terça-feira, 1 de outubro de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Outubro 2019


Editorial

Ante o divino semeador

“Ouvi: eis que saiu o semeador a semear...” – Jesus (Marcos 4:3)

Jesus é o semeador da terra e a humanidade é a lavoura de Deus em Suas Mãos. Lembremo-nos da renúncia exigida à semente chamada à produção que se destina ao celeiro para que não venhamos a sucumbir em nossas próprias tarefas.
Atirada ao ninho escuro da gleba em que lhe cabe desabrochar, sofre extremo abandono, sufocada ao peso do chão que lhe esmaga o envoltório. Sozinha e oprimida, desenfaixa-se das forças inferiores que a constringem a fim de que os seus princípios germinativos consigam receber a bênção do céu.
Contudo, mal se desenvolve, habitualmente padece o assalto de vermes que lhe maculam o seio, quando não experimenta a avalancha de lama, por força dos temporais.
Ainda assim, obscura e modesta, a planta nascida crê institivamente na sabedoria da natureza que lhe plasmou a existência e cresce para o brilho solar, vestindo-se de frondes tenras e florindo em melodias de perfume e beleza para frutificar, mais tarde, nos recursos que sustentam a vida.
À frente do semeador sublime, não esmoreças ante os pesares da incompreensão e do isolamento, das tentações e das provas aflitivas e rudes.
Crê no Poder Divino que te criou para a imortalidade e, no silêncio do trabalho incessante no bem a que foste trazido, ergue-te para a Luz Soberana, na certeza de que, através da integração com o amor que nos rege os destinos, chegarás, sob a generosa proteção do Celeste Pomicultor, à frutificação da verdadeira felicidade.
(Mensagem de Emmanuel, do livro Antologia Mediúnica do Natal de Francisco Cândido Xavier)





Maneira de orar

O dever primordial de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar a sua volta à vida ativa de cada dia, é a prece. Quase todos vós orais, mas quão poucos são os que sabem orar! Que importam ao Senhor as frases que maquinalmente articulais umas às outras, fazendo disso um hábito, um dever que cumpris e que vos pesa como qualquer dever?
A prece do cristão, do espírita, seja qual for o seu culto, deve ele dizê-la logo que o Espírito haja retomado o jugo da carne; deve elevar-se aos pés da Majestade Divina com humildade, com profundeza, num ímpeto de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até àquele dia; pela noite transcorrida e durante a qual lhe foi permitido, ainda que sem consciência disso, ir ter com os seus amigos, com os seus guias, para haurir, no contacto com eles, mais força e perseverança. Deve ela subir humilde aos pés do Senhor, para lhe recomendar a vossa fraqueza, para lhe suplicar amparo, indulgência e misericórdia. Deve ser profunda, porquanto é a vossa alma que tem de elevar-se para o Criador, de transfigurar-se, como Jesus no Tabor, a fim de lá chegar nívea e radiosa de esperança e de amor.
A vossa prece deve conter o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais em realidade. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que vos abrevie as provas, que vos dê alegrias e riquezas. Rogai-lhe que vos conceda os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Não digais, como o fazem muitos: "Não vale a pena orar, porquanto Deus não me atende." Que é o que, na maioria dos casos, pedis a Deus? Já vos tendes lembrado de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh! não; bem poucas vezes o tendes feito. O que preferentemente vos lembrais de pedir é o bom êxito para os vossos empreendimentos terrenos e haveis com frequência exclamado: "Deus não se ocupa conosco; se se ocupasse, não se verificariam tantas injustiças." Insensatos! Ingratos! Se descêsseis ao fundo da vossa consciência, quase sempre depararíeis, em vós mesmos, com o ponto de partida dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, que vos possais melhorar e vereis que torrente de graças e de consolações se derramará sobre vós.
Deveis orar incessantemente, sem que, para isso, se faça mister vos recolhais ao vosso oratório, ou vos lanceis de joelhos nas praças públicas. A prece do dia é o cumprimento dos vossos deveres, sem exceção de nenhum, qualquer que seja a natureza deles. Não é ato de amor a Deus assistirdes os vossos irmãos numa necessidade, moral ou física? Não é ato de reconhecimento o elevardes a ele o vosso pensamento, quando uma felicidade vos advém, quando evitais um acidente, quando mesmo uma simples contrariedade apenas vos roça a alma, desde que vos não esqueçais de exclamar: Sede bendito, meu Pai?! Não é ato de contrição o vos humilhardes diante do supremo Juiz, quando sentis que falistes, ainda que somente por um pensamento fugaz, para lhe dizerdes: Perdoai-me, meu Deus, pois pequei (por orgulho, por egoísmo, ou por falta de caridade); dai-me forças para não falir de novo e coragem para a reparação da minha falta?! Isso independe das preces regulares da manhã e da noite e dos dias consagrados.
Como o vedes, a prece pode ser de todos os instantes, sem nenhuma interrupção acarretar aos vossos trabalhos. Dita assim, ela, ao contrário, os santifica. Tende como certo que um só desses pensamentos, se partir do coração, é mais ouvido pelo vosso Pai celestial do que as longas orações ditas por hábito, muitas vezes sem causa determinante e às quais apenas maquinalmente vos chama a hora convencional.
(Texto do Ítem 22, Cap. XXVIII do Evangelho Segundo o Espíritismo)







