sábado, 31 de julho de 2021

Ano v - Rio das Ostras - Edição Agosto 2021

 Editorial

As Três Orações

Instado pela assembleia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese: Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países...

Em grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes. A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu. Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições. Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis. Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade. Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!... Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores. As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham... No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas... A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial...

Simão silenciou, comovido. E, depois de longa pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto:

Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

(Mensagem de Humberto de Campos no Livro Cartas e Crônicas de Francisco Cândido Xavier)

 


Religião

A ciência multiplica as possibilidades dos sentidos e a filosofia aumenta os recursos do raciocínio, mas a religião é a força que alarga os potenciais do sentimento. Por isso mesmo, no coração mora o centro da vida.

Dele partem as correntes imperceptíveis do desejo que se substanciam em pensamento no dínamo cerebral, para depois se materializarem nas palavras, nas resoluções, nos atos e nas obras de cada dia. Na luta vulgar, há quem menospreze a atividade religiosa, supondo-a mero artifício do sacerdócio ou da política, entretanto, é na predicação da fé santificante que encontraremos as regras de conduta e perfeição de que necessitamos para o crescimento de nossa vida mental na direção das conquistas divinas.

A humanidade, sintetizando o fruto das civilizações, é construção religiosa. Dos nossos antepassados invertebrados e vertebrados caminhamos nos milênios, de reencarnação em reencarnação, adquirindo inteligência, por intermédio da experimentação incessante, mas não é somente a razão o fruto de nosso aprendizado, no decurso dos séculos, mas também o discernimento ou a luz espiritual, com que pouco a pouco aperfeiçoamos a mente.

A religião é a força que está edificando a Humanidade. É a fábrica invisível do caráter e do sentimento. Milhões de criaturas encarnadas guardam, ainda, avançados patrimônios de animalidade. Valem-se da forma humana, como quem aproveita de uma casa nobre para a incorporação de valores educativos. Possuem coração para registrar o bem, contudo, abrigam impulsos de crueldade.

O instinto da pantera, a peçonha da serpente, a voracidade do lobo, ainda imperam no psiquismo de inumeráveis inteligências. Só a religião consegue apagar as mais recônditas arestas do ser. Determinando nos centros profundos de elaboração do pensamento, altera, gradativamente, as características da alma, elevando-lhe o padrão vibratório, através da melhoria crescente de suas relações com o mundo e com os semelhantes.

Nascida no berço rústico do temor, a fé iniciou o seu apostolado, ensinando às tribos primárias que o Divino Poder guarda as rédeas da suprema justiça, infundindo respeito à vida e aprimorando o intercâmbio das almas. Dela procedem os mananciais da fraternidade realmente sentida, e, embora as formas inferiores da religião, na antiguidade, muita vez incentivando a perseguição e a morte, em sacrifícios e flagelações deploráveis, e apesar das lutas de separação e incompreensão que dividem os templos nos dias da atualidade, arregimentando-os para o dissídio em variadas fronteiras dogmáticas, ainda é a religião a escola soberana de formação moral do povo, dotando o espírito de poderes e luzes para a viagem da sublimação.

A ciência construirá para o homem o clima do conforto e enriquecê-lo-á com os brasões da cultura superior; a filosofia auxiliá-lo-á com valiosas interpretações dos fenômenos em que a Eterna Sabedoria se manifesta, mas somente a fé, com os seus estatutos de perfeição íntima, consegue preparar nosso espírito imperecível para a ascensão universal.

(Mensagem de Emmanuel no livro Roteiro de Francisco Cândido Xavier)

 


Hora da Fé

Não é por causa dos estudos e do progresso das ciências que os homens se tornam materialistas, mas por causa do orgulho e da vaidade. Isso afirma Kardec, em O Livro dos Espíritos, reproduzindo instruções espirituais, na questão 148. E, a seguir, comenta: “Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não veem nos seres orgânicos mais do que a ação da matéria, e a esta atribuem todos os nossos atos”.

Essa aberração da inteligência torna-se mais evidente em nossos dias. A diagnose de Kardec foi de absoluta precisão.

No momento exato em que a cultura terrena perde as suas bases materiais e passa a girar na órbita do espírito, é absurdo, simples absurdo, lamentável prova da deformação da lógica pelo orgulho, a opção do materialismo.

A matéria se desfez em energia, e, portanto, em vibração, nas mãos dos físicos; a descoberta da antimatéria revelou novo plano de vida; a Astronáutica abriu-nos a possibilidade de contato com outros mundos habitados; os materialistas foram surpreendidos com a possibilidade de ver e fotografar o corpo espiritual do homem, e puderam constatar que esse corpo não se destrói com a morte.

 Quais os dados que esses avanços do conhecimento oferecem a favor da concepção materialista? Só uma aberração da inteligência, uma deformação da razão, pode levar alguém a deduzir, dessa enorme revolução científica, que o materialismo saiu vitorioso.

Os próprios filósofos materialistas, como no caso de Bertrand Russell, viram-se obrigados a estranhos malabarismos mentais para defender a sua concepção. Sartre, o filósofo do nada, perdeu popularidade em favor de Heidegger, até há pouco acusado de cair no misticismo.

