sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Ano III - Rio das ostras - Edição Fevereiro 2019

Editorial

Como Conhecer a Ti Mesmo

 O conhecimento é a base da própria vida. A sabedoria abre caminhos novos para que possamos sentir e mesmo desfrutar da felicidade. Não poderá existir civilização sem que a inteligência ocupe algum lugar na pauta dos confortos. Não pode existir progresso sem a intervenção da sabedoria. Entretanto, ela se divide em duas forças altamente dignas, com duas dinâmicas opostas: o conhecimento exterior e o autoconhecimento. A sapiência externa nos faz investir à procura de valores até certo ponto perecíveis, mas necessários ao nosso equilíbrio. Passamos por perigos inúmeros, sujeitos às investidas do orgulho em sintonia com o egoísmo e sob o domínio da vaidade. Entrementes, se vencermos essas condições na altura em que elas se nos apresentam, sairemos livres, para novos conhecimentos que, podemos crer, serão a maior verdade, que é o conhecimento de nós mesmos, é o estudo do universo interno, aprofundando-nos dentro dele como se fora o nosso próprio mundo. Este conhecimento se chama Sabedoria-Amor.
Há quem diga que o amor não é sabedoria. Está completamente enganado. Quem ama nas linhas ensinadas por Nosso Senhor Jesus Cristo é um verdadeiro sábio. Ao conhecermos as nossas deficiências, abrimos portas de luz nas esferas da consciência, de sorte a nos enriquecermos, em todos os rumos, dos valores eternos, de talentos que Deus depositou em nossos corações, para a garantia de nós mesmos.
As religiões de todo o mundo e a filosofia que medra em toda a Terra têm a missão sagrada de indicar às criaturas os arcanos da sabedoria interna, que é a verdadeira senda de iluminação dos espíritos. Aquele que já conhece a si mesmo dispensa certos acessórios que pesam muito sobre os ombros e que exigem tempo precioso na sua conservação. O sábio interno nasce de novo, é um novo homem que surge de dentro do homem velho.
Todo movimento que se preocupa com as coisas externas das criaturas pode fazer muito em favor das almas em sofrimento, não resta dúvida. Entretanto, quando encontramos quem nos ajuda a trabalhar dentro de nós, a descobrir os nossos tesouros, esse é o caminho ensinado por Cristo, que nos liberta definitivamente. Quem conhece a si mesmo tem mais facilidade em conhecer as lições externas e as propriedades que lhe sustentam a vida.
A Doutrina dos Espíritos, na sua maravilhosa profundidade, desfralda a bandeira de luz no topo do mundo em que moramos, por misericórdia de Deus, com a inscrição já bem conhecida "DEUS, CRISTO E CARIDADE". Deus está no centro de todos nós, esperando, como Pai, os nossos apelos nascidos da vontade. Cristo pega em nossas mãos para nos mostrar os caminhos abertos pela caridade. O Céu está mais próximo de nós do que pensamos: reside dentro de nós. Basta abrirmos os olhos e buscá-lo. E, para tanto, devemos, como médicos de nós mesmos, executar as cirurgias indispensáveis em todas as áreas das nossas condutas, dominar os nossos impulsos inferiores e discipliná-los, transformando-os em instrumentos de trabalho e de paz, para que surja o amor no centro dos sentimentos e, junto a ele, a tranquilidade imperturbável em todos os caminhos que deveremos trilhar. Quem conhece a si mesmo, já não tem tempo de criticar ninguém.
(Mensagem do Espírito Lancelin, no livro Cirurgia Moral de João Nunes Maia)



A Arte de Interrogar

“Segundo a ideia falsíssima de que não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados.” Hahnemann. Paris, 1863. ESSE Cap. IX- item 10.

Não são poucos os companheiros que demonstram silencioso desespero quando percebem que o esforço pessoal de melhoria parece insuficiente ou sem resultados. Entregaram-se às fileiras de amor ao próximo e à escola do conhecimento espiritual, mas continuam asilando impiedoso sentimento de frustração ao partirem para as lutas reeducativas, nos deveres de cada dia. Alegam que vigiam o pensamento e oram fervorosamente pedindo auxílio, no entanto dizem-se perseguidos por uma “força maior” que lhes distrai e domina-lhes os impulsos, que fazem o que não têm intenção de fazer, sendo levados a atitudes não desejadas ou escolhidas. Nasce então o conflito, seguido de sentimentos punitivos que passam a povoar o coração, quais sejam a tristeza e a angústia, a vergonha e o desânimo. Instala-se assim o desespero mudo e desgastante que assola inúmeros aprendizes do crescimento espiritual.
Estariam, porventura, exercendo inadequadamente sua reforma? Semelhante ciclo de frustração necessariamente faz parte do programa de transformação e crescimento?  Faltaria alguma postura para tornar o esforço mais produtivo? Essas são indagações que devem fazer parte das meditações de quantos anseiam pela promoção de si mesmos, seja nos grupos de nossa causa ou nas avaliações pessoais.
Sem recolhimento e introspecção educativa não teremos respostas claras e indispensáveis na elaboração do programa de autoconhecimento. Imprescindível efetuar perseverante investigação no que se chama de “força maior”.
Será uma compulsão? Um espírito? Um trauma? Uma má tendência? Um recalque? Uma fixação de “outras vidas”? Uma patologia física? Um impulso adquirido na infância? Uma lembrança da erraticidade? Um problema surgido na gestação maternal? Uma emersão das recordações das atividades noturnas? Uma influência passageira e intermitente ou uma obsessão progressiva? Uma contaminação fluídica por “nuvens de ideoplastia” dos pensamentos humanos? Qual a origem e natureza das forças que nos cercam?
Será muito simplismo a atitude de responsabilizar obsessores e reencarnações passadas como causa daquilo que sentimos, e que não conseguimos explicar com maior lucidez. Em alguns casos chega a ser mesmo um ato de invigilância.
Que variedade de opções soma-se nas viagens de evolução para explicar as lutas espirituais que hoje enfrentamos! Apesar disso, não guardamos dúvidas em afirmar que o labor iluminativo de todos nós tem um ponto comum: a urgente necessidade da educação de sentimentos.
(Mensagem do Espírito Ermance Defaux, no Livro Reforma Íntima Sem Martírio de Wanderley S. de Oliveira)



