sábado, 31 de agosto de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Setembro 2019


Editorial

O Poder da Fé

Jesus nos esclarece que a fé possui um poder inimaginável, a ponto de “transportar montanhas”, como consta no evangelho de Mateus, ainda que pequena como um grão de mostarda. Esclarece, igualmente, que a fé se desenvolve através do trabalho incessante no bem. Não é algo que se adquire de uma hora para outra. Exige esforço, dedicação, perseverança.
A pessoa que tem a fé desenvolvida confia em Deus, no seu amor e providência, mas também em si mesma, por conhecer os próprios limites e a própria capacidade de ação. Sabe que a verdadeira fé jamais é confundida com a presunção, mas que esta deve ser conjugada à humildade, pois aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio.  [...]
Por outro lado, a fé legítima dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta confiança. O discípulo sincero reconhece, humilde, que perante as provações nem sempre é possível demonstrar a fé que gostaria.
Na verdade, o processo de aquisição da fé é trabalho cotidiano e persistente. As pessoas de caráter fraco ou que desanimam perante os obstáculos, demoram mais na construção do edifício da fé no íntimo do ser. Muitos iniciam essa aquisição através da religião, outros pelo controle mental, desenvolvido pela meditação e vontade disciplinada.
Em todos os lugares, vemos o obreiro sem fé, espalhando inquietação e desânimo. [...] E transita de situação em situação, entre a lamúria e a indisciplina, com largo tempo para sentir-se perseguido e desconsiderado. Em toda parte, é o trabalhador que não termina o serviço porque se responsabilizou ou o aluno que estuda continuadamente, sem jamais aprender a lição. Não te concentres na fé sem obras, que constitui embriaguez perigosa da alma, todavia, não te consagres à ação, sem fé no Poder Divino e em teu próprio esforço. O servidor que confia na Lei da Vida reconhece que todos os patrimônios e glórias do Universo pertencem a Deus. Em vista disso, passa no mundo, sob a luz do entusiasmo e da ação no bem incessante, completando as pequenas e grandes tarefas que lhe competem, sem enamorar-se de si mesmo na vaidade e sem escravizar-se às criações de que terá sido venturoso instrumento. Revelemos a nossa fé, através das nossas obras na felicidade comum e o Senhor conferirá à nossa vida o indefinível acréscimo de amor e sabedoria, de beleza e poder.
(Pauta de reflexão do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Ensinos e Parábolas de Jesus Parte 2 – FEB)



No Serviço Cristão

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito, estando no corpo, para o bem ou para o mal.”  Paulo (II Coríntios, 5:10)

 Não falta quem veja no Espiritismo mero campo de experimentação fenomênica, sem qualquer significação de ordem moral para as criaturas. Muitos aprendizes da consoladora Doutrina, desse modo, limitam-se às investigações de laboratório ou a discussões filosóficas.
É imperioso reconhecer, todavia, que há tantas categorias de homens desencarnados, quantas são as dos encarnados. Entidades discutidoras, levianas, rebeldes e inconstantes transitam em toda parte. Além disso, incógnitas e problemas surgem para os habitantes dos dois planos. Em vista de semelhantes razões, os adeptos do progresso efetivo do mundo, distanciados da vida física, pugnam pelo Espiritismo com Jesus, convertendo-nos o intercâmbio em fator de espiritualidade edificante. Acreditamos que não se deve atacar outro círculo de vida, quando não nos encontramos interessados em melhorar a personalidade naquele em que respiramos. Não vale pesquisar recursos que não nos dignifiquem.
Eis por que para nós outros, que supomos trazer o coração acordado para a responsabilidade de viver, espiritismo não expressa simples convicção de imortalidade: é clima de serviço e edificação. Não adianta guardar a certeza na sobrevivência da alma, além da morte, sem o preparo terrestre na direção da vida espiritual. E nesse esforço de habilitação, não de não dispomos de outro guia mais sábio e mais amoroso que o Cristo.
Somente à luz de suas lições sublimes é possível reajustar o caminho, renovar a mente e purificar o coração. Nem tudo o que é admirável é divino. Nem tudo o que é grande é respeitável. Nem tudo o que é belo é santo. Nem tudo o que é agradável é útil. O problema não é apenas de saber. É o de reformar-se cada um para a extensão do bem.
Afeiçoemo-nos, pois, ao evangelho sentido e vivido, compreendendo o imperativo de nossa iluminação interior, porque, segundo a palavra oportuna e sábia do Apóstolo, “todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, a fim de recebemos, de acordo com o que realizamos, estando no corpo o bem ou o mal.
(Mensagem de Emmanuel do livro Pão Nosso de Francisco C. Xavier)





Espiritismo no Lar

      “Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.”       Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 4º — Item 18.

