domingo, 30 de junho de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Julho 2019


Editorial

O amor

O amor, como comumente se entende na Terra, é um sentimento, um impulso do ser, que o leva para outro ser com um desejo de unir-se a ele. Mas, na realidade, o amor reveste formas infinitas, desde as mais vulgares até as mais sublimes. Princípio da vida universal, proporciona à alma, em suas manifestações mais elevadas e puras a intensidade de radiação que aquece e vivifica tudo em roda se si; é por ele que ela se sente estreitamente ligada ao Poder Divino, foco ardente de toda a vida, de todo o amor.
O amor é uma força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e aquele que recebe. É pelo amor, sol das almas, que Deus mais eficazmente atua no mundo. Por ele atrai para si na matéria; eleva-os e arrasta-os na espiral da ascensão infinita para os esplendores da luz e da liberdade.
O amor conjugal, o amor materno, o amor filial ou fraterno, o amor da pátria, da raça, da humanidade, são refrações, raios refratários do amor divino, que abrange todos os seres, e, difundindo-se neles, faz rebanhar e desabrochar mil formas variadas, mil esplêndidas florescências de amor.
O amor é mais forte do que o ódio, mais poderoso do que a morte. Se o Cristo foi o maior dos missionários e dos profetas, se tanto império teve sobre os homens, foi porque trazia em si um reflexo mais poderoso do Amor Divino. Jesus passou pouco tempo na Terra; foram bastantes três anos de evangelização para que o seu domínio se entendesse a todas as nações. Não foi pela Ciência nem pela arte oratória que ele seduziu e cativou as multidões, foi pelo amor! [...] Por isso, apesar dos erros e falsas fogueiras acesas, de tantos véus estendidos sobre seu ensino, o Cristianismo continuou a ser a maior das religiões; disciplinou, moldou a alma humana, amansou a índole feroz dos bárbaros, arrancou raças inteiras à sensualidade ou à bestialidade.
Por isso também se explicam e se afirmam a solidariedade e fraternidade universais. Um dia, quando a verdadeira noção do ser se desembaraçar das dúvidas e incertezas que obsidiam o pensamento humano, compreender-se-á a grande fraternidade que liga as almas. Sentir-se-á que são todas envolvidas pelo magnetismo divino, pelo grande sopro de amor que enche os Espaços.
A todas as interrogações do homem, a suas hesitações, a seus temores, a suas blasfêmias, uma voz grande, poderosa e misteriosa responde: Aprenda a amar! O amor é o resumo de tudo, o fim de tudo. Dessa maneira, estende-se e desdobra-se sem cessar sobre o universo a imensa rede de amor tecida de luz e ouro. Amar é o segredo da felicidade. Com uma só palavra o amor resolve todos os problemas, dissipa todas as obscuridades. O amor salvará o mundo; seu calor fará derreter os gelos da dúvida, do egoísmo, do ódio; enternecerá os corações mais duros, mais refratários.
Quem pois, num dia de verão, quando o sol se irradia, quando a imensa cúpula azulada se desenrola sobre nossas cabeças e dos pratos e bosques, dos montes e do mar sobem a adoração, a prece muda dos seres e das coisas, quem, pois, deixará de sentir as radiações de amor que enchem o infinito?
É preciso nunca ter aberto a alma a estas influências sutis para ignorá-las ou negá-las. Muitas almas terrestres ficam, é verdade, hermeticamente fechadas para as coisas divididas ou, então, se sentem suas harmonias e belezas, escondem cuidadosamente o segredo de si mesmas; parecem ter vergonha de confessar o que conhecem ou o que de maior e melhor experimentam.
Tentai a experiencia! Abri o vosso ser interno, abri as janelas da prisão da alma aos eflúvios da vida universal e, de súbito, essa prisão encher-se-á de claridades, de melodias; um mundo todo de luz penetrará em vós.
Basta ter experimentado uma vez só essas impressões para não as esquecer mais. E quando chega o declínio da vida com suas desilusões, quando as sombras crepusculares se acumulam sobre nós, então estas poderosas sensações acordam com a memória de todas as alegrias sentidas, e a lembrança das horas em que verdadeiramente amamos cai como delicioso orvalho sobre nossas almas dissecadas pelo vento áspero das provações e das dores.
(Do Livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Leon Denis)



Reflexões evangélicas

Buscai, acima de tudo, o reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas ser-vos-ão acrescentadas. (Mateus, 6:33)
         Recuando ao tempo de sua palavra direta, recordemos que a multidão perguntava sobre o comer, o beber e o agasalhar-se... Essas coisas, porém, cresceram com a civilização.
Não apenas pão do corpo, mas pão de espírito em forma de educação e paz. Não apenas beber água, na ordem material, mas sorver o idealismo santificante de que o Mestre mesmo foi o excelso portador. Não apenas agasalhar-se com as vestes que cobrem o corpo denso, mas o abrigar-se cada um de nós na alegria da consciência reta, para que o coração unido ao Cristo respire na inexpugnável cidadela do dever respeitado. A significação dessa trilogia de verbos tão rotineiros no mundo é, hoje, como vemos, mais complexa. Precisamos dessas coisas...
Essas coisas, que também podemos simbolizar como harmonia interior, tranquilidade doméstica, equilíbrio na vida pública e privada, compreensão para com os amigos, tolerância para com os adversários, dignidade nas provações e força para ultrapassar as nossas próprias fraquezas, são necessidades prementes que não podemos olvidar. Mas para que essas coisas sejam acrescentadas à nossa vida, é indispensável procuremos o reino de Deus e sua justiça, que expressam felicidade com merecimento. Façamos o melhor, sentindo, pensando e falando o melhor que pudermos.
Honrando o reino de Deus e sua justiça, o nosso divino Mestre passou na Terra em permanente doação de si mesmo... Eis o padrão que nos deve inspirar as atividades, porque não nos bastará crer acertadamente e ensinar com brilho, mas, acima de tudo, viver as lições.
O reino de Deus inclui todos os bens materiais e morais, capazes de serem incorporados aos nossos espíritos, seja onde for; no entanto, importa merecê-lo por justiça e não apenas desejá-lo pela fé. Amigos, temos agora conosco o programa certo. Atendamo-lo. E que o Senhor nos reúna em valioso entendimento, para a obra de cooperação no Evangelho que nos cabe executar, é tudo aquilo que aspiramos de melhor para que o serviço do bem nos conduza ao grande Bem que nos acena o futuro.
(Instruções psicofônicas de Chico Xavier/ Álvaro Reis (parte))