É tolice dizer que o desenvolvimento atual das ciências favorece o materialismo. O próprio Einstein afirmou, bem antes desses avanços mais recentes: “O materialismo morreu por falta de matéria”. Quem opta pelo materialismo, nesta altura da evolução científica, revela falta de senso ou distúrbio do raciocínio. Seria o mesmo que Tomé dizer a Jesus ressuscitado: “Se toco as tuas chagas é porque não morreste”.

A tendência para o materialismo é ainda muito comum entre os jovens. “A juventude – disse Ingenieros – toca a rebate em toda renovação”. Os jovens trazem a missão de renovar o mundo e por isso lutam contra os princípios dominantes, rebelam-se contra os sistemas tradicionais.

A luta da Ciência contra a Religião – o dogmatismo fideísta emperrando o progresso – mostra-lhes de que lado estão as forças renovadoras. Eles se alistam afoitamente desse lado. Mas o Espiritismo transformou esse quadro, revelando que a Ciência também pode frear o progresso.

Os dogmas do materialismo científico são tão prejudiciais quanto os do fideísmo religioso. E os moços começam a compreender isso.

Temos de ajudar os jovens, mostrando-lhes que o Espiritismo não sofre dos prejuízos do dogmatismo fideísta ou do dogmatismo religioso. Temos de mostrar-lhes que a Ciência Espírita é hoje a posição de vanguarda. Mas para tanto é necessário desenvolvermos a Cultura Espírita, criando o clima adequado à compreensão da Doutrina em sua plenitude e não apenas no seu aspecto religioso.

Ai dos que tentam afastar os jovens do Cristo, subordinando-os à rotina dos velhos. O Espiritismo é a juventude do mundo, é a rebelião contra os erros do passado. Ele nos propõe uma hora de fé, mas de fé racional, de fé pelo saber.

(Mensagem de Irmão Saulo por J. Herculano Pires no livro Diálogo com os Vivos)

 



Psicografia recebida em 03/03/2020

Amigos, irmãos, é com muita alegria que aqui venho para trocar algumas palavras com todos vocês. Aproveito essa oportunidade a mim concedida, a fim de elucidar alguns fatos que ainda são pouco entendidos pela maioria, principalmente pelos que ainda não entenderam que é necessário estudar e conhecer os fundamentos morais e científicos dessa doutrina maravilhosa.

Irmãos, não demorem mais a buscar conhecera Doutrina Espírita. Nesta casa abençoada, vários são os estudos. Uma plêiade de irmãos espirituais responsabilizaram-se por inspirar àqueles que se colocaram como orientadores. Não adiem mais, os tempos são chegados. Para quem tem “olhos de ver” e ‘ouvidos de ouvir” como dizem as escrituras, os acontecimentos previstos pelas profecias já se fazem presentes em todo o planeta. Não nos surpreendamos com isso.

Os irmãos espirituais há muito veem nos alertar e exortar aos estudos e ao trabalho evangélico. Não se detenham mais. A “charrua” já está a espera de suas mãos operosas. Não temais, pois todo aquele que estiver sobre a égide do Senhor estará amparado e será fortalecido.

Aceitemos finalmente o apelo do nosso Cristo Jesus, caminhem céleres e corajosamente para a frente e não olheis para trás. Por que isso? Porque não devemos ficar presos ao passado, aos erros, à ignorância, apanágio de todos nós, mas que não nos pertencem mais.

Amados, muito esperamos de vocês, espíritas, baluarte do mundo regenerado. Mas lembrem-se: só o título de “espírita” não os libertará.

É preciso que promovam em si a verdadeira reforma íntima. É preciso que se transformem realmente nos apóstolos de Jesus. É preciso que evoluam a ponto de dizer como o nosso querido apóstolo Paulo: “O Cristo está em mim!”.

Meus irmãos, orar e vigiar, deve ser o seu lema. Coragem, discernimento e fé, aquela que “remove montanhas”. Não a percam, mesmo que atingidos pela dor, pois ela, se bem vivida, é o passaporte para um mundo melhor.

Que a paz do Mestre Jesus esteja com todos,

Irmão Josué.



sexta-feira, 2 de julho de 2021

Ano V - Rio das Ostras - Edição Julho 2021

 

Editorial

 

O Pão da Alma

Diariamente movimentas todos os recursos para a manutenção das condições físicas necessárias ao desempenho de tuas funções.

Zelas continuamente da aparência, a fim de provocar as melhores impressões a respeito da tua pessoa.

Normalmente não medes esforços para conquistar o bem-estar e o conforto de que careces para viver.

Esforças-te infinitamente para honrar os compromissos profissionais, ansiando por meritórias conquistas, a justificar tanto empenho.

Não podes, no entanto, esquecer que o corpo físico é abrigo momentâneo do espírito, e se te preocupas tanto com o corpo de carne, que é perecível, deves te preocupar ainda mais em manter saudável a tua alma.

Abastecê-la com o combustível luarizante da prece singela que a fortalece perante os embates naturais da existência, amealhar os bens morais, absolutamente imperecíveis, para garantir o aprimoramento.

Zelar para que nunca falte o ânimo de continuar a caminhada com afinco, mantendo a esperança.

Poupá-la de contendas dispensáveis que apenas poderão trazer desajustes incalculáveis, muitas vezes pondo em risco o tempo previsto da existência física, gerando doenças que impeçam o corpo biológico de permanecer atuante.