A Providência Divina

A Providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. É a suprema sabedoria com que o Criador conduz todas as coisas, é o cuidado constante, o zelo ininterrupto, é o farol aceso no meio da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a flux sobre suas criaturas.
Deus está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial. Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo? Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.
Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como os sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente.
Enchendo Deus o Universo, poder-se-ia admitir, a título de hipótese, que Ele não precisa transportar-se, por se formar em todas as partes onde a soberana vontade julga conveniente que ele se produza, donde o poder dizer-se que está em toda parte e em parte nenhuma.
A ação providencial de Deus pode ser percebida nas seguintes palavras de Emmanuel: Se acreditas que o hálito das entidades angélicas bafeja exclusivamente os cultivadores da virtude, medita na Providência Divina que honra o Sol, na grandeza do Espaço, mas induzindo-o a sustentar os seres que ainda jazem colados à crosta do Planeta, inclusive os últimos vermes que rastejam no chão. Contempla os quadros que te circundam, em todas as direções, e reconhecerás o Amor Infinito buscando suprimir, em silêncio, as situações deprimentes da natureza. Cachoeiras cobrem abismos. Fontes alimentam a terra seca. Astros clareiam o céu noturno. Flores valorizam espinheirais. No campo de pensamento em que estagias, surpreenderás esse mesmo Infinito Amor, procurando extinguir as condições inferiores da Humanidade. Pais transfigurados em gênios de ternura. Professores desfazendo as sombras da ignorância. Médicos a sanarem doenças. Almas generosas socorrendo a necessidade.
Entendemos, assim, que Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para a sua bondade, é destituído de valor. Devemos, entretanto, considerar que, a despeito da ação providencial de Deus para com todas as suas criaturas, estamos vinculados aos resultados do nosso livre-arbítrio. Dessa forma, todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futuras. Fica claro, portanto, que a Providência Divina se manifesta duplamente: sob a forma de misericórdia e de justiça, porque a compaixão, filha do Amor, desejará estender sempre o braço que salva, mas a justiça, filha da Lei, não prescinde da ação que retifica.
Haverá recursos da misericórdia para as situações mais deploráveis. Entretanto, a ordem legal do Universo cumprir-se-á, invariavelmente. Em virtude, pois, da realidade, é justo que cada filho de Deus assuma responsabilidades e tome resoluções por si mesmo 10. As provações da vida representam, assim, os cuidados de Deus para com todos os seus filhos, oferecendo-lhes benditas oportunidades de progresso espiritual, como nos esclarece o benfeitor Emmanuel: Em todas as provas que te assaltem os dias, considera a quota das bênçãos que te rodeiam, e, escorando-te na fé e na paciência, reconhecerás que a Divina Providência está agindo contigo e por teu intermédio, sustentando-te, em meio dos problemas que te marcam a estrada, para doar-lhes a solução.
(Pauta de reflexão do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Tomo I)


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Ano II - Rio das Ostras - Edição Janeiro 2019


Editorial

Lógica da Providência  

“Depois que fostes iluminados, suportastes grande combate de aflições.”
Paulo (Hebreus, 10:32)
Os cultivadores da fé sincera costumam ser indicados, no mundo, à conta de grandes sofredores.
Há mesmo quem afirme afastar­se deliberadamente dos círculos religiosos, temendo o contágio de padecimentos espirituais.
Os ímpios, os ignorantes e os fúteis exibem­se, espetacularmente, na vida comum, através de traços bizarros da fantasia exterior; todavia, quando se abeiram das verdades celestes, antes de adquirirem acesso às alegrias permanentes da espiritualidade superior, atravessam grandes túneis de tristeza, abatimento e taciturnidade. O fenômeno, entretanto, é natural, porquanto haverá sempre
ponderação após a loucura e remorso depois do desregramento.
O problema, contudo, abrange mais vasto círculo de esclarecimentos.
A misericórdia que se manifesta na Justiça de Deus transcende à compreensão humana.
O Pai confere aos filhos ignorantes e transviados o direito às experiências mais fortes somente depois de serem iluminados. Só após aprenderem a ver com o espírito eterno é que a vida lhes oferece valores diferentes. Nascer­lhes­á nos corações, daí em diante, a força indispensável ao triunfo no grande combate das aflições.
Os frívolos e oportunistas, não obstante as aparências, são habitualmente almas frágeis, quais galhos secos que se quebram ao primeiro golpe da ventania. Os espíritos nobres, que suportam as tormentas do caminho terrestre, sabem disto.
Só a luz espiritual garante o êxito nas provações.
Ninguém concede a responsabilidade de um barco, cheio de preocupações e perigos, a simples crianças.
(Mensagem de Emmanuel no livro Pão Nosso de Francisco Cândido Xavier)







Ano Novo

“A paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vô-la dou como o mundo a dá”. (João, 14:27)
“Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. (I Coríntios, 12:26.)