Página aos Pais

          Por maiores sejam os compromissos que te prendam a obrigações dilatadas, na esfera dos negócios ou na vida social, consagrarás à família as atenções necessárias.
          Lembrar-te-ás de que o lar é tão somente o refúgio que o arquiteto te planeou, baseando estudos e cálculos nos recursos do solo.
          Encontrarás nele o templo de corações em que as Leis de Deus te situam transitoriamente o Espírito, a fim de que aprendas as ciências da alma no intervalo doméstico.
          “Honrarás teu pai e tua mãe...” proclama a Escritura e daí se subentende que precisamos também dignificar nossos filhos.
          Ainda mesmo se eles, depois de adultos, não nos puderem compreender, nada impede venhamos a entendê-los e auxiliá-los, tanto quanto nos seja possível, sem que por isso necessitemos coarctar os planos superiores de serviço que nos alimentou o coração.
          Reconhecendo o débito irresgatável para com teus pais, os benfeitores que te entreteceram no mundo a felicidade do berço, darás aos teus filhos, com a luz do exemplo no dever cumprido, a devida oportunidade para a troca de impressões e de experiências.
          Se ainda não consegues ofertar-lhes o culto do Evangelho em casa, asserenando-lhes as perguntas e ansiedades, com os ensinamentos do Cristo, não te esqueças do encontro sistemático em família, pelo menos semanalmente, a fim de atender-lhes as necessidades da alma.
          Detém-te a registrar-lhes as indagações infanto-juvenis, louva-lhes os projetos edificantes e estimula-lhes o ânimo à prática do bem.
          Não abandones teus filhos à onda perigosa das paixões insofreadas, sob o pretexto de garantir-lhes personalidade e emancipação.
          Ajuda-os e habilita-os espiritualmente para a vida de hoje e de amanhã.
          Sobretudo, não adies o momento de falar-lhes e ouvi-los, pois a hora da tormenta de provações na viagem da Terra, se abate, mais dia menos dia, sobre a fonte de cada um, por teste de resistência moral, na obra de melhoria, resgate e aprimoramento que nos achamos empenhados.
          Persevera no aviso e na instrução, no carinho e na advertência, enquanto o ensejo te favorece, porquanto muito dificilmente conseguimos escutar-nos  uns aos outros por ocasião de tumulto ou tempestade, e ainda porque ensinar equilíbrio, quando o desequilíbrio já se instalou, significa, na maioria das vezes, trabalho fora de tempo ou auxílio tarde demais.
 (Mensagem de Emmanuel, do Livro Família de Francisco Cândido Xavier)



sábado, 31 de agosto de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Setembro 2019


Editorial

O Poder da Fé

Jesus nos esclarece que a fé possui um poder inimaginável, a ponto de “transportar montanhas”, como consta no evangelho de Mateus, ainda que pequena como um grão de mostarda. Esclarece, igualmente, que a fé se desenvolve através do trabalho incessante no bem. Não é algo que se adquire de uma hora para outra. Exige esforço, dedicação, perseverança.
A pessoa que tem a fé desenvolvida confia em Deus, no seu amor e providência, mas também em si mesma, por conhecer os próprios limites e a própria capacidade de ação. Sabe que a verdadeira fé jamais é confundida com a presunção, mas que esta deve ser conjugada à humildade, pois aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio.  [...]
Por outro lado, a fé legítima dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta confiança. O discípulo sincero reconhece, humilde, que perante as provações nem sempre é possível demonstrar a fé que gostaria.
Na verdade, o processo de aquisição da fé é trabalho cotidiano e persistente. As pessoas de caráter fraco ou que desanimam perante os obstáculos, demoram mais na construção do edifício da fé no íntimo do ser. Muitos iniciam essa aquisição através da religião, outros pelo controle mental, desenvolvido pela meditação e vontade disciplinada.
Em todos os lugares, vemos o obreiro sem fé, espalhando inquietação e desânimo. [...] E transita de situação em situação, entre a lamúria e a indisciplina, com largo tempo para sentir-se perseguido e desconsiderado. Em toda parte, é o trabalhador que não termina o serviço porque se responsabilizou ou o aluno que estuda continuadamente, sem jamais aprender a lição. Não te concentres na fé sem obras, que constitui embriaguez perigosa da alma, todavia, não te consagres à ação, sem fé no Poder Divino e em teu próprio esforço. O servidor que confia na Lei da Vida reconhece que todos os patrimônios e glórias do Universo pertencem a Deus. Em vista disso, passa no mundo, sob a luz do entusiasmo e da ação no bem incessante, completando as pequenas e grandes tarefas que lhe competem, sem enamorar-se de si mesmo na vaidade e sem escravizar-se às criações de que terá sido venturoso instrumento. Revelemos a nossa fé, através das nossas obras na felicidade comum e o Senhor conferirá à nossa vida o indefinível acréscimo de amor e sabedoria, de beleza e poder.
(Pauta de reflexão do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Ensinos e Parábolas de Jesus Parte 2 – FEB)