Todos sabemos valorizar o benefício de um copo d’água fria ou de uma ampola de injetável tranquilizante, ofertados num momento de grande aflição.
Reconhecemos a bênção do alfabeto que nos descortina as belezas do conhecimento universal e bendizemos quem no-lo imprimiu nos recessos da mente. Mantemos no carinho do espírito aqueles que nos ajudaram nos primeiros dias da reencarnação, oferecendo-nos amparo e amamentação. Somos reconhecidos àqueles que nos nortearam em cada hora de dúvida e não esquecemos o coração que nos agasalhou nos instantes difíceis do caminho renovador...
Muitos há, no entanto, que desdenham e esquecem todos os benefícios que recebem durante a vida... Há um inestimável benefício que te enriquece a existência na Terra: o conhecimento espírita. Esse é guia dos teus passos, luz nas tuas sombras e pão na mesa das tuas necessidades. Poucas vezes, porém, pensaste nisso.
Recebeste com o Espiritismo a clara manhã da alegria, quando carregavas noite nos painéis mentais e segues confiante, de passo firme, com ele a conduzir-te qual mãe desvelada e fiel. Se o amas, não o detenhas apenas em ti. Faze mais. Não somente em propaganda “por fora”, mas principalmente dentro do teu lar.
No lar se caldeiam os espíritos em luta diária nas tarefas de reajustamento e sublimação. Na família, os choques da renovação espiritual criam lampejos de ódios e dissenção, que podes converter em clarões-convites à paz.
Não percas a oportunidade de semear dentro de casa. Apresenta a tua fé aos teus familiares mesmo que eles não queiram escutar.
Utiliza o tempo, a psicologia da bondade e do otimismo e esparze as luminescências da palavra espírita no reduto doméstico. Se te recusarem ensejo, apresenta-o, agindo. Se te repudiarem conduze-o, desculpando. Se te ferirem espalha-o amando. Pelo menos, uma vez por semana, reúne a tua família e felicita-a com o Espiritismo, criando assim, e mantendo, o culto evangélico, para que a diretriz do Mestre seja eficiente rota de amor à sabedoria em tua casa...
Ali, na oportunidade, ouvidos desencarnados se imantarão aos ouvidos dos teus e escutarão; olhos atentos verão pelos olhos da tua família e se nublarão de pranto; mentes se ligarão às outras mentes e entenderão...
Sim, ouvidos, olhos e mentes dos desencarnados que habitam a tua residência se acercarão da mesa de comunhão com o Senhor, recebendo o pão nutriente para os espíritos perturbados através do combustível espírita que não é somente manancial para os homens da Terra, mas igualmente para os que atravessaram os portais do além-túmulo em doloroso estado de sofrimento e ignorância.
Agradece ao Espiritismo a felicidade que possuís, acendendo-o como chama inapagável no teu lar, para clarear os teus familiares por todos os dias.
O pão mantém o corpo. O agasalho guarda o corpo. O medicamento recupera o corpo. O dinheiro acompanha o corpo.
Seja o Espiritismo em ti o corpo do teu espírito emboscado no teu corpo, a caminhar pelo tempo sem fim para a imortalidade gloriosa. E se desejares felicidade na Terra, incorpora-o ao teu lar, criando um clima de felicidade geral.
(Mensagem de Joanna de Ângelis, no livro S.O.S Família de Divaldo P. Franco)



quarta-feira, 31 de julho de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Agosto 2019


Editorial


Promoção da Federação Espírita Brasileira

Dedica uma das sete noites da semana ao Culto Evangélico no Lar, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa.
Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem da fé, enlaça a família e ora. Jesus virá em visita.
Quando o Lar se converte em santuário, o crime se recolhe ao museu. Quando a família ora, Jesus se demora em casa.
Quando os corações se unem nos liames da Fé, o equilíbrio oferta bênçãos de consolo e a saúde derrama vinhos de paz para todos.
Jesus no Lar é vida para o Lar.
Não aguardes que o mundo te leve a certeza do bem invariável.
Distende, da tua casa cristã, a luz do Evangelho para o mundo atormentado. Quando uma família ora em casa, reunida nas blandícias do Evangelho, toda a rua recebe o benefício da comunhão com o Alto.
Se alguém, num edifício de apartamentos, alça aos Céus a prece da comunhão em família, todo o edifício se beneficia, qual lâmpada ignorada, acesa na ventania. Não te afaste da linha direcional do Evangelho, entre os teus familiares.
Continua orando fiel, estudando com os teus filhos, e com aqueles a quem amas, as diretrizes do Mestre, e, quando possível, debate os problemas que te afligem à luz clara da mensagem da Boa Nova e examina as dificuldades que te perturbam ante a inspiração consoladora do Cristo.
Não demandes à rua, nessa noite, senão para os inevitáveis problemas que não possas adiar. Demora-te no Lar para que o Divino Hóspede aí também se possa demorar. E quando as luzes se apagarem à hora do repouso, ora mais uma vez, comungando com Ele, como Ele procura fazer, a fim de que, ligado a ti, em casa, uma vez por semana em sete noites, ter Jesus contigo.
(Mensagem de Joanna de Ângelis, no livro Messe de Amor)




Proteção de Deus

“Por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão.” (Marcos, XI:24)

 Clamamos pela proteção de Deus, mas, não raro, admitimos que semelhante cobertura unicamente aparece nos dias de caminho claro e céu azul. O amparo divino, porém, nos envolve e rodeia em todos os climas da existência. Urge reconhecê-lo nos lances mais adversos.  
Às vezes, o auxílio do Todo Misericordioso tão somente se exprime através das doenças de longo curso ou das dificuldades materiais de extensa duração, preservando-nos contra quedas espirituais em viciação ou loucura. Noutros ângulos da experiência, manifesta -se pela cassação de certas oportunidades de serviço ou pela supressão de regalias determinadas que estejam funcionando para nós à feição de corredores para a morte prematura.
Proteção de Deus, por isso mesmo, é também o sonho que não se realiza, a esperança adiada, o ideal insatisfeito, a prova repentina ou o transe aflitivo que nos colhe de assalto.   Encontra-se no amor de nossos companheiros, na assistência de benfeitores abnegados, na dedicação dos amigos ou no carinho dos familiares, mas igualmente na crítica dos adversários, no tempo de solidão, na separação dos entes queridos ou nos dias cinzentos de angústia em que nuvens de lágrimas se nos represam nos olhos.  Isso ocorre porque a vida é aprimoramento incessante, até o dia da perfeição, e todos nós, com frequência, necessitamos do martelo do sofrimento e do esmeril do obstáculo para que se nos despoje o espírito dos envoltórios inferiores. 
Pensa nisso e toda vez que te sacrifiques ou lutes, de consciência tranquila, ou toda vez que te aflijas e chores, sem a sombra da culpa, regozija-se e espera o melhor, porque a dor, tanto quanto a alegria, são os recursos da proteção de Deus, impulsionando-te o coração para a luz das bençãos eternas.
(Mensagem de Emmanuel, no livro Rumo Certo de Francisco C. Xavier)