Mais um ano que começa trazendo expectativas e novos propósitos. Propósitos de mudança de atitude com o objetivo de crescer como ser humano e ser espiritual. Muitos tecem planos para a conquista de status social, acreditando que ter é o caminho para a felicidade! Tantos outros desejam para si e para o mundo, a paz!
No entanto, é indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo. A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento, enquanto que a serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz Imortal.
Sem luz espiritual no caminho, reduz-se a experiência humana a complicado acervo de acontecimentos sem sentido. A peregrinação terrena é curso preparatório para a vida mais completa. Cada espírito exercita-se no campo que lhe é próprio, dilatando a celeste herança de que é portador.
A força divina está operando em todas as inteligências e superintendendo todos os trabalhos. É indispensável, portanto, guardarmos muito senso da obra evolutiva que preside aos fenômenos do Universo.
Não existem milagres de construção repentina no plano do espírito, como é impossível improvisar, de um momento para outro, qualquer edificação de valor na zona da matéria. O serviço da iluminação da mente, com a elevação dos sentimentos e raciocínios, demanda tempo, esforço, paciência e perseverança.
Daí a multiplicidade de caracteres a se aprimorarem na oficina da vida humana e, por isso mesmo, a organização de classes, padrões e esferas em número infinito, obedecendo aos superiores desígnios do Pai. Todas as atividades terrestres, enquadradas no bem, procedem da orientação divina que aproveita cada um de nós outros, segundo a posição em que nos colocamos na ascensão espiritual.
É necessário, pois, que os discípulos da Revelação Nova, com o Cristianismo redivivo, aprendam a valorizar a oportunidade do serviço a cada dia, sem inquietudes, sem aflições. Toda tarefa respeitável e edificante é de origem celeste. Cada homem, cada mulher, pode funcionar em campos diferentes.
No entanto, em circunstância alguma, deve-se esquecer a indiscutível afirmação de Paulo que assevera que “há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. (I Coríntios, 12:26.)
(Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz de Francisco Cândido Xavier)





Espiritismo no Lar

      “Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.”
      Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 4º — Ítem 18.

Todos sabemos valorizar o benefício de um copo d’água fria ou de uma ampola de injetável tranquilizante, ofertados num momento de grande aflição.
Reconhecemos a bênção do alfabeto que nos descortina as belezas do conhecimento universal e bendizemos quem no-lo imprimiu nos recessos da mente.
Mantemos no carinho do espírito aqueles que nos ajudaram nos primeiros dias da reencarnação, oferecendo-nos amparo e amamentação.
Somos reconhecidos àqueles que nos nortearam em cada hora de dúvida e não esquecemos o coração que nos agasalhou nos instantes difíceis do caminho renovador...
Muitos há, no entanto, que desdenham e esquecem todos os benefícios que recebem durante a vida...
Há um inestimável benefício que te enriquece a existência na Terra: o conhecimento espírita.
Esse é guia dos teus passos, luz nas tuas sombras e pão na mesa das tuas necessidades.
Poucas vezes, porém, pensaste nisso.
Recebeste com o Espiritismo a clara manhã da alegria, quando carregavas noite nos painéis mentais e segues confiante, de passo firme, com ele a Conduzir-te qual mãe desvelada e fiel.
Se o amas, não o detenhas apenas em ti.
Faze mais. Não somente em propaganda “por fora” mas principalmente dentro do teu lar.
No lar se caldeiam os espíritos em luta diária nas tarefas de reajustamento e sublimação.
Na família os choques da renovação espiritual criam lampejos de
Ódios e dissenção, que podes converter em clarões-convites à paz.
Não percas a oportunidade de semear dentro de casa.
Apresenta a tua fé aos teus familiares mesmo que eles não queiram escutar.
Utiliza o tempo, a Psicologia da bondade e do otimismo e esparze as luminescências da palavra espírita no reduto doméstico.
Se te recusarem ensejo, apresenta-o, agindo.
Se te repudiarem conduze-o, desculpando.
Se te ferirem espalha-o amando.
Pelo menos, uma vez por semana, reúne a tua família e felicita-a com o Espiritismo, criando assim, e mantendo, o culto evangélico, para que a diretriz do Mestre seja eficiente rota de amor à sabedoria em tua casa...
Ali, na oportunidade, ouvidos desencarnados se imantarão aos ouvidos dos teus e escutarão; olhos atentos verão pelos olhos da tua família e se nublarão de pranto; mentes se ligarão às outras mentes e entenderão... Sim, Ouvidos, olhos e mentes dos desencarnados que habitam a tua residência se acercarão da mesa de comunhão com o Senhor, recebendo o pão nutriente para os espíritos Perturbados através do combustível espírita que não é somente manancial para os homens da Terra, mas igualmente para os que atravessaram os portais do além-túmulo em doloroso estado de sofrimento e ignorância.
Agradece ao Espiritismo a felicidade que possuís, acendendo-o como chama inapagável no teu lar, para clarear os teus familiares por todos os dias.
O pão mantém o corpo.
O agasalho guarda o corpo.
O medicamento recupera o corpo.
O dinheiro acompanha o corpo.
Seja o Espiritismo em ti o corpo do teu espírito emboscado no teu corpo, a caminhar pelo tempo sem fim para a imortalidade gloriosa.
E se desejares felicidade na Terra, incorpora-O ao teu lar, criando um clima de felicidade geral.
(Mensagem de Joana De Angelis no livro SOS Família de Divaldo Pereira Franco)



