terça-feira, 31 de março de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Abril 2020


Editorial

A Casa Espírita somos nós
Quando você conheceu a doutrina Espírita?
Em que momento o Consolador te acolheu e te ensinou uma nova forma de olhar a vida, convidando-o a assumir a responsabilidade dos seus passos?
Em que momento a sua reforma íntima te fez vencer as primeiras sombras percebidas e a olhar seu irmão difícil de caminhada como uma oportunidade de sublimação?
Você lembra da primeira vez que venceu o egoísmo e entendeu a máxima que "Fora da Caridade não há salvação"? Se você é Espírita, como eu, é bem provável que a Casa Espírita que você frequenta não esteja aberta neste momento. Pode ser que você tenha se sentido perdido, sem saber o que fazer no horário habitual de um curso, ou da tarefa que você executa há tantos anos, ou há poucos meses, e já estava tão acostumado... Pode ser que as palestras virtuais dos dias de hoje te pareçam mais frias, sem os abraços calorosos daqueles companheiros de jornada.
Mas o que é a Casa Espírita sem as pessoas? Apenas um imóvel vazio. Nestes dias, a sua, a minha Casa Espírita é uma casa de tijolos fechada.
Nestes dias, a Casa Espírita é você, sou eu, é aquele tarefeiro que fazia de tudo, e é aquele que estava lá, mas pouco se envolvia.
Nestes dias, estamos sendo convidados a perpetuar o que lá aprendemos, alguns durante uma vida toda, outros, durante alguns anos, ou por um dia.
Não há quem possa alegar desconhecer a mensagem. Nenhum de nós pode alegar ser ignorante completo. Por isso, é chegado o momento do nosso testemunho. De trabalhar onde quer que estejamos para ajudar a Jesus na elevação das vibrações do planeta, de socorrer com palavras amigas aquele irmão que se desequilibrou, de praticar a caridade dentro do nosso lar, de divulgar a doutrina Espírita, se preciso, com palavras!
Já nos dizem os benfeitores que, quando o trabalho surge, o trabalhador está pronto!
O convite está feito! Avante, irmãos!
(Mensagem da Diretoria da Casa espírita Suave Caminho aos amigos e tarefeiros, 27/03/2020)




Fiat Lux
“A Terra era vã e vazia; e as trevas cobriam a face do abismo... e disse, então Deus: ‘Faça-se a luz’; e a luz foi feita”. (Gênesis, 1:2 e 3)
Assim como a Terra no princípio, assim é hoje, espiritualmente, a sua sociedade, em que pese à presunção dos super-homens que a dirigem e orientam. As trevas envolvem a mente e os corações. No seio da Humanidade verifica-se a predominância daqueles dois traços que assinalaram os tempos primitivos; tudo é vão e primitivo.
Os magnos problemas sociais são ventilados através dos séculos e milênios. Sobre cada um deles avolumam-se uma avalanche de teorias e opiniões eivadas do personalismo dos seus respectivos autores. Muito se discute e muito se controverte. Nada obstante, os referidos problemas continuam insolúveis. A enfermidade e a dor, sob seus multiformes aspectos, continuam a todos flagelando. A miséria, o vício e o crime se alastram e se multiplicam como vivo protesto à decantada civilização hodierna. A guerra cruenta, impiedosa e bárbara prossegue seu curso, como outrora, na sua faina devastadora, espalhando a morte e a desolação por quase toda a face do planeta. O direito brutal da força predomina sobre a força serena do direito. A materialidade de protesto reinante abafa o surto de espiritualismo onde quer que ele ouse levantar seu brado de protesto ou alarme. As trevas cobrem a face do abismo!
Urge que, de novo, o Divino Verbo profira a excelsa sentença através dos arautos celestes. Fiat Lux. Sim, faça-se a luz no íntimo das almas que habitam o orbe terráqueo. Somente mediante tal acontecimento se logrará reformar o mundo, substituindo-se os usos e costumes selvagens pelos hábitos e maneiras consentâneas com os precípuos postulados da verdadeira civilização. As providências tomadas fora desse programa não passam de paliativos e remendos, com resultados muito relativos. Não será, jamais, com “Fly-tox” (tipo de inseticida) que se extinguirão os mosquitos, mas sim com medidas higiênicas de saneamento do solo onde aqueles insetos encontram meio propício à sua proliferação. Enquanto as trevas cobrirem a face do abismo, a Terra continuará sendo o teatro de lutas fraticidas, ambiência propícia a eclosão do crime e do vício, da miséria e da enfermidade. Os homens têm curado de tudo que concerne à matéria, relegando o Espírito para plano secundário. Vestiram o corpo de púrpura e linho finíssimo, deixando a alma esfarrapada, seminua, coberta de andrajos e molambos. Escolas que moralize e instruam, educando o coração e o cérebro da nossa infância e da nossa juventude – eis a grande, a maior de todas necessidades reclamadas pelo momento que atravessamos.
“Se é triste”, disse Victor Hugo, “ver um corpo morrendo por falta de pão, mais triste ainda é ver uma alma estiolando por falta de luz.”
Fiat lux! Dissipem-se as trevas que cobrem a face do abismo em que a materialidade do século precipitou o nosso orbe. Tudo o mais será dado de graça e por acréscimo.
(Mensagem de Vinícius no Livro Na Seara do Metre)