Um olhar amoroso sobre o mal do outro

O olhar moral enviesado sobre o mundo pode nos afastar da visão de totalidade e da percepção do significado espiritual pleno da vida. Tanto quanto o viés permissivo sobre o mundo, assim como o olhar pesado e pecaminoso que se tenha, contribuem para o atraso moral do planeta. Nem sempre nosso estado de espírito permite-nos a percepção desejada quando observamos as atitudes humanas. [...] Devemos lembrar que o ser humano é individual e coletivo ao mesmo tempo, isto é, ele age por seu livre arbítrio e motivação própria, mas também pelas influências que recebe, sejam de seu meio ambiente ou pelas interferências espirituais. Suas ações não decorrem apenas do momento atual, tampouco apenas de seu passado reencarnatórios. [...] Nesse sentido, o Evangelho utilizado apenas com essa finalidade, isto é, de referendar um enquadramento do que é bem e do que é mal, estaria sendo utilizado com uma finalidade muito aquém de suas possibilidades transformadoras. A claridade de sua essência estaria sendo de alguma forma depreciada. [...]
 Aqueles que se constituem em intérpretes das claridades do Evangelho devem buscar evitar se transformarem em profetas do apocalipse para que não lhe embace a luminosidade que deve conduzir o ser humano à felicidade. As advertências são válidas e preciosas, visto que alertam aos menos avisados quanto às consequências de seus equívocos, porém são igualmente necessárias propostas de aplicabilidade na vida material e em suas rotinas para que não se preguem atitudes exequíveis apenas num mundo imaginário ou que se situe no além. [...]
A profilaxia dos desequilíbrios humanos ou daquilo que o torna infeliz e que gera a ausência de paz, inicia-se na medida que ele desperta para se questionar. Propor medidas comportamentais para resolver aqueles desequilíbrios é como pular ou saltar um degrau importante da escada natural de crescimento espiritual do ser humano. Que se curem os males, mas que se questione a si mesmo. [...]
A personalidade de quem veicula a mensagem do Evangelho sem sombra de dúvidas interfere na forma como esta é veiculada e na interpretação que se lhe dá. Por mais que a pessoa se esforce em apresentar, através do exemplo pessoal, uma visão pura e límpida, a interpretação sempre conterá algo de particular. [...]
 O Cristo propõe que o curador se cure, isto é, que sua fala seja também, e principalmente, dirigida a si mesmo. Seu exemplo pessoal é a verdadeira mensagem que passa, tendo como base o que assimilou da original. A partir do que entendeu da mensagem que lhe inspira a vida, levará aos outros, de uma forma típica, aplicável aparentemente a todos, mas própria para aqueles que têm carma semelhante ao seu.
Numa família seus membros devem buscar aplicar o que pregam e aquilo que acreditam. Quando não se sintam em condições de fazê-lo devem pedir ajuda aos outros membros a fim de que todos compartilhem de problemas que pertencem a todos. Omitir os problemas àqueles que podem ajudar é demonstração de insegurança. Em alguns casos é compreensível que certos problemas possam ser omitidos a fim de não expor terceiros, porém deve-se buscar a participação de todo o grupo na solução e discussão de problemas comuns, inclusive das crianças, para que comecem logo cedo a entender a vida.
A fala do Cristo demonstra segurança e autoconfiança em si mesmo. Ele se expôs diante da Sinagoga sem esconder suas capacidades e disse para que veio. Nós devemos colocar em família o que ali estamos fazendo. Devemos ter equilíbrio e autodeterminação suficientes para assumir nossas responsabilidades em família.
(Do livro Evangelho e Família de Adenáuer Novaes)






sábado, 1 de junho de 2019

Ano III – Rio das Ostras – Edição Junho 2019


Editorial


Brilhar

“Assim resplandece a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. (Mateus, 5:16)

         Admitem muitos aprendizes que brilhar será adquirir destacada posição em serviços de inteligência, no campo da fé.
         Realmente, excluir a cultura espiritual, em seus diversos ângulos, da posição luminosa a que todos devemos aspirar, seria rematada insensatez.
         Aprender sempre para melhor conhecer e servir é a destinação de quem se consagra fielmente ao Mestre Divino.
         Ninguém se iluda com os fogos-fátuos do intelectualismo artificioso.
         Ensinemos o caminho da redenção, tracemos programas salvadores onde estivermos; brilhe a luz do Evangelho em nossa boca ou em nossa frase escrita, mas permaneçamos convencidos de que se esses clarões não descortinam as nossas boas obras, seremos invariavelmente recebidos no ouvido alheio e no alheio entendimento, entre a expectação e a desconfiança, porque somente em fundido pensamento, verbo e ação, no ensinamento de Jesus Cristo, haverá em torno de nós glorificação construtiva ao Nosso Pai que está nos Céus.
(Mensagem de Emmanuel, no livro Vinha de Luz de Francisco Candido Xavier)