No Serviço Cristão

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito, estando no corpo, para o bem ou para o mal.”  Paulo (II Coríntios, 5:10)

 Não falta quem veja no Espiritismo mero campo de experimentação fenomênica, sem qualquer significação de ordem moral para as criaturas. Muitos aprendizes da consoladora Doutrina, desse modo, limitam-se às investigações de laboratório ou a discussões filosóficas.
É imperioso reconhecer, todavia, que há tantas categorias de homens desencarnados, quantas são as dos encarnados. Entidades discutidoras, levianas, rebeldes e inconstantes transitam em toda parte. Além disso, incógnitas e problemas surgem para os habitantes dos dois planos. Em vista de semelhantes razões, os adeptos do progresso efetivo do mundo, distanciados da vida física, pugnam pelo Espiritismo com Jesus, convertendo-nos o intercâmbio em fator de espiritualidade edificante. Acreditamos que não se deve atacar outro círculo de vida, quando não nos encontramos interessados em melhorar a personalidade naquele em que respiramos. Não vale pesquisar recursos que não nos dignifiquem.
Eis por que para nós outros, que supomos trazer o coração acordado para a responsabilidade de viver, espiritismo não expressa simples convicção de imortalidade: é clima de serviço e edificação. Não adianta guardar a certeza na sobrevivência da alma, além da morte, sem o preparo terrestre na direção da vida espiritual. E nesse esforço de habilitação, não de não dispomos de outro guia mais sábio e mais amoroso que o Cristo.
Somente à luz de suas lições sublimes é possível reajustar o caminho, renovar a mente e purificar o coração. Nem tudo o que é admirável é divino. Nem tudo o que é grande é respeitável. Nem tudo o que é belo é santo. Nem tudo o que é agradável é útil. O problema não é apenas de saber. É o de reformar-se cada um para a extensão do bem.
Afeiçoemo-nos, pois, ao evangelho sentido e vivido, compreendendo o imperativo de nossa iluminação interior, porque, segundo a palavra oportuna e sábia do Apóstolo, “todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, a fim de recebemos, de acordo com o que realizamos, estando no corpo o bem ou o mal.
(Mensagem de Emmanuel do livro Pão Nosso de Francisco C. Xavier)





Espiritismo no Lar

      “Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.”       Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 4º — Item 18.

Todos sabemos valorizar o benefício de um copo d’água fria ou de uma ampola de injetável tranquilizante, ofertados num momento de grande aflição.
Reconhecemos a bênção do alfabeto que nos descortina as belezas do conhecimento universal e bendizemos quem no-lo imprimiu nos recessos da mente. Mantemos no carinho do espírito aqueles que nos ajudaram nos primeiros dias da reencarnação, oferecendo-nos amparo e amamentação. Somos reconhecidos àqueles que nos nortearam em cada hora de dúvida e não esquecemos o coração que nos agasalhou nos instantes difíceis do caminho renovador...
Muitos há, no entanto, que desdenham e esquecem todos os benefícios que recebem durante a vida... Há um inestimável benefício que te enriquece a existência na Terra: o conhecimento espírita. Esse é guia dos teus passos, luz nas tuas sombras e pão na mesa das tuas necessidades. Poucas vezes, porém, pensaste nisso.
Recebeste com o Espiritismo a clara manhã da alegria, quando carregavas noite nos painéis mentais e segues confiante, de passo firme, com ele a conduzir-te qual mãe desvelada e fiel. Se o amas, não o detenhas apenas em ti. Faze mais. Não somente em propaganda “por fora”, mas principalmente dentro do teu lar.
No lar se caldeiam os espíritos em luta diária nas tarefas de reajustamento e sublimação. Na família, os choques da renovação espiritual criam lampejos de ódios e dissenção, que podes converter em clarões-convites à paz.
Não percas a oportunidade de semear dentro de casa. Apresenta a tua fé aos teus familiares mesmo que eles não queiram escutar.
Utiliza o tempo, a psicologia da bondade e do otimismo e esparze as luminescências da palavra espírita no reduto doméstico. Se te recusarem ensejo, apresenta-o, agindo. Se te repudiarem conduze-o, desculpando. Se te ferirem espalha-o amando. Pelo menos, uma vez por semana, reúne a tua família e felicita-a com o Espiritismo, criando assim, e mantendo, o culto evangélico, para que a diretriz do Mestre seja eficiente rota de amor à sabedoria em tua casa...
Ali, na oportunidade, ouvidos desencarnados se imantarão aos ouvidos dos teus e escutarão; olhos atentos verão pelos olhos da tua família e se nublarão de pranto; mentes se ligarão às outras mentes e entenderão...
Sim, ouvidos, olhos e mentes dos desencarnados que habitam a tua residência se acercarão da mesa de comunhão com o Senhor, recebendo o pão nutriente para os espíritos perturbados através do combustível espírita que não é somente manancial para os homens da Terra, mas igualmente para os que atravessaram os portais do além-túmulo em doloroso estado de sofrimento e ignorância.
Agradece ao Espiritismo a felicidade que possuís, acendendo-o como chama inapagável no teu lar, para clarear os teus familiares por todos os dias.
O pão mantém o corpo. O agasalho guarda o corpo. O medicamento recupera o corpo. O dinheiro acompanha o corpo.
Seja o Espiritismo em ti o corpo do teu espírito emboscado no teu corpo, a caminhar pelo tempo sem fim para a imortalidade gloriosa. E se desejares felicidade na Terra, incorpora-o ao teu lar, criando um clima de felicidade geral.
(Mensagem de Joanna de Ângelis, no livro S.O.S Família de Divaldo P. Franco)