Meus filhos queridos André, Joana, Luiz e querido esposo José, é com grande alegria que aqui estou para dizer a vocês, através de nossos irmãos, tudo que tenho há muito tempo guardado para que possa repassá-lo a vocês.
Quando desencarnei, fui logo recebida por minha mãe Lídia e meu pai João que, até hoje, muito me auxiliam aqui neste plano em que me encontro.
Meus filhos, a vida continua, isto é, o espírito que todos somos não acaba sem a matéria. Sei que minha partida deixou vocês muito tristes e desorientados, mas com a ajuda da fé de todos, felizmente, tudo acabou voltando à normalidade. Sinto também muitas saudades de vocês, do José e de meus netos que, daqui onde me encontro, tenho acompanhado o desenvolvimento deles. Estão cada vez mais lindos, peço a Deus que os proteja sempre.
Gostaria de, daqui onde me encontro, enviar palavras de carinho, amor e confiança a todos, mantenham sempre viva em vocês a fé que nunca deve ser relegada ao esquecimento. Lembrem-se, Deus é Pai e, como tal, sempre quer o melhor para seus filhos, nunca deixem que o desânimo e o desamor possam atingir vocês, mantenham essa fé dentro de vocês sempre viva.
Peço que cuidem de seu pai, não deixem que caia em depressão, pois isto pode fazer muito mal a ele que já está com o organismo um pouco debilitado. Verifiquem se está tomando os remédios que o médico da Terra passou para ele.
Uma outra coisa que gostaria de dizer é que sigam sempre a religião que escolheram e façam da fé e da ajuda ao próximo a bandeira que norteará o caminho de vocês em direção a luz do Pai. Nunca deixem de ajudar aos necessitados de uma ajuda moral, material e até uma palavra amiga de conforto e carinho aos necessitados. Sei que saberão fazê-lo com dignidade e respeito, pois o legado que aí deixei, tenho certeza que germinou como uma planta em terreno fértil.
Tenho sentido a falta de todos, mas quando entram em oração e os pensamentos nos momentos de juntos passamos, minha alma, agora Espírito, se enche de alegria, fé e esperança em dias melhores a todos.
Acho que já falei demais, mas gostaria ainda de dizer que adoro a todos vocês, filhos, marido e netos. Aqui estamos sempre orando para que tenham uma encarnação profícua e de grande ajuda aos necessitados. Lembrem-se sempre de agradecer, sempre, ao Pai, a Jesus e a esta espiritualidade amiga pelo amor e respeito que existe entre vocês.
Um grande abraço para vocês, meus eternos amores, que Deus os abençoe sempre de sua mãe, esposa e amiga.
Psicografia de 12/02/2017



Amigos, hoje fazem mais de 40 anos que deixei o mundo dos encarnados. Eu tinha uma vida muito boa, uma mulher que me amava e filhos lindos, mas não dei valor a isso na época.
O que me contentava e alegrava o coração era dinheiro, muito dinheiro. Trabalhava muito e não dava a devida atenção a minha família. Não vi meus filhos crescerem e com muito arrependimento digo que não passo de um estranho que tem dinheiro para eles. Até o relacionamento com minha esposa era distante.
Um belo dia, no meio de uma discussão no trabalho, infartei e morri. Eu nunca quis sair dali muito tempo se passou e eu preso naquele escritório. A minha cegueira era tanta que eu não me dei conta do que aconteceu, permanecendo no mesmo lugar.
A misericórdia divina se compadeceu de mim e pode ser resgatado, num trabalho de amor dos irmãos e familiares. É muito ruim se apegar as coisas materiais dessa forma, colocando-as acima de tudo, se fechando para as verdadeiras coisas da vida, que são o amor e os bons sentimentos.
Agora, depois de muito estudo acho que já sei mais alguma coisa a respeito da vida. Estou me preparando para voltar ao palco da vida, com muito medo de errar de novo, de me deixar levar pelo brilho do ouro.
Devo nascer numa família modesta, para não me apegar demasiadamente as coisas e viver despretensiosamente. Peço a todos que orem por mim e por todos que estão na mesma situação, no limiar de voltar ao palco da vida na carne, mas com medo de errar novamente e cometa os mesmos erros. Trocar todo o amor da sua família, todo o trabalho no bem por coisas que enferrujam e perecem.
Jesus os abençoe. Que o Pai possa se compadecer de todos nós! Eufrásio Dantas
Psicografia de 02/02/2017