Adoração

O vocábulo adoração significa, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ato ou efeito de adorar, que está intimamente relacionado à palavra veneração, culto que se rende a alguém ou algo considerado divindade. Todavia, afirmam os Espíritos Superiores que adoração consiste na elevação do pensamento a Deus.
Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma. Esclarecem também que a adoração está na lei natural, pois resulta de um sentimento inato no homem.
Tempos houve em que cada família, cada tribo, cada cidade e cada raça tinha os seus deuses particulares, em cujo louvor o fogo divino ardia constantemente na lareira ou nos altares dos templos que lhes eram dedicados.
Para entendermos a adoração, precisamos reconhecer que esta acompanha o processo evolutivo da criatura humana, uma vez que, como o homem evolui intelectual e moralmente, aperfeiçoa também sua concepção de Deus e a sua forma de adorá-lo.
Devemos considerar, no entanto, que longe ainda nos encontramos de adorar Deus em espírito e verdade, conforme preconiza o Espiritismo, e lembrando a mensagem cristã.
Os Espíritos Orientadores da Codificação Espírita nos esclarecem que adoração verdadeira é do coração. Em todas as vossas ações, lembrai-vos sempre de que o Senhor tem sobre vós o seu olhar. Esclarecem igualmente que a adoração exterior será útil, se não consistir num vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo. Mas, os que somente por afetação e amor-próprio o fazem, desmentindo com o proceder a aparente piedade, mau exemplo dão e não imaginam o mal que causam.
Na verdade, continuam elucidando os Espíritos Codificadores, Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes. Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam. É hipócrita aquele cuja piedade se cifra nos atos exteriores. Mau exemplo dá todo aquele cuja adoração é afetada e contradiz o seu procedimento. Declaro-vos que somente nos lábios e não na alma tem religião aquele que professa adorar o Cristo, mas que é orgulhoso, invejoso e cioso, duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens deste mundo. Deus, que tudo vê, dirá: o que conhece a verdade é cem vezes mais culpado do mal que faz, do que o selvagem ignorante. E como tal será tratado no dia da justiça. Se um cego, ao passar, vos derriba, perdoá-lo-eis; se for um homem que enxerga perfeitamente bem, queixar-vos-eis e com razão. Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais convenha, porque equivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do coração.
(Pauta de reflexão do livro de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Tomo I da FEB)




Quando orardes
  
“E, quando estiverdes orando, perdoai.”
Jesus (Marcos, 11:25)
A sincera atitude da alma na prece não obedece aos movimentos mecânicos vulgares. Nas operações da luta comum, a criatura atende, invariavelmente, aos automatismos da experiência material que se modifica de maneira imperceptível, nos círculos do tempo; todavia, quando se volta a alma aos santuários divinos do plano superior, através da oração, põe-se a consciência em contato com o sentido eterno e  criador da vida infinita.
Examine cada aprendiz as sensações que experimenta em se colocando na posição de rogativa ao Alto, compreendendo que se lhe faz indispensável a manutenção da paz interna perante as criaturas e quadros circunstanciais do caminho.
A mente que ora permanece em movimentação na esfera invisível.
As inteligências encarnadas, ainda mesmo quando se não conheçam entre si, na pauta das convenções materiais, comunicam-se através dos tênues fios do desejo manifestado na oração. Em tais instantes, que devemos consagrar exclusivamente à zona mais alta de nossa individualidade, expedimos mensagens, apelos, intenções, projetos e ansiedades que procuram objetivo adequado.
É digno de lástima todo aquele que se utiliza da oportunidade para dilatar a corrente do mal, consciente ou inconscientemente. É por este motivo que Jesus, compreendendo a carência de homens e mulheres isentos de culpa, lançou este expressivo programa de amor, a benefício de cada discípulo do Evangelho: – “E, quando estiverdes orando, perdoai.”
(Mensagem de Emmanuel no livro Pão Nosso de Francisco Cândido Xavier)



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Maio 2019


Editorial

Sementeira e construção  

“Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.”
Paulo (I Coríntios, 3:9)

Asseverando Paulo a sua condição de cooperador de Deus e designando a lavoura e o edifício do Senhor nos seguidores e beneficiários do Evangelho que o cercavam, traçou o quadro espiritual que sempre existirá na Terra em aperfeiçoamento, entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina.
Se já recebemos da Boa Nova a lâmpada acesa para a nossa jornada, somos compulsoriamente considerados colaboradores do ministério de Jesus, competindo-nos a sementeira e a construção dele em todas as criaturas que nos partilham a estrada.
Conhecemos, pois, na essência, qual o serviço que a Revelação nos indica, logo nos aproximemos da luz cristã.
Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio das correntes da vida, onde permanecemos, ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos, a fim de que a obra do Reino Divino cresça, progrida e santifique toda a Terra.
O serviço é de plantação e edificação, reclamando esforço pessoal e boa vontade para com todos, porquanto, de conformidade com a própria simbologia do apóstolo, o vegetal pede tempo e carinho para desenvolver-se e a casa sólida não se ergue num dia.
Em toda parte, porém, vemos pedreiros que clamam contra o peso do tijolo e da areia e cultivadores que detestam as exigências de adubo e proteção à planta frágil.
O ensinamento do Evangelho, contudo, não deixa margem a qualquer dúvida. Se já conheces os benefícios de Jesus, és colaborador dele, na vinha do mundo e na edificação do espírito humano para a Eternidade. Avança na tarefa que te foi confiada e não temas. Se a fé representa a nossa coroa de luz, o trabalho em favor de todos é a nossa bênção de cada dia.
(Mensagem de Emmanuel no livro Fonte Viva de Francisco Cândido Xavier)



As asas da libertação

Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para suas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI: 28-30).