Pais Rígidos

Quando se tenta influenciar alguém com determinadas recomendações comportamentais certamente se atingirá algum núcleo perispiritual que promoverá reações de acordo com as experiências ali armazenadas. Quando se tenta ser, por exemplo, muito rígido, poder-se-á obter reações, as quais, de um lado, dependendo do conteúdo dos núcleos atingidos, poderá promover efeito contrário, isto é, rebeldia. De outro lado, poderão promover reações que, ao alcançarem o núcleo perispiritual correspondente, gerem dependência e submissão excessivas.
A rigidez de valores e atitudes denota um grande medo do desconhecido, do inesperado. O rígido é, no seu inconsciente, um apavorado. Por não saber lidar com conteúdos muito desafiadores a seus valores rígidos, defende-se na rigidez, que se torna então seu porto seguro e o ponto a partir do qual se baseia para fundamentar suas posturas e decisões. A necessidade de muitas regras ortodoxas para guiar a própria vida e a dos outros reflete uma ilegalidade oculta no inconsciente. Para não reconhecer as próprias falhas morais elege um código de rígidos valores na consciência, o qual serve de balizador seguro na vida.
Pais rígidos muitas vezes geram filhos que desejam reagir à tensão a que eram submetidos enquanto com eles conviviam. Essa rigidez muitas vezes é responsável pelo complexo de culpa que se instala nos filhos quando tomam alguma atitude que considerem que seria recriminada pelos pais.
É comum vê-se filhos de pais rígidos em atitudes socialmente inadequadas por força da necessidade de se verem livres dos limites exageradamente impostos por eles.
Os pais rígidos que geralmente se afastam afetivamente de seus filhos favorecem a transformação deles em pessoas, de um lado emocionalmente carentes, e do outro com dificuldades em estabelecer envolvimentos afetivos maduros.
A maioria assim age por receio de perder o controle que eles mesmos não conseguem consigo, caso agissem da forma como condenam. Querem controlar os outros por não saberem como fazê-lo consigo próprios. São déspotas por natureza e descontam suas raivas e incompreensões do passado naqueles a quem têm o dever de amar.
Quantas vezes, por falta de flexibilização, perdemos a oportunidade de usufruir um bem, de estar com alguém, de fazer algo e que mais adiante nos arrependemos por não termos feito? Quantas vezes nosso orgulho falou mais alto e deixamos de tomar atitudes por inflexibilidade e rigidez a normas que sempre quiséramos transgredir? Quantas vezes impomos aos outros comportamentos que nunca gostaríamos que nos impusessem? A quantas pessoas impomos regras que, fora de nossos olhos, sabíamos que seriam desobedecidas?
A não rigidez é também uma faceta das leis de Deus quando é o amor que deve prevalecer. Nós criamos um Deus à nossa imagem e semelhança, com características muito humanas e, portanto, inferiores. Deus é amor e misericórdia.
O Cristo nos ensina a flexibilizar para que a leveza faça parte de nossas atitudes para com a Vida.
Condescender com os equívocos do próximo é permitir-se experimentar a misericórdia de Deus.
Imaginar que a mensagem do Cristo é rígida, é transformá-la em uma doutrina militar que atende apenas a mentes que necessitam da rigidez em tempos de guerra. O que ele pregava era a simplicidade e o amor nas atitudes.
(Reflexões do livro Evangelho e Família de Adenàuer Novaes)



domingo, 30 de junho de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Julho 2019


Editorial

O amor

O amor, como comumente se entende na Terra, é um sentimento, um impulso do ser, que o leva para outro ser com um desejo de unir-se a ele. Mas, na realidade, o amor reveste formas infinitas, desde as mais vulgares até as mais sublimes. Princípio da vida universal, proporciona à alma, em suas manifestações mais elevadas e puras a intensidade de radiação que aquece e vivifica tudo em roda se si; é por ele que ela se sente estreitamente ligada ao Poder Divino, foco ardente de toda a vida, de todo o amor.
O amor é uma força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e aquele que recebe. É pelo amor, sol das almas, que Deus mais eficazmente atua no mundo. Por ele atrai para si na matéria; eleva-os e arrasta-os na espiral da ascensão infinita para os esplendores da luz e da liberdade.
O amor conjugal, o amor materno, o amor filial ou fraterno, o amor da pátria, da raça, da humanidade, são refrações, raios refratários do amor divino, que abrange todos os seres, e, difundindo-se neles, faz rebanhar e desabrochar mil formas variadas, mil esplêndidas florescências de amor.
O amor é mais forte do que o ódio, mais poderoso do que a morte. Se o Cristo foi o maior dos missionários e dos profetas, se tanto império teve sobre os homens, foi porque trazia em si um reflexo mais poderoso do Amor Divino. Jesus passou pouco tempo na Terra; foram bastantes três anos de evangelização para que o seu domínio se entendesse a todas as nações. Não foi pela Ciência nem pela arte oratória que ele seduziu e cativou as multidões, foi pelo amor! [...] Por isso, apesar dos erros e falsas fogueiras acesas, de tantos véus estendidos sobre seu ensino, o Cristianismo continuou a ser a maior das religiões; disciplinou, moldou a alma humana, amansou a índole feroz dos bárbaros, arrancou raças inteiras à sensualidade ou à bestialidade.
Por isso também se explicam e se afirmam a solidariedade e fraternidade universais. Um dia, quando a verdadeira noção do ser se desembaraçar das dúvidas e incertezas que obsidiam o pensamento humano, compreender-se-á a grande fraternidade que liga as almas. Sentir-se-á que são todas envolvidas pelo magnetismo divino, pelo grande sopro de amor que enche os Espaços.
A todas as interrogações do homem, a suas hesitações, a seus temores, a suas blasfêmias, uma voz grande, poderosa e misteriosa responde: Aprenda a amar! O amor é o resumo de tudo, o fim de tudo. Dessa maneira, estende-se e desdobra-se sem cessar sobre o universo a imensa rede de amor tecida de luz e ouro. Amar é o segredo da felicidade. Com uma só palavra o amor resolve todos os problemas, dissipa todas as obscuridades. O amor salvará o mundo; seu calor fará derreter os gelos da dúvida, do egoísmo, do ódio; enternecerá os corações mais duros, mais refratários.
Quem pois, num dia de verão, quando o sol se irradia, quando a imensa cúpula azulada se desenrola sobre nossas cabeças e dos pratos e bosques, dos montes e do mar sobem a adoração, a prece muda dos seres e das coisas, quem, pois, deixará de sentir as radiações de amor que enchem o infinito?
É preciso nunca ter aberto a alma a estas influências sutis para ignorá-las ou negá-las. Muitas almas terrestres ficam, é verdade, hermeticamente fechadas para as coisas divididas ou, então, se sentem suas harmonias e belezas, escondem cuidadosamente o segredo de si mesmas; parecem ter vergonha de confessar o que conhecem ou o que de maior e melhor experimentam.
Tentai a experiencia! Abri o vosso ser interno, abri as janelas da prisão da alma aos eflúvios da vida universal e, de súbito, essa prisão encher-se-á de claridades, de melodias; um mundo todo de luz penetrará em vós.
Basta ter experimentado uma vez só essas impressões para não as esquecer mais. E quando chega o declínio da vida com suas desilusões, quando as sombras crepusculares se acumulam sobre nós, então estas poderosas sensações acordam com a memória de todas as alegrias sentidas, e a lembrança das horas em que verdadeiramente amamos cai como delicioso orvalho sobre nossas almas dissecadas pelo vento áspero das provações e das dores.
(Do Livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Leon Denis)