Mamãe, não fique triste, eu estou bem. Eu sei que foi um susto enorme para você e uma grande dor a minha partida tão repentina. Mas tudo ocorreu na hora certa e tinha de ser assim, estava na minha programação, por razões que eu, agora, não posso falar. Não foi castigo de Deus e nem culpa de ninguém.
Mamãe, console seu coração sabendo que eu estou bem, vivendo num curto plano e que um dia nos encontraremos de novo. Nossa distância é temporária!
Peça a Jesus o amparo para seguir caminhando, pois tem muitos que dependem de você neste momento. A vida continua!
Quando eu puder e tiver condições para isso, irei visitá-la e a todos os outros. Trabalhe em prol dos outros como sempre fez e isso com o tempo consolará o seu coração. No rosto de cada criança sofrida precisando de amparo veja o meu e os acolha com o mesmo amor que sempre me escolheu.
Dê minhas lembranças a todos, ao Marquinhos e ao papai Leonardo.
Fiquem na luz de Jesus e Maria! Um beijo carinhoso do seu filho Raphael dos Santos Aguiar. (Mamãe Maria da Glória)
Psicografia 13/03/2019



sábado, 29 de fevereiro de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Março 2020


Editorial

Trabalhemos também  

“E dizendo: Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões.”   (Atos, 14:15) 

O grito de Paulo e Barnabé ainda repercute entre os aprendizes fiéis. A família cristã muita vez há desejado perpetuar a ilusão dos habitantes de Listra.
Os missionários da Revelação não possuem privilégios ante o espírito de testemunho pessoal no serviço. As realizações que poderíamos apontar por graça ou prerrogativa especial, nada mais exprimem senão o profundo esforço deles mesmos, no sentido de aprender a aplicar com Jesus.
O Cristo não fundou coma sua doutrina um sistema de deuses e devotos, separados entre si; criou virtuoso organismo de transformação espiritual para o bem supremo, destinado a todos os corações sedentos de luz, amor e verdade.
No Evangelho, vemos Madalena arrastando dolorosos enganos, Paulo perseguindo ideais salvadores, Pedro negando o Divino Amigo, Marcos em luta com as próprias hesitações; entretanto, ainda aí, comtemplamos a filha de Magdala, renovada no caminho redentor, o grande perseguidor convertido em arauto da Boa Nova, o discípulo frágil conduzido à glória espiritual e o companheiro vacilante transformado em evangelista da humanidade inteira.
O Cristianismo é fonte bendita de restauração da alma para Deus.
O mal de muitos aprendizes procede da idolatria a que se entregam, em derredor dos valorosos expoentes da fé viva, que aceitam no sacrifício a verdadeira fórmula de elevação; imaginam-nos em tronos de fantasia e rojam-se-lhes aos pés, sentindo-se confundidos, inaptos e miseráveis, esquecendo que o Pai concede a todos os filhos as energias necessárias à vitória.
Naturalmente, todos devemos amor e respeito aos grandes vultos do caminho cristão; todavia, por isto mesmo, não podemos olvidar que Paulo e Pedro, como tantos outros, saíram das fraquezas humanas para os dons celestiais e que o Planeta Terreno é uma escola de iluminação, poder e triunfo, sempre que buscamos entender-lhe a grandiosa missão.
(Mensagem de Emmanuel, do Livro Pão Nosso de Francisco Cândido Xavier)



A verdadeira propriedade

O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura. Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de que lá vos possais servir.
Ao viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de seu, vai dormir numa enxerga. O mesmo sucede ao homem, a sua chegada no mundo dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será, todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão: Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram: conquistam-se por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos, casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde serás tratado de acordo com tuas posses. (Pascal – Genebra 1860)
E André Luiz nos esclarece em suas reflexões que: “A viagem para o mundo espiritual exige preparo mais autêntico do que simples aparências.
Foges aos prazeres mundanos, mas criticas a escolha dos outros. Vives com moderação, mas condenas a conduta alheia. Ages com honestidade, mas não vences o egoísmo. Cultivas a oração, mas continuas intolerante. Dás a esmola, mas censuras o pedinte. Frequentas o templo, mas não afastas a vaidade. Auxilias a obra assistencial, mas alimentas o orgulho. Impões sacrifícios ao corpo, mas não perdoas a ofensa. Enalteces a fé, mas fraquejas na indulgencia. Estudas a religião, mas não aprendes a humildade.
Escolhe, pois, a bagagem certa para a jornada rumo à vida futura, a fim de que não deixes para trás a mochila da transformação intima.”
(Texto do ESSE Cap. XVI – Item 9 de Allan Kardec e do Livro Vivendo o Evangelho de Antônio Baduy Filho)