Se pretendes mergulhar nos fluidos superiores da Vida, desvendando os complexos mecanismos da existência, ora e medita. A prece levar-te-á no centro das aspirações superiores, harmonizando-te.
Se desejas permanecer em paz integral, consolidando as conquistas espirituais, renuncia e esquece todo o mal. A renúncia ensinar-te-á a libertação das coisas e das conjunturas afligentes, e o esquecimento de qualquer mal ser-te-á o piloti para a libertação plena.
Se planejas integração no bem, ampliando a visão do amor, trabalha e serve ao próximo. O trabalho enriquecer-te-á de valores inquestionáveis, e o serviço da caridade ao próximo proporcionar-te-á oportunidade de iluminação pessoal com doação de felicidade aos outros.
A perseverança no bem dar-te-á generosidade natural, e a companhia ao lado dos infelizes far-te-á sábio pelas técnicas de amor que aprenderás a utilizar para o êxito do ministério.
As duas primeiras linhas do comportamento podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para Deus, na luta íntima, sem testemunhas, muitas vezes chorando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que se fixasse a trave em que que te apoias e amparas.
As duas atitudes outras são a linha horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho.
Já não é a busca em estrangulamentos das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria, distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor.
Uma cruz a tua vida! Nela, de abraços abertos, tu te encontras. Já não há dor, nem aflição. Lentamente verás transformar-se a trave horizontal em asas de luz e, livre, ascenderás na direção do Sublime Crucificado, que a todos nós aguarda em confiança e paz.
(Mensagem de Joana de Ângelis, no livro Otimismo de Divaldo P. Franco)





Família-Lar

Numa família-lar, aqueles que ali vivem estão em sintonia psíquica uns com os outros para que o amor possa fluir naturalmente. Sem cobranças, sem ciúmes e sem neuroses. Tudo estará de acordo com os objetivos divinos de aperfeiçoamento dos seres humanos. Manter a mente no estado de paz que facilite a manifestação do amor só é possível quando a convivência já dissolveu as barreiras psíquicas que afastam as pessoas, por mais próximas que se encontrem. Geralmente, tais barreiras se originam pela falta de diálogo, pelo não dito entre os membros da família, provocando um distanciamento subjetivo, o qual promove o surgimento de contaminações nocivas à convivência.
No lugar que o diálogo deveria ocupar na convivência, surgem ressentimentos, desconfianças, disputas, mágoas e etc..., não basta estar junto fisicamente para que não existam barreiras separadoras. O que une os seres humanos são os sentimentos nobres que se cultivam uns para com os outros. O inverso os afasta. A unidade de uma família estará na sintonia psíquica entre seus membros. Quanto mais se disponibiliza a mente para a compreensão do outro, mais o amor acontece.
A família-lar é um grupo de espíritos afins que se conectam pelos fios invisíveis do amor e se orientam na direção de objetivos nobres. Nela existe um sentimento de unidade entre seus membros que os vinculam uns aos outros, permitindo que a compreensão dos atos anteceda o confronto. São espíritos que se conhecem de outras existências e que estão resolvidos, sem que haja cobranças mútuas. Entre eles nada precisa ser equacionado. Ninguém se considera devedor ou credor do outro. Seus membros se protegem das invasões psíquicas que, muitas vezes, desestruturam o equilíbrio do conjunto.
[...] A grande maioria das famílias ainda não se transformou na família-lar porque ainda não resolveu simples questões de relacionamento interpessoal. Ainda se digladiam internamente, disputando a primazia de suas opiniões. Não resolveram suas emoções uns com os outros. Ainda se encontram disputando coisas ou posições. Reencarnam juntos por atração do carma negativo a fim de aprenderem a amar através da convivência.
Na família-lar cada um de seus membros compreende sua responsabilidade na manutenção do equilíbrio do conjunto. Dá sua parcela de contribuição para o bem estar de todos. [...] Permite que se ultrapassem as barreiras do sangue para que se incluam nela todos aqueles que sintonizem com seus objetivos superiores. Nela cabem os membros da família originária como também da gerada, quando os carmas negativos estiverem dissolvidos. Sua energia contagiante provoca naqueles que a ela se ligam o desejo de se tornar seu integrante.
[...] A busca pelo bem estar de si mesmo e do outro fará com que o Universo conspire em favor de quem o faz. Qualquer tipo de evento aversivo ao ser humano deverá ser entendido como um recado de Deus para que ele encontre o equilíbrio e a paz em sua vida. A paz em família não é utopia nem algo que não se possa realizar. Quando alguém está imbuído do firme propósito de construir um lar com outra pessoa e nela houver ressonância, as leis de Deus favorecem a que alcancem os objetivos. É preciso identificar qual o sentido maior que une aquelas pessoas numa família e, a partir daí, trabalhar para que todos consigam sintonizar com a Espiritualidade Maior e tentar seguir o planejamento superior, para o qual foram destinados.
(Reflexões do livro Evangelho e Família de Adenàuer Novaes)



domingo, 31 de março de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Abril 2019


Editorial

Em meio a tantas notícias dos últimos tempos, que nos dão a sensação de que o mundo está casa vez pior ou que a humanidade se perdeu, é preciso saber que estamos apenas vendo o que dá audiência na mídia, por despertar no publico a curiosidade e os instintos ainda primitivos que existem em muitos de nós.
Entretanto, é preciso que se faça, de nossa parte, um esforço em buscar nos cercarmos de boas vibrações, bons conteúdos literários, debates e conversações saudáveis  que nos levem a reflexões de teor elevado e nos abra os olhos aos acontecimentos que realmente exemplifiquem a evolução constante rumo a um futuro mais próximo dos propósitos contidos nas mensagens deixadas por Jesus Cristo à humanidade.
Neste ano de 2019, tivemos boas notícias que evidenciam que a providência divina não cessa, uma delas é o lançamento de O Livro dos Espíritos em chinês. Um projeto que foi iniciado em 2002, pelo brasileiro Emanuel Dutra, com vista à crescente propagação do cristianismo no oriente, o que abre caminho para que as obras de Allan Kardec venham auxiliar na melhor compreensão do evangelho, com uma visão mais abrangente sobre a espiritualidade. O que se adequa mais intimamente às tradições religiosas dos chineses.
Também destacamos o físico e astrônomo Marcelo Gleiser que foi contemplado com o Premio Templeton 2019, que já foi dado a personalidades como Madre Teresa de Calcutá em 1973 e Dalai Lama em 2012.
A Fundação John Templeton, que tem por lema “Quão pouco sabemos e quão ansiosos para aprender”, tem o objetivo de premiar contribuições excepcionais no campo da pesquisa, para afirmar a dimensão espiritual da vida, através de descobertas, constatações e trabalhos práticos.
Segundo o presidente da fundação, Marcelo Gleiser – atualmente lecionando no Dartmouth College em New Hampshire – é um dos principais proponentes da visão que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares que a humanidade precisa para abraçar o mistério e explorar o desconhecido.
Além destas boas notícias, não podemos esquecer das muitas boas ações, individuais ou coletivas, visando a preservação ambiental, trabalhos humanitários, demonstrações de amor e cuidado com o próximo e com o planeta, que reforçam a afirmação de que o bem está presente em toda parte. Sendo assim, como adeptos da doutrina espírita, temos muito a comemorar e cabe a nós, darmos a nossa contribuição para que se cumpra, cada dia mais, o mandamento universal do Cristo: Amar o seu próximo com a si mesmo.
(Texto composto de notícias da atualidade – Renata Domingues)






A Virtude

Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (Mateus, 5:44, 46 a 48.)

