tocar seus corações.

Sou sabedor que nesta época de final de ano todos sentem-se mais sensibilizados para consigo mesmo e também para com aqueles com quem tem a oportunidade de dividirem a caminhada.

Todos sentem-se interrogativos sobre o ano que se finda e sobre o próximo que virá. Creio que o mais importante é ter a gratidão pelo que se vivenciou, pois mesmo quando se entende que não foi positivo, existe o aprendizado. A vida vai, quando se dá a oportunidade, nos mostrando os caminhos corretos a seguir, mas para ter esta percepção é importante abrir os ouvidos do coração. Situação que nem sempre se permitem.

Reflexões são sempre importantes, olhar para o lado e aprender também com as experiências alheias, ajuda-nos a entender melhor nossa trajetória.

Sabemos que ninguém vem a este mundo a passeio e que o tempo de Deus é diferente do nosso, mas nos deixamos levar por conflitos que não tem este entendimento e com isso o que mais vivencia-se é o sofrimento.

Assim meus irmãos, entendam e aceitem profundamente estas questões e desta forma transformem suas caminhadas para terem maior leveza e com isso fazerem o amor fluir com mais facilidade, pois somente ele traz a verdadeira felicidade.

Que o amor do Mestre Jesus os envolva hoje e sempre.

José Carlos.



domingo, 1 de novembro de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Novembro 2020

 Editorial


É o mesmo 

 “Pois o mesmo Pai vos ama.”  Jesus (João, 16:27) 

Ninguém despreze os valores da confiança. Servo algum fuja ao benefício da cooperação. Quem hoje pode dar algo de útil, precisará possivelmente amanhã de alguma colaboração essencial.

Todavia, por enriquecer-­se alguém de fraternidade e fé, não olvide a necessidade do desenvolvimento infinito no bem. Os obreiros sinceros do Evangelho devem operar contra o favoritismo pernicioso.

A lavoura divina não possui privilegiados. Em suas seções numerosas há trabalhadores mais devotados e mais fiéis; contudo, esses não devem ser categorizados à conta de fetiches e, sim, respeitados e imitados por símbolos de lealdade e serviço.

Criar ídolos humanos é pior que levantar estátuas destinadas à adoração. O mármore é impassível, mas o companheiro é nosso próximo de cuja condição ninguém deveria abusar. Pague cada homem o tributo de esforço próprio à vida.

O Supremo Senhor espera de nós apenas isto, a fim de converter-nos em colaboradores diretos.

O próprio Cristo afirmou que o mesmo Pai que o distingue ama igualmente a Humanidade.

O Deus que inspira o médico é o que ampara o doente. Não importa que asiáticos e europeus o designem sob nomes diferentes.

Invariavelmente é o mesmo Pai.

Conservemos, pois, a luz da consolação, a bênção do concurso fraterno, a confiança em nossos Maiores e a certeza na proteção deles; contudo, não olvidemos o dever natural de seguir para o Alto, utilizando os próprios pés.

(Reflexões de Emmanuel no livro Pão Nosso de Francisco Cândido Xavier)

 




Nossos irmãos

 

Cap. XII – Item 5

Um pensamento de simpatia e de Amor para os nossos irmãos que se recuperam!... Muitos são chamados criminosos, mas, na verdade, foram doentes. Sofriam desequilíbrios da alma, que se lhes encravavam no ser, quais moléstias ocultas.

Praticaram delitos, sim... Hoje, entretanto, procuram-te a companhia, sonhando renovação.

Amaram, ignorando que o afeto deve estar vinculado à harmonia da consciência, e amargaram terrível secura, em labirintos de sombra, a suspirarem agora pelo orvalho da luz.

Eram sovinas e sonegavam o pão à boca faminta dos semelhantes; contudo, pretendem contigo o reingresso na escola da caridade.

Acreditavam-se em regime de exceção, quando o orgulho lhes assoprava a mentira; no entanto, após resvalarem no erro, refugiam-se em tua fé, anelando refazimento.

Renderam-se às tentações e foram pilhados na armadilha do mal; todavia, presentemente, buscam-te os olhos e apertam-te as mãos, ansiando esquecer e recomeçar.

Não lhes fites o desacerto.

Alimenta-lhes a esperança.

Não te animarias a espancar a cabeça de quem estivesse a convalescer, depois da loucura, nem cortarias a pele em cicatrizes recentes. Enfermos graves da alma, todos nós fomos ontem!...

Rende, pois, graças a Deus, se já podes prestar auxílio, porque, se chegaste ao grau de restauração em que te encontras, é que, decerto, alguém caminhou pacientemente contigo, com bastante amor de servir e bastante coragem de suportar.

(Mensagem de Albino Teixeira no Livro O Espírito da Verdade de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)




 

Preparação Familiar

 

O problema familiar, por mais que nos despreocupemos dele, buscando fugir à responsabilidade direta, constituirá sempre uma das questões fundamentais da felicidade humana.

É um erro tremendo supor que a morte apaga as recordações, à maneira da esponja que absorve o vinagre, na limpeza do vaso culinário. Certamente, os laços menos dignos terminam na sombra do sepulcro, quando suportados valorosamente, e encarados como sacrifício purificador, na existência material.

Noventa per cento, talvez, dos matrimônios, infelizes pela ausência de afinidade espiritual, extinguem-se com a morte, que liberta naturalmente as vítimas dos grilhões e dos algozes.

O Evangelho de Jesus ensina entre os vivos que Deus não é Deus de mortos, e os que perderam a indumentária carnal, sentindo-se mais vivos que nunca, acrescentam que Deus não é Deus de condenados.