Gratidão, gratidão: eis o motivo que me reporto a todos vocês.
A emoção é grande, é com enorme alegria que hoje venho trazer notícias do mundo espiritual.
Trabalhadores desta casa de amor e caridade: Jesus os abençoe e fortaleça em todos os empreendimentos nesta abençoada jornada, na qual todos se prontificaram nessa tarefa de auxílio aos irmãos tão necessitados... de amor, aconchego e trazendo provisões necessárias a cada situação.
Queridos irmãos, sou exemplo “vivo” pois a morte não existe.
Na minha última roupagem entre vocês, fui nesta casa que obtive o apoio e a força necessária para minha caminhada.
Nesta casa fui acolhido e com o empenho de vocês ressurgi das cinzas. Estava morto e não via nenhuma saída para tanta dor instalada no âmago do meu ser.
Livramento, pois estava a ponto de desertar dessa vida.
Encontrei junto a vocês razões para continuar e caminhar. As respostas consoladoras do evangelho que me fortaleceu e continua a me fortalecer nessa nova paisagem em que tudo é muito mais amplo e esclarecedor.
Estou muito, muito feliz, trabalhando junto às crianças e ministrando o evangelho de Jesus.
Continuem o trabalho com gratidão e perseverando sempre.
Desistir nunca, pois muitas almas que estão mortas poderão ser resgatadas.
O trabalho de vocês é lindo e proveitoso, façam o máximo dentro de suas possibilidades. Nada fica perdido, tudo se transforma, no coração aflito e sem esperança; estou aqui para provar isso.
Avante amigos! A tarefa é grandiosa. A verdadeira vida é essa que vivo agora,
Zezinho.



Querido Mestre Jesus, obrigada pela oportunidade de aqui estar.
Eu hoje, estou bem, mas passei por momentos muito aflitivos quando aqui cheguei.
Eu sentia muita falta dos meus familiares, Fernando, meu marido, e João, meu filho. Eu não entendia o porquê de ter partido tão cedo, provocando tanto sofrimento à minha família encarnada.
Eu podia sentir suas dores, seu sofrimento me chamando tão vivamente que quando dei por mim estava lá na casa ao lado deles.
Isso não foi salutar nem pra mim e muito menos para eles. A minha presença desequilibrada piorava o sofrimento deles e eu não podia mudar a realidade das coisas, nem retroceder no tempo.
Só quando eles foram levados a uma casa Espírita por amigos e eu pude ser esclarecida, percebendo que minha presença fazia mais mal do que bem a eles.
Hoje, eu compreendo que os desígnios divinos são realmente o mais acertado e que eu tinha conhecimento próprio de que eu teria pouco tempo encarnada.
Minha família teria que seguir sem mim e tomar outro rumo.
Na realidade, não é minha família, nós não temos a posse de nada. Tudo nos é emprestado pelo Criador para nosso aprendizado; familiares são irmãos que vem nessa situação para ajuda, consolo ou harmonização; bens materiais nos servem com o propósito de aprendizagem, eles não nos pertencem, cada um precisa de uma modalidade, a abundancia e a escassez conforme o caso.
O apego nos prejudica e atrasa a nossa evolução, quando mais apegado, menos evoluído. Se nós tivéssemos essa visão das coisas, não sofreríamos tanto!
Que essa história sirva para esclarecer a todos sobre a posse e o apego às coisas e pessoas.
Que o Pai Maior derrame suas bençãos sobre todos vós!
Jesus os abençoe!
Irmã Paula.



Marco Antônio, meu filho, é com muita tristeza que esse triste velho lhe fala, mas é fala de conhecimento.
Mas agora não tenho paz em ver o que você está fazendo com sua vida, um dia tem seu filho, tem um pai de carne... Mas pra que eu tenha paz meu filho, tente perdoar meu filho. Tente perdoar meu filho.
Seu velho pai não deixa de orar pra você, que Nosso Senhor Jesus Cristo tenha perdão.
Um abraço saudoso, seu velho pai
José Carlos de Araújo
(Maria Rosa de Araújo e Marco Antônio de Araújo)