Reflexões evangélicas

Buscai, acima de tudo, o reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas ser-vos-ão acrescentadas. (Mateus, 6:33)
         Recuando ao tempo de sua palavra direta, recordemos que a multidão perguntava sobre o comer, o beber e o agasalhar-se... Essas coisas, porém, cresceram com a civilização.
Não apenas pão do corpo, mas pão de espírito em forma de educação e paz. Não apenas beber água, na ordem material, mas sorver o idealismo santificante de que o Mestre mesmo foi o excelso portador. Não apenas agasalhar-se com as vestes que cobrem o corpo denso, mas o abrigar-se cada um de nós na alegria da consciência reta, para que o coração unido ao Cristo respire na inexpugnável cidadela do dever respeitado. A significação dessa trilogia de verbos tão rotineiros no mundo é, hoje, como vemos, mais complexa. Precisamos dessas coisas...
Essas coisas, que também podemos simbolizar como harmonia interior, tranquilidade doméstica, equilíbrio na vida pública e privada, compreensão para com os amigos, tolerância para com os adversários, dignidade nas provações e força para ultrapassar as nossas próprias fraquezas, são necessidades prementes que não podemos olvidar. Mas para que essas coisas sejam acrescentadas à nossa vida, é indispensável procuremos o reino de Deus e sua justiça, que expressam felicidade com merecimento. Façamos o melhor, sentindo, pensando e falando o melhor que pudermos.
Honrando o reino de Deus e sua justiça, o nosso divino Mestre passou na Terra em permanente doação de si mesmo... Eis o padrão que nos deve inspirar as atividades, porque não nos bastará crer acertadamente e ensinar com brilho, mas, acima de tudo, viver as lições.
O reino de Deus inclui todos os bens materiais e morais, capazes de serem incorporados aos nossos espíritos, seja onde for; no entanto, importa merecê-lo por justiça e não apenas desejá-lo pela fé. Amigos, temos agora conosco o programa certo. Atendamo-lo. E que o Senhor nos reúna em valioso entendimento, para a obra de cooperação no Evangelho que nos cabe executar, é tudo aquilo que aspiramos de melhor para que o serviço do bem nos conduza ao grande Bem que nos acena o futuro.
(Instruções psicofônicas de Chico Xavier/ Álvaro Reis (parte))