sábado, 1 de dezembro de 2018

Ano II - Rio das Ostras - Edição Dezembro 2018


Editorial


Que a paz do nosso Mestre Jesus seja com todos!
Prezados irmãos, temos na natureza lindas lições a aprender. Todos os dias, em todos os lugares, encontramos a natureza a nos oferecer espetáculo de beleza e harmonia, mas também preciosas lições para nosso aprendizado. Mas..., é preciso ter “olhos de ver”.
Eis o sol, irmão grandioso em luz e força, imponente ao raiar dos dias que, no entanto, cede diariamente o seu lugar à lua para, por sua vez, vir nos iluminar.
Eis o sol, como que a exemplificar o respeito e a humildade pelo outro, mostrando entendimento que cada um, do seu modo, é importante no que tem a oferecer.
Eis as irmãs formigas, exemplificando o valor do trabalho em equipe para o sustento do grupo. Como que a nos mostrar que unidos podemos realizar muito mais.
Eis as águas do mar que seguem o fluxo das correntes, sob a interferência da lua, e nem por isso perdem sua identidade, sua individualidade como obra divina. Se misturam quando preciso, se mantém quando necessário, e seguem banhando o planeta, seguem servindo sob outras formas atendendo às Leis do Criador.
Lições a aprender! São muitas e quem quer, observa e aprende.
Irmãos, podemos nós também aprender através da observação do que se passa ao nosso redor, com a natureza humana inclusive.
Diz um irmão: “O mal que está por vir, pode e deve ser evitado.”
Diz o nosso Mestre: “Orai e vigiai!”
Através da atenção, do vigiar, se conhece a situação que se apresenta e através da oração se estabelece o fluxo da comunicação com os irmãos amigos que estão dispostos a nos ajudar. E nesta sintonia, flui a inspiração para nos melhorar a visão das coisas, e assim, nos fortalecer e iluminar a mente e o coração para as decisões da tomar.
Eis a natureza em nós, pois é da Lei Natural de Deus nos amar incondicionalmente e nos amparar nessa jornada evolutiva.
Irmãos, confiem, atentos e perseverantes no bem. Esse é o caminho com Jesus, contínuo e perseverante trabalho no bem com amor e fé.
Sion
(Psicografia recebida em 13/11/2018 pela médium Cláudia Araújo)



Ano Novo

Chegaste ao final de ano, trazendo o coração carregado de angústias. Sob o céu iluminado pelos fogos de artifícios e ao embalo das canções festivas não pudeste evitar as lembranças infelizes.
O ente querido, levado pela morte.
O familiar mergulhado na irresponsabilidade.
O filho amado, indiferente a teu carinho.
O parente acometido pela enfermidade irresistível.
O companheiro tragado pelo pelos vícios.
O amigo atirado à penúria e ao abandono.
Recordaste cada instante de dor e entre sorrisos e abraços, não pudeste conter o soluço de saudade e aflição. Lamentaste os ausentes. Choraste os que se ergueram contra ti. Sofreste pelos que não te entenderam as intenções mais nobres.
Sentiste o punhal da amargura, cortando-te a alma combalida. E vislumbrando, em novo ano, outra etapa de desilusões e sofrimento, sucumbiste ao fard0 do desanimo e do desespero.
Entretanto, apesar das provações dolorosas que a vida te reserva, enxerga no Ano Novo a oportunidade renovada de aprendizagem e experiencia.
É verdade que teus olhos estão vermelhos de pranto; que teus ombros estão vergados ao peso do infortúnio; que tuas mãos estão tremulas de cansaço e de angustia.  É verdade que tuas lagrimas são o testemunho vivo da tristeza que te consome.
Contudo, arma-te de fé e de coragem e, buscando em Jesus a inspiração e o apoio, não permitas que teus que teus pés errem o caminho do bem.
Tem paciência contigo, para que não percas a calma.
Reconhece tuas limitações, para que não te falte a tolerância.
Perdoa teus momentos de fraqueza, para que não fujas à benevolência.
Ajudando-te a ti mesmo, ajuda também os que estão a tua volta, amando e servindo, compreendendo e perdoando, na certeza de que todo gesto de doação é, na essência, auxílio ao próprio doador.
E, no limiar de cada Ano Novo, fortalece tua esperança em Jesus, deixando que a voz meiga e amorável do Divino Mestre te repita, ao coração ansioso, as palavras inesquecíveis: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
(Mensagem de André Luiz, do livro Vivendo o Evangelho Vol. I de Antônio Baduy Filho)