sábado, 1 de fevereiro de 2020

Ano IV - Rio das Ostras - Edição Fevereiro 2020


Editorial

O valor do Auxílio
O valor do auxílio não está na intenção do pedinte, mas na intenção do doador. Quem trabalha no bem deve dar sem olhar a quem. Ante a Vida Maior [...], o que vale é o que fazemos em favor do bem.
Se os que nos procuram trazem o coração envenenado, a mente cheia de suspeitas injustas e o ardil nos lábios, é evidente que são os mais necessitados. Pois pode haver maior necessidade do que aquela que ignora a si mesma?
Se os Espíritos Superiores não advertem o médium quanto às más intenções do consulente, é porque este deve ser socorrido, e o médium precisa aprender a auxiliar até mesmo quando enganado.
O resultado das boas ações é computado pela evolução. O galhofeiro de hoje evoluirá amanhã e acabará por envergonhar-se de si próprio.
Precisamos considerar que a Terra é ainda um reduto da ignorância. O consulente ardiloso ignora a extensão da sua maldade. Tanto assim que busca a verdade através da mentira. Não compreende a importância do ato mediúnico e por isso não pode avaliar o que faz. Age inconscientemente no uso da própria consciência. Pode haver maior alienação do que essa?
O médium, pelo contrário, está em plena posse da sua consciência voltada para o bem. Pode haver maior integridade moral no comportamento humano?
Mediunidade a serviço do bem é aprendizado como qualquer outro. Se o médium se sentisse infalível, estaria à beira da falência. É melhor falir entre os homens ou perante os homens, por amor, do que falir ente a Espiritualidade Superior por vaidade e orgulho.
A obra mediúnica sincera e nobre não é afetada por alguns episódios de prova. Os benefícios semeados através do trabalho digno não são depreciados pela maledicência e a ignorância.
Os que receberam o bem de que necessitavam saberão multiplicá-lo ao seu redor. Porque grande é o clamor dos que sofrem e mesquinho o esgar dos zombeteiros.
Prosseguir no bom combate, à maneira de Paulo, é o dever de todos os médiuns a serviço do bem.
(Mensagem de Irmão Saulo, no livro Diálogo dos Vivos de Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires)



Parábola dos dois filhos

“Um homem tinha dois filhos.  Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: ‘Meu filho vai trabalhar hoje na vinha.’ Respondeu ele: ‘Não quero’. Mas, em seguida, tocado de arrependimento foi. Dirigindo-se depois ao outro disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: ‘Sim, pai!’ Mas não foi.”  (Mateus, 21: 28 a 30).

...Notemos bem a atitude do pai daqueles dois filhos, pois essa atitude reflete claramente as condições em que os homens se acham em relação a Deus, o Pai comum de toda a Humanidade. Ele dirigiu aos filhos um simples e natural chamamento, e o fez de modo que eles pudessem, sem constrangimento, aceitá-lo ou não. Não prometeu recompensas e favores ao que o atendesse, nem punição ao que o desobedecesse. Concedeu-lhes liberdade de ação. Espelha-se aí, nitidamente para os que tiverem olhos de ver, a relação em que estamos, nós, os homens, em face da Lei Natural que nos rege o destino. A lei é clara e simples, serena e justa. Um apelo, apenas: “Vai, hoje, trabalhar na minha vinha”, isto é, cumpre o teu dever; corrige-te, aperfeiçoa-te, procurando conhecer-te a ti mesmo. Não faças a outrem o que não desejas que os outros te façam. Ama o próximo como a ti mesmo, de vez que a cada um será dado segundo as suas obras, e não conforme a crença que adote, ou, ainda, as cerimônias que pratique... Res, non verba (Fatos, não palavras).
São dignas de nota as ligações desta historieta cuja singeleza condiz tão bem com a humildade e a sabedoria da escola cristã. Quanta nobreza e eloquência encerra a compostura do pai destes dois filhos! Na sua serenidade vê-se que ele conhece profundamente o temperamento dos filhos e sabe a maneira eficaz de conduzi-los. Conhece também as consequências, decorrentes da desobediência, que recairão sobre eles. Age, por isso, como onisciente e onipotente. Não tem pressa: confia e espera. Não ameaça com penalidades os desobedientes, nem acena com prêmios e pagas para ser atendido e respeitado. Não quer servos nem lacaios: quer filhos que reflitam o caráter e as qualidades paternas. Portanto, não age nem humilha: dá liberdade. Repetimos: quanta nobreza e quanta excelência na atitude dessa figura paterna concebida e plasmada pelo Divino Mestre para nos instruir e esclarecer acerca das relações entre Deus e os homens! Está patente, neste transe da parábola, o livre-arbítrio relativo que gozamos. Em tal, importa a condição de responsabilidade e, consequentemente, do mérito ou demérito de cada um.
(Reflexões do Livro Na Seara do Mestre de Vinícius)






Transcrição

Meus Queridos,
Eu, Ivo dos Santos, venho hoje mandar notícias minhas para minha família. Minha esposa Joana, meus filhos André e Eduardo e minha filha do coração Ângela.
Vocês sabem da minha dor, do quanto sofri com aquela doença que foi acabando comigo pouco a pouco, como uma vela que se apaga.
Felizmente, ainda vivo, eu tive a oportunidade de repensar as minhas atitudes perante a vida e tomar conhecimento Doutrina Espírita.
Esse conhecimento foi muito benéfico para mim, pois eu pude aceitar a minha condição com mais calma, sabendo que não era o fim. Também tinha alguma noção do que encontrar no lado de cá, mas nada é igualzinho ao que imaginamos na Terra, é muito melhor.
Não senti muito a minha partida, para mim foi um alívio. Vocês sentiram muito, muito mais que eu.
Fui amparado pelos irmãos e levado a um hospital no astral para refazimento e tratamento. Eu fiquei lá um bom tempo.
Hoje, eu estudo para conhecer melhor como são as coisas e presto serviços correspondentes a minha condição de aprendiz. Estou bem!
Vocês, minha família querida, eu acompanho por notícias que os amigos me trazem. Ainda não tenho permissão para visitas, preciso me equilibrar mais.
Sinto as preces que ainda fazes por mim, querida Joana, e me sinto tão bem.
O amor não morre nunca, e nos acompanha aonde quer que vamos. Amo vocês todos, do fundo da minha alma!
Que o Mestre Jesus os ampare e ilumine sempre! Um abraço apertado e carinhoso!
Do seu Ivo dos Santos.
(Psicografada em 16/02/2017)