A virtude não é veste de gala para ser envergada em dias e horas solenes. Ela deve ser nosso traje habitual. A virtude precisa fazer parte de nossa vida, como o alimento que ingerimos cotidianamente, como o ar que respiramos a todo instante. A virtude não é para ostentação: é para uso comum. É falsa a virtude que aparece para os de fora, e não se verifica para os familiares. Quem não é virtuoso dentro do seu lar, não o será na vida pública, embora assim aparente. Ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter esses predicados em família, não é ser virtuoso, mas hipócrita. A virtude não tem duas faces, uma interna, outra externa: ela é integral, é perfeita sob todos os aspectos e prismas. Não há virtude privada e virtude pública: a virtude é uma e a mesma, em toda parte. O hábito da virtude, quando real, reflete-se em todos os nossos atos, do mais simples ao mais complexo, como o sangue que circula por todo o corpo. As conjunturas difíceis, as emergências perigosas, não alteram a virtude quando ela já constitui nosso modo habitual de vida. A virtude assume as modalidades necessárias para se opor a todos os males, sem prejuízo de sua integridade. Há um matiz para resolver cada caso, para se opor a cada vício, para vencer cada paixão, para enfrentar cada incidente; mas sempre, no fundo, é a mesma virtude. Ela é como a luz, que, iluminando, resolve de vez todos os obstáculos e tropeços, franqueando-nos o caminho. O hábito da virtude é fruto de uma porfiada conquista. Possuí-la é suave e doce. Praticá-la é fonte perene de infindos prazeres. A dificuldade não está no exercício da virtude, mas na oposição que lhe faz o vício, que com ela contrasta. É necessário destronar um elemento, para que o outro impere. O vício não cede o lugar sem luta. A virtude nos diz: eis-me aqui, recebeime, dai-me guarida em vosso coração; mas lembrai-vos de que, entre mim e o vício, existe absoluta incompatibilidade. Não podeis servir a dois senhores. A verdadeira religião é a da virtude. Fora da virtude não há salvação. "Vós sois o sal da Terra", disse Jesus aos seus discípulos. Se ele hoje viesse ao mundo reunir seus escolhidos, não se valeria certamente das denominações e títulos dos vários credos religiosos para os distinguir; a virtude seria o sinal inconfundível por onde os descobriria, por mais dispersos e disfarçados que estivessem. É pela virtude que as almas se irmanam entretecendo entre si liames indissolúveis. Os homens de virtude entendem-se num momento, ao passo que os séculos não são suficientes para firmar acordo entre aqueles que dela vivem divorciados. Propaguemos a religião da virtude: só ela satisfaz o senso da vida, conduzindo o espirito à realização dos seus destinos.
(Mensagem de Vinicius no Livro Nas pegadas do Mestre)





O Educandário Familiar

A família é o resultado do largo processo evolutivo do espírito na extensa trajetória vencida por meio das sucessivas reencarnações. Resultado do instinto gregário que une todos os animais, aves, répteis e peixes em grupos que se auxiliam e se interdependem reciprocamente, no ser humano atinge um estágio relevante e de alta significação, em face da conquista do raciocínio, da consciência. Dessa forma, a família é o alicerce sobre o qual a sociedade se edifica, sendo o primeiro educandário do espírito, onde são aprimoradas as faculdades que desatam os recursos que lhe dormem latentes.
A família é a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais. Quando o individuo opta pela solidão, exceção feita aos grandes místicos e pesquisadores da ciência, filósofos e artistas que abraçam os objetivos superiores como a sua família, termina sendo portador de transtorno da conduta e da emoção.
[...] Não poucas vezes, no grupo doméstico ressumam as reminiscências perturbadoras do Além ou de outras existências, que devem ser trabalhadas pelo cinzel da misericórdia, da tolerância e da compaixão, a fim de que sejam arquivadas como diferentes emoções enobrecidas, que irão contribuir em favor do progresso de todos. De inspiração divina, a família é a oportunidade superior do entendimento e da vera fraternidade, de onde surgirá o grupo maior, equilibrado e rico de valores, que é a sociedade. Por isso, no momento em que a família se desestrutura sob os camartelos da impiedade e da agressão, ou se dilui em face da ilusão acalentada pelos seus membros, ou se desmorona em razão da imprevidência, a sociedade sofre um grande constrangimento.
[...] Mesmo quando não correspondendo às expectativas pessoais, em face do reencontro com adversários ou caracteres inamistosos, no lar adquire-se a necessária filosofia existencial para conduzir-se com equilíbrio durante toda a existência. O exercício da paciência no clã familiar é valiosa contribuição para a experiência iluminativa, porquanto, se aqueles com os quais se convive tornam-se difíceis de ser amados, gerando impedimentos emocionais que se sucedem continuamente, como poder-se vivenciar o amor em relação a pessoas com as quais não se tem relacionamento, senão por paixão ou sentimentos de interesse imediatista?
[...] Aquele que hoje se apresenta agressivo e cínico no grupo doméstico, dando lugar a guerrilhas perversas, encontra-se doente da alma, merecendo orientação e exigindo mais paciência. Ninguém se torna infeliz por mero prazer, mas em consequência de muitos fatores que lhe são desconhecidos. [...] No entanto, na família, em razão dos sentimentos, das individualidades, das experiências transatas, o fenômeno é muito diferente, oscilando o equilíbrio conforme o desenvolvimento ético-moral de cada qual, que se apresenta conforme é e não consoante gostaria de ser. [...] Quem não consegue a capacidade de amar aqueles com os quais convive, mais dificilmente poderá amar aqueloutros que não conhece. O combustível do amor se inflama com maior potencialidade quando oxigenado pela convivência emocional.
Noutras condições, trata-se apenas de atração física passageira, de libido exagerada que logo cede lugar ao desencanto, ao tédio, ao desinteresse... A família, portanto, é um núcleo de aformoseamento espiritual, que enseja aprendizagem de relacionamentos futuros exitosos. No grupo animal, quando os filhos adquirem a capacidade de conseguir o alimento, os pais abandonam-nos, quando isso excepcionalmente em algumas espécies não ocorre antes. No círculo humano da família é diferente: os laços entre pais e filhos jamais se rompem, mesmo quando há dificuldades no relacionamento atual, o que exige transferência para outras oportunidades no futuro reencarnacionista, que se repetem até a aquisição do equilíbrio afetivo. É da Divina Lei que somente através do amor o espírito encontra a. plenitude, e a família é o local onde se aprimora esse sentimento, que se desdobra em diversas expressões de ternura, de abnegação, de afetividade... Com o treinamento doméstico o espírito adquire a capacidade de amar com mais amplitude, alcançando a sociedade, que se lhe transforma em família universal.
(Texto de Joana di Angelis no livro Constelação Familiar de Divaldo P. Franco)