Já paraste para pensar que tua alma também necessita de uma boa alimentação?

E que apenas o bem exercido em todas as suas facetas pode realmente se transformar no pão da vida a sustentar a alma sob qualquer circunstância, transformando-se em roteiro seguro para a tua destinação, ofertando-te as melhores oportunidades de buscar Jesus e continuar servindo em nome do bem e do amor.

(Mensagem de Ma. Do Rosário Del Pilar no livro A conquista da felicidade de Eulália Bueno)

 


O Tesouro Maior

“Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.” — Jesus. (LC 12:34)

No mundo, os templos da fé religiosa, desde que consagrados à Divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus, onde Jesus ministra os seus bens aos corações da Terra, independentemente da escola de crença a que se filiam.

A essas subdivisões do eterno santuário comparecem os tutelados do Cristo, em seus diferentes graus de compreensão. Cada qual, instintivamente, revela ao Senhor onde coloca seu tesouro.

Muitas vezes, por isso mesmo, nos recintos diversos de sua casa, Jesus recebe, sem resposta, as súplicas de inúmeros crentes de mentalidade infantil, contraditórias ou contraproducentes.

O egoísta fala de seu tesouro, exaltando as posses precárias; o avarento refere-se a mesquinhas preocupações; o gozador demonstra apetites insaciáveis; o fanático repete pedidos loucos.

Cada qual apresenta seu capricho ferido como sendo a dor maior.

Cristo ouve-lhes as solicitações e espera a oportunidade de dar-lhes a conhecer o tesouro imperecível.

Ouve em silêncio, porque a erva tenra pede tempo destinado ao processo evolutivo, e espera, confiante, porquanto não prescinde da colaboração dos discípulos resolutos e sinceros para a extensão do divino apostolado.

No momento adequado, surgem esses, ao seu influxo sublime, e a paisagem dos templos se modifica.

Não são apenas crentes que comparecem para a rogativa, são trabalhadores decididos que chegam para o trabalho.

Cheios de coragem, dispostos a morrer para que outros alcancem a vida, exemplificam a renúncia e o desinteresse, revelam a Vontade do Pai em si próprios e, com isso, ampliam no mundo a compreensão do tesouro maior, sintetizado na conquista da luz eterna e do amor universal, que já lhes enriquece o espírito engrandecido.

(Mensagem de Emmanuel no livro Caminho Verdade e Vida de Francisco Cândido Xavier)

 


Evangelho e Individualidade

Efetivamente, as massas acompanhavam o Cristo, de perto, no entanto, não vemos no Mestre a personificação do agitador comum.

Em todos os climas políticos, as escolas religiosas, aproximando-se da legalidade humana, de alguma sorte partilham da governança, estabelecendo regras espirituais com que adquirem poder sobre a multidão.

Jesus, porém, não transforma o espírito coletivo em terreno explorável.

Proclamando as bem-aventuranças à turba no monte, não a induz para a violência, a fim de assaltar o celeiro dos outros. Multiplica, Ele mesmo, o pão que a reconforte e alimente. Não convida o povo a reivindicações.

Aconselha respeito aos patrimônios da direção política, na sábia fórmula com que recomendava seja dado “a César o que é de César”.

Muitos estudiosos do Cristianismo pretendem identificar no Mestre Divino a personalidade do revolucionário, instigando os seus contemporâneos à rebeldia e à discórdia; entretanto, em nenhuma passagem do seu ministério encontramos qualquer testemunho de indisciplina ou desespero, diante da ordem constituída.

Socorreu a turba sofredora e consolou-a; não se mostrou interessado em libertar a comunidade das criaturas, cuja evolução, até hoje, ainda exige lutas acerbas e provações incessantes, mas ajudou o Homem a libertar-se.

Ao apóstolo exclama _ “vem e segue-me.”

Á pecadora exorta _ “vai e não peques mais”.

Ao paralítico fala, bondoso _ “ergue-te e anda”.

Á mulher sirofenícia diz, convincente _ “a tua fé te curou”.

Por toda parte, vemo-lo interessado em levantar o espírito, buscando erigir o templo da responsabilidade em cada consciência e o altar dos serviços aos semelhantes em cada coração.

Demonstrando as preocupações que o tomavam, perante a renovação do mundo individual, não se contentou em sentar-se no trono diretivo, em que os generais e os legisladores costumam ditar determinações...

Desceu, Ele próprio, ao seio do povo e entendeu-se pessoalmente com os velhos e os enfermos, com as mulheres e as crianças.

Entreteve-se em dilatadas conversações com as criaturas transviadas e reconhecidamente infelizes.

Usa a bondade fraternal para com Madalena, a obsidiada, quanto emprega a gentileza no trato com Zaqueu, o rico.

Reconhecendo que a tirania e a dor deveriam permanecer, ainda, por largo tempo, na Terra, na condição de males necessários à retificação das inteligências, o Benfeitor Celeste foi, acima de tudo, o orientador da transformação individual, o único movimento de liberação do espírito, com bases no esforço próprio e na renúncia ao próprio “eu”.

Para isso, lutou, amou, serviu e sofreu até à cruz, confirmando, com o próprio sacrifício, a sua Doutrina de revolução interior, quando disse: “e aquele que deseja fazer-se o maior no Reino do Céu, seja no mundo o servidor de todos.”