Afetos
A afetividade é uma função que desenvolve as faculdades superiores do espírito, e que, quando nos dispomos a exercê-la, abre nossas potencialidades para o exercício e a descoberta de valores ligados à essência divina em nós. No processo de autotransformação existe a preocupação constante em relacionar-se com os outros de forma cada vez mais afetiva, buscando o aprimoramento nas relações a fim de torná-las emocionalmente mais equilibradas.
A principal maneira de testar como anda nossa afetividade é na relação com os familiares. São eles o nosso primeiro contato social e com os quais estabelecemos as primeiras projeções do mundo interior. Uma pessoa afetiva demonstra o nível em que se encontra na forma como se relaciona com seus pares em casa. Demonstrar afetividade com os familiares representa abrir seu coração para o entendimento com o outro sem cobranças ou exigências.
Resolvida a afetividade em casa podemos partir para estendê-la aos amigos, construindo relações sólidas e maduras, sem dependências ou hierarquias. São nossos amigos que nos situam na sociedade na medida que nos dão retorno de nosso comportamento coletivo. Outras vezes conseguimos estender aos familiares a maneira como nos relacionamos com amigos, facultando a ampliação das nossas relações afetivas.
Através do contato com as pessoas às quais amamos é que conseguimos o melhor de nossa afetividade. Seria ideal que transferíssemos o carinho que temos para com os que amamos aos que fazem parte de nossa convivência social obrigatória. No processo de autotransformação estamos constantemente ampliando nossas relações, consolidando as antigas e disponibilizando-nos às relações afetivas com estranhos.
Para que nos certifiquemos de nossa situação em relação à autotransformação, deveremos verificar quais foram as mudanças significativas que fizemos nos últimos cinco anos em face dos embates com o mundo. Dispondo-nos às modificações que a consciência nos exige, poderemos entrar na autotransformação sem nos expormos excessivamente ao mundo. A razão representou uma grande conquista para a aquisição da consciência no ser humano, e a administração das emoções é o passo seguinte para a entrada na transcendência espiritual.
(Reflexões do Livro Psicologia e Espiritualidade de Adenàuer Novaes)





quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Ano III - Rio das Ostras - Edição Janeiro 2020


Editorial



Viver Melhor

Todos queremos ser felizes, viver melhor. Entretanto, ouçamos a experiência.
A felicidade não é um tapete mágico. Ela nasce do bem que você espalhe, não daqueles que se acumulam inutilmente. Tanto isto é verdade que a alegria é a única doação que você pode fazer sem possuir nenhuma. Você pode estar em dificuldade e suprimir muitas dificuldades dos outros. Conquanto às vezes sem qualquer consolação, você dispõe de imensos recursos para reconfortar e reerguer os irmãos em prova ou desvalimento. A receita de vida melhor será sempre melhorar-nos, através da melhora que venhamos a realizar para os outros.
A vida é dom de DEUS em todos. E quem serve só para si não serve para os objetivos da vida, porque viver é participar, progredir, elevar, integrar-se. Se aspiramos a viver melhor, escolhamos o lugar de servir na causa do bem de todos. Para isso, não precisa você condicionar-se a alheios pontos de vista.
Engaje-se na fileira de servidores que se lhe afine com as aptidões. Aliste-se em qualquer serviço no bem comum. É tão importante colaborar na higiene do seu bairro ou na construção de uma escola, quanto auxiliar a uma criança necessitada ou prestar apoio a um doente. Procure a Paz, garantindo a Paz onde esteja. Viva em segurança, cooperando na segurança dos outros. Aprendamos a entregar o melhor de nós à vida que nos rodeia e a vida nos fará receber o melhor dela própria. Seja feliz, fazendo os outros felizes.
Saia de você mesmo ao encontro dos outros, mas não resmungue, nem se queixe contra ninguém. E os outros nos farão encontrar DEUS. Não julgue que semelhante instrução seja assunto unicamente para você que ainda se acha na Terra.
Se você acredita que os chamados mortos estão em paz gratuita, engano seu, porque os mortos se quiserem paz que aprendam a sair de si mesmos e a servirem também.
(Mensagem de André Luiz, no livro Respostas da Vida de Francisco Cândido Xavier)





Jesus Veio

       “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” — Paulo. (Filipenses 2:7)