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Março 2019


Editorial

A caminho da eternidade

A partir do momento em que renasces, normalmente vais sendo envolvido pelos valores que o mundo te impõe, apagando lentamente o sentido real do motivo pelo qual iniciaste essa empreitada.
Não te recordas das inúmeras vezes que suplicaste a benção da nova oportunidade.
Tão pouco te lembras que nem fazias tanta questão de uma vida farta, porque tinhas imenso receio de que as facilidades pudessem desvirtuar os teus passos, afastando-te dos objetivos indispensáveis ao bom aproveitamento.
Os afazeres vão te absorvendo o tempo e raras vezes recordas de oferecer uma prece de gratidão ou dedicar alguns momentos a reabastecer a alma junto ao mundo espiritual, de onde verdadeiramente procedes.
Envolves-te profundamente na conquista dos requisitos que o mundo solicita, para atingires os patamares almejados, e deixas-te tomar por incomparável cansaço.
Em inúmeras oportunidades, a dor faz soar um alarme que insiste em te lembrar de Deus, mas estás demasiadamente ocupado para o fazeres.
Vais sentindo cansaço e solidão, mas julgas que tudo não passa do resultado da tua jornada imperiosa de trabalho e responsabilidade.
Tudo que sonhas e pelo que lutas está sempre relacionado a abastecer as tuas necessidades materiais ou adornar o teu físico.
Esqueces de que a alma também tem fome, só que de paz e amor, dois sentimentos que o mundo não pode oferecer através dos bens adquires, mas que devem ser conquistados na vivência do espírito momentaneamente abrigado na carne, no cultivo de virtudes indispensáveis.
Quando percebes, já se foram as energias provindas da juventude e os primeiros cabelos brancos denotam que adentras o período da reflexão.
Que bom seria se, nesse instante, te desprendesses dos valores passageiros e com a mesma garra com que lutaste até então pudesses adquirir valores morais e emocionais que te sustentassem os últimos passos na vida física.
Melhor ainda se no balanço efetivado, pudesses concluir que usufruíste, sim, de tudo o que o mundo pode te oferecer, sem, no entanto, te escravizares a nada, e que se for preciso deixa-lo agora, partirás feliz pelas etapas vencidas.
Nesse instante, finalmente entenderás que mesmo tendo os pés agrilhoados às pedras do caminho, teus olhos jamais se desprenderam da amplitude do céu, de onde procedes.
Assim fazendo, passarás pela terra vivendo a plenitude de um instante para atingires a benção de luz de toda eternidade.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar no livro A conquista da felicidade de Eulália
Bueno)




















CARTA PARA DEUS

"Obrigada por cada,
Cada andar, cada caminho,
Cada pessoa, cada ser.

Obrigada por cada,
Cada respiro, cada suspiro
Cada sorriso, cada riso.

Obrigada por cada
Cada experiência, cada aprendizado
Cada descoberta, cada sentimento.

Obrigada por cada,
Cada toque, cada abraço
Cada presença, cada força.

Obrigada por cada,
Obrigada por tudo."

Paolla Melo - 14 anos - 16/02/2019


A virtude

A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho.
A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se. Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas. São Vicente de Paulo era virtuoso; eram virtuosos o digno cura d'Ars e muitos outros quase desconhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. Todos esses homens de bem ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se ir ao sabor de suas santas inspirações e praticavam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
À virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a consagrar-vos. Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades. Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes. A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas e de odiosas covardias.
Em princípio, o homem que se exalça, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que possa ter. Entretanto, que direi daquele cujo
único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente que o homem que pratica o bem experimenta uma satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio.
O vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que sabeis quão longe da perfeição está o homem, jamais esbarreis em semelhante escolho. A virtude é uma graça que
desejo a todos os espíritas sinceros. Contudo, dir-lhes-ei: Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho. Pelo orgulho é que as humanidades sucessivamente se hão perdido; pela humildade é que um dia elas se hão de redimir.
(ESSE Cap. XVII Sede Perfeitos – Ítem 8 – François Nicolas Madeleine - Paris, 1863.)