(Mensagem de Emmanuel no livro Roteiro de Francisco Cândido Xavier)

 



Psicografia de 20/02/2020

 

Companheiros, boa tarde, que Jesus ampare a todos.

Interessante, alguém me chamou, alguém dentro deste local chamou o meu nome diversas vezes, parecia que precisava me ouvir, tinha necessidade de me achar, mas é tudo tão difícil e nem sempre conseguimos chegar tão perto.

Eu tenho minhas dúvidas se mereço aqui estar, mas como dizem, para Deus e a Espiritualidade nada é impossível.

Aqui estou eu cheio de dúvidas, quem será que me chamou? Minha mãe? Minha irmã? Não sei, mas só elas me amaram em vida.

Não fui uma pessoa fácil, era muito autoritário, sem educação e rebelde, pelo que me lembro, apesar de me amarem nossos dias eram de difícil convivência.

Vivi pouco, acho que foi a providência divina que abreviou meus dias, que não foram fáceis e nem normais.

Me chamo Paulo Dias e minha mãe, Doroteia, morava no Meyer e lá aprontei tudo de mal, mais uma coisa, não conheci meu pai e minha mãe dizia que eu era assim por esse motivo.

Desde o meu desencarne muita coisa mudou, aprendi muito, fui ajudado e já estou em situação melhor, me preparando para trabalhar e poder receber minha mãe.

Ainda não consegui ser feliz, mas estou evoluindo com a ajuda de todos.

Fiquem com Deus,

Paulo Dias.



segunda-feira, 31 de maio de 2021

Ano V - Rio das Ostras - Edição Junho 2021

 Editorial

Evangelho e Dinamismo

Desde os primórdios da organização religiosa no mundo, há quem estime a vida contemplativa absoluta por introdução imprescindível às alegrias celestiais.

Cristalizado em semelhante atitude, o crente demanda lugares ermos como se a solidão fosse sinônimo de santidade. Poderá, contudo, o diamante fulgurar no mostruário da beleza, fugindo ao lapidário que lhe apura o valor?

Com o Cristo, não vemos a ideia de repouso improdutivo como preparação do Céu.

Não foge o Mestre ao contacto com a luta comum.

A Boa Nova em seu coração, em seu verbo e em seus braços é essencialmente dinâmica.

Não se contenta em ser procurado para mitigar o sofrimento e socorrer a aflição.

Vai, Ele mesmo, ao encontro das necessidades alheias, sem alardear presunção.

Instrui a alma do povo, em pleno campo, dando a entender que todo lugar é sagrado para a Divina Manifestação.

Não adota posição especial, a fim de receber os doentes e impressioná-los.

Na praça pública, limpa os leprosos e restaura a visão dos cegos.

À beira do lago, entre pescadores, reergue paralíticos.

Em meio da multidão, doutrina entidades da sombra, reequilibrando obsidiados e possessos.

Mateus, no capítulo nove, versículo trinta e cinco, informa que Jesus “percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nos templos que encontrava, pregando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades que assediavam o povo”.

Em ocasião alguma o encontramos fora de ação.

Quando se dirige ao monte ou ao deserto, a fim de orar, não é a fuga que pretende e sim a renovação das energias para poder consagrar-se, mais intensamente, à atividade.

Certamente, para exaltar os méritos do Reino de Deus, não se revela pregoeiro barato da rua, mas afirma-se, invariavelmente, pronto a servir.

Atencioso, presta assistência à sogra de Pedro e visita, afetuosamente, a casa de Levi, o publicano, que lhe oferece um banquete.

Não impõe condições para o desempenho da missão de bondade que o retém ao lado das criaturas.

Não usa roupagens especiais para entender-se com Maria de Magdala, nem se enclausura em preconceitos de religião ou de raça para deixar de atender aos doentes infelizes.

Seja onde for, sem subestimar os valores do Céu, ajuda, esclarece, ampara e salva.

Com o Evangelho, institui-se entre os homens o culto da verdadeira fraternidade.

O Poder Divino não permanece encerrado na simbologia dos templos de pedra.

Liberta-se.

Volta-se para a esfera pública.

Marcha ao encontro da necessidade e da ignorância, da dor e da miséria. Abraça os desventurados e levanta os caídos.

Não mais a tirania de Baal, nem o favoritismo de Júpiter, mas Deus, o Pai, que, através de Jesus Cristo, inicia na Terra o serviço da fé renovadora e dinâmica que, sendo êxtase e confiança, é também compreensão e caridade para a ascensão do espírito humano à Luz Universal.

(Mensagem de Emmanuel, do livro Roteiro de Francisco Cândido Xavier)

 


 Sal da Terra, Luz do Mundo

 Vós sois o sal da terra; se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.

(Mateus, 5:13 -15)

Vós sois o sal da terra. Singular analogia. Que relação haverá entre o sal e os discípulos do Senhor? Que pretenderia o Mestre dizer com essas palavras?