quarta-feira, 31 de julho de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Agosto 2019


Editorial


Promoção da Federação Espírita Brasileira

Dedica uma das sete noites da semana ao Culto Evangélico no Lar, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa.
Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem da fé, enlaça a família e ora. Jesus virá em visita.
Quando o Lar se converte em santuário, o crime se recolhe ao museu. Quando a família ora, Jesus se demora em casa.
Quando os corações se unem nos liames da Fé, o equilíbrio oferta bênçãos de consolo e a saúde derrama vinhos de paz para todos.
Jesus no Lar é vida para o Lar.
Não aguardes que o mundo te leve a certeza do bem invariável.
Distende, da tua casa cristã, a luz do Evangelho para o mundo atormentado. Quando uma família ora em casa, reunida nas blandícias do Evangelho, toda a rua recebe o benefício da comunhão com o Alto.
Se alguém, num edifício de apartamentos, alça aos Céus a prece da comunhão em família, todo o edifício se beneficia, qual lâmpada ignorada, acesa na ventania. Não te afaste da linha direcional do Evangelho, entre os teus familiares.
Continua orando fiel, estudando com os teus filhos, e com aqueles a quem amas, as diretrizes do Mestre, e, quando possível, debate os problemas que te afligem à luz clara da mensagem da Boa Nova e examina as dificuldades que te perturbam ante a inspiração consoladora do Cristo.
Não demandes à rua, nessa noite, senão para os inevitáveis problemas que não possas adiar. Demora-te no Lar para que o Divino Hóspede aí também se possa demorar. E quando as luzes se apagarem à hora do repouso, ora mais uma vez, comungando com Ele, como Ele procura fazer, a fim de que, ligado a ti, em casa, uma vez por semana em sete noites, ter Jesus contigo.
(Mensagem de Joanna de Ângelis, no livro Messe de Amor)




Proteção de Deus

“Por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão.” (Marcos, XI:24)

 Clamamos pela proteção de Deus, mas, não raro, admitimos que semelhante cobertura unicamente aparece nos dias de caminho claro e céu azul. O amparo divino, porém, nos envolve e rodeia em todos os climas da existência. Urge reconhecê-lo nos lances mais adversos.  
Às vezes, o auxílio do Todo Misericordioso tão somente se exprime através das doenças de longo curso ou das dificuldades materiais de extensa duração, preservando-nos contra quedas espirituais em viciação ou loucura. Noutros ângulos da experiência, manifesta -se pela cassação de certas oportunidades de serviço ou pela supressão de regalias determinadas que estejam funcionando para nós à feição de corredores para a morte prematura.
Proteção de Deus, por isso mesmo, é também o sonho que não se realiza, a esperança adiada, o ideal insatisfeito, a prova repentina ou o transe aflitivo que nos colhe de assalto.   Encontra-se no amor de nossos companheiros, na assistência de benfeitores abnegados, na dedicação dos amigos ou no carinho dos familiares, mas igualmente na crítica dos adversários, no tempo de solidão, na separação dos entes queridos ou nos dias cinzentos de angústia em que nuvens de lágrimas se nos represam nos olhos.  Isso ocorre porque a vida é aprimoramento incessante, até o dia da perfeição, e todos nós, com frequência, necessitamos do martelo do sofrimento e do esmeril do obstáculo para que se nos despoje o espírito dos envoltórios inferiores. 
Pensa nisso e toda vez que te sacrifiques ou lutes, de consciência tranquila, ou toda vez que te aflijas e chores, sem a sombra da culpa, regozija-se e espera o melhor, porque a dor, tanto quanto a alegria, são os recursos da proteção de Deus, impulsionando-te o coração para a luz das bençãos eternas.
(Mensagem de Emmanuel, no livro Rumo Certo de Francisco C. Xavier)