Amai os inimigos

“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás ao teu próximo e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazeis ao bem ao que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam para serdes filhos de vosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre os bons e os maus, e vir chuva sobre justos e injustos.” (Mt, V.20, 43 a 44). “Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amar os inimigos é a sua aplicação máxima, pois esta virtude é uma das maiores vitórias alcançadas sobre o egoísmo e o orgulho”. (ESE, cap. 12, item 3).
Os textos acima nos trazem, em geral, um sentimento de angústia, pois ainda nos é muito difícil perdoar e amar aquele que nos faz mal. No entanto, Jesus não entendia que se deve ter pelo inimigo a mesma ternura que se tem por um irmão ou um amigo. A ternura pressupõe confiança e não é possível confiarmos em quem nos faz ou pode nos fazer mal. Num exemplo figurado, os animais ferozes podem ser ameaça se entrarmos em sua área, mas isso não justifica exterminá-los. É necessário preservá-los pelo bem do equilíbrio da natureza. Todos os viventes têm sua razão de ser.
Trazendo essa figuração para nosso dia a dia, afinal quem são nossos inimigos?
Ao pensarmos sobre isso, nossa primeira resposta é “não tenho inimigos. Ou será que tenho?” nem sempre identificamos a resposta claramente.
Se pensarmos do ponto de vista da lei física, que demonstra que existe assimilação e repulsão dos fluidos, podemos perceber aqueles que têm pensamentos malévolos em relação a nós. A sensação é extremamente desagradável, principalmente aos que são mais sensíveis às vibrações negativas. Nossa primeira reação é a repulsa, mas se do pensamento passarmos à ação de revide de vingança, retroalimentando os fluidos negativos, criaremos uma prisão, com muito sofrimento.
Quebrar esse círculo vicioso é extremamente difícil, pois “o caráter do indivíduo é treinado para o revide, para a autodefesa, para a preservação da sombra individual e coletiva, onde sempre predominam o egoísmo e as paixões primitivas”. (Reconciliação em Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda, Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Franco).
Esse intercâmbio pernicioso pode durar por séculos e séculos, mas em determinado momento será interrompido, pois a lei do amor se origina em Deus, faz parte da nossa natureza e está gravada em nossa consciência. Os Espíritos, exauridos pela dor e movidos por sua natureza Cósmica, que inspira o amor, são levados à introspecção, à analise interior que os faz buscar a luz e a cura.
(Reflexões inspiradas no Evangelho segundo o Espiritismo cap. XII)




Deus em Ti

Cada dia em tua caminhada assemelha-se à pérola de luz que deves saber cultivar e agradecer.
Lembra, porém, que a pérola preciosa origina-se da luta que a ostra trava contra um grão de areia que a invade, gerando o nácar, substancia que ao envolver o agressor, o corpo estranho, dá gênese à pedra preciosa.
Assim, quando a dificuldade física ou moral atingir a tua alma, não te aflijas, nem te revoltes.
Abriga-te na prece fortalecedora, buscando equilíbrio e lucidez e, através do nácar da fé, dá vida às pérolas da paciência e da resignação.
Compreende que o obstáculo não deve se tornar o empecilho para que continues a caminhar, mas sim o motivo que te impulsiona a crescer mais e não desistir nunca.
A vida física é, para o espírito, escola de valor ímpar, onde nenhuma lição pode ser desperdiçada.
A dor que te atinge deve representar a avaliação, muitas vezes com alto grau de dificuldade, mas jamais impossível de ser ultrapassada.
Empenha-te para que o teu aproveitamento corresponda à confiança que o Pai deposita em ti e que está confirmada nas múltiplas oportunidades de renascimento, que incansavelmente Ele oferece.
Antes de te desesperares ou pensares em desistir, como a ostra, fecha-te para o Mundo e, envolvendo-te pela prece, cultiva Deus em ti, a fim de sentires o valor que tens.
És trabalhador indispensável à seara do bem, em todas as frentes, a começar pelo lar que te colhe, onde deves ser, para os que convivem contigo, o exemplo da fé e perseverança a oferecer a certeza de que em tempo algum se caminha a sós.
Em qualquer circunstância, a presença incomparável de Deus se faz sentir, atestando o Seu amor por cada criatura.
Ergue os olhos e segue buscando Deus em ti, sem esmorecer jamais.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, no livro A Conquista da Felicidade de Eulália Bueno)



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Ano II - Rio das Ostras - Edição Novembro 2018


Editorial

Pelos Caminhos de Jesus

Quando sentires que o desalento te abala a alma, busca refúgio na prece que ampara e fortalece.
Quando se tornar difícil acreditar que o bem vai assentar morada definitivamente no coração humano, volta-se para Jesus e aguarda.
Sempre que o contratempo visitar a tua existência, destruindo os sonhos acalentados, ora e continua trabalhando.
Sempre que a ingratidão ferir os melhores propósitos de auxílio, ampara ainda mais a criatura que te ofereceu.
Quando o desespero insistir em se agasalhar em tua alma, renova-a com fé para continuares caminhando.
Quando a doença te minar as energias físicas, busca o tratamento adequado para a recuperação do corpo, mas não deixes de alimentar a alma com lenitivo da reflexão e da prece.
Sempre que um ente querido te ofender ou sobrecarregar, pensa que, Deus conhecendo-lhe as necessidades, amorosamente colocou-te no caminho dele, a fim de ampará-lo em direção ao bem através dos exemplos dignos de serem seguidos.
Sempre que a desilusão fizer ruir os teus anseios, crê que te é solicitada a busca por novos objetivos
Quando te agredirem moralmente, não desperdices a oportunidade de exercitar o perdão.
Quando a fartura se fizer presente à tua mesa, não esqueças dos aflitos que esmolam por uma côdea de pão.
Sempre que retornares ao teu lar, ora por aqueles que não o possuem e pelos que, sendo colhidos por incidentes, ficarão impedidos de voltar.
Sempre que te recolheres ao leito para o descanso diário, recorda dos que dormem ao relento, sem cobertor nem aconchego.
Quando uma criança te sorrir, recorda das mães que tiveram seus filhos arrebatados pela morte e se entregaram à mãe de Jesus para serem consoladas.
Quando alguém te disser que não acredita no bem e nem confia no amor, tem piedade do seu coração distanciado de Deus.
Aquele que ora, crê e serve, encontra mais força para seguir e mais esperança para continuar acreditando no porvir.
Apesar das escolhas equivocadas que muitos fazem, povoando a Terra de agonia e dor, os que persistem no amor, apesar dos percalços da existência, são exatamente os que nunca desistem de avançar pelos caminhos de Jesus, proporcionando a construção de um novo porvir fincado nos alicerces da paz.
Que sejas um deles.
(Mensagem de Maria do Rosário Del Pilar, do Livro A Conquista da Felicidade de Eulália Bueno)