Um olhar amoroso sobre o mal do outro

O olhar moral enviesado sobre o mundo pode nos afastar da visão de totalidade e da percepção do significado espiritual pleno da vida. Tanto quanto o viés permissivo sobre o mundo, assim como o olhar pesado e pecaminoso que se tenha, contribuem para o atraso moral do planeta. Nem sempre nosso estado de espírito permite-nos a percepção desejada quando observamos as atitudes humanas. [...] Devemos lembrar que o ser humano é individual e coletivo ao mesmo tempo, isto é, ele age por seu livre arbítrio e motivação própria, mas também pelas influências que recebe, sejam de seu meio ambiente ou pelas interferências espirituais. Suas ações não decorrem apenas do momento atual, tampouco apenas de seu passado reencarnatórios. [...] Nesse sentido, o Evangelho utilizado apenas com essa finalidade, isto é, de referendar um enquadramento do que é bem e do que é mal, estaria sendo utilizado com uma finalidade muito aquém de suas possibilidades transformadoras. A claridade de sua essência estaria sendo de alguma forma depreciada. [...]
 Aqueles que se constituem em intérpretes das claridades do Evangelho devem buscar evitar se transformarem em profetas do apocalipse para que não lhe embace a luminosidade que deve conduzir o ser humano à felicidade. As advertências são válidas e preciosas, visto que alertam aos menos avisados quanto às consequências de seus equívocos, porém são igualmente necessárias propostas de aplicabilidade na vida material e em suas rotinas para que não se preguem atitudes exequíveis apenas num mundo imaginário ou que se situe no além. [...]
A profilaxia dos desequilíbrios humanos ou daquilo que o torna infeliz e que gera a ausência de paz, inicia-se na medida que ele desperta para se questionar. Propor medidas comportamentais para resolver aqueles desequilíbrios é como pular ou saltar um degrau importante da escada natural de crescimento espiritual do ser humano. Que se curem os males, mas que se questione a si mesmo. [...]
A personalidade de quem veicula a mensagem do Evangelho sem sombra de dúvidas interfere na forma como esta é veiculada e na interpretação que se lhe dá. Por mais que a pessoa se esforce em apresentar, através do exemplo pessoal, uma visão pura e límpida, a interpretação sempre conterá algo de particular. [...]
 O Cristo propõe que o curador se cure, isto é, que sua fala seja também, e principalmente, dirigida a si mesmo. Seu exemplo pessoal é a verdadeira mensagem que passa, tendo como base o que assimilou da original. A partir do que entendeu da mensagem que lhe inspira a vida, levará aos outros, de uma forma típica, aplicável aparentemente a todos, mas própria para aqueles que têm carma semelhante ao seu.
Numa família seus membros devem buscar aplicar o que pregam e aquilo que acreditam. Quando não se sintam em condições de fazê-lo devem pedir ajuda aos outros membros a fim de que todos compartilhem de problemas que pertencem a todos. Omitir os problemas àqueles que podem ajudar é demonstração de insegurança. Em alguns casos é compreensível que certos problemas possam ser omitidos a fim de não expor terceiros, porém deve-se buscar a participação de todo o grupo na solução e discussão de problemas comuns, inclusive das crianças, para que comecem logo cedo a entender a vida.
A fala do Cristo demonstra segurança e autoconfiança em si mesmo. Ele se expôs diante da Sinagoga sem esconder suas capacidades e disse para que veio. Nós devemos colocar em família o que ali estamos fazendo. Devemos ter equilíbrio e autodeterminação suficientes para assumir nossas responsabilidades em família.
(Do livro Evangelho e Família de Adenáuer Novaes)






sábado, 1 de junho de 2019

Ano III – Rio das Ostras – Edição Junho 2019


Editorial


Brilhar

“Assim resplandece a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. (Mateus, 5:16)

         Admitem muitos aprendizes que brilhar será adquirir destacada posição em serviços de inteligência, no campo da fé.
         Realmente, excluir a cultura espiritual, em seus diversos ângulos, da posição luminosa a que todos devemos aspirar, seria rematada insensatez.
         Aprender sempre para melhor conhecer e servir é a destinação de quem se consagra fielmente ao Mestre Divino.
         Ninguém se iluda com os fogos-fátuos do intelectualismo artificioso.
         Ensinemos o caminho da redenção, tracemos programas salvadores onde estivermos; brilhe a luz do Evangelho em nossa boca ou em nossa frase escrita, mas permaneçamos convencidos de que se esses clarões não descortinam as nossas boas obras, seremos invariavelmente recebidos no ouvido alheio e no alheio entendimento, entre a expectação e a desconfiança, porque somente em fundido pensamento, verbo e ação, no ensinamento de Jesus Cristo, haverá em torno de nós glorificação construtiva ao Nosso Pai que está nos Céus.
(Mensagem de Emmanuel, no livro Vinha de Luz de Francisco Candido Xavier)




Adoração

O vocábulo adoração significa, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ato ou efeito de adorar, que está intimamente relacionado à palavra veneração, culto que se rende a alguém ou algo considerado divindade. Todavia, afirmam os Espíritos Superiores que adoração consiste na elevação do pensamento a Deus.
Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma. Esclarecem também que a adoração está na lei natural, pois resulta de um sentimento inato no homem.
Tempos houve em que cada família, cada tribo, cada cidade e cada raça tinha os seus deuses particulares, em cujo louvor o fogo divino ardia constantemente na lareira ou nos altares dos templos que lhes eram dedicados.
Para entendermos a adoração, precisamos reconhecer que esta acompanha o processo evolutivo da criatura humana, uma vez que, como o homem evolui intelectual e moralmente, aperfeiçoa também sua concepção de Deus e a sua forma de adorá-lo.
Devemos considerar, no entanto, que longe ainda nos encontramos de adorar Deus em espírito e verdade, conforme preconiza o Espiritismo, e lembrando a mensagem cristã.
Os Espíritos Orientadores da Codificação Espírita nos esclarecem que adoração verdadeira é do coração. Em todas as vossas ações, lembrai-vos sempre de que o Senhor tem sobre vós o seu olhar. Esclarecem igualmente que a adoração exterior será útil, se não consistir num vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo. Mas, os que somente por afetação e amor-próprio o fazem, desmentindo com o proceder a aparente piedade, mau exemplo dão e não imaginam o mal que causam.
Na verdade, continuam elucidando os Espíritos Codificadores, Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes. Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam. É hipócrita aquele cuja piedade se cifra nos atos exteriores. Mau exemplo dá todo aquele cuja adoração é afetada e contradiz o seu procedimento. Declaro-vos que somente nos lábios e não na alma tem religião aquele que professa adorar o Cristo, mas que é orgulhoso, invejoso e cioso, duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens deste mundo. Deus, que tudo vê, dirá: o que conhece a verdade é cem vezes mais culpado do mal que faz, do que o selvagem ignorante. E como tal será tratado no dia da justiça. Se um cego, ao passar, vos derriba, perdoá-lo-eis; se for um homem que enxerga perfeitamente bem, queixar-vos-eis e com razão. Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais convenha, porque equivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do coração.
(Pauta de reflexão do livro de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Tomo I da FEB)