Pais Rígidos

Quando se tenta influenciar alguém com determinadas recomendações comportamentais certamente se atingirá algum núcleo perispiritual que promoverá reações de acordo com as experiências ali armazenadas. Quando se tenta ser, por exemplo, muito rígido, poder-se-á obter reações, as quais, de um lado, dependendo do conteúdo dos núcleos atingidos, poderá promover efeito contrário, isto é, rebeldia. De outro lado, poderão promover reações que, ao alcançarem o núcleo perispiritual correspondente, gerem dependência e submissão excessivas.
A rigidez de valores e atitudes denota um grande medo do desconhecido, do inesperado. O rígido é, no seu inconsciente, um apavorado. Por não saber lidar com conteúdos muito desafiadores a seus valores rígidos, defende-se na rigidez, que se torna então seu porto seguro e o ponto a partir do qual se baseia para fundamentar suas posturas e decisões. A necessidade de muitas regras ortodoxas para guiar a própria vida e a dos outros reflete uma ilegalidade oculta no inconsciente. Para não reconhecer as próprias falhas morais elege um código de rígidos valores na consciência, o qual serve de balizador seguro na vida.
Pais rígidos muitas vezes geram filhos que desejam reagir à tensão a que eram submetidos enquanto com eles conviviam. Essa rigidez muitas vezes é responsável pelo complexo de culpa que se instala nos filhos quando tomam alguma atitude que considerem que seria recriminada pelos pais.
É comum vê-se filhos de pais rígidos em atitudes socialmente inadequadas por força da necessidade de se verem livres dos limites exageradamente impostos por eles.
Os pais rígidos que geralmente se afastam afetivamente de seus filhos favorecem a transformação deles em pessoas, de um lado emocionalmente carentes, e do outro com dificuldades em estabelecer envolvimentos afetivos maduros.
A maioria assim age por receio de perder o controle que eles mesmos não conseguem consigo, caso agissem da forma como condenam. Querem controlar os outros por não saberem como fazê-lo consigo próprios. São déspotas por natureza e descontam suas raivas e incompreensões do passado naqueles a quem têm o dever de amar.
Quantas vezes, por falta de flexibilização, perdemos a oportunidade de usufruir um bem, de estar com alguém, de fazer algo e que mais adiante nos arrependemos por não termos feito? Quantas vezes nosso orgulho falou mais alto e deixamos de tomar atitudes por inflexibilidade e rigidez a normas que sempre quiséramos transgredir? Quantas vezes impomos aos outros comportamentos que nunca gostaríamos que nos impusessem? A quantas pessoas impomos regras que, fora de nossos olhos, sabíamos que seriam desobedecidas?
A não rigidez é também uma faceta das leis de Deus quando é o amor que deve prevalecer. Nós criamos um Deus à nossa imagem e semelhança, com características muito humanas e, portanto, inferiores. Deus é amor e misericórdia.
O Cristo nos ensina a flexibilizar para que a leveza faça parte de nossas atitudes para com a Vida.
Condescender com os equívocos do próximo é permitir-se experimentar a misericórdia de Deus.
Imaginar que a mensagem do Cristo é rígida, é transformá-la em uma doutrina militar que atende apenas a mentes que necessitam da rigidez em tempos de guerra. O que ele pregava era a simplicidade e o amor nas atitudes.
(Reflexões do livro Evangelho e Família de Adenàuer Novaes)



domingo, 30 de junho de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Julho 2019