[...] O sal é um mineral precioso, difusamente espalhado em nosso globo, segundo as necessidades previstas pela Natureza. Nós o vemos em abundância desde as camadas secas, cristalizadas em certas regiões, até a formidável quantidade que dele se encontra diluída nessa massa enorme d’água de que se compõem diversos lagos e todos os mares de nosso orbe. A influência que o sal exerce em nosso organismo, para lhe manter o equilíbrio fisiológico, é de capital importância, dependendo de seu indispensável concurso a manutenção de nosso bem-estar físico.

[...] A Química nos ensina que onde quer que o encontremos, seja na terra ou no mar, ele é sempre o mesmo: inalterado, inalterável. Dotado de qualidades essencialmente conservadoras, mantém-se incorruptível, preservando ainda os corpos que com ele entram em contacto.

Eis aí precisamente o que quer Jesus que sejam seus discípulos: elementos preciosos, de grande utilidade na economia social, tipos de honestidade, incorruptíveis e preservadores da dissolução moral no meio em que se encontrarem.

Ele quer, em suma, que seus discípulos se distingam na esfera espiritual pelos mesmos predicados porque se distingue o sal no plano físico.

Na condição de condimento, o sal deve ser utilizado de maneira adequada, de modo balanceado. Se utilizado abaixo da quantidade necessária torna a alimentação insípida, se em doses altas torna a alimentação excessivamente salgada.

Semelhantemente, o aprendiz e o auxiliar dos núcleos espíritas devem agir, junto às pessoas com necessidades ou sofrimentos, de forma comedida, discreta, equilibrada e temperante.

A imagem do sal é a de um componente que explicita essa postura no campo do trabalho que nos é disponibilizado pelo Plano Maior. Simboliza o imperativo do equilíbrio, principalmente das emoções, assim como a utilização dos valores morais e intelectuais de que já dispomos com segurança, a fim de que possamos cooperar de modo coerente e eficiente, na tarefa que nos é confiada.

Se o sal for destituído do seu componente ativo, torna-se insosso. No sentido espiritual, a pessoa que se desperta para o Cristo é ativa. Não se abate perante os fracassos e enfrenta com bom ânimo os desafios da vida.

A luz é o ponto de referência, também, do sistema evolucional que se irradia por todo o universo. No Planeta, é, em nome do Criador, a dispensadora dos recursos da vida.

Nos planos mais profundos da alma é o foco clareador da mente em suas nuances de razão e sentimento, garantindo esclarecimento, segurança e reconforto.

Posicionados como aprendizes de Jesus, os discípulos sinceros serão sempre os elementos refletores, de maior ou menor limpidez, da luz soberana que irradia, em plenitude, do próprio Cristo.

Iniciados na luz da Revelação Nova, os espiritistas-cristãos possuem patrimônios de entendimento muito acima da compreensão normal dos homens encarnados.

Em verdade, sabem que a vida prossegue vitoriosa, além da morte; que se encontram na escola temporária da Terra, em favor da iluminação espiritual que lhes é necessária; [...] que toda oportunidade de trabalho no presente é uma bênção dos Poderes Divinos; que ninguém se acha na Crosta do Planeta em excursão de prazeres fáceis, mas, sim, em missão de aperfeiçoamento; [...] que a existência na esfera física é abençoada oficina de trabalho, resgate e redenção e que os atos, palavras e pensamentos da criatura produzirão sempre os frutos que lhes dizem respeito, no campo infinito da vida.

A luz simboliza o esclarecimento, a orientação, o processo educativo, capazes de nos transformar para melhor, nos libertando do vale de lágrimas e de dores onde, usualmente, estamos relegados.

A candeia deve ser colocada, não debaixo do alqueire, encoberta pela indiferença ou interesse pessoais, mas no velador, para que possa oferecer luz a todos.

É óbvio que cada um assimila de acordo com a sua percepção e com o seu piso evolutivo.

A plena capacidade de irradiação da luz indica, também, o espírito de solidariedade, amor e cooperação que deve estar presente nas relações humanas.

Trabalhemos nós, como os discípulos do Mestre, para sermos sal da terra, luz do mundo...

(Pauta do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, FEB)

 


 


Psicografia recebida em 09/02/2020

 

Quanto tempo perdido, quantas horas de amargura, mergulhadas em lágrimas de ira e rancor.

Quanto tempo perdido! Oh! Se soubesse das maravilhas que me guardavam e podiam suavizar aquela vida tão sofrida devido a tanta ignorância.

Custei a reconhecer e entender que meu Mestre não tinha títulos, não tinha o reconhecimento dos homens!

Nosso mestre não tem títulos porque ele, todo puro é simplesmente; ele é amor, ele é luz!

Mergulhado no orgulho, preocupava-me com títulos que me garantissem a superioridade por onde passasse, fosse no meio onde trabalhava, onde eu fazia questão de mostrar que até era eu quem mandava.

Na família queria a demonstração de todos de que eu era o chefe que todos me deviam obediência.

Quanta ignorância, quanto tempo de vida perdido!

Mas foi necessário tantas perdas para que eu entendesse que a superioridade só pertence ao Mestre.

A mim apenas a certeza de que há um longo caminho a percorrer e que devo combater com bravura o orgulho que sufocou minha alma.

Avante irmãos, iluminem vossas consciências e combatam com afinco o pior dos males destruidores da paz entre os homens, o orgulho.