Quando orardes
  
“E, quando estiverdes orando, perdoai.”
Jesus (Marcos, 11:25)
A sincera atitude da alma na prece não obedece aos movimentos mecânicos vulgares. Nas operações da luta comum, a criatura atende, invariavelmente, aos automatismos da experiência material que se modifica de maneira imperceptível, nos círculos do tempo; todavia, quando se volta a alma aos santuários divinos do plano superior, através da oração, põe-se a consciência em contato com o sentido eterno e  criador da vida infinita.
Examine cada aprendiz as sensações que experimenta em se colocando na posição de rogativa ao Alto, compreendendo que se lhe faz indispensável a manutenção da paz interna perante as criaturas e quadros circunstanciais do caminho.
A mente que ora permanece em movimentação na esfera invisível.
As inteligências encarnadas, ainda mesmo quando se não conheçam entre si, na pauta das convenções materiais, comunicam-se através dos tênues fios do desejo manifestado na oração. Em tais instantes, que devemos consagrar exclusivamente à zona mais alta de nossa individualidade, expedimos mensagens, apelos, intenções, projetos e ansiedades que procuram objetivo adequado.
É digno de lástima todo aquele que se utiliza da oportunidade para dilatar a corrente do mal, consciente ou inconscientemente. É por este motivo que Jesus, compreendendo a carência de homens e mulheres isentos de culpa, lançou este expressivo programa de amor, a benefício de cada discípulo do Evangelho: – “E, quando estiverdes orando, perdoai.”
(Mensagem de Emmanuel no livro Pão Nosso de Francisco Cândido Xavier)



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Maio 2019


Editorial

Sementeira e construção  

“Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.”
Paulo (I Coríntios, 3:9)

Asseverando Paulo a sua condição de cooperador de Deus e designando a lavoura e o edifício do Senhor nos seguidores e beneficiários do Evangelho que o cercavam, traçou o quadro espiritual que sempre existirá na Terra em aperfeiçoamento, entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina.
Se já recebemos da Boa Nova a lâmpada acesa para a nossa jornada, somos compulsoriamente considerados colaboradores do ministério de Jesus, competindo-nos a sementeira e a construção dele em todas as criaturas que nos partilham a estrada.
Conhecemos, pois, na essência, qual o serviço que a Revelação nos indica, logo nos aproximemos da luz cristã.
Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio das correntes da vida, onde permanecemos, ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos, a fim de que a obra do Reino Divino cresça, progrida e santifique toda a Terra.
O serviço é de plantação e edificação, reclamando esforço pessoal e boa vontade para com todos, porquanto, de conformidade com a própria simbologia do apóstolo, o vegetal pede tempo e carinho para desenvolver-se e a casa sólida não se ergue num dia.
Em toda parte, porém, vemos pedreiros que clamam contra o peso do tijolo e da areia e cultivadores que detestam as exigências de adubo e proteção à planta frágil.
O ensinamento do Evangelho, contudo, não deixa margem a qualquer dúvida. Se já conheces os benefícios de Jesus, és colaborador dele, na vinha do mundo e na edificação do espírito humano para a Eternidade. Avança na tarefa que te foi confiada e não temas. Se a fé representa a nossa coroa de luz, o trabalho em favor de todos é a nossa bênção de cada dia.
(Mensagem de Emmanuel no livro Fonte Viva de Francisco Cândido Xavier)



As asas da libertação

Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para suas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI: 28-30).

Se pretendes mergulhar nos fluidos superiores da Vida, desvendando os complexos mecanismos da existência, ora e medita. A prece levar-te-á no centro das aspirações superiores, harmonizando-te.
Se desejas permanecer em paz integral, consolidando as conquistas espirituais, renuncia e esquece todo o mal. A renúncia ensinar-te-á a libertação das coisas e das conjunturas afligentes, e o esquecimento de qualquer mal ser-te-á o piloti para a libertação plena.
Se planejas integração no bem, ampliando a visão do amor, trabalha e serve ao próximo. O trabalho enriquecer-te-á de valores inquestionáveis, e o serviço da caridade ao próximo proporcionar-te-á oportunidade de iluminação pessoal com doação de felicidade aos outros.
A perseverança no bem dar-te-á generosidade natural, e a companhia ao lado dos infelizes far-te-á sábio pelas técnicas de amor que aprenderás a utilizar para o êxito do ministério.
As duas primeiras linhas do comportamento podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para Deus, na luta íntima, sem testemunhas, muitas vezes chorando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que se fixasse a trave em que que te apoias e amparas.
As duas atitudes outras são a linha horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho.
Já não é a busca em estrangulamentos das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria, distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor.
Uma cruz a tua vida! Nela, de abraços abertos, tu te encontras. Já não há dor, nem aflição. Lentamente verás transformar-se a trave horizontal em asas de luz e, livre, ascenderás na direção do Sublime Crucificado, que a todos nós aguarda em confiança e paz.
(Mensagem de Joana de Ângelis, no livro Otimismo de Divaldo P. Franco)