Editorial

O amor

O amor, como comumente se entende na Terra, é um sentimento, um impulso do ser, que o leva para outro ser com um desejo de unir-se a ele. Mas, na realidade, o amor reveste formas infinitas, desde as mais vulgares até as mais sublimes. Princípio da vida universal, proporciona à alma, em suas manifestações mais elevadas e puras a intensidade de radiação que aquece e vivifica tudo em roda se si; é por ele que ela se sente estreitamente ligada ao Poder Divino, foco ardente de toda a vida, de todo o amor.
O amor é uma força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e aquele que recebe. É pelo amor, sol das almas, que Deus mais eficazmente atua no mundo. Por ele atrai para si na matéria; eleva-os e arrasta-os na espiral da ascensão infinita para os esplendores da luz e da liberdade.
O amor conjugal, o amor materno, o amor filial ou fraterno, o amor da pátria, da raça, da humanidade, são refrações, raios refratários do amor divino, que abrange todos os seres, e, difundindo-se neles, faz rebanhar e desabrochar mil formas variadas, mil esplêndidas florescências de amor.
O amor é mais forte do que o ódio, mais poderoso do que a morte. Se o Cristo foi o maior dos missionários e dos profetas, se tanto império teve sobre os homens, foi porque trazia em si um reflexo mais poderoso do Amor Divino. Jesus passou pouco tempo na Terra; foram bastantes três anos de evangelização para que o seu domínio se entendesse a todas as nações. Não foi pela Ciência nem pela arte oratória que ele seduziu e cativou as multidões, foi pelo amor! [...] Por isso, apesar dos erros e falsas fogueiras acesas, de tantos véus estendidos sobre seu ensino, o Cristianismo continuou a ser a maior das religiões; disciplinou, moldou a alma humana, amansou a índole feroz dos bárbaros, arrancou raças inteiras à sensualidade ou à bestialidade.
Por isso também se explicam e se afirmam a solidariedade e fraternidade universais. Um dia, quando a verdadeira noção do ser se desembaraçar das dúvidas e incertezas que obsidiam o pensamento humano, compreender-se-á a grande fraternidade que liga as almas. Sentir-se-á que são todas envolvidas pelo magnetismo divino, pelo grande sopro de amor que enche os Espaços.
A todas as interrogações do homem, a suas hesitações, a seus temores, a suas blasfêmias, uma voz grande, poderosa e misteriosa responde: Aprenda a amar! O amor é o resumo de tudo, o fim de tudo. Dessa maneira, estende-se e desdobra-se sem cessar sobre o universo a imensa rede de amor tecida de luz e ouro. Amar é o segredo da felicidade. Com uma só palavra o amor resolve todos os problemas, dissipa todas as obscuridades. O amor salvará o mundo; seu calor fará derreter os gelos da dúvida, do egoísmo, do ódio; enternecerá os corações mais duros, mais refratários.
Quem pois, num dia de verão, quando o sol se irradia, quando a imensa cúpula azulada se desenrola sobre nossas cabeças e dos pratos e bosques, dos montes e do mar sobem a adoração, a prece muda dos seres e das coisas, quem, pois, deixará de sentir as radiações de amor que enchem o infinito?
É preciso nunca ter aberto a alma a estas influências sutis para ignorá-las ou negá-las. Muitas almas terrestres ficam, é verdade, hermeticamente fechadas para as coisas divididas ou, então, se sentem suas harmonias e belezas, escondem cuidadosamente o segredo de si mesmas; parecem ter vergonha de confessar o que conhecem ou o que de maior e melhor experimentam.
Tentai a experiencia! Abri o vosso ser interno, abri as janelas da prisão da alma aos eflúvios da vida universal e, de súbito, essa prisão encher-se-á de claridades, de melodias; um mundo todo de luz penetrará em vós.
Basta ter experimentado uma vez só essas impressões para não as esquecer mais. E quando chega o declínio da vida com suas desilusões, quando as sombras crepusculares se acumulam sobre nós, então estas poderosas sensações acordam com a memória de todas as alegrias sentidas, e a lembrança das horas em que verdadeiramente amamos cai como delicioso orvalho sobre nossas almas dissecadas pelo vento áspero das provações e das dores.
(Do Livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Leon Denis)



Reflexões evangélicas

Buscai, acima de tudo, o reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas ser-vos-ão acrescentadas. (Mateus, 6:33)
         Recuando ao tempo de sua palavra direta, recordemos que a multidão perguntava sobre o comer, o beber e o agasalhar-se... Essas coisas, porém, cresceram com a civilização.
Não apenas pão do corpo, mas pão de espírito em forma de educação e paz. Não apenas beber água, na ordem material, mas sorver o idealismo santificante de que o Mestre mesmo foi o excelso portador. Não apenas agasalhar-se com as vestes que cobrem o corpo denso, mas o abrigar-se cada um de nós na alegria da consciência reta, para que o coração unido ao Cristo respire na inexpugnável cidadela do dever respeitado. A significação dessa trilogia de verbos tão rotineiros no mundo é, hoje, como vemos, mais complexa. Precisamos dessas coisas...
Essas coisas, que também podemos simbolizar como harmonia interior, tranquilidade doméstica, equilíbrio na vida pública e privada, compreensão para com os amigos, tolerância para com os adversários, dignidade nas provações e força para ultrapassar as nossas próprias fraquezas, são necessidades prementes que não podemos olvidar. Mas para que essas coisas sejam acrescentadas à nossa vida, é indispensável procuremos o reino de Deus e sua justiça, que expressam felicidade com merecimento. Façamos o melhor, sentindo, pensando e falando o melhor que pudermos.
Honrando o reino de Deus e sua justiça, o nosso divino Mestre passou na Terra em permanente doação de si mesmo... Eis o padrão que nos deve inspirar as atividades, porque não nos bastará crer acertadamente e ensinar com brilho, mas, acima de tudo, viver as lições.
O reino de Deus inclui todos os bens materiais e morais, capazes de serem incorporados aos nossos espíritos, seja onde for; no entanto, importa merecê-lo por justiça e não apenas desejá-lo pela fé. Amigos, temos agora conosco o programa certo. Atendamo-lo. E que o Senhor nos reúna em valioso entendimento, para a obra de cooperação no Evangelho que nos cabe executar, é tudo aquilo que aspiramos de melhor para que o serviço do bem nos conduza ao grande Bem que nos acena o futuro.
(Instruções psicofônicas de Chico Xavier/ Álvaro Reis (parte))