Estado da Alma

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor da justiça porque deles é o Reino dos Céus. (Mateus, V: 5, 6 e 10).

Essa melancolia profunda que chega, sorrateira, e se enraíza no coração, é saudade de regiões mais felizes, onde a dor não mais tem razão de ser, e o Espírito aspira por ali viver. Imanado ao corpo, como se estivesse encarcerado em cela estreita, as forças lhe diminuem, fazendo-o cair em abatimento.
Essa tristeza inexplicável, que derrama sombras nas paisagens íntimas, resulta, algumas vezes, de recordações de fatos ditosos, ora distantes, que parecem não mais se repetirão. O Espírito, sentindo-se impedido de fugir das algemas carnais, entorpece-se e tomba em desânimo.
Esse desencanto insistente, que tira a coragem de lutar e leva à depressão, provém da consciência do degredo que o espírito experimenta na Terra, longe dos afetos e da paz que não consegue reencontrar. Sabendo-se em situação penosa, de provação necessária, receia não conquistar a liberdade para voar...
Tais acontecimentos podem tornar a existência mais amarga, extenuando o ser em luta, que lentamente se entrega e exaure.
Há outros motivos de perecimento emocional, que resultam dos problemas naturais da atual existência, contribuindo para a infelicidade, especialmente quando considerado do ponto de vista imediato. Surgem, assim, distúrbios psicossociais, desajustamentos emocionais, perturbações orgânicas.
O corpo experimenta essas influências e, às vezes, arruína os equipamentos vitais, ameaçados de desarranjos tão graves quão funestos.
Resiste com todo o vigor às sortidas desses estados de alma. Eles terminarão, se perseveram, rompendo as forças de tua vontade e dos elos que mantêm o Espírito ligado ao corpo.
Recorda-te de que, após a noite, esplende, luminoso, o dia, como à enfermidade sucede a saúde benfazeja.
É natural que aneles por mais largas conquistas.
Para isso aqui estás em luta contínua, ao lado de outros Espíritos também necessitados, a fim de que evoluam, qual ocorre contigo mesmo.
Quando concluídas as tuas provações, que deves enfrentar com resolução, librarás, ditoso, nesses lugares de plenitude, que nos aguardam após as necessárias aflições terrenas.
(Reflexão de Joanna De Angelis, do Livro Luz da Esperança de Divaldo Pereira Franco)








O Educandário Familiar

A família é o resultado do largo processo evolutivo do espírito na extensa trajetória vencida por meio das sucessivas reencarnações.
Dessa forma, a família é o alicerce sobre o qual a sociedade se edifica, sendo o primeiro educandário do espírito, onde são aprimoradas as faculdades que desatam os recursos que lhe dormem latentes.
A família é a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais.
No lar, fomentam-se e desenvolvem-se os recursos da compreensão humana ou da agressividade e ressentimento contra as demais criaturas. A constelação familiar não é uma aventura ao país enganoso do prazer e da fantasia, mas uma experiência de profundidade, que faculta a verdadeira compreensão da finalidade da existência terrena com os olhos postos no futuro da humanidade. Campo experimental de lutas íntimas e externas, constitui oportunidade incomum para que o espírito se adestre nos empreendimentos pessoais, sem perder o contato com a realidade externa, com as demais pessoas.
Mesmo quando não correspondendo às expectativas pessoais, em face do reencontro com adversários ou caracteres inamistosos, no lar adquire-se a necessária filosofia existencial para conduzir-se com equilíbrio durante toda a existência.
O exercício da paciência no clã familiar é valiosa contribuição para a experiência iluminativa, porquanto, se aqueles com os quais se convive tornam-se difíceis de ser amados, gerando impedimentos emocionais que se sucedem continuamente, como poder-se vivenciar o amor em relação a pessoas com as quais não se tem relacionamento, senão por paixão ou sentimentos de interesse imediatista? No lar, onde se é conhecido e muito dificilmente se podem ocultar as mazelas interiores, são lapidadas as imperfeições em contínuos atritos que não devem resvalar para os campeonatos da indiferença ou do ódio, do ciúme ou da revolta.
 Aquele que hoje se apresenta agressivo e cínico no grupo doméstico, dando lugar a guerrilhas perversas, encontra-se doente da alma, merecendo orientação e exigindo mais paciência. Ninguém se torna infeliz por mero prazer, mas em consequência de muitos fatores que lhe são desconhecidos.
Quem não consegue a capacidade de amar aqueles com os quais convive, mais dificilmente poderá amar aqueloutros que não conhece. O combustível do amor se inflama com maior potencialidade quando oxigenado pela convivência emocional. Noutras condições, trata-se apenas de atração física passageira, de libido exagerada que logo cede lugar ao desencanto, ao tédio, ao desinteresse...
A família, portanto, é um núcleo de aformoseamento espiritual, que enseja aprendizagem de relacionamentos futuros exitosos. No grupo animal, quando os filhos adquirem a capacidade de conseguir o alimento, os pais abandonam-nos, quando isso excepcionalmente em algumas espécies não ocorre antes. No círculo humano da família é diferente: os laços entre pais e filhos jamais se rompem, mesmo quando há dificuldades no relacionamento atual, o que exige transferência para outras oportunidades no futuro reencarnacionista, que se repetem até a aquisição do equilíbrio afetivo. É da Divina Lei que somente através do amor o espírito encontra a. plenitude, e a família é o local onde se aprimora esse sentimento, que se desdobra em diversas expressões de ternura, de abnegação, de afetividade...
Com o treinamento doméstico o espírito adquire a capacidade de amar com mais amplitude, alcançando a sociedade, que se lhe transforma em família universal.
(Reflexão de Joana De Angelis, do Livro Constelação Familiar de Divaldo Pereira Franco)