Família-Lar

Numa família-lar, aqueles que ali vivem estão em sintonia psíquica uns com os outros para que o amor possa fluir naturalmente. Sem cobranças, sem ciúmes e sem neuroses. Tudo estará de acordo com os objetivos divinos de aperfeiçoamento dos seres humanos. Manter a mente no estado de paz que facilite a manifestação do amor só é possível quando a convivência já dissolveu as barreiras psíquicas que afastam as pessoas, por mais próximas que se encontrem. Geralmente, tais barreiras se originam pela falta de diálogo, pelo não dito entre os membros da família, provocando um distanciamento subjetivo, o qual promove o surgimento de contaminações nocivas à convivência.
No lugar que o diálogo deveria ocupar na convivência, surgem ressentimentos, desconfianças, disputas, mágoas e etc..., não basta estar junto fisicamente para que não existam barreiras separadoras. O que une os seres humanos são os sentimentos nobres que se cultivam uns para com os outros. O inverso os afasta. A unidade de uma família estará na sintonia psíquica entre seus membros. Quanto mais se disponibiliza a mente para a compreensão do outro, mais o amor acontece.
A família-lar é um grupo de espíritos afins que se conectam pelos fios invisíveis do amor e se orientam na direção de objetivos nobres. Nela existe um sentimento de unidade entre seus membros que os vinculam uns aos outros, permitindo que a compreensão dos atos anteceda o confronto. São espíritos que se conhecem de outras existências e que estão resolvidos, sem que haja cobranças mútuas. Entre eles nada precisa ser equacionado. Ninguém se considera devedor ou credor do outro. Seus membros se protegem das invasões psíquicas que, muitas vezes, desestruturam o equilíbrio do conjunto.
[...] A grande maioria das famílias ainda não se transformou na família-lar porque ainda não resolveu simples questões de relacionamento interpessoal. Ainda se digladiam internamente, disputando a primazia de suas opiniões. Não resolveram suas emoções uns com os outros. Ainda se encontram disputando coisas ou posições. Reencarnam juntos por atração do carma negativo a fim de aprenderem a amar através da convivência.
Na família-lar cada um de seus membros compreende sua responsabilidade na manutenção do equilíbrio do conjunto. Dá sua parcela de contribuição para o bem estar de todos. [...] Permite que se ultrapassem as barreiras do sangue para que se incluam nela todos aqueles que sintonizem com seus objetivos superiores. Nela cabem os membros da família originária como também da gerada, quando os carmas negativos estiverem dissolvidos. Sua energia contagiante provoca naqueles que a ela se ligam o desejo de se tornar seu integrante.
[...] A busca pelo bem estar de si mesmo e do outro fará com que o Universo conspire em favor de quem o faz. Qualquer tipo de evento aversivo ao ser humano deverá ser entendido como um recado de Deus para que ele encontre o equilíbrio e a paz em sua vida. A paz em família não é utopia nem algo que não se possa realizar. Quando alguém está imbuído do firme propósito de construir um lar com outra pessoa e nela houver ressonância, as leis de Deus favorecem a que alcancem os objetivos. É preciso identificar qual o sentido maior que une aquelas pessoas numa família e, a partir daí, trabalhar para que todos consigam sintonizar com a Espiritualidade Maior e tentar seguir o planejamento superior, para o qual foram destinados.
(Reflexões do livro Evangelho e Família de Adenàuer Novaes)



domingo, 31 de março de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Abril 2019


Editorial

Em meio a tantas notícias dos últimos tempos, que nos dão a sensação de que o mundo está casa vez pior ou que a humanidade se perdeu, é preciso saber que estamos apenas vendo o que dá audiência na mídia, por despertar no publico a curiosidade e os instintos ainda primitivos que existem em muitos de nós.
Entretanto, é preciso que se faça, de nossa parte, um esforço em buscar nos cercarmos de boas vibrações, bons conteúdos literários, debates e conversações saudáveis  que nos levem a reflexões de teor elevado e nos abra os olhos aos acontecimentos que realmente exemplifiquem a evolução constante rumo a um futuro mais próximo dos propósitos contidos nas mensagens deixadas por Jesus Cristo à humanidade.
Neste ano de 2019, tivemos boas notícias que evidenciam que a providência divina não cessa, uma delas é o lançamento de O Livro dos Espíritos em chinês. Um projeto que foi iniciado em 2002, pelo brasileiro Emanuel Dutra, com vista à crescente propagação do cristianismo no oriente, o que abre caminho para que as obras de Allan Kardec venham auxiliar na melhor compreensão do evangelho, com uma visão mais abrangente sobre a espiritualidade. O que se adequa mais intimamente às tradições religiosas dos chineses.
Também destacamos o físico e astrônomo Marcelo Gleiser que foi contemplado com o Premio Templeton 2019, que já foi dado a personalidades como Madre Teresa de Calcutá em 1973 e Dalai Lama em 2012.
A Fundação John Templeton, que tem por lema “Quão pouco sabemos e quão ansiosos para aprender”, tem o objetivo de premiar contribuições excepcionais no campo da pesquisa, para afirmar a dimensão espiritual da vida, através de descobertas, constatações e trabalhos práticos.
Segundo o presidente da fundação, Marcelo Gleiser – atualmente lecionando no Dartmouth College em New Hampshire – é um dos principais proponentes da visão que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares que a humanidade precisa para abraçar o mistério e explorar o desconhecido.
Além destas boas notícias, não podemos esquecer das muitas boas ações, individuais ou coletivas, visando a preservação ambiental, trabalhos humanitários, demonstrações de amor e cuidado com o próximo e com o planeta, que reforçam a afirmação de que o bem está presente em toda parte. Sendo assim, como adeptos da doutrina espírita, temos muito a comemorar e cabe a nós, darmos a nossa contribuição para que se cumpra, cada dia mais, o mandamento universal do Cristo: Amar o seu próximo com a si mesmo.
(Texto composto de notícias da atualidade – Renata Domingues)






A Virtude

Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (Mateus, 5:44, 46 a 48.)