Um olhar amoroso sobre o mal do outro

O olhar moral enviesado sobre o mundo pode nos afastar da visão de totalidade e da percepção do significado espiritual pleno da vida. Tanto quanto o viés permissivo sobre o mundo, assim como o olhar pesado e pecaminoso que se tenha, contribuem para o atraso moral do planeta. Nem sempre nosso estado de espírito permite-nos a percepção desejada quando observamos as atitudes humanas. [...] Devemos lembrar que o ser humano é individual e coletivo ao mesmo tempo, isto é, ele age por seu livre arbítrio e motivação própria, mas também pelas influências que recebe, sejam de seu meio ambiente ou pelas interferências espirituais. Suas ações não decorrem apenas do momento atual, tampouco apenas de seu passado reencarnatórios. [...] Nesse sentido, o Evangelho utilizado apenas com essa finalidade, isto é, de referendar um enquadramento do que é bem e do que é mal, estaria sendo utilizado com uma finalidade muito aquém de suas possibilidades transformadoras. A claridade de sua essência estaria sendo de alguma forma depreciada. [...]
 Aqueles que se constituem em intérpretes das claridades do Evangelho devem buscar evitar se transformarem em profetas do apocalipse para que não lhe embace a luminosidade que deve conduzir o ser humano à felicidade. As advertências são válidas e preciosas, visto que alertam aos menos avisados quanto às consequências de seus equívocos, porém são igualmente necessárias propostas de aplicabilidade na vida material e em suas rotinas para que não se preguem atitudes exequíveis apenas num mundo imaginário ou que se situe no além. [...]
A profilaxia dos desequilíbrios humanos ou daquilo que o torna infeliz e que gera a ausência de paz, inicia-se na medida que ele desperta para se questionar. Propor medidas comportamentais para resolver aqueles desequilíbrios é como pular ou saltar um degrau importante da escada natural de crescimento espiritual do ser humano. Que se curem os males, mas que se questione a si mesmo. [...]
A personalidade de quem veicula a mensagem do Evangelho sem sombra de dúvidas interfere na forma como esta é veiculada e na interpretação que se lhe dá. Por mais que a pessoa se esforce em apresentar, através do exemplo pessoal, uma visão pura e límpida, a interpretação sempre conterá algo de particular. [...]
 O Cristo propõe que o curador se cure, isto é, que sua fala seja também, e principalmente, dirigida a si mesmo. Seu exemplo pessoal é a verdadeira mensagem que passa, tendo como base o que assimilou da original. A partir do que entendeu da mensagem que lhe inspira a vida, levará aos outros, de uma forma típica, aplicável aparentemente a todos, mas própria para aqueles que têm carma semelhante ao seu.
Numa família seus membros devem buscar aplicar o que pregam e aquilo que acreditam. Quando não se sintam em condições de fazê-lo devem pedir ajuda aos outros membros a fim de que todos compartilhem de problemas que pertencem a todos. Omitir os problemas àqueles que podem ajudar é demonstração de insegurança. Em alguns casos é compreensível que certos problemas possam ser omitidos a fim de não expor terceiros, porém deve-se buscar a participação de todo o grupo na solução e discussão de problemas comuns, inclusive das crianças, para que comecem logo cedo a entender a vida.
A fala do Cristo demonstra segurança e autoconfiança em si mesmo. Ele se expôs diante da Sinagoga sem esconder suas capacidades e disse para que veio. Nós devemos colocar em família o que ali estamos fazendo. Devemos ter equilíbrio e autodeterminação suficientes para assumir nossas responsabilidades em família.
(Do livro Evangelho e Família de Adenáuer Novaes)






sábado, 1 de junho de 2019

Ano III – Rio das Ostras – Edição Junho 2019


Editorial


Brilhar

“Assim resplandece a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. (Mateus, 5:16)