domingo, 30 de setembro de 2018

Ano II - Rio das Ostras - Edição Outubro 2018


Editorial

Queridos amigos,
A luz e a escuridão são artes de uma dualidade, uma não existe onde a outra está. Na verdade, a escuridão onde o homem vive é a ausência da luz. A luz clareia o entendimento do Espírito e o faz enxergar o tamanho da sua inferioridade, o quanto falta para que ele possa ir para os páramos angelicais.
Na escuridão nos achamos os tais, poderosos e orgulhosos. Na luz enxergamos o quanto somos pequenos diante da maravilha da criação divina. Na escuridão achamos que podemos fazer o que quisermos, na luz vemos que o nosso livre arbítrio é relativo e não nos dá o direito de prejudicar o outro.
A luz nos mostra que o outro deve ser amado e respeitado por nós, assim como amamos a Deus.
Só seremos realmente seres de luz, quando conseguirmos esse amor universal que nos liga ao divino, sem o menor sinal dos baixos sentimentos que caracterizam os seres que vivem ainda na escuridão.
Deus nos deu a perfeição do corpo biológico como instrumento de elevação moral do nosso Espírito, para que com ele o nosso Espírito possa ver a luz divina que envolve a todos nós.
Que a Luz Divina possa clarear o entendimento de todos, mostrando o melhor caminho a seguir em todas as horas. Também possamos fazer o esforço a auto iluminação através do estudo e do trabalho no bem.
Muita luz e muita paz para todos, saudações fraternas
Um irmão.
(Psicografia recebida pela médium Priscila Sampaio em 30/08/2018)


Fé cega; Fé raciocinada

Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade (ESE, subtítulo)
No ESE, Cap. XIX, A FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS, itens 6 e 7, é apresentada a diferença entre a fé cega e a fé raciocinada. Esse aspecto é uma das pedras de toque da Doutrina Espírita, porque discute aspectos sempre questionados pela humanidade, buscando entender sua vida, a natureza e o universo.
Em todos os povos e em todos os tempos, alguns homens se destacavam pela curiosidade e a inteligência. Fadada à evolução e ao progresso, muito desses seres eram enviados do Alto para transmitir à humanidade o conhecimento para efetivar essa vontade de Deus. No entanto, descobriam que os conhecimentos adquiridos lhes davam poderes. Para não os perder, guardavam para si, obtendo vantagens que satisfaziam seu orgulho. Surgem, então as religiões, seitas que instituem suas próprias leis e dogmas a serem seguidas e obedecidas fielmente, sem questionamentos. É a significação da fé como um sentimento de total crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que que comprove a veracidade da proposição da causa. Nesse aspecto, a fé é cega, “que nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo.” (ESE, cap. XIX, item 6).
Em uma entrevista, Raul Teixeira cita esse tipo de fé como mitológica, mítica como uma crença, uma das definições da fé. E exemplifica que a fé é raciocinada quando acreditamos que na diversidade da natureza não há casualidade, mas sim uma causa inteligente para toda essa criação. É a prova racional da existência de Deus.
Haroldo Dutra de Oliveira cita outra definição. Em latim, a fé (fides) significa fidelidade que leva a pensar em relacionamento. Envolve a entrega, a confiança. Considera o supremo desafio humano, porque chega um momento que vem o teste da fé. Numa grande dificuldade, se tivermos fé, esperaremos com orações, paciência e resignação o cumprimento do tempo de Deus. “Somente a fé estruturada na consciência livre de prejuízos de toda a natureza, oferece as resistências para enfrentar as montanhas de desafios que lhe impedem o avanço no rumo da harmonia.” (Jesus e o Evangelho á luz da psicologia profunda – Joanna de Ângelis).
“Inicialmente a fé representava a religião e a ciência, a razão. Não era concebida a harmonia entre esses dois aspectos. O que a fé religiosa determinava, não podia ser negada. Com o espiritismo surge a fé raciocinada: fé e razão devem andar juntas, não devem ser separadas. São as duas asas do conhecimento humano. A ciência estuda as leis do mundo material, a religião as leis do mundo moral. Se as duas áreas são criação de Deus, não podem ser separadas”. (Marina Miranda, série Minha Nada Mole Encarnação, TVFEB).
 “...ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer: ´eu creio´, mas afirmar: ´eu sei´, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento”. (Emanuel - O Consolador).