Muitos discípulos falam de extremas dificuldades por estabelecer boas obras nos serviços de confraternização evangélica, alegando o estado infeliz de ignorância em que se compraz imensa percentagem de criaturas da Terra.
Entretanto, tais reclamações não são justas.
Para executar sua divina missão de amor, Jesus não contou com a colaboração imediata de Espíritos aperfeiçoados e compreensivos e, sim, “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.
Não podíamos ir ter com o Salvador, em sua posição sublime; todavia, o Mestre veio até nós, apagando temporariamente a sua auréola de luz, de maneira a beneficiar-nos sem traços de sensacionalismo.
O exemplo de Jesus, nesse particular, representa lição demasiado profunda.
Ninguém alegue conquistas intelectuais ou sentimentais como razão para desentendimento com os irmãos da Terra.
Homem algum dos que passaram pelo orbe alcançou as culminâncias do Cristo. No entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando seu derradeiro testemunho entre ladrões.
Se teu próximo não pode alçar-se ao plano espiritual em que te encontras, podes ir ao encontro dele, para o bom serviço da fraternidade e da iluminação, sem aparatos que lhe ofendam a inferioridade.
Recorda a demonstração do Mestre Divino.
Para vir a nós, aniquilou a si próprio, ingressando no mundo como filho sem berço e ausentando-se do trabalho glorioso, como servo crucificado.
(Mensagem de Emmanuel, no Livro Caminho, Verdade e Vida de Francisco Cândido Xavier)



A Lição do Esquecimento

          Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se digladiarem indefinidamente.
          Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre, o ódio viveria eternizado transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer.
         A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.
          De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.
         O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas anteriores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.
         Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência à experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas recíprocas, dia à dia.
          Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.
         Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.
          Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.
          O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.
          Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixas, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.
          Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã.
(Mensagem de Emmanuel, no Livro Família de Francisco Cândido Xavier)




sábado, 30 de novembro de 2019

Ano III - Rio das Ostras - Edição Dezembro 2019


Editorial


Natal de luz
Se ao abeirar da noite sublime de Natal nada vês à frente senão a oportunidade de realizar desejos e alimentar sonhos para o ano vindouro, lastimo dizer que ainda não penetraste o verdadeiro espírito dessa data.
Por acaso esqueces que o divino aniversariante roga por todos, e para todos, quer o melhor?
Recorda que ele dispensou a pompa e o luxo e veio ao mundo de forma tão simples, para eternizar a mensagem de que fosses humildes sempre.
Todos os que passavam puderam participar de momento tão majestoso, e com isso deixou-nos a lição da confraternização que não deve ficar restrita à nossa casa, mas dela transbordar em todas as direções alegrando também ao que jazem esquecidos pelas sarjetas, os que não tem família, nem lar e nem pão, pois eles são teus irmãos e é Natal tanto para eles quanto para ti.
Não precisas abandonar o lar na noite festiva para estar com eles, mas podes desperdiçar menos para que, de tua abastança, uma migalha possas oferecer aos menos favorecidos, para propiciar-lhes uma noite feliz.
E quando o Natal chegar, não o procures ou vivas somente nas coisas externas. Embora tenhas os pés fincados no chão das necessidades humanas, não furtes aos olhos o espetáculo do céu.
Lembra que na sublime noite Jesus faz com que as luzes celestiais caiam sobre toda a Terra.
Não coloques o coração em trevas. Abre-o para transformar a escuridão em berço de estrelas fulgurantes, que desprendendo-se do infinito vem ornar as almas aflitas e desesperançadas trazendo com elas a dúlcida figura do Mestre Nazareno a relembrar-nos que para todo sempre ele estará conosco.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, no Livro A Conquista da Felicidade de Eulália Bueno)