Que os Otelos da Terra se previnam, em suas relações com as Desdêmonas virtuosas do mundo, porque, além do cadáver, não poderão apunhalar as esposas livres da carne, e as mulheres ciumentas, desgrenhadas dentro da noite, a gritarem blasfêmias injuriosas contra os maridos inocentes, preparem-se para longo tempo de separação na esfera invisível, onde, na melhor das hipóteses, receberão serviços reeducativos, em seu próprio favor.

A morte seria um monstro terrível se consolidasse as algemas terrestres naqueles que toleraram heroicamente a tirania e o egoísmo de outrem. Além de seus muros de sombra, há castelos sublimes para os que amaram com alma e entesouraram, com o sentimento mais puro, o ideal e a esperança numa vida melhor, e há também precipícios escuros, por onde descem os revoltados, em desespero, por não poderem oprimir e martirizar, por mais tempo, os corações devotados e sensíveis, de que se rodeavam na Terra.

Feita a ressalva, alusiva aos princípios de afinidades que regem a sociedade espiritual, recordemos a missão educativa que o mundo confere ao coração dos pais, em nome de Deus. Constituiria ato casual da Natureza a reunião de duas criaturas, convertidas em pai e mãe de diversos seres? Mera eventualidade o erguimento de um berço enfeitado de flores? [...]

O instituto da família é cadinho sublime de purificação e o esquecimento dessa verdade custa-nos alto preço na vida espiritual. É lamentável nosso estado d’alma, quando voltamos à vida livre, de coração escravizado ao campo inferior do mundo, em virtude do olvido de nossas obrigações paternais. Em vão, tentaremos ensinar tardiamente as lições da realidade legítima; debalde nos abeiraremos dos corações amados, para recordar a eternidade da vida.

Semelhantes impulsos se verificam fora da ocasião desejável, porque a fantasia já solidificou a sua obra e a ilusão modificou a paisagem natural do caminho. Não valem mais o pranto e a lamentação. É indispensável aguardar o tempo da misericórdia, já que menosprezamos o tempo do serviço.

Precatem-se, pois, os pais e mães terrestres, para que não se percam, envenenando o coração dos filhos, à distância do dever e do trabalho. Aniquilem o egoísmo afetuoso que os cega, se não querem cavar o abismo futuro! [...]

Através do trabalho áspero e duro, de decepções e dificuldades, ensinam aos rebentos de seu lar que são irmãos dos batalhadores anônimos do mundo, dos humildes, dos calejados, construindo-lhes a ventura em bases sólidas e formando-lhes o coração na fé e no trabalho, antes que venham a perverter o cérebro com vaidades e fantasias!

 Esses, sim, podem abandonar a Terra, tranquilamente, quando a morte lhes cerrar as pálpebras cansadas...

Mas, infortunados serão todos os pais ricos de bagagens mundanas, que desfiguram a alma dos filhos, impondo-lhes mentirosa superioridade pelos artificialismos da instrução paga, carregando-lhes a mente de concepções prejudiciais, acerca do mundo e da vida, pelo exercício condenável de uma ternura falsa! Esses, esperem pelas contas escabrosas, porque, de fato, tentaram enganar a Deus, distanciando-lhe os filhos da verdade e da luz divina...

Depois da morte do corpo, sentirão a dor de se verem esquecidos no dia imediato ao dos funerais de seus despojos, acompanhando, em vão, como mendigos de amor, os filhos interessados na partilha dos bens, a revelarem atitudes cruéis de egoísmo e ambição! Com estas palavras de um amigo, finalizo minhas despretensiosas considerações sobre as responsabilidades domésticas, mas duvido que existam pais e filhos na carne com bastante sensatez para nelas acreditarem.

(Texto de Irmão X, no livro Luz no Lar de Francisco Cândido Xavier)

 



 

Mais um ano se inicia, rumores de conflitos eminentes rondam o nosso sossego, nos amedrontam e desequilibram a nossa paz. Sejamos fortes e esperançosos, não deixemos de acreditar no auxílio do alto, na misericórdia do Pai e na proteção do Mestre Jesus e seus trabalhadores. Lembremos de orar pelo bem coletivo e paz planetária. Nossos esforços são grandes em promover a concórdia, mas se faz necessário que cada um de vós tome para si a responsabilidade de vibrar em favor do planeta e sua humanidade.

Como se sabe, qualquer conflito, por mais longínquo que possa parecer, nos afeta a todos sem exceção.

Sejamos participantes ativos as paz e expansão do amor em nossa atmosfera.

Assim como tendes visto que os prejuízos das queimadas em outro meridiano está afetando nossas paisagens, nosso respirar, nosso sentir, porquê achar que um conflito não vos atinge.

Responsabilidade meus irmãos, com o nosso lar, que é este planeta, onde habitam irmãos de todos os tipos, preferencias, crenças, tendências, enfim, irmãos que precisam se ajustar, evoluir, aprender, ..., como nós, como vós, merecendo a misericórdia do Pai e a nossa, mutuamente.

Venham e acolham este convite que vos faço à reflexão, à prece e ao amor por nosso Lar Terra.

Oremos por ela como oramos por nossa família mais íntima no conforto de nossa casa.

Façamos a diferença dando o nosso melhor em favor da família universal e sejamos assim, centelhas de luz a clarear as trevas que teimam em continuar sobre nós. Sejamos a luz que clareia o caminho para que o amor penetre nos corações ainda endurecidos e teimosos.

Não temam pensando que não tem poder para mudar, basta a vontade, a fé e a ação.

E chegará o dia em que todos viveremos a paz que o Cristo nos trouxe: “Eu vos dou a paz, vos deixo a minha paz.”

Fiquem na paz e sejamos abençoados com o amor do Pai em  nossos corações.

(Psicografia recebida em 09/01/2020)