Todos temos direitos e deveres

Direitos todos temos, no pentagrama das nossas existências. Em confronto com o que existe à nossa retaguarda, somos privilegiados pelas conquistas que o tempo nos premiou na ascensão da vida. Porém, não podemos nos esquecer dos deveres a cumprir diante dos outros, que viajam conosco no mesmo comboio planetário. Compete a nós respeitar os que nos ajudam a viver, para que o próprio respeito nos garanta a tranquilidade. Temos competência de fazer o que desejarmos que seja feito. No entanto, podemos assumir com isso dívidas para com os nossos irmãos, se os nossos feitos não compartilharem com a harmonia da criação.
O nosso direito é ser honesto e o nosso dever é respeitar a vida que o semelhante leva, de modo que o tempo seja gasto somente na educação que nos compete adquirir. O nosso direito é a honra onde quer que andemos e o nosso dever é o encargo de trabalhar em silêncio nos moldes do exemplo, para ajudar quem ainda não percebeu os valores das virtudes espirituais. O nosso direito é nos interessar pelo auto aprimoramento e a nossa incumbência é trabalhar constantemente pela paz de todas as criaturas de Deus.
A condição nossa, de espírito que já despertou para a luz, é o imperativo sagrado de ajudar a quem quer que seja, sem exigências descabidas, que possam nos levar ao orgulho e à vaidade. Autoridade devemos ter, e é justo que a exercitemos nos domínios das nossas emoções inferiores, porque, aí, a nossa missão se engrandece diante de todas as criaturas que vivem conosco. Alistemo-nos no exército da salvação de nós mesmos, e entremos na lição. Vamos lutar! Essa é uma guerra e não podemos fugir dos objetivos a que nos propusemos. É uma conquista altamente valiosa, a conquista de nós mesmos. Estamos enfermos e tão enfermos, que somente a cirurgia pode nos aliviar, a cirurgia moral. O terapeuta, quando chega às portas da perfeição, trata somente dele mesmo, porque só ele se conhece bem, e sabe, depois de Deus, os meios corretos da cura completa. Só ele mesmo conhece os segredos da sua própria natureza e aplica os medicamentos correspondentes às suas necessidades.
Meu irmão, já analisaste todos os dias, se respeitas os direitos alheios, pelos pensamentos, palavras e ações? Se não, faze isso e começa a trabalhar dentro de ti mesmo.
Planta e cuida da terra, que o crescimento pertence ao Senhor, que nunca faltará com o Seu amor e a Sua bondade. A prerrogativa de todos os seres é viver bem consigo mesmo.
Entretanto, temos grandes atribuições para com o próximo, que não pode sofrer com custo para a nossa felicidade. Vigia a tua palavra, pois ela, sem a devida harmonia, incomoda quem te ouve e desinquieta quem te acompanha.
Somos responsáveis pelo que somos e fazemos. Recebemos de volta o que damos em todas as dimensões da vida. O comportamento da alma pode ser luz ou treva nos teus próprios caminhos. Em tudo o que fizeres, lembra-te desta palavra: Respeito, que os teus direitos serão resguardados pela lei, que nada esquece.
(Mensagem de Lancellin, no Livro Cirurgia Moral de João Nunes Maia)



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Ano III - Rio das ostras - Edição Fevereiro 2019

Editorial

Como Conhecer a Ti Mesmo

 O conhecimento é a base da própria vida. A sabedoria abre caminhos novos para que possamos sentir e mesmo desfrutar da felicidade. Não poderá existir civilização sem que a inteligência ocupe algum lugar na pauta dos confortos. Não pode existir progresso sem a intervenção da sabedoria. Entretanto, ela se divide em duas forças altamente dignas, com duas dinâmicas opostas: o conhecimento exterior e o autoconhecimento. A sapiência externa nos faz investir à procura de valores até certo ponto perecíveis, mas necessários ao nosso equilíbrio. Passamos por perigos inúmeros, sujeitos às investidas do orgulho em sintonia com o egoísmo e sob o domínio da vaidade. Entrementes, se vencermos essas condições na altura em que elas se nos apresentam, sairemos livres, para novos conhecimentos que, podemos crer, serão a maior verdade, que é o conhecimento de nós mesmos, é o estudo do universo interno, aprofundando-nos dentro dele como se fora o nosso próprio mundo. Este conhecimento se chama Sabedoria-Amor.
Há quem diga que o amor não é sabedoria. Está completamente enganado. Quem ama nas linhas ensinadas por Nosso Senhor Jesus Cristo é um verdadeiro sábio. Ao conhecermos as nossas deficiências, abrimos portas de luz nas esferas da consciência, de sorte a nos enriquecermos, em todos os rumos, dos valores eternos, de talentos que Deus depositou em nossos corações, para a garantia de nós mesmos.
As religiões de todo o mundo e a filosofia que medra em toda a Terra têm a missão sagrada de indicar às criaturas os arcanos da sabedoria interna, que é a verdadeira senda de iluminação dos espíritos. Aquele que já conhece a si mesmo dispensa certos acessórios que pesam muito sobre os ombros e que exigem tempo precioso na sua conservação. O sábio interno nasce de novo, é um novo homem que surge de dentro do homem velho.
Todo movimento que se preocupa com as coisas externas das criaturas pode fazer muito em favor das almas em sofrimento, não resta dúvida. Entretanto, quando encontramos quem nos ajuda a trabalhar dentro de nós, a descobrir os nossos tesouros, esse é o caminho ensinado por Cristo, que nos liberta definitivamente. Quem conhece a si mesmo tem mais facilidade em conhecer as lições externas e as propriedades que lhe sustentam a vida.
A Doutrina dos Espíritos, na sua maravilhosa profundidade, desfralda a bandeira de luz no topo do mundo em que moramos, por misericórdia de Deus, com a inscrição já bem conhecida "DEUS, CRISTO E CARIDADE". Deus está no centro de todos nós, esperando, como Pai, os nossos apelos nascidos da vontade. Cristo pega em nossas mãos para nos mostrar os caminhos abertos pela caridade. O Céu está mais próximo de nós do que pensamos: reside dentro de nós. Basta abrirmos os olhos e buscá-lo. E, para tanto, devemos, como médicos de nós mesmos, executar as cirurgias indispensáveis em todas as áreas das nossas condutas, dominar os nossos impulsos inferiores e discipliná-los, transformando-os em instrumentos de trabalho e de paz, para que surja o amor no centro dos sentimentos e, junto a ele, a tranquilidade imperturbável em todos os caminhos que deveremos trilhar. Quem conhece a si mesmo, já não tem tempo de criticar ninguém.
(Mensagem do Espírito Lancelin, no livro Cirurgia Moral de João Nunes Maia)



A Arte de Interrogar

“Segundo a ideia falsíssima de que não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados.” Hahnemann. Paris, 1863. ESSE Cap. IX- item 10.