A virtude não é veste de gala para ser envergada em dias e horas solenes. Ela deve ser nosso traje habitual. A virtude precisa fazer parte de nossa vida, como o alimento que ingerimos cotidianamente, como o ar que respiramos a todo instante. A virtude não é para ostentação: é para uso comum. É falsa a virtude que aparece para os de fora, e não se verifica para os familiares. Quem não é virtuoso dentro do seu lar, não o será na vida pública, embora assim aparente. Ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter esses predicados em família, não é ser virtuoso, mas hipócrita. A virtude não tem duas faces, uma interna, outra externa: ela é integral, é perfeita sob todos os aspectos e prismas. Não há virtude privada e virtude pública: a virtude é uma e a mesma, em toda parte. O hábito da virtude, quando real, reflete-se em todos os nossos atos, do mais simples ao mais complexo, como o sangue que circula por todo o corpo. As conjunturas difíceis, as emergências perigosas, não alteram a virtude quando ela já constitui nosso modo habitual de vida. A virtude assume as modalidades necessárias para se opor a todos os males, sem prejuízo de sua integridade. Há um matiz para resolver cada caso, para se opor a cada vício, para vencer cada paixão, para enfrentar cada incidente; mas sempre, no fundo, é a mesma virtude. Ela é como a luz, que, iluminando, resolve de vez todos os obstáculos e tropeços, franqueando-nos o caminho. O hábito da virtude é fruto de uma porfiada conquista. Possuí-la é suave e doce. Praticá-la é fonte perene de infindos prazeres. A dificuldade não está no exercício da virtude, mas na oposição que lhe faz o vício, que com ela contrasta. É necessário destronar um elemento, para que o outro impere. O vício não cede o lugar sem luta. A virtude nos diz: eis-me aqui, recebeime, dai-me guarida em vosso coração; mas lembrai-vos de que, entre mim e o vício, existe absoluta incompatibilidade. Não podeis servir a dois senhores. A verdadeira religião é a da virtude. Fora da virtude não há salvação. "Vós sois o sal da Terra", disse Jesus aos seus discípulos. Se ele hoje viesse ao mundo reunir seus escolhidos, não se valeria certamente das denominações e títulos dos vários credos religiosos para os distinguir; a virtude seria o sinal inconfundível por onde os descobriria, por mais dispersos e disfarçados que estivessem. É pela virtude que as almas se irmanam entretecendo entre si liames indissolúveis. Os homens de virtude entendem-se num momento, ao passo que os séculos não são suficientes para firmar acordo entre aqueles que dela vivem divorciados. Propaguemos a religião da virtude: só ela satisfaz o senso da vida, conduzindo o espirito à realização dos seus destinos.
(Mensagem de Vinicius no Livro Nas pegadas do Mestre)





O Educandário Familiar

A família é o resultado do largo processo evolutivo do espírito na extensa trajetória vencida por meio das sucessivas reencarnações. Resultado do instinto gregário que une todos os animais, aves, répteis e peixes em grupos que se auxiliam e se interdependem reciprocamente, no ser humano atinge um estágio relevante e de alta significação, em face da conquista do raciocínio, da consciência. Dessa forma, a família é o alicerce sobre o qual a sociedade se edifica, sendo o primeiro educandário do espírito, onde são aprimoradas as faculdades que desatam os recursos que lhe dormem latentes.
A família é a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais. Quando o individuo opta pela solidão, exceção feita aos grandes místicos e pesquisadores da ciência, filósofos e artistas que abraçam os objetivos superiores como a sua família, termina sendo portador de transtorno da conduta e da emoção.
[...] Não poucas vezes, no grupo doméstico ressumam as reminiscências perturbadoras do Além ou de outras existências, que devem ser trabalhadas pelo cinzel da misericórdia, da tolerância e da compaixão, a fim de que sejam arquivadas como diferentes emoções enobrecidas, que irão contribuir em favor do progresso de todos. De inspiração divina, a família é a oportunidade superior do entendimento e da vera fraternidade, de onde surgirá o grupo maior, equilibrado e rico de valores, que é a sociedade. Por isso, no momento em que a família se desestrutura sob os camartelos da impiedade e da agressão, ou se dilui em face da ilusão acalentada pelos seus membros, ou se desmorona em razão da imprevidência, a sociedade sofre um grande constrangimento.
[...] Mesmo quando não correspondendo às expectativas pessoais, em face do reencontro com adversários ou caracteres inamistosos, no lar adquire-se a necessária filosofia existencial para conduzir-se com equilíbrio durante toda a existência. O exercício da paciência no clã familiar é valiosa contribuição para a experiência iluminativa, porquanto, se aqueles com os quais se convive tornam-se difíceis de ser amados, gerando impedimentos emocionais que se sucedem continuamente, como poder-se vivenciar o amor em relação a pessoas com as quais não se tem relacionamento, senão por paixão ou sentimentos de interesse imediatista?
[...] Aquele que hoje se apresenta agressivo e cínico no grupo doméstico, dando lugar a guerrilhas perversas, encontra-se doente da alma, merecendo orientação e exigindo mais paciência. Ninguém se torna infeliz por mero prazer, mas em consequência de muitos fatores que lhe são desconhecidos. [...] No entanto, na família, em razão dos sentimentos, das individualidades, das experiências transatas, o fenômeno é muito diferente, oscilando o equilíbrio conforme o desenvolvimento ético-moral de cada qual, que se apresenta conforme é e não consoante gostaria de ser. [...] Quem não consegue a capacidade de amar aqueles com os quais convive, mais dificilmente poderá amar aqueloutros que não conhece. O combustível do amor se inflama com maior potencialidade quando oxigenado pela convivência emocional.
Noutras condições, trata-se apenas de atração física passageira, de libido exagerada que logo cede lugar ao desencanto, ao tédio, ao desinteresse... A família, portanto, é um núcleo de aformoseamento espiritual, que enseja aprendizagem de relacionamentos futuros exitosos. No grupo animal, quando os filhos adquirem a capacidade de conseguir o alimento, os pais abandonam-nos, quando isso excepcionalmente em algumas espécies não ocorre antes. No círculo humano da família é diferente: os laços entre pais e filhos jamais se rompem, mesmo quando há dificuldades no relacionamento atual, o que exige transferência para outras oportunidades no futuro reencarnacionista, que se repetem até a aquisição do equilíbrio afetivo. É da Divina Lei que somente através do amor o espírito encontra a. plenitude, e a família é o local onde se aprimora esse sentimento, que se desdobra em diversas expressões de ternura, de abnegação, de afetividade... Com o treinamento doméstico o espírito adquire a capacidade de amar com mais amplitude, alcançando a sociedade, que se lhe transforma em família universal.
(Texto de Joana di Angelis no livro Constelação Familiar de Divaldo P. Franco)