Que o Senhor esteja convosco. Um irmão esforçado,

Manuel de Alcântara.




domingo, 2 de maio de 2021

Ano V - Rio das Ostras - Edição Maio 2021

 Editorial

 Deus e Caridade

Por longos e tortuosos caminhos, temos procurado a integração com Deus.

Existências múltiplas atravessamos, forças enormes despendemos...

Julgávamos estivesse nele a egolatria dos tiranos coroados e inventamos processos de adoração com que lhe granjeássemos a simpatia; supúnhamos homenagear-lhe a grandeza com o fausto dos ritos exteriores e erigimos palácios em que ofertássemos o ouro e a púrpura, em forma de louvor; acreditávamos que o Supremo Senhor quisesse dominar as criaturas pelo freio da violência e não hesitávamos em criar sistemas religiosos de opressão com que se dobrasse a cerviz de quantos não pensassem pela nossa cabeça; admitíamos fosse ele ávido de honrarias e não vacilávamos consagrar-lhes sacrifícios sanguinolentos, à frente de símbolos com que lhe mentalizávamos a presença!...

Compadecendo-se de nossa ignorância, a Divina Providência deliberou enviar alguém que nos instruísse nos caminhos da elevação, e Jesus, o Sublime Governador do Planeta Terrestre, veio em pessoa explicar-nos que Deus não nos pede nem adulações e nem pompas, nem vítimas e nem holocaustos, e sim o coração inflamado de fraternidade, a serviço do bem, para que a Terra se abra, enfim, à glória e à felicidade do Seu Reino.

Por esse motivo, o Mestre, embora respeitasse as convicções dos seus contemporâneos, esmerou-se em ensinar-nos a união com Deus, acima de tudo, através do socorro aos necessitados, da esperança aos tristes, do amparo aos enfermos e do alívio aos sofredores de todas as procedências...

Desde então, renovadora luz clareou o espírito das nações e a Humanidade começou a compreender que Deus, o Pai Justo e Misericordioso, a ninguém exclui de Sua Bênção e que a todos nos espera, hoje ou mais tarde, por filhos bem-amados, unidos na condição de verdadeiros irmãos uns dos outros.

É por isso que, em todos os países e em todas as crenças, em todos os templos e em todos os lares da Terra, onde se pratique realmente o evangelho de Jesus, o culto à Providência Divina começa com a caridade primeiro.

(Reflexões de Emmanuel e André Luiz no Livro Estude e Viva de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

 




Caridade e Raciocínio

Todos pensamos na caridade, todos falamos em caridade!...

A caridade, indubitavelmente, é o coração que fala, entretanto, nas situações anormais da vida, há que ouvir o raciocínio, a fim de que ela seja o que deve ser.

Nada fere tanto como a visão de um ente querido, sob os tentáculos do câncer.

O coração chora. Mas se a radiografia sugere trabalho operatório, pede o raciocínio para que a cirurgia lhe revolva a carne atormentada, na suprema tentativa de recuperação.

Nada enternece mais do que abraçar um pequenino nas alegrias do lar.

O coração festeja. Mas se a criança brinca com fósforos, aconselha o raciocínio se lhe dê corrigenda.

Nada sensibiliza mais do que encontrar um alienado mental, atirado à rua.

O coração lamenta. Mas se o louco, em crise de fúria, carrega bombas consigo, prescreve o raciocínio seja ele contido à força.

Nada preocupa mais que observar um companheiro, no abuso de entorpecentes.

O coração sofre. Mas se o irmão, vinculado a semelhante hábitos, distribui narcóticos, fazendo vítimas, solicita o raciocínio se lhe providencie a necessária segregação para o tratamento preciso.

...

O raciocínio, em nome da caridade, não tem decerto, a presunção de violentar consciência alguma, impondo-lhe freios ou drásticos que lhe objetivem o aperfeiçoamento compulsório.

A Misericórdia Divina é paciência infatigável com os nossos multimilenários desequilíbrios, auxiliando a cada um de nós, através de meios determinados, de modo a que venhamos, saná-los, por nós mesmos, com o remédio amargoso da experiência, no veículo das horas.

Surge a autoridade do raciocínio, quando os nossos males saem de nós, em prejuízo dos outros.

Clareando a definição, comparemos a caridade, nascendo das profundezas da lama, com a fonte que se derrama espontânea, das entranhas da terra. A fonte pode ser volumosa ou escassa, reta ou sinuosa, jorrar da montanha ou descambar na planície, saciar monstros ou dar de beber às aves do céu, tudo dependendo da estrutura, do clima, do solo ou das circunstâncias em que se movimente. Em qualquer ângulo que se mostre, pode o sentimento louvar-lhe a beleza e exaltar-lhe a utilidade que fertiliza glebas, acalenta vidas, garante lares, multiplica flores e retrata as estrelas, mas, se nessa ou naquela fonte, aparecem culturas do esquistossomo, é necessário que o raciocínio intervenha e, para o bem geral, lhe impeça o uso.

(Reflexões de Emmanuel e André Luiz no Livro Opinião Espírita de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

 


Psicografia recebida em 16/02/2020

Queridos Irmãos,

É chegada a hora da reforma íntima de cada um. Não adianta esperar a mudança de hábitos e comportamentos dos demais companheiros. Primeiro, a reforma íntima acontece dentro de cada ser. Para isso é necessário que os pensamentos tenham vibrações do bem e que as ações sejam positivas, ampliando o campo vibracional. A caridade, a benevolência, a paciência e a indulgência são ingredientes fundamentais para que as mudanças sejam iniciadas. Assim como o perdão e o amor que são pilares para uma vida em harmonia.