         Admitem muitos aprendizes que brilhar será adquirir destacada posição em serviços de inteligência, no campo da fé.
         Realmente, excluir a cultura espiritual, em seus diversos ângulos, da posição luminosa a que todos devemos aspirar, seria rematada insensatez.
         Aprender sempre para melhor conhecer e servir é a destinação de quem se consagra fielmente ao Mestre Divino.
         Ninguém se iluda com os fogos-fátuos do intelectualismo artificioso.
         Ensinemos o caminho da redenção, tracemos programas salvadores onde estivermos; brilhe a luz do Evangelho em nossa boca ou em nossa frase escrita, mas permaneçamos convencidos de que se esses clarões não descortinam as nossas boas obras, seremos invariavelmente recebidos no ouvido alheio e no alheio entendimento, entre a expectação e a desconfiança, porque somente em fundido pensamento, verbo e ação, no ensinamento de Jesus Cristo, haverá em torno de nós glorificação construtiva ao Nosso Pai que está nos Céus.
(Mensagem de Emmanuel, no livro Vinha de Luz de Francisco Candido Xavier)




Adoração

O vocábulo adoração significa, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ato ou efeito de adorar, que está intimamente relacionado à palavra veneração, culto que se rende a alguém ou algo considerado divindade. Todavia, afirmam os Espíritos Superiores que adoração consiste na elevação do pensamento a Deus.
Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma. Esclarecem também que a adoração está na lei natural, pois resulta de um sentimento inato no homem.
Tempos houve em que cada família, cada tribo, cada cidade e cada raça tinha os seus deuses particulares, em cujo louvor o fogo divino ardia constantemente na lareira ou nos altares dos templos que lhes eram dedicados.
Para entendermos a adoração, precisamos reconhecer que esta acompanha o processo evolutivo da criatura humana, uma vez que, como o homem evolui intelectual e moralmente, aperfeiçoa também sua concepção de Deus e a sua forma de adorá-lo.
Devemos considerar, no entanto, que longe ainda nos encontramos de adorar Deus em espírito e verdade, conforme preconiza o Espiritismo, e lembrando a mensagem cristã.
Os Espíritos Orientadores da Codificação Espírita nos esclarecem que adoração verdadeira é do coração. Em todas as vossas ações, lembrai-vos sempre de que o Senhor tem sobre vós o seu olhar. Esclarecem igualmente que a adoração exterior será útil, se não consistir num vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo. Mas, os que somente por afetação e amor-próprio o fazem, desmentindo com o proceder a aparente piedade, mau exemplo dão e não imaginam o mal que causam.
Na verdade, continuam elucidando os Espíritos Codificadores, Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes. Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam. É hipócrita aquele cuja piedade se cifra nos atos exteriores. Mau exemplo dá todo aquele cuja adoração é afetada e contradiz o seu procedimento. Declaro-vos que somente nos lábios e não na alma tem religião aquele que professa adorar o Cristo, mas que é orgulhoso, invejoso e cioso, duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens deste mundo. Deus, que tudo vê, dirá: o que conhece a verdade é cem vezes mais culpado do mal que faz, do que o selvagem ignorante. E como tal será tratado no dia da justiça. Se um cego, ao passar, vos derriba, perdoá-lo-eis; se for um homem que enxerga perfeitamente bem, queixar-vos-eis e com razão. Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais convenha, porque equivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do coração.
(Pauta de reflexão do livro de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Tomo I da FEB)




Quando orardes
  
“E, quando estiverdes orando, perdoai.”
Jesus (Marcos, 11:25)
A sincera atitude da alma na prece não obedece aos movimentos mecânicos vulgares. Nas operações da luta comum, a criatura atende, invariavelmente, aos automatismos da experiência material que se modifica de maneira imperceptível, nos círculos do tempo; todavia, quando se volta a alma aos santuários divinos do plano superior, através da oração, põe-se a consciência em contato com o sentido eterno e  criador da vida infinita.
Examine cada aprendiz as sensações que experimenta em se colocando na posição de rogativa ao Alto, compreendendo que se lhe faz indispensável a manutenção da paz interna perante as criaturas e quadros circunstanciais do caminho.
A mente que ora permanece em movimentação na esfera invisível.
As inteligências encarnadas, ainda mesmo quando se não conheçam entre si, na pauta das convenções materiais, comunicam-se através dos tênues fios do desejo manifestado na oração. Em tais instantes, que devemos consagrar exclusivamente à zona mais alta de nossa individualidade, expedimos mensagens, apelos, intenções, projetos e ansiedades que procuram objetivo adequado.
É digno de lástima todo aquele que se utiliza da oportunidade para dilatar a corrente do mal, consciente ou inconscientemente. É por este motivo que Jesus, compreendendo a carência de homens e mulheres isentos de culpa, lançou este expressivo programa de amor, a benefício de cada discípulo do Evangelho: – “E, quando estiverdes orando, perdoai.”
(Mensagem de Emmanuel no livro Pão Nosso de Francisco Cândido Xavier)