Amor e Família

A família é o núcleo central da sociedade moderna. É nela onde os amores se encontram e reencontram. O amor é ali testado e sentido na mais alta intensidade. A família proporciona o encontro dos sentimentos controvertidos do passado, transformando-os em amor no presente. É na família onde aprendemos as mais puras lições do amor de Deus, representado no amor de mãe.
Sua estrutura básica alicerça-se no amor. Sua origem deveu-se não só à necessidade de proteção como também do espírito em vivenciar suas emoções e em ligar-se às pessoas por quem nutria um amor embrionário. É na família onde se experimenta o amor maternal, o filial, o paternal, o fraternal, que se assemelham na incondicionalidade e no desejo de senti-los com o intuito de elevar e fazer crescer o outro. Nela reencontramos antigos afetos e desafetos, em cuja companhia elaboramos novas oportunidades de realizações e substituímos as emoções desarmonizadas do passado.
Às vezes, aparecem na família, habitando o mesmo teto, pessoas que não possuem laços consanguíneos, mas que desempenham papéis importantes para o equilíbrio doméstico. São auxiliares da vida cotidiana que nos servem de modelo e, muitas vezes, estabelecem nossos limites, educando-nos quanto às regras de convivência. É nela que retornam os antigos amores, cujo reencontro se dá para a realização de novos ideais em benefício da vida e de seus protagonistas. Nem sempre os papéis são os mesmos.
Independente disso, o amor permanece unindo aqueles que se reaproximam para nova convivência. Pessoas que se reúnem pela afinidade e sintonia em torno de objetivos superiores, formam as famílias espirituais, cujos laços não se desfazem com a morte do corpo. Espíritos que juntos viajam em sucessivas existências, renascem numa mesma família, com novos propósitos de crescimento. O membro que se afastou para nova jornada, recebe o auxílio daqueles que ficaram. O retorno a uma nova existência não separa os que verdadeiramente se amam e confiam no Criador. O Universo, infinitamente habitado, abriga imensos agrupamentos de espíritos como famílias de uma cidade.
Vez por outra, uma família de um mundo vai em busca de crescimento em outro. Às vezes, a ida para outro orbe se dá por exílio ou degredo. Em todos os casos é sempre o amor de Deus a equilibrar e harmonizar o universo. O espírito, quando em família, nem sempre consegue mascarar sua realidade. A vida, entre quatro paredes, desnuda a todos. Ninguém se esconde na convivência com seus pares. As aversões ocorridas nos relacionamentos familiares, quando não decorrem de ações havidas em outras encarnações, geralmente refletem as influências espirituais a que se sujeitam aqueles que não agem com amor, como também o estágio evolutivo de cada um.
Conviver é um aprendizado que temos de encetar em favor de nós próprios. Nem sempre renascemos e permanecemos com os pais biológicos que nos colocaram na carne. A vida nos situa onde necessitamos aprender. A família ou os pais que temos são aqueles que merecemos e aos quais devemos, para sempre, o amor com que nos receberam. Quando recebemos, como nossos, os filhos que não geramos, assumimos o papel de colaboradores de Deus em sua obra, amando pelo princípio do amor sem limites.
Valorizemos a vida em família, pois ela nos leva à percepção de nós mesmos. Remete-nos à necessidade de amar os que conosco convivem. Ela ainda é uma necessidade do nosso momento evolutivo. Necessitamos, para melhor convivência social, construir uma sociedade em que, nas famílias, vigorem os princípios do amor, da paz e da harmonia entre seus membros. Para isto cada um tem um papel a cumprir no seu contexto.
A cada um é reservada uma parte das ações que viabilizarão aquela meta. Sintamos, em cada pessoa com quem nos relacionamos, um irmão, um membro da família de Deus. Somos todos filhos do mesmo pai, independente de quaisquer características biológicas.
 O Cristo nos deu o exemplo de família quando nos convidou a entendê-la como universal, cujos membros são aqueles que fazem a vontade do Pai.
(Texto do Livro Amor Sempre, de Adenàuer Novaes)


O espelho da vida

A mente é o espelho da vida em toda parte. Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz.
Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina.
Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar. Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.
Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca. Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão. O reflexo esboça a emotividade. A emotividade plasma a ideia. A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações.
Em semelhantes manifestações alongam-se os fios geradores das causas de que nascem as circunstâncias, válvulas obliterativas ou alavancas libertadoras da existência. Ninguém pode ultrapassar de improviso os recursos da própria mente, muito além do círculo de trabalho em que estagia; contudo, assinalamos, todos nós, os reflexos uns dos outros, dentro da nossa relativa capacidade de assimilação. Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante. Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos.
Por elas, estacionamos sob a fascinação dos elementos que provisoriamente nos escravizam e, através delas, incorporamos o influxo renovador dos poderes que nos induzem à purificação e ao progresso. O reflexo mental mora no alicerce da vida. Refletem-se as criaturas, reciprocamente, na Criação que reflete os objetivos do Criador.
(Mensagem de Emmanuel no Livro Pensamento e Vida, de Francisco Cândido Xavier)