Não são poucos os companheiros que demonstram silencioso desespero quando percebem que o esforço pessoal de melhoria parece insuficiente ou sem resultados. Entregaram-se às fileiras de amor ao próximo e à escola do conhecimento espiritual, mas continuam asilando impiedoso sentimento de frustração ao partirem para as lutas reeducativas, nos deveres de cada dia. Alegam que vigiam o pensamento e oram fervorosamente pedindo auxílio, no entanto dizem-se perseguidos por uma “força maior” que lhes distrai e domina-lhes os impulsos, que fazem o que não têm intenção de fazer, sendo levados a atitudes não desejadas ou escolhidas. Nasce então o conflito, seguido de sentimentos punitivos que passam a povoar o coração, quais sejam a tristeza e a angústia, a vergonha e o desânimo. Instala-se assim o desespero mudo e desgastante que assola inúmeros aprendizes do crescimento espiritual.
Estariam, porventura, exercendo inadequadamente sua reforma? Semelhante ciclo de frustração necessariamente faz parte do programa de transformação e crescimento?  Faltaria alguma postura para tornar o esforço mais produtivo? Essas são indagações que devem fazer parte das meditações de quantos anseiam pela promoção de si mesmos, seja nos grupos de nossa causa ou nas avaliações pessoais.
Sem recolhimento e introspecção educativa não teremos respostas claras e indispensáveis na elaboração do programa de autoconhecimento. Imprescindível efetuar perseverante investigação no que se chama de “força maior”.
Será uma compulsão? Um espírito? Um trauma? Uma má tendência? Um recalque? Uma fixação de “outras vidas”? Uma patologia física? Um impulso adquirido na infância? Uma lembrança da erraticidade? Um problema surgido na gestação maternal? Uma emersão das recordações das atividades noturnas? Uma influência passageira e intermitente ou uma obsessão progressiva? Uma contaminação fluídica por “nuvens de ideoplastia” dos pensamentos humanos? Qual a origem e natureza das forças que nos cercam?
Será muito simplismo a atitude de responsabilizar obsessores e reencarnações passadas como causa daquilo que sentimos, e que não conseguimos explicar com maior lucidez. Em alguns casos chega a ser mesmo um ato de invigilância.
Que variedade de opções soma-se nas viagens de evolução para explicar as lutas espirituais que hoje enfrentamos! Apesar disso, não guardamos dúvidas em afirmar que o labor iluminativo de todos nós tem um ponto comum: a urgente necessidade da educação de sentimentos.
(Mensagem do Espírito Ermance Defaux, no Livro Reforma Íntima Sem Martírio de Wanderley S. de Oliveira)



A Providência Divina

A Providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. É a suprema sabedoria com que o Criador conduz todas as coisas, é o cuidado constante, o zelo ininterrupto, é o farol aceso no meio da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a flux sobre suas criaturas.
Deus está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial. Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo? Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.
Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como os sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente.
Enchendo Deus o Universo, poder-se-ia admitir, a título de hipótese, que Ele não precisa transportar-se, por se formar em todas as partes onde a soberana vontade julga conveniente que ele se produza, donde o poder dizer-se que está em toda parte e em parte nenhuma.
A ação providencial de Deus pode ser percebida nas seguintes palavras de Emmanuel: Se acreditas que o hálito das entidades angélicas bafeja exclusivamente os cultivadores da virtude, medita na Providência Divina que honra o Sol, na grandeza do Espaço, mas induzindo-o a sustentar os seres que ainda jazem colados à crosta do Planeta, inclusive os últimos vermes que rastejam no chão. Contempla os quadros que te circundam, em todas as direções, e reconhecerás o Amor Infinito buscando suprimir, em silêncio, as situações deprimentes da natureza. Cachoeiras cobrem abismos. Fontes alimentam a terra seca. Astros clareiam o céu noturno. Flores valorizam espinheirais. No campo de pensamento em que estagias, surpreenderás esse mesmo Infinito Amor, procurando extinguir as condições inferiores da Humanidade. Pais transfigurados em gênios de ternura. Professores desfazendo as sombras da ignorância. Médicos a sanarem doenças. Almas generosas socorrendo a necessidade.
Entendemos, assim, que Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para a sua bondade, é destituído de valor. Devemos, entretanto, considerar que, a despeito da ação providencial de Deus para com todas as suas criaturas, estamos vinculados aos resultados do nosso livre-arbítrio. Dessa forma, todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futuras. Fica claro, portanto, que a Providência Divina se manifesta duplamente: sob a forma de misericórdia e de justiça, porque a compaixão, filha do Amor, desejará estender sempre o braço que salva, mas a justiça, filha da Lei, não prescinde da ação que retifica.
Haverá recursos da misericórdia para as situações mais deploráveis. Entretanto, a ordem legal do Universo cumprir-se-á, invariavelmente. Em virtude, pois, da realidade, é justo que cada filho de Deus assuma responsabilidades e tome resoluções por si mesmo 10. As provações da vida representam, assim, os cuidados de Deus para com todos os seus filhos, oferecendo-lhes benditas oportunidades de progresso espiritual, como nos esclarece o benfeitor Emmanuel: Em todas as provas que te assaltem os dias, considera a quota das bênçãos que te rodeiam, e, escorando-te na fé e na paciência, reconhecerás que a Divina Providência está agindo contigo e por teu intermédio, sustentando-te, em meio dos problemas que te marcam a estrada, para doar-lhes a solução.
(Pauta de reflexão do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Tomo I)