Caros irmãos, não deixemos para o dia de amanhã o que pode ser começado hoje.

Louvemos por momentos de paz e tranquilidade!

Procurem fazer o bem sem saber a quem!

Procurem abrir seus corações realizando a limpeza interna. Com essa limpeza tudo tende a fluir de forma mais leve e serena. A raiva, o rancor, a discórdia e o desentendimento atrapalham a evolução aqui na Terra.

Pensem que é possível realizar a reforma íntima. Iniciem agora, aos poucos. Depois verão o resultado dessa mudança.

Fiquem em paz! Irmão Samuel.

 


Psicografia recebida em 30/01/2020

Meus irmãos, o mundo em que vocês se encontram passa por mudanças e essas mudanças também deverão ser em todos aqueles que desejam perpetuar o bem em seus íntimos.

O progresso não é somente material, é principalmente espiritual, pois todos são espíritos num corpo de matéria e precisam trabalhar cada um em sua evolução.

Venho aqui deixar um pequeno lembrete, pois todos têm em suas consciências as Leis Divinas, as Leis de Deus.

Mas é preciso principalmente se conhecer para saber o que se deve melhorar.

Esta vida não é real. A vida espiritual, a vida do Espírito que é a verdadeira e eterna. Pois bem, sabendo disso, por que vocês só trabalham para obter os bens materiais? Por que se fixar em pensamentos destrutivos? Por que não agir no bem de todos?

Todos somos irmãos e sempre seremos, porque o Nosso Pai nos criou para sermos uma única família, a Família Universal.

Ajam com amor, sempre com a vontade firme de ajudar. Pensem no bem de todos e assim o burilamento em vocês será completo.

Deus nos enviou para executarmos o amor a nós e a toda a Sua Criação.

Façam isso e conseguirão a plena paz.

Sejam vocês, melhores ao regressarem à verdadeira Pátria. O Espírito precisa retornar ao ambiente natural dele, porém, melhor do que quando saiu.

Férias, somente quando cumprirmos as nossas missões, mesmo assim, somente por pouco tempo. O aprendizado e a evolução são contínuos.

Aproveitem o momento em que passam neste lindo planeta e melhorem-se moralmente, espiritualmente e materialmente.

Nunca se esqueçam que somos Espíritos e não matéria.

Viemos para progredir e auxiliar aos nossos irmãos.

Sintam-se envolvidos pela Luz Crística e, fortalecidos na fé, perseverem.

Vocês conseguem, basta ter a vontade em AÇÃO NO BEM.

Muita paz, um irmão.



sábado, 3 de abril de 2021

Ano V - Rio das Ostras - Edição Abril 2021

 Editorial

 Tempo de Confiança

 “E disse-lhes: Onde está a vossa fé?” — (LUCAS, capítulo 8, versículo 25.)

 

A tempestade estabelecera a perturbação no ânimo dos discípulos mais fortes. Desorientados, ante a fúria dos elementos, socorrem-se de Jesus, em altos brados.

Atende-os o Mestre, mas pergunta depois: — Onde está a vossa fé?

O quadro sugere ponderações de vasto alcance. A interrogação de Jesus indica claramente a necessidade de manutenção da confiança, quando tudo parece obscuro e perdido. Em tais circunstâncias, surge a ocasião da fé, no tempo que lhe é próprio.

Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita, revelar-se-á igualmente a confiança na hora adequada.

Ninguém exercitará otimismo, quando todas as situações se conjugam para o bem-estar. É difícil demonstrar-se amizade nos momentos felizes.

Aguardem os discípulos, naturalmente, oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente os ensinos do Senhor. Sem isso, seria impossível aferir valores.

Na atualidade dolorosa, inúmeros companheiros invocam a cooperação direta do Cristo. E o socorro vem sempre, porque é infinita a misericórdia celestial, mas, vencida a dificuldade, esperem a indagação:

— Onde está a vossa fé?

E outros obstáculos sobrevirão, até que o discípulo aprenda a dominar-se, a educar-se e a vencer, serenamente, com as lições recebidas.

(Mensagem de Emmanuel no livro Caminho, Verdade e Vida de Francisco Cândido Xavier)

 


No problema da dor

Para liquidar o problema da dor, ninguém deprecie a responsabilidade que lhe compete.

O Universo é regido pela Justiça Divina e, nos tribunais do Perfeito Equilíbrio, todo sofrimento é resgate entre as criaturas, quando não seja luminosa missão de amor dos espíritos angélicos.

Para ilustrar o conceito, recordemos que as doenças no mundo requerem medidas especiais.

O embaraço gástrico pede medicação laxativa.

A apendicite reclama a intercessão operatória.

A escabiose aguarda recurso balsamizante.

O carcinoma pede extirpação e limpeza.

A loucura roga amparo e insulamento.

Para a legião das moléstias comuns, surge todo um exército de especialistas e enfermeiros, socorros e intervenções.

Assim também, na Vida Espiritual, cada consciência culpada que lhe alcança os domínios pelos braços da morte, implora a assistência na farmácia da vida.