 Nas Diretrizes do Evangelho
“Nem todo o que diz Senhor, Senhor, entrara no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai...” (Mateus, 7:21)
O tema nos convida a reflexão sobre como nos posicionamos na qualidade de discípulos frente aos ensinamentos de Jesus. Em diversas oportunidades Jesus exemplificou como deveríamos nos portar frente às diversas situações que a vida nos coloca. Quando descobrimos a riqueza do Evangelho, encontramos verdadeiro manancial que auxilia a nos reformarmos interiormente.
A reforma perante a luz do Cristo, certamente nos torna pessoas melhores. Porém, o fato consiste somente em Parte da questão. De que vale chamá-lo de Mestre quando não se segue os seus preceitos? Faz-se imprescindível aplicar seus ensinamentos na própria vida transformando-se com o objetivo maior de melhor servir. No próprio capítulo citado acima, Mateus relembra a assertiva do Mestre: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”, ou seja, o trabalho é fundamental.
Já dizia Paulo “Somos cooperadores de Deus” (I Coríntios, 3:9) e, para nos ensinar como cooperar, Jesus veio pessoalmente trazer sua mensagem de amor que nos ensina como proceder. Esta mensagem está concentrada nos Evangelhos que constituem um verdadeiro manual de normas de conduta. E Jesus fornecendo padrões educativos nas passagens do Evangelho, através dos seus exemplos e ensinamentos, que nos levarão a plenitude, culminando na conquista do Reino dos Céus dentro de nós.
“Não basta fazer do Cristo Jesus o benfeitor que cura e protege. É indispensável transformá-lo em padrão permanente da vida, por exemplo e modelo de cada dia” (VL 100). Como absorver tal citação em nossas vidas se ainda estamos tio distantes do que seria um bom exemplo? Os Evangelhos nos ensinam o caminho, mas a prática a nos pertence totalmente. E é justamente nessa prática, envolvida pela caridade, que estaremos aprendendo com o Mestre do amor e da renúncia.
O trabalho digno é a oportunidade abençoada e, trazendo para o nosso contexto, não resta dúvida que o exercício da mediunidade é um excelente campo na seara do bem. Entretanto, boa Parte dos aprendizes é ainda motivada pela oportunidade de atuar na prática fenomênica atraídos muitas vezes pelo fantástico e pela curiosidade. Alcançar o título de médium, em obediência a meros preceitos do mundo, não representa esforço essencialmente difícil. Receber mensagens do Além e transmiti-las a outrem, simplesmente, pouca valia possui, a menos que se esteja com propósitos elevados.
Sabemos que o intercâmbio mediúnico é acontecimento natural e o médium é um ser humano como qualquer outro. O que o diferencia é o agir e servir, ajudar e socorrer sem recompensa e sem vangloriar-se, sabendo fazer bom uso do empréstimo que a Bondade Infinita lhe concedeu, e pautando-se pelas diretrizes de Jesus.
Não podemos nos esquecer de que como médiuns somos instrumentos nas mãos do divino Mestre - é indispensável afinar o nosso instrumento de serviço justamente pelo Seu diapasão. Todos podem transmitir recados espirituais, doutrinar irmãos e investigar a fenomenologia, mas para imantar corações em Jesus é indispensável sejamos fiéis servidores do bem, trazendo o cérebro repleto de inspiração superior e o coração inflamado na Fe viva.
Assim, todos aqueles que se veem convidados a atuar no Campo da mediunidade, devem ter muito claro que todo o trabalho sempre deverá ser feito em Espírito de muita fraternidade e em nome de Jesus. Quanto mais o médium se purifica mais se sintoniza com a espiritualidade elevada e, para se purificar, a prática do Evangelho é o melhor caminho.
O Espírito Emmanuel nos orienta: “quando termine cada dia, passam em revista as pequeninas experiências que partilhaste na estrada vulgar. Observa os sinais com que assinalaste os teus atos, recordando que a marca do Cristo é, fundamentalmente, aquela do sacrifício de si mesmo para o bem de todos” (VL 8).
“E tudo o quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens”. Paulo (Colossenses, 3:23).
(Pauta do livro Curso de Educação Mediúnica da FEESP)





Potenciais
Autodescobrir-se é conhecer seus próprios potenciais internos, perceber a capacidade de realização pessoal e enfrentar os processos de que a Vida exige envolvimento e solução. Quando nos conscientizamos que somos feitos da matéria prima de Deus, o espírito imortal, adquirimos a consciência de nosso poder interno.
A consciência da indestrutibilidade do espírito, isto é, de si mesmo, é fator fundamental para a descoberta e desenvolvimento dos potenciais interiores. Nossos potenciais são capacidades internas não utilizadas face ao desvio de energia psíquica para os desejos egóicos. Tais desejos, calcados no egoísmo atávico, resultante do nível de evolução da maioria dos habitantes do planeta, impedem que enxerguemos as habilidades já conquistadas em vidas passadas, bem como aquelas que podemos desenvolver na atual.
O desenvolvimento dessas habilidades pode ser impulsionado pelos pais, principalmente por aqueles que demonstraram capacidade de realização frente ao mundo, nas várias dimensões da Vida. Quando não são os pais que impulsionam, são os exemplos de familiares mais destacados no grupo, de professores, de mestres, de figuras religiosas, de heróis, bem como daqueles que constroem uma boa relação produtiva com a sociedade.
Para desenvolver e fazer desabrochar os potenciais do espírito, devemos acreditar em nossa criatividade e impulsioná-la para além dos limites impostos pela consciência racional, buscando penetrar nos meandros da mente, à maneira dos artistas, poetas e místicos da humanidade. Não há limites quando, através da oração sincera a Deus, e integrados nos Seus propósitos, usamos a inspiração, a intuição e a criatividade. Além da oração pode-se descobrir o próprio mundo interior através de meditações e de processos analíticos terapêuticos.
A Vida deve se tornar disponível para o Self, visto que nele se encontra a matriz diretora gerada pelo espírito.
(Reflexões do livro Psicologia e Espiritualidade de Adenàuer Novaes)