A dor é procurada como remédio valioso e a reencarnação é o caminho em que deve ser encontrada.

Quem abusou da fortuna material, pede a cooperação da extrema pobreza.

Quem relaxou a saúde, clama pela enfermidade como medida capaz de garantir-lhe o reajuste.

Quem se arrojou à delinquência, na alucinação da beleza física, pede o corpo disforme que lhe assegure o retorno à tranquilidade. Quem aviltou a inteligência, suplica as inibições mentais do cérebro curto, como serviço indispensável à própria restauração.

Quem se valeu do poder para espalhar aflições e lágrimas, requisita a desvalia social com problemas difíceis em que lágrimas e aflições lhe regenerem o campo íntimo.

Recebe, pois o tipo de experiência que escolheste na Terra, em benefício de tua própria recuperação para Deus, sem desfalecer no trabalho que a Justiça te reservou.

Acolhe a dor e a luta por sábias instrutoras da vida e não lhes menoscabes o concurso santificante.

A sombra de ontem te procura o asilo de hoje e somente ao preço de teu sacrifício na tarefa redentora, pelo próprio dever bem cumprido, é que atingirás, valoroso e feliz, a Plena Luz de Amanhã.

(Reflexões de Emmanuel no livro Palavras de Fé de Francisco Cândido Xavier e Carlos A. Baccelli)

 


 

O Educandário Familiar

A família é o resultado do largo processo evolutivo do espírito na extensa trajetória vencida por meio das sucessivas reencarnações.

Resultado do instinto gregário que une todos os animais, aves, répteis e peixes em grupos que se auxiliam e se interdependem reciprocamente, no ser humano atinge um estágio relevante e de alta significação, em face da conquista do raciocínio, da consciência.

Dessa forma, a família é o alicerce sobre o qual a sociedade se edifica, sendo o primeiro educandário do espírito, onde são aprimoradas as faculdades que desatam os recursos que lhe dormem latentes.

A família é a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais.

[...]  É permanente oficina onde se caldeiam os sentimentos e as emoções, dando-lhes a direção correta e a orientação segura para os empreendimentos do futuro.

Por essa razão, é que não se vive na família ideal, aquela na qual se gostaria de conviver com espíritos nobres e ricos de sabedoria, mas no grupo onde melhormente são atendidas as necessidades da evolução.

Não poucas vezes, no grupo doméstico ressumam as reminiscências perturbadoras do Além ou de outras existências, que devem ser trabalhadas pelo cinzel da misericórdia, da tolerância e da compaixão, a fim de que sejam arquivadas como diferentes emoções enobrecidas, que irão contribuir em favor do progresso de todos.

[...] Mesmo quando não correspondendo às expectativas pessoais, em face do reencontro com adversários ou caracteres inamistosos, no lar adquire-se a necessária filosofia existencial para conduzir-se com equilíbrio durante toda a existência.

O exercício da paciência no clã familiar é valiosa contribuição para a experiência iluminativa, porquanto, se aqueles com os quais se convive tornam-se difíceis de ser amados, gerando impedimentos emocionais que se sucedem continuamente, como poder-se vivenciar o amor em quais não se tem relacionamento, senão por paixão ou sentimentos de interesse imediatista?

[...] Aquele que hoje se apresenta agressivo e cínico no grupo doméstico, dando lugar a guerrilhas perversas, encontra-se doente da alma, merecendo orientação e exigindo mais paciência. Ninguém se torna infeliz por mero prazer, mas em consequência de muitos fatores que lhe são desconhecidos.

[...] No entanto, na família, em razão dos sentimentos, das individualidades, das experiências transatas, o fenômeno é muito diferente, oscilando o equilíbrio conforme o desenvolvimento ético-moral de cada qual, que se apresenta conforme é e não consoante gostaria de ser.

[...] É da Divina Lei que somente através do amor o espírito encontra a plenitude, e a família é o local onde se aprimora esse sentimento, que se desdobra em diversas expressões de ternura, de abnegação, de afetividade...

Com o treinamento doméstico o espírito adquire a capacidade de amar com mais amplitude, alcançando a sociedade, que se lhe transforma em família universal.

(Reflexões de Joanna Di Ângelis no livro Constelação Familiar de Divaldo Pereira Franco)

 


Psicografia recebida em 13/02/2020

 Querida irmã, não tripudie sobre o nome do Senhor; tenha consciência de seus erros e humildade em reconhecer que sobre eles recaem todas as suas responsabilidades. Sobre ninguém podes jogar suas frustrações por escolhas malfeitas e caminhos tortuosos que se formaram na sua estrada, moldados por seus próprios pensamentos e sentimentos.

Deus está ao seu lado, mesmo que você erre e o culpe por isso. Ponha a sua consciência em análise e reconcilie-se com Ele.

Venha ser feliz, dentro de todas as limitações impostas por este Mundo-Escola; há nele a possibilidade de vislumbrar a felicidade relativa, destinada a ti, neste momento.

Não fuja de suas obrigações, seja convicta e perseverante, pois dificuldades são necessárias ao nosso crescimento. Estamos ao seu lado lhe amparando constantemente e esperando o seu fortalecimento e compromisso.

Fique em paz e seja bem-vinda, do seu irmão Jonas.